Duas Faces - Continuação
52 Capitulo 97
Capitulo 97
(Após receber aquela terrível ameaça, Victoria e Paula entram em pânico).
Victoria (desesperada) – Ela vai matá-los… eu sei que vai. Maldita Dolores, maldita!
Cesar – Acalmem-se! Há que se ter calma. O que devemos fazer é chamar a policia…
Paula (desespera-se) – Não, Cesar. Ela alertou que se chamássemos a policia, mataria os nossos filhos. Acho que o melhor mesmo é enfrentamo-la, eu e a Victoria sozinhas.
Frederico – Nem morta vais entrar naquela casa sozinha, Paula. Nem tu e nem a Victoria.
Cesar – Exato. Nós vamos com vocês mas ainda assim deveríamos chamar a policia, entretanto não podemos correr o risco de ela machucar os miúdos. Como vamos fazer?
Victoria (enxuga as lagrimas e assume uma postura ríspida) – Eu já sei o que faremos.
(No Ramalhete, em Sintra, Dolores estava na sala com a Patrícia e a Debora).
Dolores – Muito bem, muito bem. Agora que já os temos presos no sótão, é só esperar que elas cheguem. Hoje finalmente terei acabado o serviço que comecei há quarenta anos.
Debora (nervosa) – Não sei, não estou segura disto. E se trazem a policia? E se falharmos?
Patrícia – Cala-te, medricas. Tens que manter a concentração que vai dar tudo certo.
Dolores – Elas não se vão atrever a chamar a policia. (Olha para Debora com desprezo) Patrícia, vai ver como eles estão. (Patrícia sai) Debora, Debora… tão jovem e tão desgraçada, pobre de ti. (Acaricia-lhe o rosto) Não precisas de ter medo, querida. Nós estamos aqui para apoiar-te. (Sussurra-lhe ao ouvido) Em breve o Cesar, o homem por quem tanto prezas, será livre para ti.
Debora (anima-se) – Tens razão, Dolores. Em breve ele será só para mim.
Dolores – Ora, mas então isto merece ser comemorado, querida. Vai até a cozinha e vê se há vinho ou champanhe que vamos comemorar. Traz duas taças. (Debora assim o faz. Traz duas taças e pousa a garrafa na mesa para abri-la). Não, querida, deixa que eu sirvo. Anda, senta-se na cadeira que eu trato de tudo. (As escondidas, Dolores despeja um liquido escuro no vinho de Debora e dá-lhe) Um brinde à nossa conquista, e que de agora em diante, triunfemos sempre.
Debora (entorna o vinho na boca sem saber do veneno, em instantes um formigamento tomou-lhe conta da garganta e da língua impedindo-a de respirar) – Dolores, que puseste aqui?
Dolores – Já estou farta dos teus temores e da tua insegurança. Tu passaste de aliada a ameaça. Tu eras-me já uma pedra, uma bomba que explodir-se-ia a qualquer pressão. Não gosto de deixar fios soltos, Debora, sempre disse isso. Tu podias te chibar a bófia a qualquer momento e eu não podia correr este risco. É pena que uma mulher tão jovem tenha que morrer tão cedo. (Debora se contorce no chão enquanto o veneno toma-lhe conta, em instantes já não respira e tem falência dos órgãos vitais. Dolores, com soberba, toma um gole do vinho e mexe-lhe a cabeça com a ponta do sapato). Hum… que horror. Hoje em dia há tanta violência. Há que se ter cuidado para não acabar… morta. (Rir-se com uma gargalhada. De repente ouve-se barulho de um carro a estacionar. Dolores apressa-se à janela e vê Paula e Victoria que chegaram. Pousa o copo e sai).
Frederico – Cá estamos, e agora o que faremos? Ainda acho que deveríamos entrar também.
Paula – Não. Ela pode fazer algo aos meninos. Eu e a Victoria é que temos de entrar.
Frederico – Mas… e o nosso bebê? Não, Paula, não meu amor. Eu entro no teu lugar.
Victoria – Frederico, eu entendo a tua preocupação mas infelizmente não pode ser.
Cesar – Entramos as escondidas… pela porta dos fundos, por exemplo. É mais fiável.
Victoria – Não podemos correr riscos, Cesar. Vocês ficam aqui e nós cuidamos de tudo.
Frederico – De maneira nenhuma. E se ela estiver armada? Por favor, ela não é burra.
Paula – Basta com isso. Quanto mais demoramos mais perigo eles correm. Frederico, se alguma coisa acontecer comigo e tiveres de escolher, escolhe o nosso filho. Promete-me!
Frederico (começa a chorar e abraça-a forte) – Não, não digas isso, meu amor, não digas isso.
Paula (aperta-se nos seus braços enquanto chora) –Promete-me, meu amor, promete!
Frederico (a soluçar) – Não te vou responder nada disso porque não vai-te acontecer nada.
Paula (segura-lhe o rosto e olha-o nos olhos) – Promete-me, Frederico!
Frederico (hesita mas conforma-se) – Eu prometo-te. Salvo o nosso filho. Eu te amo, Paula.
Paula (abraça-o) – Eu te amo muito mais, meu Frederico, meu poeta, meu amor.
Cesar (agarra Victoria pelas mãos) – Minha senhorita sorriso, minha mulher forte e corajosa, eu te amo mais que tudo neste mundo e confio nas tuas capacidades.
Victoria (descai em lágrimas) – Meu senhor dos olhos bonitos, meu homem herói, eu que não vivo sem ti, meu amor. Sei que quando eu precisar, vais estar lá para me salvares.
(Cesar abraça-a beijando-a como se fosse a ultima vez que iria sentir aqueles lábios nos seus. Paula e Victoria dão-se as mãos e destemidas elas entram no Ramalhete que deixara a porta aberta como se as convidasse. La dentro, tudo era escuro, o tempo que estiveram em Lisboa fora suficiente para que se acumulasse pó nos móveis. Apesar de habitada há poucos dias, não fora limpa. As cortinas cor verde musgo de veludo que arrastavam-se no chão com o entrar da pouca brisa gélida, escondiam a luz do dia que ainda era cedo. A casa estava morta e triste, como se guardasse uma nova desgraça e um novo segredo encrustado nas suas paredes decorada com uma tapeçaria antiga e quadros gigantes de família trazidos do México. Havia um silêncio perturbador mas não havia solidão, pois sentiam-se vigiadas por dois olhos de serpente astuta e venenosa que ficava na espreita das trevas para atacar. Sobrem ao sótão onde encontram os filhos amarrados e agitados como se lhes quisessem dizer algo. Elas não hesitam e correm para desatar as cordas mas são apunhaladas e desmaiam).
Paula (abre os olhos com dificuldade, percebe que está presa) – Socorro! Tirem-me daqui.
Victoria (acorda com a voz de Paula. Está ao seu lado) – Paula, irmã, és tu?
Paula – Victoria? Onde estás? Não te consigo ver… não me consigo mover. Meu Deus!
(Estavam deitadas sobre duas mesas, uma ao lado da outra, amarradas. Dolores entra na sala com a Patrícia e põe-se diante delas com um sorriso demoníaco estampado).
Patrícia (aproxima-se de Paula que consegue vê-la) – Ora viva, quem veio para o jantar.
Dolores – Se não são as irmãs gémeas mais insuportáveis do mundo. Sabem, foi mais fácil matar a vossa mãe do que matar dois bebês malditos… como isso é possível? (Rir-se e sussurra) Sim… eu matei a vossa mãezinha. Eu matei-a envenenada. Pena que não vos matei a tempo, não é? Mas, enfim… antes tarde do que nunca, não é mesmo?
Victoria (grita) – Maldita desgraçada! Tu mataste a nossa mãe, maldita. Eu quero que morras.
Dolores (agarra-lhe os cabelos) – As únicas a morrerem por aqui serão as princesinhas Maia.
Paula – Por favor, Dolores. Deixa disto.. já basta, eu te imploro, deixa-nos ir embora.
Dolores – Não! Vocês vão morrer, eu vou matá-las. Não descanso até me livrar de vocês.
Patrícia – Hum… por qual delas nós vamos começar, Dolores? Eu quero a loirinha. Pode ser?
Dolores – Ficas a vontade, Patrícia. Eu me conformo em matar uma delas apenas.
(Patrícia pega duas facas que estavam numa mesa encostada ao canto. Paula e Victoria começam a chorar e a gritar desesperadas, seria esse o seu fim?)
Patrícia (aproxima-se de Paula com a faca na mão) –É chegada a hora da vingança.
Dolores (com a faca, faz-lhe um corte no braço da Victoria) – Dói? Oh! Peço desculpa. (Rir-se).
(Patrícia estende a faca ao ar e prepara-se para cravá-la no coração de Paula, mas… antes que o pudesse fazer, um ruido suspeito atrapalha-as fazendo-as largar as armas sobre a mesa mais perto delas. Dolores e Patrícia, desconfiadas, saem para ver o que é).
Paula (com esforço, segura a mão de Victoria com força) – O que faremos? É o nosso fim?
Victoria (astuta, tem uma ideia) – Paula, alcançaste-me, consegues pegar uma das facas?
Paula (esforça-se mas não consegue alcançar) – Não… é impossível, Victoria.
Victoria – Usa o teu lenço. Trá-lo as nossas mãos e vamos fazer um nó cego na ponta. (Paula consegue levar o lenço à mão e fazem o nó) Agora, com o peso do nó, vais atirar com uma das mãos a ponta numa das facas e tenta puxar para ti.
(Paula quase sem conseguir, passa o lenço para a outra mão mas ele descai, ela consegue pegá-lo a tempo. Atira a ponta mas não consegue logo da primeira. O tempo está-se a acabar e elas podem regressar a qualquer hora. Paula finalmente consegue trazer a faca até ela, e Dolores já está a regressar com Patrícia. Quando entram na sala, elas já escaparam).
Dolores – Não! Não… não… onde…onde elas foram? Como escaparam? Não pode ser.
Patrícia (aterra-se) – Dolores, as facas… sumiram. Elas escaparam e estão armadas agora.
Dolores – Não, não pode ser. Como fomos perdê-las assim? Ah! O sótão. Elas estão lá. Vamos!
(Quando chegam no sótão, Paula, Victoria e os filhos estão prestes a escapar pela janela do terraço. Aflitas, elas apressam-se ao ver Dolores e Patrícia. Já estão todos fora excerto a Paula que é puxada por Dolores para dentro da casa. Victoria rapidamente regressa para salvar a irmã enquanto os filhos escapam. Victoria acerta a Patrícia com a faca que cai no chão. Parte para Dolores que consegue desarmá-la mas é derrubada por Paula. As duas sobem a ultima escada da casa que vai dar ao telhado. Estão encurraladas por Dolores).
Victoria – Desiste, Dolores. Já acabou, nós estamos em duas e podemos contra ti.
Dolores – Nunca! Só vou estar em paz quando as vir mortas, mortas, desgraçadas.
Victoria (dá-lhe a mão à Paula) – Ouve, só uma de nós pode sair daqui. A outra tem de ficar. Vai tu e salva o teu filho. Eu vou tentar escapar sozinha. Vai!
Paula – Não, Victoria, não irmãzinha. Daqui não saio sem ti… vamos lutar juntas contra ela.
(Distraídas que estavam, Dolores aproveita-se e atira-se à Victoria. As duas caem de cima da casa, mas Victoria consegue segurar-se no telhado… entretanto Dolores… Dolores cai estirada ao chão a deitar sangue por todos os lados. Paula corre para ajudar Victoria e segura-lhe a mão para puxá-la mas Victoria é demasiado pesada para ela sozinha. Ouvir: Sino a ti).
Victoria – Não adianta, Paula. Tu não vais conseguir me puxar. Salva-te, irmã, salva-te.
Paula (a chorar, segura-lhe com todas as forças) – Não, Victoria, eu não te vou deixar nunca.
Victoria – Tem de ser, minha irmã. Sou eu ou tu. Já te sacrificaste muito por mim… é a minha vez agora. Não vou poder aguentar mais por muito tempo, Paula. deixa-me cair.
Paula (soluça desesperada) – Eu te amo, Victoria… eu te amo tanto! Não morras por favor.
Victoria (a chorar) – Eu também te amo, loirinha. Desculpa por todo o mal que te causei. Paula, promete-me que vais cuidar dos meus filhos e que vais cuidar do Cesar por mim?
Paula – Não digas isso, Victoria… por favor aguenta. Vais viver, eu prometo que vais.
Victoria – Promete-me, Paula! Eles precisam de ti agora. Sempre todos precisaram de ti.
FIM (CAP 97)
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