Duas Faces - Continuação
47 Capitulo 92
Capitulo 92
(Cesar, angustiado, aproxima-se dela e põe-lhe a mão ao pulso. Paula deita muito sangue).
Cesar – Não… não está morta. Só desacordada. Vamos levá-la ao hospital, rapidamente!
Victoria (um puco mais descansada) – Não é melhor chamarmos uma ambulância?
Cesar – Demorariam para chegar. Ela está em condições, mas temos que ser rápidos pelo bebé. Anda! Ajuda-me a levá-la para o carro e vais atras com ela.
Victoria (Ajuda-o e entra no carro, aflita) – Temos que avisar à todos, Cesar.
Cesar – É melhor não preocuparmos os miúdos por enquanto. Liga só ao Frederico e ao Telmo.
Victoria (liga-o a chorar) – Frederico, aconteceu uma tragédia! A Paula estava caída ao chão, desmaiada e sangrava da cabeça. Acho que caiu da escada. Estamos a ir para o Santa Rita.
Frederico – Não pode ser! Meu Deus… justo agora que eu já sei que vou ser pai. Victoria, não deixa nada acontecer-lhe à ela e ao meu filho, eu já estou a ir.
(Victoria e Cesar chegam com Paula nos braços ao hospital. Ela é rapidamente atendida. Logo depois Frederico chega e todos ficam nervosos a espera de alguma noticia. Um médico vem).
Frederico (levanta-se imediatamente) – Então, doutor, como está? Diga-me que está bem!
Doutor – Bom… o estado da paciente é um tanto critico devido ao facto de estar gravida. Estamos a tentar salvar a criança e ser tão pequenina não ajuda. A paciente vai precisar de uma pequena doação de sangue para salvar-se a si e à criança.
Cesar – O meu sangue não é compatível com o dela… Frederico, tenta tu!
Doutor – Felizmente não será necessário ir muito longe. O sangue da irmã já é mais que suficiente. Ainda melhor sendo gémea. Venha, senhora! Acompanhe-me se faz favor.
Victoria (desconcertada) – Espere, senhor doutor! Eu não sou a… (pensa melhor e vai).
(A doação é feita. Horas depois o médico regressa e todos estão ainda mais preocupados).
Doutor – Graças à doação da senhora Victoria, Paula e a criança estão salvas.
Frederico (chora emocionado) – Obrigado, meu Deus! Obrigado doutor e Victoria… eu morreria se alguma coisa acontecesse ao meu filho e à minha mulher.
Cesar – É mesmo maravilhosa a noticia. Se não chegássemos a tempo… o pior teria acontecido.
Victoria – Eu quero saber mais sobre o estado dela, doutor. Podemos conversar? (Eles vão para o escritório do doutor. Victoria senta-se muito contente por tê-la salvo).Eu fico muito feliz por ela ter se recuperado, mas doutor, o senhor enganou-se. (Rir-se) Apensar da nossa incrível semelhança, não somos irmãs… quanto menos irmãs gémeas.
Doutor – Como não? Senhora Victoria, você é irmã gémea da senhora Paula. Os exames não mentem. Está tudo aqui, veja! (Estende-lhe o documento) Ai comprova-se o DNA. São irmãs.
(Ouvir: Laura Pausini y Thalia- Sino A Ti. Victoria pega nos exames. Era como se o mundo que ela conheceu não existissem mais. Tudo o que ela acreditava era mentira. Sentia-se desconhecida de tudo, sentia-se inexistente. As pernas falharam, e o coração disparou, as mãos tremiam e ela começa a chorar, incrédula, com aquele papel que lhe fora mais como um punhal no peito que a matou e a trouxe de volta mais viva. Ela levanta-se sem dizer uma única palavra. Sai do escritório e na cabeça vêm-lhe as memórias de quando viu Paula pela primeira vez, quando trocaram de lugar pela primeira vez, quando trocaram definitivamente, lembra-se das brigas que tinham, das vezes que choraram juntas, de quando riram juntas, dos sentimentos em comum que tinham entre elas. Lembra-se da sua personalidade forte e do carinho que sempre lhe teve apesar de as vezes ser má para ela. Tudo cai a sua volta. Ela tinha uma irmã, mas como era possível que duas pessoas que viveram a vida em lugares totalmente diferentes poderiam ter algum parentesco? Havia um oceano que as separava e elas nem se conheciam. Alguém as separou… houve um crime, houve um vilão, houve um roubo. Agora ela entendia porque não se parecia com os pais e porque eles nunca lhe deram o carinho devido. Cesar conhecia Paula desde muito menina, Telmo esteve sempre com ela. A irmã separada fora Victoria, a desgraçada e afastada da sua família era ela).
Victoria (aos soluços) – Meu Deus! Paula e eu… irmãs? Como isso aconteceu? Como eu e ela fomos separadas? Minha irmã… irmãzinha! Paula e eu somos irmãs… eu tenho família.
Cesar (vem pelo corredor e preocupa-se pelo pranto de Victoria) – Meu amor, porquê estás a chorar? O que houve? Não me digas que a Paula…
Victoria – Não, não! Paula está bem. Cesar… já não aguento mais, não aguento mais! (Abraça-o a chorar) Cesar, eu e ela… somos… irmãs gémeas! Os exames mostram tudo… somos irmãs!
Cesar (impactado) – Mas… não pode ser possível! Eu… eu conheço-a desde pequena e nunca soube de outra criança na família… deve haver algum engano!
Victoria (aos soluços) – O único engano aqui é a minha vida que é toda uma mentira. Meu Deus! Porquê eu? Porquê comigo? Meus… as pessoas que se diziam meus pais nunca me foram tão carinhosos como se supunha. Empurraram-me para o Frederico assim que tiveram chance. Cesar, o que eu vou fazer da minha vida? Eu não tenho mais em quê acreditar.
Cesar (toma-a num abraço caloroso) – Não? Justo agora que a verdade fez-se tão clara? (Olha-a nos olhos) Meu amor, até da mais cruel tragédia nasce uma flor que reluz a esperança. Se não fosse este crime, não terias os teus filhos que tanto amas, a Paula jamais encontraria o seu amor verdadeiro e talvez eu também não tivesse os meus filhos, pois crescendo com a tua irmã, tu e eu, predestinados que somos, já nos teríamos casado há tempos. Querida, talvez soe egoísta o que te vou dizer, mas se fosse possível voltar atrás, gostaria que nada mudasse. Aceita estas peças que te pregam o destino porque assim é a vida. Nada é por acaso, tudo está escrito. As lágrimas que vêm, são para lavar e purificar a alma que te fará feliz. Eu nem posso imaginar o que te passa pela cabeça neste momento. São tantos pensamentos, tantas coisas que te clareiam as incógnitas, meu bem, mas não chores de dor, rias pois quem te queria ocultar a verdade deu-se mal, a mentira falhou outra vez.
Victoria – Sim… sim, tens razão! Mas… dói-me pensar que eu poderia ter tido uma família de verdade, pessoas que me amassem e que me cuidassem… Cesar eu cresci numa miséria que nem imaginas. Casei-me cedo para fugir das tristezas e da pobreza. Sou grata à vida por me ter dado os filhos que tando amo, e agradeço à Deus, que fez tudo ajeitar-se mesmo com sabotagens que lhe foram feitas. E a Paula… pobre dela. Uma irmã que a fizesse companhia quando o seu… o nosso pai morreu. O que nos fizeram foi uma monstruosidade, Cesar. Separar duas crianças ligadas por um laço de sangue inquebrável… estes dois seres que sofreram as consequências de um pecado alheio. Juro por tudo que mais amo que se me custe a vida, eu hei de encontrar o responsável por este desfalque… eu juro!
Frederico (entra no corredor desesperado) – Então? Victoria, porquê choras? A Paula…
Cesar – Ela está bem, Frederico, não te preocupes. A Victoria está assim porque soube que…
Victoria – Que o meu sangue a salvou e isto emocionou-me. Nada de mais, Frederico.
(Cesar olha-a sem compreender o porque de ela ter escondido aquela revelação dele).
Frederico – Será que já posso entrar para vê-la? Onde está o medico para eu perguntar?
Victoria (a enxugar as lágrimas) – Está ali no escritório. Podes entrar se quiseres.
Frederico – Ótimo. Vou falar com ele… obrigado, Victoria. Muito obrigado! (Retira-se).
Cesar – O que foi isto, Victoria? porquê não lhe disseste nada sobre…
Victoria – Por favor, Cesar… são muitas coisas num dia só. Depois, com calma, eu conto.
Cesar – Vem, vamos para casa que precisas descansar, meu amor. Estás muito nervosa.
Victoria – Não! eu não vou sair de perto da minha irmã. Vou ficar aqui até ela sair bem.
(Cesar abraça-a e beija-lhe a testa. Ele esconde a surpresa e a indignação para acolher as dores da Victoria. Frederico consegue permissão para entrar e ver a Paula que dormia profundamente em descanso. Ele segura-lhe a mão enquanto vela-a).
Frederico – Ofélia, meu amor. Desperta, carinho meu. Tens que ir para casa comigo e o nosso filho que será um varão, tenho certeza… mas… se vier uma menina, será a nossa princesa. Porquê sempre escapas pelos meus dedos e cais direto na morte? É como se fosse uma condenação. Ou estás comigo ou morres. E eu sem ti tenho o mesmo fim… porque viver sem ti é pior do que morrer. Acorda, meu amor! Acorda e vive por nós os três.
(Victoria entra no quarto e pede-lhe que a deixe ficar um pouco com a Paula. Frederico sai)
Victoria (chora junto dela) – Minha irmã, agora que tenho um sangue por zelar, não me deixes… não abandones esta perra mulher que te fez tão mal. Eu te amo, Paula!
Paula (a despertar, sussurra cansada) – Victoria? Olá, querida! (Sorri) Eu também te amo, tontinha… (adormece outra vez).
(No dia seguinte, logo a tardinha, Paula tem alta e vai para casa deixando Dolores em cabelos brancos novamente. Desta vez a sua artimanha foi um ato falho fatal. A sua maldade as separou e só a sua maldade as pôde unir. Voltam as irmãs Maia abraçadas pela verdade, que despencaria sobre Dolores como uma rocha de gelo. Elas sobem para o quarto com Cesar e Frederico. Dolores fica desnorteada. As irmãs tinham mais vidas que um gato).
Dolores – Salvou-se a maldita… e ainda salvou o bastardo. Inferno de vida a minha!
Victoria (a ajudar a Paula a deitar-se) – Assim está bem, querida?
Paula (a recostar-se) – Está! Obrigada. (Sorri) Estás-me a tratar tão bem, Victoria… porquê?
Frederico (senta-se ao lado dela) – Foi a Victoria quem doo-te o sangue, meu bem.
Victoria – Oh, Frederico! Sabes bem que isto não me custou nada… fiz com gosto.
Paula (estende-lhe a mão) – Muito obrigada, Victoria. (Rir-se) Agora temos o mesmo sangue.
Victoria (fica nervosa com aquela ingénua afirmação que tinha mais sentido do que a Paula imaginava) – Frederico, podes deixar-nos a sós, se fazes o favor?
Frederico – Ah… claro! Mas não demores muito com ela porque quero o meu lugar. (Retira-se).
Paula (a sentar-se na cama. Está preocupada) – O que foi, Victoria? Estás-me a assustar.
Victoria – Nunca paraste para questionar a nossa incrível semelhança? Tu e eu não somos parecidas, Paula… somos idênticas. A não ser pelo cabelo. Eu vi o retrato que está no teu antigo quarto. Aquela era a… a tua mãe? Não reparaste no quanto ela e eu somos parecidas? O destino nos separou e o destino nos quis unir outra vez. (Pega-lhe a mão) Paula, tu e eu… nós somos… somos irmãs gémeas! (Fora do quarto, ouvia Dolores que sai depressa).
Paula (quase desmaia. Não pode acreditar naquilo… como é possível? Era como se o coração fosse parar) – Não… não pode ser… Victoria… isso é… impossível, quer dizer… tu e eu? Irmãs? Não… definitivamente isto é um engano… tu cresceste no México e eu aqui e…
Victoria – Eu sei… sei o quanto isto é estranho mas… é a mais pura verdade. Os exames que os médicos fizeram durante a minha doação de sangue, comprovam as minhas palavras.
Paula (levanta-se com esforço. Está desnorteada) – Não… mas… como? Como isto aconteceu?
Victoria (abraça-a) – Eu não sei, mas juro pelo que mais amo que vou descobrir! Nós as duas iremos descobrir juntas… (Olha-a nos olhos ) Minha irmã!
Paula (aquela palavra a qual Paula jamais imaginou ouvir, encheu-lhe os olhos de lagrimas emocionadas) – Irmã? (Desata a chorar) Tenho uma irmã! (Rir-se) Somos família, Victoria!
Victoria (volta a abraçá-la) – Sim, irmãzinha! E ficaremos juntas para sempre… unidas.
(Enquanto isso, Dolores se descabelava de medo e odio no seu quarto. Procura Olga)
Dolores – Acabou! Estamos perdidas… (Pega-lhe os dois braços) Olga, elas descobriram tudo. Já sabem que são irmãs. Tens de me ajudar a destrui-las de uma vez por todas.
Olga (solta-se dela) – Não, Dolores! Chega de crimes, chega de crueldades. Acabou para ti.
Dolores (olha-a com desdém) – Quem pensas que és para me falares assim, maldita infeliz? Tu sem mim não és nada se não uma moribunda ingénua. Junta-te à mim que é a tua única opção.
Olga – Não! Eu tenho muitas mais opções para o teu governo, Dolores. Uma delas é… é ficar com o Telmo, porque eu ainda o amo e porque sei que ele ainda me ama.
Dolores (dá-lhe um tapa a cara) – Eu deveria ter matado a tua filha quando tive a oportunidade ao invés de jogá-la naquela maldita lata de lixo… pobre da tua Nina!
Telmo (entra ao ouvir a revelação) – O quê estás a dizer, Dolores? Nina é a nossa filha e foste tu a responsável por todo este sofrimento? Responde, Dolores!
Dolores (doente de odio) – Sim, mordomo de quinta! Fui eu… (rir-se sem destreza) Eu tive que o fazer para que a imbecil da minha irmãzinha não caísse nas mãos de um pobre miserável como tu. (Diz a sorrir) Assim como eu fiz com as tuas queridas senhoras… eu mandei a Victoria para o México com aqueles empregados imundos, mas vejo que errei… deveria tê-las matado!
FIM (CAPITULO 92)
Fale com o autor