Duas Faces - Continuação
35 Capitulo 80
Capitulo 80
(Frederico e Telmo estão no quarto do hotel ansiosos por Victoria que traria noticias sobre a fuga da Paula. Ainda não sabiam da tragédia ocorrida. Victoria entra no quarto quase a desmaiar, Telmo corre e segura-a… os dois preocupam-se).
Frederico – Victoria, onde ela está? Não me digas que se foi embora?
Telmo – Bem… de qualquer forma, ela volta ou o senhor vai atras dela e…
Victoria (diz a tremer) – Morreu! O avião… explodiu no ar… eu vi! Ela se foi.
Frederico (desespera-se) – Quê? Explodiu? Ela… a minha Ofélia… minha Paulinha… não!
Telmo (agarra Victoria pelos dois braços) – Que me está a dizer, senhora Victoria?
Victoria (grita desesperada) – Morreu, Telmo! Ela está morta… era o único avião a decolar naquela hora e o único voo para o México. Perdi-a de vista e quando cheguei ela já estava lá.
Frederico (cai ao chão em pânico) – Paula… (grita) Paula! Minha Paula…! Não, meu Deus, meu amor não pode ter me abandonado!
Telmo (fora de si e quase sem crer) – Não… minha filha… filha do meu coração… não pode ser!
Frederico (desesperado) – É minha culpa! Eu obriguei-a a ir-se porque não confiei nela… sou um desgraçado maldito que não merece nem o perdão de Deus.
Victoria – Não te culpes assim, Frederico. Eu dei a ideia de ela viajar… a culpa é minha.
Telmo – A culpa não é de ninguém. O que houve foi terrível, algo que tem Deus pode impedir.
Victoria (cai em desespero) – Meu Deus… os filhos dela… pobrezinhos, ficaram sem mãe!
Frederico (em prantos e soluços) – Minha Ofélia… meu amor! As ultimas palavras que te disse foram calunias da desgraça e da ilusão… minha Paula… o que será de mim agora, senhor? (Frederico chorava atirado ao chão enquanto Telmo, ainda em choque, levantava-o).
Telmo (a tentar conter as lágrimas) – Acalme-se, meu senhor… por favor.
Victoria (saindo) – Preciso contar ao Cesar e aos meninos… (deixa escapar um soluço e sai).
Frederico – Vai-te, Telmo! Sai que quero estar sozinho! (Grita) Sai! (Telmo sai e Frederico levanta-se da cama, pega na camisola de seda branca que ela esquecera no quarto, cheira-a e desata a chorar. Ouvir: Tu Levaste a Minha Vida — Tony). Paula… minha Paula, meu amor! Porquê eu não acreditei em ti, meu amor? Porquê? Meu Deus… fui tão cego…! Deus… maldito sejas tu por a teres tirado de mim. Não… não te creio mais… tu já não existes para mim… (grita) Deus não existe e se existe é mau e desprezível. Paula… minha Ofélia do coração. O que será de mim sem ti, Paula? Eu quero morrer… quero morrer sem ti, meu amor! (Cai ao chão mais uma vez. Vêm-lhe à mente o dia em que a conheceu… quando sentiu o seu perfume pela primeira vez, quando tocou-a pela primeira vez. Lembra-se do baile, lembra-se do primeiro beijo que lhe deu, lembra-se da doçura do seu sorriso, lembra-se da sua primeira noite de amor com ela… das suas meiguices na cama, dos abraços e dos suspiros que dava. Está desfeito em tristezas. Pobre Frederico… perdeu a sua Ofélia para sempre, porque não a soube valorizar. Victoria chega à Toca e encontra Cesar sentado a ler, na sala. Ouvir: Cold — Jorge Méndez).
Cesar (levanta-se para dar-lhe um beijo) – Meu amor… que tens? Por quê estás a chorar?
Victoria (abraça-o forte e escandaliza um choro) – Ela se foi para sempre, Cesar… perdi-a!
Cesar (preocupa-se) – Quem, Victoria? O que aconteceu? Quem se foi para sempre?
Victoria – Eu fui atras dela… mas perdi-a de vista… ela entrou no avião e… e ele explodiu no ar.
Cesar – Victoria, quem? Quem morreu? (Começa a desesperar-se) Victoria… diz-me!
Victoria (abraça-o a chorar… quase não tem forças para ficar em pé) – Paula, Paula está morta!
Cesar (sente as pernas falharem) – Não… é mentira… tem que ser mentira! (Começa a chorar). Victoria, diz-me que é mentira, diz-me! (Grita) Diz que é mentira, Victoria! O que será dos meus filhos… justo agora que eles haviam concordado com esta situação e nos perdoado… não pode ser! Mas, mas então o Frederico também morreu, não é?
Victoria – Não… ele não estava no avião. Frederico encontrou a Paula na cama com o Rodrigo, mas foi tudo um engano, porque ela jamais o trairia com outro. Rodrigo soube da troca e acreditou que a Paula estivesse livre para ele, então foi atras dela e pegou-a de surpresa. Frederico chegou na hora e gritou com ela, humilhou-a e abandonou-a. Ela ficou destroçada como sempre e eu dei a ideia de ela viajar para longe… mas não para o México, aliás, eu implorei que ela não fosse, tentei impedi-la mas foi tudo em vão. Desculpa-me!
Cesar (cheio de odio) – Não… a culpa não é tua, meu amor… a culpa é do maldito Frederico. (Enfurecido) Ele é o culpado da morte dela… vou matá-lo.
Victoria – Não, Cesar, por favor! Já demasiado castigo ele teve ao perdê-la!
Cesar – Mas é que… eu não consigo me conformar… era tão jovem e bela… pobre Paula!
Victoria (A enxugar as lágrimas) – Temos que ver como faremos para contar aos meninos.
Cesar – Meus filhos… pobrezinhos… vão sofrer tanto com a perda da mãe.
Victoria – Não só eles mas os meus também. Sei o quanto eles gostavam dela.
Cesar (abraça-a) – Temos que ser fortes, meu refugio! Temos que ajudá-los a superar.
Victoria – Sim… é melhor irmos de uma vez por todas. (Agarra na bolsa e retiram-se).
(Enquanto isso, Dolores está nervosa e aflita, não sabe se o plano deu certo ou não).
Olga – Lola, mas o que tens? Porquê estás assim tão… tão nervosa?
Dolores – Não te interessa. Sabe se o Cesar esteve aqui hoje? Ou a Paula?
Olga – Não… nenhum deles. Escuta, Lola: e se elas descobrem tudo e…
Dolores – Cala-te, Olga! Só abres a boca para dizeres asneiras. Elas nunca saberão.
(Cesar e Victoria entram na sala e Dolores surpreende-se).
Olga (vai até o Cesar) – Cesarzinho, meu filho… porquê estás a chorar, meu amor?
Cesar – É que aconteceu uma desgraça, tia. (Cristina e Francisco vêm a descer).
Victoria (a chorar) – A Paula… ela… ela entrou num avião com destino ao México e…
Cristina – Quê? Minha mãe foi para o México? Mas porquê? Para quê?
Cesar (abraça-os) – Meus filhos, vocês precisam ser fortes. É uma coisa terrível.
Francisco – Pai… estás a assustar-nos. Por amor da santa: diz-nos já o que aconteceu.
Cesar – É que o avião… ele… o avião explodiu no ar e a vossa mãe morreu.
Cristina (grita) – Não! Mamã… mamã está morta? Não, pai, não… mamã!
Francisco – Papai… por favor, papai! Diz-nos que é uma mentira, diz-nos que é um engano!
Cesar – Infelizmente é verdade, meus pequeninos. A vossa mãe se foi.
Olga – Mas… não pode ser, Cesar! Tem que ser mentira isto. Pobre Paula… não pode ser.
Dolores (a sussurrar para si mesma) – Morreu… a desgraçada morreu. (Sorri e sai).
Victoria (senta-se junto deles) – Queridos, eu sei que estão a sofrer, mas…
Cristina (levanta-se furiosa) – A culpa é tua! Se não a tivesses mandado trocar de lugar contigo ela não teria conhecido esse Frederico e estaria viva, connosco agora!
Cesar – Não culpes a Victoria, Cristina. O que aconteceu foi uma fatalidade do destino…
Francisco – Chega, papai! Já basta de defender esta mulher. Sai da nossa casa agora mesmo!
Victoria (desata a chorar) – Não… por favor, meus filhos…
Cistina (grita) – Não somos teus filhos, senhora! A nossa mãe morreu por tua culpa.
Francisco – Ela tem razão. A culpa é tua. Sai daqui que não te queremos nesta casa.
Cesar – Não… Victoria, fica, meu amor… não precisas ir porque não tens culpa de nada.
Cristina (a chorar) – Agora vais preferir esta mulher do que nós, os teus filhos?
Victoria – Está tudo bem, Cesar. Eu entendo-os. Eu vou embora. (Retira-se).
Cesar – Vocês estão a ser muito injustos com a Victoria. Ela não tem culpa da fatalidade.
Olga – Cesar, agora não é momento para darmos importância à injustiças. Os meninos estão doloridos porque perderam o seu tesouro mais precioso. A mãe.
Cesar – Tem razão, tia. (Abraça os filhos) Podem chorar… descontem a vossa raiva!
Dolores(Dolores liga à Patrícia) – Deu tudo certo… na verdade foi melhor de que esperava.
Patrícia (entusiasmada) – Ela foi embora? Frederico está livre para mim?
Dolores – Melhor que isso. A maldita Paula, quando ficou sem o Frederico, decidiu ir para o México e advinha? O Avião explodiu e ela morreu.
Patrícia (fica estupefacta) – Não pode ser! (Começa a rir) Maldita Paula morreu!
Debora (assustada) – Ela morreu, Patrícia? Nós a matamos! Não… eu sou uma assassina?
Patrícia – Dolores eu depois te ligo. (Olha para Debora) Não digas idiotices. Não somos assassinas porque não a matamos. Ela sofreu um pequeno acidente.
Debora – Sim… mas foi por nossa culpa. Patrícia, eu não quero ser cúmplice de um assassinato.
Patrícia – Só que já és! E acho muito bem que fiques caladinha para não seres a próxima.
(Debora fica assustada e tem medo. Enquanto isso, Frederico está desconsolado no chão do quarto. Ao seu lado tem uma garrafa de tequila vazia que embebedara-se para esquecer as tragédias da sua vida. A culpa se lhe cai sobre os ombros e tem vontade de morrer. Só sabe lembrar dos momentos felizes que Paula lhe deu. Era um amor verdadeiro e ele destruiu por ciúme e desconfiança. Telmo entra no quarto e preocupa-se. Pega-o e deita-o sobre a cama).
Telmo – Meu senhor, assim não há de resolver nada. Preciso de si comigo para enfrentar isto.
Frederico (com uma voz arrastada) – Preciso dela, Telmo… só dela… Ofélia minha!
Telmo – D. Frederico, todos precisamos, mas eu necessito da sua ajuda com isso.
(Dolores está no quarto. Ri psicoticamente… não acredita que se livrou de um dos problemas).
Dolores – Ah, Paula, Paula… tu saíste-me melhor do que a encomenda. Agora que já me livrei de ti, tenho que dar um jeito de me livrar da outra. Patrícia foi muito perspicaz ao planear aquilo. (Rir-se) Armar toda a armadilha usando o pobre Rodrigo… Agora só falta a outra… (Dolores debochou da morte da Paula com o plano, mas não sabia que Cesar ouviu tudo).
Cesar (enojado) – Tia, tu foste capaz de armar contra a Paula para ela e o Frederico brigarem?
Dolores (assusta-se) – Cesar… filho eu não sei o que ouviste mas…
Cesar – Eu ouvi muito bem. (Irado) Por tua culpa a Paula morreu. És uma assassina, tia!
FIM (CAPITULO 80)
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