Duas Faces - Continuação
26 Capitulo 71
Notas iniciais
Capitulo 71
(Paula fica nervosa com a pergunta de Frederico, mas o que pode dizer se não a verdade? )
Paula (levanta-se e apoia-se na cadeira) – Não, Frederico. Eu menti quanto à isso também. Vim para Lisboa por… por causa do meu marido!
(Frederico fica sem entender. Porquê ela foi à Lisboa por causa do marido?)
Frederico (levanta-se) – Por causa do teu marido? Naquele dia abandonaste-me em Sintra com uma desculpa muito nobre mas era por outro o homem… um que tem mais direitos que eu.
Paula – Não digas isso assim… havia alguém no hospital e era ele. Quando Victoria me disse que ele havia sido baleado e que estava entre a vida e a morte, fiquei desesperada e temi pela sua vida. Sei que não o amo mas sempre tive e tenho muito carinho por ele. Além disso… é meu marido e eu senti-me no dever e na obrigação de estar ao seu lado. Ainda que custasse a minha felicidade… que és tu, meu amor eterno.
Frederico (olha-a com uma admiração incalculável) – Minha flor de lótus… (aproxima-se dela e acaricia-lhe os ombros) Ofélia do meu coração… sempre sacrificando-se pelos outros. És tão boazinha que não medes esforços para ajudar as pessoas ainda que te custe. (Segura-lhe o queixo delicado e olha-a nos olhos) Tão nobre e gentil… diferente da outra.
Paula – Não fales assim dela, Frederico. Não a julgues porque todos os seus pecados são meus também… se a julgares estarás a julgar-me de igual.
Frederico – Não acredito que tenhas culpa. Diz-me, ela obrigou-te não foi? De alguma forma… não sei… com chantagem… mas alguma coisa ela fez para convencer-te.
Paula – A culpa não foi dela de eu ter aceito este crime… a culpa é tua e do meu coração por se ter apaixonado por alguém proibido. À Victoria lhe aconteceu o mesmo que à mim. Ela também apaixonou-se antes de nos conhecermos e foi pelo meu marido. Victoria é boa, Frederico, tem um génio forte mas é uma mulher boa que ama os filhos e um homem.
Frederico – Não é verdade! Se amasse os filhos não os teria abandonado.
Paula – Eu fiz o mesmo e digo-te que amo os meus filhos com todo o meu coração.
Frederico – Mas és diferente… sempre demonstraste este amor maternal até com os meus filhos, enquanto que ela sempre foi fria e muito liberal com eles…
Paula – Era o jeito dela de amá-los. Eu sempre fui demasiado severa com os meus filhos e a Victoria, como é bem mais flexível, deve ter sido a mãe que eles queriam. Uma mãe é sempre uma mãe, Frederico, independentemente do modo como os educa, o amor é o mesmo.
Frederico – Talvez tenhas razão… mas ainda tenho desprezo por ela. Sei que tu cometeste os mesmo erros, mas a diferença é que amo-te. (Ouvir: Rita – Preciso de Ti) Amo-te com todo a minha alma e sinto que não posso viver sem ti. (Vira-se de costas) Apesar de tudo…
Paula (abraça-o por trás) – Eu também te amo, meu sol, meu Fernando Pessoa!
Frederico (vira-se para ela e acaricia-lhe o rosto) – Minha Ofélia… Minha Paula. (Beijam-se abraçando-se cheios de saudades um do outro) Nunca mais escaparás dos meus braços.
Paula (sorri abraçada à ele) – Não pretendo, meu amor! (Dá-se conta de algo) Frederico, como é que descobriste a troca? Quem te o contou?
Frederico – Ah… foi a Patrícia, Juntamente com uma tal de Debora.
Paula (é tomada por um odio vingativo) – É mesmo? Que interessante.
(Victoria desperta-se com os beijos de Cesar. Ouvir: Laura – Viveme con Alejandro)
Victoria (beijando-o) – Bom dia, meu amor! Dormiste bem?
Cesar (a sorrir sedutoramente) – Sabes que mal dormir esta noite e por culpa tua.
Victoria (rir-se) – Hum… não tenho culpa de despertar tanto desejo.
Cesar (apertando-a nos braços) – Despertaste-me desejos três vezes esta noite.
Victoria (cobre-se com os lençóis) – Não fiz nada disso… (dá-lhe risinhos sedutores)
Cesar (mete-se sob os cobertores e faz-lhe cocegas) – Va lá… temos de nos levantar.
Victoria – Porquê? (Manhosa) Anda… fiquemos na cama todo o dia, sim?
Cesar (sorri sedutoramente) – Ah é? (Abraçando-a) Então a senhora que fazer amor o dia todo? (Agarra-a com força e prende-a nos braços e sussurra) Olha que assim eu não resisto.
Victoria (rouba-lhe um beijinho) – Então e quem disse para resistires?
Cesar – Hum… Victoria, Victoria! Olha que a senhora está a ser muito perversa hoje.
Victoria (rir-se) – Sempre fui, meu amor! Agora fiquemos na cama que só nos faz bem.
Cesar – Para descansar que não é! Minha vida, eu tenho que trabalhar, esqueceste?
Victoria (levanta-se rapidamente) – Oh, meu Deus! O trabalho da Paula… já foi demitida.
Cesar – Uma hora destas… de certeza. Foste negligente como professora e ela é impecável.
Victoria (torce o nariz) – “Ela é impecável”… ser professora é uma chatice.
Cesar (a vestir-se) – Mas é o trabalho dela e deverias de ter cuidado melhor dele.
Victoria (levanta-se e vai à casa de banho. Deixa a porta aberta) – Até parece que eu ainda tenho o meu emprego de atriz… deve ter fugido na primeira cena de beijo… covarde!
Cesar (vai até ela e abraça-a por trás) – Cena de beijo é? Então quer dizer que beijaste muitos por ai…profissionalmente, é claro! (Vira-a para si) Morro de ciúmes só de imaginar.
Victoria (beija-o com sedução) – Nem comeces… posso beijar outros mas só te amo à ti.
Cesar – Espero bem que sim! Vá… termina de te arranjar e desce.
Victoria – Não queres acompanhar-me no banho?
Cesar (a sair do quarto) – Não, meu bem! Preciso ver como está a Paula. (Retira-se)
Victoria (fica perplexa) – Mas, Cesar… (com raiva) Paulinha já começa a me incomodar.
(Cesar chega à sala e encontra Frederico e Paula como um par de adolescentes servindo comida um à boca do outro. Pombinhos apaixonados).
Cesar – Bom dia! Vejo que tu já estás melhor, querida. Isto deve-se à ti, Frederico.
Frederico (não gosta do “querida”) – Bom dia, Cesar. Que bom que pensas isso de mim.
(Cesar sorri para ele, sem vontade, aproxima-se de Paula e dá-lhe um beijinho no rosto, que provoca ciúmes no Frederico. Na mesma hora entra Victoria e presencia o beijo).
Victoria (com ciúmes. Diz com um tom de voz grave e firme) – Bom dia!
Cesar (fica desconcertado e vai até ela) – Olá, meu amor! Estava a cumprimentá-los…
Victoria (insatisfeita. Com um tom de sarcasmo) – Sim… eu vi como és cortês ao cumprimentar.
Frederico (levanta-se e puxa a cadeira para ela, faz por puro cavalheirismo) – Senta-te!
Victoria – Obrigada, Frederico! Mas não é necessário. Já não tenho fome. (Vai a sair mas volta para vingar-se do beijo) A propósito, Paulinha, eu faltei muito ao teu trabalho então… (Sorri sem qualquer remorso) A estas horas já deves estar demitida. Que pena!
Paula (levanta-se intrigada) – Como? Aquele emprego era muito importante para mim.
Victoria (maldosamente) – Não acredito. Se fosse mesmo importante, não me o terias dado.
Paula (enfurecida) – Victoria, como podes dizer isso? Nós trocamos.
Victoria – Ah, Paula, por favor! Eu também não tenho mais o meu e nem por isso reclamo.
Frederico (abraçando-a) – Não te preocupes, meu amor. Nós resolveremos.
Cesar (põe a mão sobre o seu ombro) – Sim, querida, és boa profissional e não tarda conseguires outro trabalho noutra escola.
Victoria (empurra-o) – “Querida”? Como te atreves a me faltar o respeito assim?
Frederico (rir-se) – A esposa é a Paula e tu não passas da amante.
Paula (a chorar) – Não digas isso, Frederico! Eu estou no mesmo papel que ela.
Frederico – Mas tu não és má, como ela. Olha como te diz as coisas… como se comporta!
Paula – Não disse por mal… ela é assim, mas não é má. (Vai até Victoria e abraça-a)
Victoria (trata-a com desprezo) – Solta-me, traidora! Não bastasse o meu marido agora também queres o meu homem? (Sobe para o quarto. Paula vai atrás dela).
Frederico – Vês o que provocaste com as tuas insinuações?
Cesar – Insinuações? Eu apenas cumprimentei-a. A Victoria está num ciúme que não se pode.
Frederico – Diz-me uma coisa, Cesar, o que sentes pela Paula?
Cesar – Que raio de pergunta é esta? Eu amo a Victoria, só ela e ninguém mais.
Frederico – Pois olhas-me como se tivesses… ciúmes da Paula.
Cesar – Eu tenho odio de ti por lhe teres feito tanto mal… sabes como ela chegou aqui?
Frederico – Sei… a Victoria já me contou. Mas não respondeste à minha pergunta!
Paula (entra no quarto e percebe o seu mal estar) – Victoria…
Victoria – Vai-te embora! Sai! Não te quero ver… traidora!
Paula (a chorar) – Não me trates assim. Eu não te trai… não tenho interesse no Cesar.
Victoria – Não acredito. Aceitas as caricias dele como se ainda fosses a sua mulher.
Paula – Foi só um cumprimento. Não me ama e eu não o amo.
Victoria (agarra-a pelos braços) – Tiraste-me os meus filhos, a minha casa e o meu marido… mas o Cesar é meu, ouviste? Ele é meu!
Paula (assustada) – Eu não te tirei nada, Victoria. Tu ofereceste-me ao sugerir que trocássemos de lugar. Não sejas injusta comigo… eu nunca quis te roubar nada.
Victoria (grita) – Mentirosa! (Atira-a ao chão. Paula cai e Victoria percebe que pode tê-la machucado… arrepende-se imediatamente) Paula, eu… desculpa-me! (Ajudando-a a se levantar) Perdoa-me… eu fiquei descontrolada, louca… desculpa?
Paula (triste e aflita) – Está bem, mas não abuses de mim porque eu posso me cansar.
(Frederico e Cesar chegam ao quarto, preocupados por ouvir os gritos)
Frederico (corre até Paula e abraça dando-lhe beijinhos no rosto) – Estás bem, meu amor?
Cesar – Victoria, o que aconteceu aqui? Porquê os gritos?
Victoria (nervosa, não queria que eles soubessem do empurrão) – Ah… bem…
Paula – Nada! Não aconteceu nada. Não estejam preocupados porque está tudo bem.
(Victoria olha-a espantada. Com tantas agressões ela recebeu um gesto de bondade).
FIM (CAPITULO 71)
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