Capitulo 50

(ouvir musica: Laura Pausini — Viveme con Alejandro Sanz. É dia já, e Victoria adormecera nos braços de Cesar sobre aquela cama desconfortável e fria de hospital. Cesar desperta-se e sente o perfume daquela donzela que dormia sobre o seu peito e sente uma enorme angustia por não saber o que havia de vir daquela relação proibida)

Cesar- amo-te tanto minha deusa, mas não sei o que ei-de fazer para que me tenhas confiança.

Victoria (Paula) (a despertar-se, olha-o e sorri) – bom dia, adorado amor! (beija-o. Apercebe-se de que dormiu junto dele e levanta-se rapidamente temendo machucá-lo)

Cesar (segura-a pelo braço) – então, quem te deu a permissão de levantar-te? (volta a beijá-la)

Victoria (Paula) (acaricia-lhe o rosto) – dormiste bem, querido esposo?

Cesar (faz-lhe olhares sedutores) – eu dormi ao teu lado… não há melhor sono que este.

Victoria (Paula) (sorri) – está bem… mas não volta a acontecer para não te machucares.

Cesar (faz-lhe meiguices) – sabes que o amor não machuca ninguém, minha Victoria!

Victoria (Paula) (sorri e vai em direção à casa de banho) – volto já, amor meu!

Cesar (admirado e com os olhos arregalados) – ela… ela nem percebeu que eu chamei-a por “Victoria” ao invés de “Paula”… apanhei-te, minha Senhorita Sorriso… apanhei-te, e agora não me escapas a verdade! (sorri com um ar glorioso)

(Na mansão Ferreira, Nina, sorrateiramente, entra no quarto de Cesar onde também dorme Victoria. Está a procura de provas que possam prejudicar à Paula. Olha nas gavetas, no armário e até nas malas… mas nada encontra. No entanto, havia uma gaveta fechada à chave que chamou-lhe a atenção. Nina, com um grampo de cabelo, consegue abri-la e encontra a foto de Lorenzo)

Nina (a ler a dedicatória da foto) – “amar-te-ei para sempre, tu és o melhor amante!” – Então quer dizer que a digníssima senhora Paula tem um amante? (sorri maliciosamente)

(Hotel Myriad – Ouvir musica: Rita Guerra – Preciso de Ti. Paula desperta-se e percebe que não tem Frederico abraçado à ela, estranha e senta-se na cama a olhar para ele com um sentimento de tristeza e angustia)

Paula (suspira) – Frederico, meu adorado Frederico! Quando estarei tranquila para entregar-me às tuas caricias? Quando deixar-me-ão estes demônios que tanto me atormentam, relembrando-me cada dia de que não me pertences e que esta vida tem limite dum ano que agora já são só meses? Queria dormir e acordar nos teus braços pela eternidade, meu amor! (aproxima-se de Frederico e deita-se sobre o seu peito abraçando-se à ele)

Frederico (desperta-se e, ao senti-la abraçada consigo, aperta-a nos seus braços) – hum… bom dia minha aurora! (beija-a) Então, hoje sentes-te melhor, adorada flor?

Paula (Victoria) – sim, sim, meu querido! Ontem foi algo para se esquecer… (olha para ele)

Frederico- pois… mas deixaste-me preocupado. Não paro de pensar na tua angústia.

Paula (Victoria) (beija-o) – não ligues mais para isto. Amo-te, amar-te-ei sempre, sempre!

Frederico- bem, bem! Amanhã temos de nos ir embora, minha rainha.

Paula (Victoria) (desentendida e já aflita por deixar Cesar naquele estado) – porquê?

Frederico (admira-se e afasta-se dela, está sério) – então… não sabes que daqui há dois dias o Santiago faz anos? Como pudeste esquecer do aniversário do teu filho, Victoria?

Paula (Victoria) (fica nervosa, ela não sabia de nada, visto que não é a verdadeira Victoria) – ah… não, não me esqueci… é que… pensava que tinha outro motivo. É claro que vamos. Bem, vou-me arranjar. (levanta-se da cama e vai em direção à casa de banho para arranjar-se e deixa Frederico desconfiado e ainda mais desconfortável com o seu comportamento peculiar)

(Hospital- ouvir musica: Laura Pausini — Viveme con Alejandro Sanz. Victoria sai da casa de banho, tão bela e exuberante que cega os olhos de Cesar e rouba-os só para ela. Cesar sorri ao lembrar-se que aquela é a sua Senhorita Sorriso)

Cesar- jamais foste tão bela, minha adorada! (ergue a mão para ela e puxa-a para si, beijando-a e deitando-a nos seus braços) Que bom saber que és a minha… (detém-se para não revelar)

Victoria (Paula) (fica curiosa) – a tua o quê?

Cesar (nervoso) – a minha… a minha esposa… a minha mulher. (sorri e volta a beijá-la)

Victoria (Paula) – está bem! (dá-lhe um beijinho) Hoje fico contigo o dia todo. Hoje não saio do teu lado para nada, meu amor. (para não correr o risco de encontrar-se com Lorenzo)

Cesar (gosta da ideia e faz caras sedutoras) – isto tudo são desejos de estar comigo?

Victoria (Paula) (derrete-se com aqueles olhares) – tu és tão pretensioso… (abraça-o) Sim… morro de saudades tuas quando não estamos juntos. (beijam-se e ela vai de se deixando levar por aqueles carinhos e aquelas meiguices. Cesar dá-lhe beijos no pescoço e Victoria amolece no calor dos seus braços, mas, o médico entra e ela levanta-se rapidamente)

Médico- bom dia! Vejo que o menino Cesar já sente-se fabulosamente bem, não é?

Cesar (um pouco sem jeito. Sorri) – bem… o amor cura qualquer um.

Médico- sim, sim… vejo que sim! Então, acho que já lhe posso dar alta. (sorri)

Victoria (Paula) (contente) – é verdade? (olha para Cesar) Mas… tem certeza, senhor doutor?

Médico- sim, sim, minha senhora! O seu marido já está bem para ir embora. De facto, ele terá de ficar em repouso por alguns dias, isto implica não trabalhar, não caminhar muito, não fazer grandes movimentos ou segurar qualquer peso. Estamos entendidos?

Victoria (Paula) – sim, senhor doutor. Cuidarei muito bem dele! (abraça Cesar)

Médico- então, está bem! Amanhã já tens alta e já podes ir para casa. Até logo! (retira-se)

Victoria (Paula) (dá-lhe um beijo, empolgada) – amanhã já estamos em casa, meu amor!

Cesar- ainda bem! Já estou farto deste hospital. Ah! E tu nem penses que vais falhar à palavra.

Victoria (Paula) – como? Não percebi… que queres, tu dizer com isso?

Cesar (com malandrices) – tu vais cuidar de mim, como disseste ao médico… quero carinhos!

Victoria (Paula) (sorri abraçando-se à ele) – e eu já te falhei com a palavra? (beijam-se novamente e Cesar agarra-a nos seus braços fazendo com que Victoria soltasse um pequeno grito de susto que logo foi abafado por aqueles beijos de amor)

(Hotel Myriad – Paula está a maquiar-se e percebe o comportamento de Frederico)

Paula (Victoria) – que tens, Frederico? (dá-se conta) Já sei! Ainda estás a pensar no de ontem? (chateia-se) Quando é que vais esquecer o que se passou?

Frederico- tu já não és a mesma, Victoria! Eu olho-te, beijo-te, abraço-te e não reconheço nenhum só canto do teu corpo. E a tua reação de ontem… não sei, não sei!

Paula (Victoria) (levanta-se chateada) – olha, sabes? Já me estás a fartar com este assunto. Ontem combinamos que esta viagem seria para proveito nosso e tu estás a fazer disto um inferno para mim! Não te esqueças de que eu não te convidei para estares cá e…

Frederico- é verdade! Não me convidaste, mas também não me deixaste ir embora, não é? Contas histórias sem bases, dizes coisas e não provas. Por exemplo: estás aqui pela mãe do Telmo, não é? Mas não me deixaste ir ao hospital uma só vez.

Paula (Victoria) (ofende-se) – tu… tu estás a insinuar que eu engano-te em algo?

Frederico- em algo só não! Em mil e uma coisas, eu sei. (segura-a pelo braço) Porquê não me levas ao hospital? (sussurra) Porquê ficas tão nervosa quando estou assim… abraçado à ti… quase a beijar-te ou quando tento fazer amor contigo? Do que tens medo, Victoria?

Paula (Victoria) (fica nervosa e solta-se dele) – já basta, Frederico, já basta com as tuas acusações e desconfianças… não vou tolerar nenhuma mais!

Frederico (aumenta o tom de voz) – já basta, digo eu! Olha… não me faças pensar que tu me…

Paula (Victoria) (fica perplexa) – que eu o quê? Diz Frederico? Que eu o quê?

Frederico — que me estás a trair com outro. Já está! Quiseste ouvir, ouviste!

Paula (Victoria) (dá-lhe uma bofetada) – nunca fui tão desrespeitada nesta vida.

Frederico (arrependido das suas palavras) – perdão… eu não quis ofender-te… eu…

Paula (Victoria) (com lágrimas nos olhos) – cala-te! Não quero que me digas mais nada. É melhor que te vás embora daqui. Estou muito aborrecida contigo. Vai-te embora!

Frederico (triste e aflito) – mas… mas eu estou arrependido, pedi-te desculpas, e…

Paula (Victoria) (agarra na bolsa e vai à porta) – quando eu voltar, não te quero ver. (retira-se)

Telmo (encontra-se com ela no corredor) – minha senhora, que tem?

Paula (a chorar abraça-se à Telmo) – ajuda-me! Já não posso mais com isto, ajuda-me!

Telmo (preocupado) – acalme-se, minha rica senhora! Venha, vamos ao meu quarto.

(mansão Ferreira – Nina entra, às pressas, no quarto de Dolores. Está empolgada)

Dolores- então? Entras assim no meu quarto? Isto não faz parte da nossa sociedade.

Nina- desculpe-me, minha senhora. (dá-lhe a foto) Leia a dedicatória! É da D. Maria Paula.

Dolores (estranha e pega na foto) – “amar-te-ei para sempre, tu és o melhor amante!” – (perversamente feliz) Apanhei-te, ordinária. Agora quero ouvir as tuas explicações falsas!

(no hospital – Fernando entra no quarto à chamado de Cesar)

Fernando- que tens tu, homem? Parecias ter descoberto a cura da ébola!

Cesar (animado e assustado) – melhor que isso! (pausa) Hoje tive mais uma prova de que Paula, não é Paula se não Victoria.

Fernando (admirado) – que dizes tu? Que prova tiveste desta vez?

Cesar- esta manhã eu chamei-a por “Victoria” e ela não me corrigiu. Vês como eu tinha razão?

Fernando (perplexo) – uau… mas… se calhar não ouviu muito bem quando disseste e…

Cesar- ai! Cala-te pelo amor da santa! Eu disse em alta voz mas ela reagiu como se não lhe fosse estranho chamar-lhe “Victoria” … como se esse fosse o seu nome e o seu costume.

Fernando- está bem! Mas ainda fico com um pé atrás! Esta conversa não me convence. Não vês que isto é loucura? Se calhar andas a ouvir coisas. Mas… considerando a maluquice... que vais fazer? Vais-lhe dizer que já sabes de tudo?

Cesar- nem por isso! Mandarei indiretas e se ela, ainda assim, não me revelar a verdade… então não terá o meu perdão, se não o meu desprezo!

Fernando- e esta agora? Porquê desprezá-la-ás se estás enamorado dela, homem?

Cesar- porque estará a gozar com a minha cara. E será uma prova de que ela não me ama.

Fernando- mas da outra vez disseste que ela te ama e que só fez esta troca para ficar contigo.

Cesar- mas também pode ser uma farsa… uma estratégia para fugir da verdadeira família! Só sei que se ela continuar com enganos… não irei perdoá-la! Não mesmo.

FIM (CAPITULO 50)