Notas iniciais
Pessoal, comentem o que vocês acharam. Só assim eu saberei se estou a agradar ou não. Bjinhos!

Capitulo 81

(Dolores está nervosa com a pressão feita por Cesar).

Cesar – Vamos! Confessa, tia! Confessa que tu és a culpada disto tudo ter acontecido.

Dolores – Não, eu não sou a culpada. A Patrícia teve todas as ideias, ela armou tudo.

Cesar – Quem é essa tal Patrícia e porquê ela iria prejudicar a Paula?

Dolores – Patrícia era amiga da Victoria… devo dizer: falsa amiga. Ela esteve sempre com os olhos no Frederico, queria-o para ela… então inventou tudo para separá-los.

Cesar – Mas acabaram matando-a. E tu és tão culpada quanto ela porque sabias de tudo.

Dolores – Foi muito repentino, Cesar. Tudo aconteceu da noite para o dia. Eu não tinha nenhum interesse em que esses dois se separassem, pelo amor de Deus.

Cesar – Então, como é que sabias de tudo e como conheces a tal Patrícia?

Dolores – Não foi tão difícil conhecê-la já que as famílias se uniram, e ela esteve sempre muito próxima dos dois. Ela soube que eu não me simpatizava com a Paula e pediu-me ajuda para prejudica-la e contou-me o plano. Eu neguei-me… sabes que eu não ganharia nada com isso.

Cesar – Claro que sim. Vingança, é o que ias ganhar… sempre a odiaste.

Dolores – É claro que sim, mas pensa, Cesar! Se eles se separassem, ela voltaria para esta casa e ai sim eu estaria a perder. Como vês, eu sairia perdendo se o fizesse.

Cesar – Mas ficaste calada e não foste capaz de avisar-nos. Assim nada disto teria acontecido.

Dolores – Avisar como? Nem sei onde ela estava hospedada e não fui à casa dos Olivais porque não queria ver a Victoria. Mas eu pensei que como eu não havia aceito ela não faria nada.

(Cesar, ingenuamente, acredita nas mentiras mas sente um fio de desconfiança. Victoria vai ao hotel onde está Frederico, a pedido do Telmo que estava desesperado. Entra e entristece-se ao vê-lo deitado na cama como um morto. Senta-se ao seu lado, Frederico desperta-se e tem miragens. A bela dama que ocupava aquele lugar no leito vazio era idêntica ao seu amor).

Frederico (balbucia emocionado) – Paula? És tu, amor meu?

(Telmo tem uma luz ao perceber que a semelhança é grande o suficiente para uma segunda substituição. Se não tem Paula e se a Victoria não pode ficar com o Cesar por causa dos filhos, seria lógico que a mãe regressasse ao seu lar. Talvez se a Victoria adotasse os hábitos da Paula e até o mesmo estilo, Frederico não sentiria tanta dor e a tragédia não se estenderia).

Victoria (acaricia-lhe os cabelos) – Não, Frederico. Eu sou a… (Telmo puxa-a). Que foi?

Telmo (sussurra) – Por favor, D. Maria Victoria, não responda. Não diga que não é a Paula.

Victoria (fica sem entender) – Mas… porquê?

Telmo – Ao que parece, os fios negros não importaram aos olhos de quem vê tantas semelhanças. Deixe-o crer que a senhora é D. Maria Paula. Ao menos por enquanto.

Victoria – Telmo, uma hora ele regressará à sua lucidez. Vai saber que não sou a Paula.

Telmo – Sim… mas na situação em que encontra-se, pode até cometer suicídio.

Victoria – Não… suicídio não, meu Deus! Eu vou deixá-lo crer sem mentir. Quando estiver melhor, a dor não será tanta. No entanto eu… estarei a sofrer em sacrifício.

Telmo – Só mais um pouco… minha senhora, só mais um pouco.

Frederico (chama por ela) – Paula… minha Paula!

Victoria (senta-se ao pé dele e deita-lhe a cabeça no seu colo) – Xiu! Cá estou, querido.

(Era doentio e mórbido. Telmo apenas observava a sua obra iniciando-se. Já que Victoria queria tanto trocar de lugar com a Paula, está na hora de sair da teoria e partir para a pratica. Ela não viveria a sua vida, ela transformar-se-ia na sua sósia de cabelos dourados. Os seus hábitos, as suas roupas, os seus tiques e manias seriam imprimidos por uma alma parecida de físico que seria transformada em absoluta. Os olhos cegados de Frederico ajudariam a maquiar esta ilusão criada por Telmo e Victoria seria vitima do seu próprio plano. A morte dum anjo puro para a entrada dum demónio inocente e confuso. Frederico adormece e Victoria vai ao encontro de Cesar para falar-lhe das ideias do Telmo).

Cesar – Passar-se por Paula, no literal? Ele quer que pintes o cabelo de loiro e durmas com o Frederico sobre a mesma cama, que façam sexo como um casal apaixonado, ou o quê?

Victoria – Não é isso, Cesar! Eu sabia que não entenderias. Ele só quer que eu não negue que sou a Paula, entendes? Só precisamos das aparências e da ilusão.

Cesar – O Frederico não é tolo, Victoria. Uma hora ele percebe que não és a Paula.

Victoria – Mas até isso acontecer, ele estará lucido o suficiente para entender e a dor será menor. (Abraça-o) É só por uns dias, meu bem. Prometo-te que não vai acontecer nada.

Cesar (olha-a nos olhos) – Victoria, estás a fazer isso para o ajudar ou para recuperar os teus filhos? É claro. A condição para o perdão era voltares para ele. Esse é o plano?

Victoria (indignada) – Como és capaz de me acusar de tal coisa? Sabes o quanto eu te amo e…

Cesar – Mas sei que amas mais aos teus filhos e percebo perfeitamente. Também sei que os meus estão revoltados contigo e a nossa relação neste momento seria um inferno para ambos.

Victoria (entristece-se) – Então… estás-me a dizer que… que desistes de mim e do nosso amor?

Cesar (frio e duro) – Não! Tu o propuseste primeiro… embora subliminarmente. (Solta-a) Vai, Victoria Moreno, vai com o teu marido e sê feliz com a tua família.

Victoria (chora atirando-se aos seus braços) – Tu és a minha família, meu amor! O Frederico não é mais que uma sombra do passado. (Ouvir: Laura — Viveme con Alejandro)

Cesar – Uma sombra com poder o suficiente para separar-nos como está a fazer.

Victoria – Não precisa ser assim, meu amor… espera por mim, uns dias que seja e eu volto para ti, para os teus braços carinhosos. (Abraça-o) Seremos felizes pela eternidade.

Cesar – Ao fim e ao cabo, assim terminamos. Cada um no seu lugar, como se assim sempre devesse ser. Tentamos mudar o destino e ele puniu-nos com paixões proibidas e morte.

Victoria (chora desesperada) – Não digas isso, meu amor. Eu sempre serei tua.

Cesar – Nunca foste minha de todo, Victoria. O teu lugar é ao lado do Frederico e de tal forma que agora tens de voltar para o seu lado. E eu termino viúvo duas vezes. Que desgraça, meu Deus, que tragédia. É para desejar nunca te ter conhecido, Victoria.

Victoria (tira o anel de casamento e atira-lhe a cara) – Então podes esquecer da minha existência se te incomoda tanto ter vivido um amor comigo. (Vai a sair e Cesar puxa-a para si).

Cesar (olhando-a desejosamente nos olhos) – Não podes ir embora sem antes… sem antes me dar um ultimo beijo. (Toma-a nos braços e dá-lhe o beijo mais apaixonado de sempre, nunca antes havia beijado-a de tal forma. Victoria estremecia nos seus braços como se não quisesse sair dali nunca mais. Suspira enquanto Cesar beija-lhe o pescoço e as lagrimas escorrem).

Victoria – Amo-te mais que tudo neste mundo, meu amor. Espera por mim que eu volto.

Cesar – Esperar-te-ei, adorado amor. Mas não te tardes muito porque vou-te buscar .

(Ouvir: Rosa Sangue — Amor Electro. Victoria solta-lhe a mão e o tempo parece estar parado numa frecho de luz que separou dois amantes. Paula levou consigo a vida de todos os que a rodeavam. Mal sabia Victoria que dali em diante, preferirá estar morta. Tudo está terminado em tragédia e lágrimas. No dia seguinte, Victoria, Telmo e Frederico regressam à Sintra. Os filhos ficam destroçados com a noticia desgraçada. Victoria passa a usar as roupas da Paula para agradar Frederico. O mesmo penteado e os mesmos hábitos ensinados por Telmo… assustando os filhos e os criados. Ambos, em leitos diferentes. Victoria, entristecida num quarto escuro e frio de decoração assombrosa do romantismo e Frederico escondido entre os lençóis daquela cama que levara consigo uma tragédia de amor que marcou duas famílias. Não come e nem dorme se não for a pedido de Victoria que tornara-se a sua Ofélia. Cesar segue destroçado e sem cor ao jazigo onde estavam enterrados os pais da Paula. A linha aérea alegou que os corpos foram incinerados no ar e portanto, não havia o que enterrar. Apenas um nome, um memorial que simbolizava a sua presença naquele cemitério triste e branco. Passam-se alguns dias e Frederico retorna à lucidez, aceita a presença de Victoria como um curativo no seu machucado. Têm uma convivência pacifica e ele pede-lhe que fique por mais um tempo, pelos filhos e para desacostumar-se. Patrícia vai a sua procura e espanta-se ao ver Victoria).

Patrícia – Victoria? Mas… mas que fazes tu aqui? Na casa do Frederico?

Frederico (vem a descer as escadas) – Victoria e eu voltamos ao nosso casamento. (Abraça-a)

Victoria (sorri) – Parece que perdeste o teu tempo, Patrícia, querida.

Patrícia (enfurecida, disfarça) – Não… pelo contrário eu felicito-vos, não imaginava que depois de tudo o que lhe fizeste, Frederico fosse capaz de te perdoar.

Victoria – Não sejas falsa comigo. Eu sei bem que tipo de mulher és… agora eu sei. Sempre estiveste com os olhos no meu marido, mas agora só digo-te uma coisa: fora!

Patrícia – Mas… Victoria, eu não percebo porque estás-me a tratar assim… eu…

Victoria – Rua! Quero-te longe da minha família, longe de mim e longe do meu marido.

Patrícia – Marido? Não pensaste nele como marido quando o traíste e o enganaste.

Victoria – Isso, Patrícia! Finalmente mostraste a tua verdadeira face. Parabéns!

Patrícia – Frederico, és um tolo por continuar com esta mulher que só te quer mal.

Frederico – Isso é algo que só diz respeito à mim e à ninguém mais. Agora, se tens um pouco de vergonha nesta cara, sairás desta casa imediatamente!

Patrícia – Odeio-te, Victoria! Francamente, não sei como fui capaz de aguentar tanto tempo.

Victoria – Podes odiar-me, mas eu ainda tenho o Frederico e já viste? Ele prefere mil vezes ficar com uma adultera mentirosa como eu do que com uma santinha como tu. Ninguém te quer, Patrícia… será que não percebes que qualquer mulher para o Frederico é melhor que tu?

Patrícia (a chorar, humilhada) – Cala-te, maldita! Eu vou-me vingar de ti e contigo vai ser bem pior do que com a outra vagabunda! Porque para ela eu consegui a morte.

Frederico (fica intrigado com aquelas palavras) – Que disseste? Tu és a responsável por tudo o que aconteceu? Agora percebo muito claramente. Tu mandaste o Rodrigo até nós… sabias que eu estava a um fio e que um flagrante seria a gota d’agua, então armaste tudo, maldita!

Victoria – Eu sabia que tinha dedo teu nisto tudo. Ah, Patrícia… vai desejar nunca ter nascido!

FIM (CAPITULO 81)