Duas Faces - Continuação
29 Capitulo 74
Capitulo 74
(Patrícia chega de rastos à sua casa. Debora ajuda-a a caminhar até a cama. Tinha os olhos inchados, a boca a sangrar, manchas negras pelo corpo, arranhões por todo lado e um ligeiro rasgo na testa do qual escapava algum sangue. Debora está assustada).
Debora – Patrícia, quem te fez isto? Foste assaltada ou o quê? Eram quantos?
Patrícia (com dificuldade para falar) – Foi ela… aquela desgraçada maldita! Cadela!
Debora – Oh me Deus! Victoria fez-te tudo isso? Não posso acreditar que ela foi capaz.
Patrícia – Ela não… a outra. Paula… Paula é mais esperta do que imaginamos.
Debora – Mas… e o telefonema? Eu pensei que a Victoria iria ter contigo e…
Patrícia – Será que não entendes? Era mentira da Paula. Enganou-me bem. Mas se aquela oxigenada pensa que vai ficar assim está redondamente enganada. Vingar-me-ei!
Debora – Eu sei que nos pode ajudar. Dolores é tia do Cesar e odeia a Paula… pelo que eu sei.
Patrícia – Então procura essa Dolores e oferece-lhe o pacto. Mas… não fales do resto.
Debora (ia a sair mas volta sem entender) – Resto? Que resto?
Patrícia – Não fales da troca se ela não souber. Não quero mais problemas com aquela mulher maldita. Se a Dolores souber mais do que deve, poderá atrapalhar-nos os planos.
(Debora faz sinal positivo e retira-se deixando-a quase moribunda sobre a cama. Na “Toca”, Victoria estava no jardim sentada no baloiço. Cesar aproxima-se por trás dela e abraça-a aquecendo-a do frio. Ele põe-se a sua frente e dá-lhe um beijo).
Cesar – Em quê estás a pensar, amor da minha vida?
Victoria (olha-o) – Em nós… nos meus filhos, nos teus filhos. Cesar, não quero ficar entre vocês.
Cesar (segura-lhe as mãos) – Meu amor, não digas isso. Nunca ficarás entre nós. Os nossos filhos, os meus e os teus, são adultos o suficiente para compreender e aceitar a nossa felicidade. (Beija-lhe a boca) Agora, vamos esquecer estas tristezas repentinas, minha senhorita sorriso, porque eu quero perguntar-te uma coisa.
Victoria – Ah é? (Sorri) Que vem de ti agora, meu senhor dos olhos bonitos?
Cesar (beija-lhe a mão e olha-a nos olhos e ajoelha-se. Ouvir: Laura – Viveme con Alejandro) – Maria Victoria, tu que és a joia mais preciosa das minhas riquezas, tu que tens os olhos mais inspiradores da poesia, tu, oh dona da beleza mais ardente que já existiu, rainha dos reinos supremos, aceitas para teu rei e marido, este pobre plebeu que vive do teu sorriso perfeito?
Victoria (desata a chorar emocionada. Abre a boca mas as palavras não lhe saem para responder àquele pedido de sonho. Sente as pernas falharem) – O que seria duma rainha sem o seu rei? (Cesar pega-a ao colo e beija-a apaixonadamente põe-na ao chão e tira do paletó uma caixinha azul marinho de veludo, abre-a e deixa reluzir um formoso anel cuja a pedra era digna de uma deusa, Victoria fica estupefacta e Cesar serve-lhe o anel ao dedo. Aquele anel que selara o compromisso mais sonhado e firme como uma rocha que ela o seu amor).
Cesar – Serás a esposa mais linda que um juiz já viu. Amo-te, Victoria, infinitamente.
Victoria – Mas… ainda não estamos divorciados… não podemos nos casar antes de…
Cesar (tapa-lhe a boca com um dedo) – Isto não importa por agora, meu céu.
Victoria – Tens razão… (sorri e morde os lábios) Como havemos de comemorar este feito?
Cesar (sorri sedutoramente) – No quarto vais encontrar uma caixa branca, nela há um exuberante vestido que deves vestir para esta noite. Fica muito bonita para mim.
Victoria (curiosa e ansiosa) – E onde nós iremos, meu amor?
Cesar – Não, não! Isto agora é segredo, minha senhorita sorriso. (Volta a beijá-la).
(Enquanto isso, num outro hotel, Dolores recebe Debora. Está espantada com a sua visita).
Dolores – O que queres aqui? És mesmo descarada em vir até mim depois do que fizeste ao meu sobrinho. Eu deveria chamar a policia para levarem-te presa.
Debora – Ouça, senhora, eu vim em prol de uma aliança. Quero destruir a sua sobrinha nora.
Dolores (interessa-se) – Mais uma para a lista. (Chama por Nina que entra).
Nina – Em que posso ajudá-la, senhora Dolores?
Dolores – Esta é Debora e advinha! Quer juntar-se à nós para destruir aquele demónio.
Nina – Eu já perco as esperanças… esta mulher tem mais vidas que um gato.
Debora – Mas eu tenho um plano e mais uma aliada. Chama-se Patrícia.
Dolores – E de onde essa Patrícia conhece a Paula?
Debora – Isto já é outra historia que a senhora não tarda a conhecer. O que deverá fazer de inicio é regressar à sua casa. Mantenha os inimigos mais perto do que os amigos.
Dolores – Não posso. Meu sobrinho é o dono e ele foi que me expulsou.
Debora – Sim, mas o seu sobrinho já não vive mais naquela casa.
Dolores (levanta-se assustada) – Que disseste? Como que já não vive mais lá?
Debora – Já lhe disse que isso não me cabe à mim dizer-lhe. Volte para a casa e saberá.
Nina (desconfiada) – Não sei não! Esta conversa está demasiado misteriosa.
Debora – Olhem, apenas façam o que eu digo, porque é a única maneira de a destruirmos.
(Em Sintra, Frederico está com os filhos. O clima é de tensão)
Paloma – Então pretendes mesmo seguir a vida com esta usurpadora?
Frederico – Mais respeito com ela. Apesar das mentiras, vocês gostaram dela como mãe.
Santiago – Como mãe pela ignorância que lhe tínhamos. Mas não aceitaremos uma madrasta.
Heitor – Meu pai, tu não nos pode impor a presença desta mulher que nos enganou.
Frederico – Eu sei o que ela fez. Mas foi tudo por amor. Vocês sabem que ela é boa mulher.
Paloma – O que eu sei é que não vou aceitar uma madrasta e muito menos uma criminosa.
Heitor – Mas… podemos aceitar a mamã… se quiseres, voltas com ela e tudo será como antes.
Santiago – Eu estou de acordo com os meus irmãos. Não quero uma madrasta, quero a mãe.
Frederico (irrita-se) – A Victoria para cá não volta mais. Eu não a perdoarei pelas mentiras.
Heitor – Então estás a ser injusto, meu pai. Porque queres que perdoemos à outra pelos mesmos motivos pelos quais não perdoas à mamã. Claro… como te é mais conveniente.
Frederico – Percebo que com vocês não há acordo. Já me vou embora, então.
Paloma – Vais voltar para aquela mulher? Vais deixar os teus filhos por ela, meu pai?
(Frederico não responde, simplesmente sai sem dizer uma única palavra).
Santiago – É impressionante como ele prefere aquela mentirosa aos seus próprios filhos.
(No hotel Myriad, Paula sai da casa de banho após banhar-se. Tem as mãos latejadas dos tapas que deu em Patrícia. Olha para a cama e sente saudades do seu Frederico).
Paula (suspira) – Adorado amor, não demores a voltar, vida minha, que aqui te espero ansiosa por um beijo dos teus lábios quentes e molhados de amor que me tens. (Ouve-se bater).
Telmo (entra) – Com a sua licença, minha senhora. Mas é que queria saber se precisa de algo.
Paula (levanta-se) – Não preciso de nada, meu Telmo. Estou bem, obrigada.
Telmo – Está muito afastada de mim. Sinto ciúmes do meu senhor por a ter tão perto de si.
Paula (sorri e abraça-o) – Meu Telmo… o teu lugar é sagrado no meu coração.
Telmo (repara-lhe as mãos feridas) – Minha senhora, que foi isto?
Paula – Ui… dei uma tareia naquela Patrícia que nunca se vai esquecer de mim.
Telmo – Rebaixou-se assim? Não é a donzela que eduquei britanicamente.
Paula – Não me rebaixei, apenas cansei-me e tive de falar a língua dela para que me compreendesse o recado. Aí, Telmo, mas foi uma daquelas. Tapas de cá e de lá. Tinhas que ver como ela ficou estirada ao chão. (Rir-se) Mal conseguia falar, a desgraçada.
Telmo (não resiste e rir-se) – Está uma selvagem, minha senhora.
(Victoria e Cesar chegam à um restaurante fantástico. Formoso, elegante, com uma luz baixa. Cesar leva-a para um lugar que fora reservado unicamente para eles. Haviam tulipas vermelhas por todo o lado, no meio do salão, uma mesa para dois, com velas e vinho do Porto).
Victoria (encantava-se com todos os detalhes) – Oh, Cesar! Que conto de fadas, meu amor.
Cesar (beija-a) – E tudo para ti, minha deusa. Esta noite é inteiramente dedicada à tua beleza.
(Leva-a até a mesa e puxa a cadeira para que pudesse sentar-se).
Victoria – Nunca esquecerei esta noite, meu amorzinho. Amo-te, meu Cesar.
Cesar – Vais-me agradecer estes agrados em casa mais tarde… não me escaparás.
Victoria – Sabes que eu sei ser agradecida. (Acaricia-lhe a perna com o pé debaixo da mesa).
(Ouvir: Rita – Preciso de Ti. Paula deita-se a suspirar, Frederico ainda não chegou e ela já está aflita. Deixa as cortinas abertas e aprecia a lua cheia. Ousa contar as estrelas e buscar nelas a que representasse o seu amor por ele. Pode sentir o seu cheiro masculino nos lençóis de uma noite. Adormece a sonhar com ele e, ainda de noite, desperta-se com os seus beijinhos no pescoço. Percebe logo que é ele e deixa-se beijar sem se virar).
Paula – Pensei que não vinhas mais esta noite, meu amor… já estava triste.
Frederico (abraça-a por trás) – Sim… eu sei que não vives sem mim. (Rir-se).
Paula (vira-se para ele) – Vaidoso! E não sentiste a minha falta, não é?
Frederico (aperta-a nos braços quentes) – Sabes que sem ti mal posso respirar.
Paula (sussurra) – Faz-me tua outra vez, Frederico! Faz-me tua esta noite também!
(Frederico não cogita resistir àquela voz meiga que implorava as suas caricias. E põe-na sobre si para que ela o conduzisse por uma vez que fosse com os seus beijinhos meigos e envergonhados que faziam-no sentir-se um rapaz. Tira-lhe a camisola de cetim cor-de-rosa, perfumada e doce que o enlouqueciam exageradamente. Entregam-se à excitação dos calores que sentiam desnudos sob os lençóis alheios ao seu costume. Frederico segurava-a apertando-lhe as costas brancas enquanto ela mexia-se sobre ele dando-lhe o prazer absoluto. Respiravam aceleradamente e Paula deixava escapar leves gemidos que não conseguia controlar ou sufocar com toda aquela vontade e prazer. Beijavam-se e rolavam sobre a cama a luz da lua cheia que parecia iluminar-lhes o sexo amoroso que não se completava em maldade ou leviandade… lembravam a Ilha Dos Amores , de Luís de Camões).
FIM (CAPITULO 74)
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