Duas Faces - Continuação
8 Capitulo 53
Capitulo 53
(Ouvir musica: Tony Carreira – Contigo eu aprendi. Cesar encontra uma resposta)
Cesar – peço-lhe o divórcio! Não sou capaz de ver o rosto dela e lembrar da Victoria.
Fernando- e depois? Vais ficar sozinho a espera que te apareça outro amor?
Cesar- não sei… talvez fique sozinho, talvez, com uns anos, encontre alguém, mas jamais amarei uma mulher como amo Victoria! Ela é a única dona do meu coração e sempre será!
Fernando- e vais dizer ao seu marido tudo o que elas fizeram?
Cesar- não! Não sou capaz… ela seria muito infeliz e desprezada pela família.
Fernando- e achas que ela será feliz ao lado dum homem que não ama? Olha, se lhe disseres, eles divorciam-se e vocês poderão ficar juntos.
Cesar- quem dera fosse assim tão simples. Para vivermos plenamente felizes, é preciso que os nossos filhos saibam da verdade, afinal, a mulher que está em minha casa não é mãe deles, igualmente a situação da Paula. Eles não as perdoarão e elas morrerão de tristeza!
(a tristeza descai sobre os ombros de Cesar. Faz-se noite e amanhece, Paula, Frederico e Telmo chegam à Sintra. Paula sorri ao avistar o seu Ramalhete e perceber que continuava a ser o seu lar. Ainda não foi desta vez que se separou do seu amor. Cesar é levado para casa, Victoria ajuda-o a deitar-se na cama. Trocam olhares apaixonados mas Cesar tenta manter-se sério com ela. Victoria abre as cortinas, que escureciam o quarto dando-lhe um ar triste)
Victoria (Paula) (ajeitava-lhe o travesseiro) – assim está bom?
Cesar (recostando-se enquanto apreciava a beleza de Victoria) – está… obrigado! (Victoria, sentindo que ele não a queria ao pé de si, decide sair do quarto, mas Cesar segura-a pelo braço) Não te vás embora!
Victoria (Paula) – não quero incomodar-te! Tu mesmo disseste que não me querias ao pé de ti.
Cesar- eu sei… mas é que… (puxando-a para que se sentasse ao seu lado) Desculpas-me?
Victoria (Paula) – porquê fizeste-me aquilo? Chorei tão angustiada sem saber que mal fiz.
Cesar- tu sabes dos teus pecados, eu não preciso de os apontar. (segura-a docemente pelo queixo enquanto a outra mão acariciava-lhe os braços, Victoria inclina-se desejando beijá-lo, Cesar desvia os lábios para o seu pescoço arrancando-lhe suspiros. Cesar sussurra) Amo-te!
Victoria (Paula) (solta-se dele) – porquê? Porquê dizes estas coisas? Porquê?
Cesar (nervoso) – não quero mais que toquemos neste assunto. Esqueçamos tudo!
Victoria (Paula) (levanta-se) – não, Cesar! Vais me dizer qual o teu problema e o que eu fiz!
Cesar (aumenta a voz) – já basta Vic… (contem-se) Ah… Paula! Pela nossa felicidade, esqueçamos tudo… não me faças arrepender. (Victoria chateia-se e sai do quarto)
(Ouvir musica: Rita Guerra – Preciso de Ti. Em Sintra, Paula e Frederico entram no quarto. Frederico parte para os beijinhos, abraçando-a por trás. Paula resiste e afasta-se dele)
Frederico (desentendido) – o que foi, minha frágil porcelana?
Paula (Victoria) – ainda sinto-me mal pelo que me disseste em Lisboa.
Frederico (a fazer-lhe meiguices volta a abraçá-la) – é mentira… te estás a fazer de difícil comigo, não é? Antes não fazias estes joguinhos, mas sabes? (sussurra no seu ouvido) Eu adoro! (Paula arrepia-se e Frederico avança com os beijinhos cálidos)
Paula (Victoria) (volta a afastar-se dele) – não temos tempo para isto. Preciso de preparar tudo para a comemoração dos anos do Santiago. (retira-se do quarto deixando Frederico frustrado)
(Paula desce as escadas e tem uma incomoda surpresa. Está na sala, Patrícia)
Patrícia (com um olhar sínico, vai abraçá-la) – Victoria, querida! (dá-lhe um beijinho no rosto)
Paula (Victoria) (insatisfeita com a sua presença) – olá… Patrícia, mas que surpresa! (sorri)
Patrícia- senti tanto a tua falta que tive de vir à Portugal visitar-te. (com um sorriso hipócrita)
Paula (Victoria) (anima-se) – então quer dizer que não vais ficar cá por muito tempo?
Patrícia (rir-se com um ar irónico) – ao contrário, querida… este lugar é tão magnífico que eu decidi ficar cá a morar. Não é uma notícia incrível? (com um sorriso detestável)
Paula (Victoria) (a disfarçar o aborrecimento) – incrível? Eu diria mais… inesperada! (sorri)
Patrícia- e Frederico, como está? Já tenho saudades dele… ah… quero dizer, de todos!
Paula (Victoria) (sorri com audácia) – estamos muito bem! Principalmente Frederico e eu.
Patrícia (roce o nariz) – ah… pois alegro-me bastante por vocês. Bem, minha querida, adorava ficar mais tempo a conversar, entre tanto tenho mil coisas a fazer. Até logo! (vai a sair quando Frederico desce as escadas e Patrícia para por ele) Frederico! (abraça-o) Como estás?
Frederico (a sorrir para ela, enquanto Paula queima de ciúmes) – que prazer em ver-te.
Patrícia (passa a mão no seu rosto) – o prazer é todinho meu! (com um sorriso descarado)
(Paula, com ciúmes, vai até Frederico e, sutilmente, tira-o de Patrícia demonstrando poder)
Patrícia (percebe a atitude de Paula) – bem… Frederico, e as novidades?
Paula (Victoria) (intromete-se para não dar espaço à Patrícia) – infelizmente, não temos!
Frederico- na verdade, sim há uma! Amanhã é os anos do Santiago. Estás convidada!
(Paula, imediatamente, olha-o surpresa e desgostosa com a sua atitude, mas disfarça. Patrícia não esconde a felicidade descarada e dá-lhe um beijo ao rosto de Frederico)
Patrícia- Estarei aqui, mas só porque convidaste-me. Bem, agora tenho de me ir embora! (irónica) Adeus, Victoria querida. (retira-se)
Paula (Victoria) (com ódio e ciúmes, sussurra) – naja! (para Frederico) Porquê a convidaste?
Frederico (sem perceber) – porquê não a convidaria? Que tens? Supõe-se que sejam amigas.
Paula (Victoria) (vira-se de costas) – supõe-se que ela não esteja interessada no meu marido!
Frederico (surpreso) – ela? Por mim? (rir-se) Andas a imaginar coisas, meu amor.
Paula (Victoria) (indigna-se) – não vês como ela olha para ti? Como insinua-se à minha frente?
Frederico (agrada-se e sorri com malandrices) – Ofélia, Ofélia… estás com ciúmes?
Paula (Victoria) (enfurece-se) – ciúmes? Vocês homens são muito egocêntricos mesmo!
Frederico (começa a abraça-la seduzindo-a) – estás com ciúmes sim senhora… não negues!
Paula (Victoria) (solta-se dele) – dás-me licença que tenho mais que fazer! (retira-se)
Frederico (observa-a a ir embora, sorrindo) – minha Ofélia fica linda quando está com ciúmes…
(Em Lisboa, Victoria entra no quarto, agarra no computador e senta-se na cama ao lado de Cesar, sem dizer uma única palavra. Ouvir: Laura Pausini — Viveme con Alejandro Sanz)
Cesar (chega-se para perto dela) – o quê vais fazer?
Victoria (Paula) – tenho testes para adiantar, trabalhos de casa e aulas que preparar. (Cesar rir-se com o que ouve) De quê estás a rir? Qual é a piada em trabalhar nisto?
Cesar (disfarça para não lhe dizer que sabe que ela não é a Paula) – piada nenhuma, desculpa! (põe a mão sobre a sua perna e com os lábios, acaricia-lhe o pescoço, sem beijar)
Victoria (Paula) (afasta-se dele, mantendo-se fria) – Cesar, estou a trabalhar!
Cesar (manhoso) – trabalhas depois! Não vês que estou convalescente e preciso de carinho?
Victoria (Paula) – ah e queres? Ontem não parecia, pelo modo como me trataste!
Cesar- mas eu já pedi desculpas. Sei que fui um parvo contigo… estou arrependido. (continua a fazer manhas e a pedir beijos) Vá lá… só um beijo! Um daqueles que me deixa louco… sim?
(Victoria não resiste àquelas manhas e cede, dando-lhe o beijo que tanto queria. Ela olhou para a sua boca e Cesar sentiu que a luxúria o percorria de cima a baixo. Esperou, sem fôlego, que o calor que sentia no corpo se dissipasse, mas piorou. Depois, os seus olhos encontraram-se e a química foi como uma corrente elétrica. O modo como ela abriu os olhos fê-lo pensar que talvez tivesse lido os seus pensamentos, mas era impossível)
Victoria (Paula) (abraçada à ele com a respiração acelerada) – já posso voltar ao trabalho?
Cesar (sussurra) – nem por isso! (Cesar agarra-a e deita-a ao seu colo. Beija-a com vontade e desejo. Os seus sentidos encheram-se do calor e do aroma dela. Talvez por isso a segurasse mais tempo do que o necessário, apertada contra ele como se o tivesse feito toda a vida. Cesar inclinou a cabeça para trás, dominado pelos seus sentidos, e encontrou-se com os olhos verde-escuros. Foi como se sentisse o impacto de um míssil. Química. Nunca tinha experimentado uma tão forte. Sabia que a melhor forma de a moderar seria possuindo-a. Estava a responder como qualquer homem saldável que tivesse uma mulher bela nos braços. Abriu a mão sobre a sua anca e puxou-a mais para ele. Notou o instante em que ela lhe sentiu a ereção, pois deixou escapar um gemido suave e feminino que o excitou ainda mais. Desejava afundar a mão no seu cabelo e tomar a sua boca, mas conseguiu controlar-se. Levantou-lhe o queixo e obrigou-a a olhar para ele) Desejo-te. Quero beijar-te até te deixar sem sentidos e fazer amor contigo até te deixar exausta. Não pensei noutra coisa em todo o dia.
Victoria (Paula) (ela estremeceu e Cesar sentiu-se no fio da navalha enquanto esperava pela sua resposta) – Cesar… (pigarreou) Não tenho a certeza de que isto seja boa ideia.
Cesar (o tom grave da sua voz ao dizer o seu nome, nele o abrasava por dentro) – do que não tens a certeza de que seja boa ideia? Disto? (apertou-a contra a cama e rodeou o seu rosto com as mãos. Depois reclamou a sua boca. Os seus sentidos encheram-se do sabor intenso embriagador. Soubera que seria assim. Arrasador. Os lábios rubis eram mais carnudos e doces do que tinha imaginado. Quando ela os entreabriu e se aproximou mais, o desejo de a seduzir consumiu-o. Aprofundou os dedos na sua cabeleira enquanto lançava os beijos na sua boca para a explorar)
FIM (DO CAPITULO 53)
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