Dual Personality
5 Quando já não se sabe mais o que fazer.
Notas iniciais
As horas de viagem foram exaustas. Eu me sentia cansada, perdida e não tinha para onde ir. Olhava em torno de mim, chegava até mesmo a me sentir assustada visualizando aquela multidão de pessoas diferentes do que eu estava adaptada a ver. Sentia muita fome, graças à distância que percorri para fugir, graças ao medo que agora sentia em envolver o meu amado (e a família dele) nos meus distúrbios e – agora admito – meus crimes.
Procurei algum lugar onde pudesse gastar as poucas notas de dinheiro que possuía, sem morrer de fome, tomar uns poucos goles de café e se distrair, pensar como poderia continuar a ganhar dinheiro por ali.
Tenho uma faculdade incompleta que poderia me ajudar a conseguir algum dinheiro, me virar por algum tempo... E assim, entre pensamentos aleatórios, caminhava em direção a lugar algum, procurando uma cafeteria qualquer, que pudesse saciar minha necessidade de alimento.
[...]
Depois de andar por minutos sem rumo, acabei por perceber que estava perdida naquele lugar desconhecido. Acabei por parar algum desconhecido e perguntar onde achar alguma cafeteria, ele me informou, e, sem receios, fui em direção ao tal lugar.
[...]
Cheguei lá, sentei-me e esperei pacientemente...
– Boa tarde, moça, em que posso ajudar? – A garçonete negra, com olhos pretos e sorriso bem branco esbanjava simpatia.
– Boa tarde, é... Apenas um café, preto, açucarado. – Eu coloquei uma das minhas mechas loiras atrás de uma das orelhas. – Quanto fica?
Após ela falar o valor, um rapaz desconhecido sentou-se do meu lado.
– Pode deixar que eu pago para essa bela garota. – Ele tirou o dinheiro e colocou na mão da garçonete.
– Você não faria isso se soubesse porque estou aqui. – Eu recusei, levando minha mão em direção a sua, como se impedindo a jovem de aceitar aquele dinheiro.
– Você não recusaria se soubesse quem eu sou. – Ele riu, em tom irônico e acabou pagando a minha bebida.
– Bem, obrigada, mesmo assim. – Eu me virei para o rapaz.
– De nada. Você não é daqui certo? Seu sotaque... – Ele apontou para os meus lábios.
– Sim, realmente, não sou.
– Você disse que não pagaria seu café se soubesse o porquê de você estar aqui, posso saber por que você está aqui? – Ele estava curioso.
– Jamais. – O café chegou.
– Então, para onde você vai?
– Na verdade, não tenho pra onde ir. Vim para cá tão desesperadamente, que me esqueci de procurar um lugar para ficar.
– Se não se importar, pode ficar na minha casa, moro com minha mãe ainda. – Ele riu. – Se isso não lhe parecer assustador o suficiente. – Ele tinha um aspecto inocente, enquanto parecia querer flertar. – Ou, se não se sentir segura, posso lhe indicar um bom hotel...
Pensei por alguns segundos. Se ele tentasse algo, talvez o meu outro eu acabasse radicalizando demais e acabasse com a vida dele... Por outro lado, já teria algum certo apoio no meio daquele novo lugar desconhecido. Mas também temo o mal que posso fazer a ele, as novas pessoas e até a mim mesma, o que fazer, o que dizer?
– Tudo bem. – Falei por impulso. Na verdade, não temia quase nada. Apenas ser descoberta. Sabia que meu outro eu poderia me proteger de qualquer um que tentasse qualquer coisa contra mim. Mil possibilidades passavam na minha mente nesse momento. Talvez... Talvez... Talvez...
– Ah, e se firmamos uma amizade, me contará o motivo pelo qual você veio para cá, certo? – Ele havia ficado curioso.
– Jamais.
Fale com o autor