Drácula- A lenda continua
6 O Pacto de sangue
Notas iniciais
POV JONATHAN HARKER

–Sede da Ordo Draco...
—Junte-se a nós Harker—A voz de Foster eclodiu pela sala em que estavam todos do Ordo Draco. Entrei ainda timidamente pela porta, os demais da ordem estavam cobertos com uma capa escura, formavam um circulo ao redor de Foster.
—Então?—Não podia negar que estava nervoso, mais ao mesmo tempo muito curioso com aquele futuro ritual da qual eu não sabia nada.
—Venha até o centro do circulo—Foster indicou com a mão o devido lugar que eu deveria ficar. Fiz o que ele tinha pedido, depois que estava no centro do circulo, pude observar os rostos dos que estavam ali, todos com expressões séries e fechadas—Iremos iniciar o Ritual.
Essa foi à última coisa que escutei da boca de Foster, o mesmo se aproximou, ele usava a mesma capa escura dos outros, porém matinha o rosto descoberto, carregava uma adaga de prata em suas mãos, puxou um dos meus braços.
—Abra a mão Harker—Pediu.
—Pretende me cortar com essa adaga?
—Seu sangue irá seu uni ao nosso, você fará parte oficialmente da organização depois disso, agora estenda sua mão esquerda, sejamos breves com isso Harker, não irei secá-lo aqui, preciso apenas de um pouco do seu sangue.
—Está certo—Eu não podia voltar atrás, já estava ali e iria até o fim, ergui a mão esquerda para que Foster pudesse pegá-la, com agilidade e rapidez senti o corte sobre a pele, o sangue desceu pelos dedos pingando no chão. Logo depois todos passaram pela mesma cena, doze mãos cortadas, não poderia faltar Foster também, rasgou a pele sem piedade, deixando um imenso ferimento aparecer na mão.
—Agora repita essas palavras Harker. “EU PROMETO HONRAR MINHA NOVA FAMÍLIA, SEGUINDO AS TRADIÇÕES E PROMETENDO MINHA VIDA A ORDO DRACO, MEU SANGUE AGORA É DESSA ORGANIZAÇÃO, ASSIM COMO A MINHA VIDA, PROMETO ACABAR COM AQUELES QUE AMEAÇAM O BEM ALHEIO, PROMETO ACABAR COM QUALQUER ABERREÇÃO QUE APAREÇA POR AQUI, DECLARO QUE MINHA VIDA PERTENCE A ESTÁ ORGANIZAÇÃO, A ORDO DRACO”
Minha boca estava seca depois de repeti as palavras, senti um frio na espinha, o ar parecia ser caído, tudo estava gelado naquela sala, minha visão ficou um pouco turva, poderia dizer que estava prestes a desmaiar, tentei controlar a respiração o máximo que pude, mas senti minhas costas pesarem e meus joelhos dobrarem. Depois tudo ficou escuro demais.
POV ALEXANDER GRAYSON(Drácula)
Observava o céu da janela do meu quarto, podia sentir o calor atravessando as cortinas de seda, enchendo o quarto com alguns raios de sol, inutilmente eu tentava deixar minha mão exposta à luz do sol, mesmo sabendo que segundos depois ela começaria a queimar.
Não aturava mais viver na escuridão, o soro havia acabado e eu precisava da minha liberdade, da minha total liberdade. Mina tinha saído cedo para suas aulas, eu sabia que não podia prendê-la na mansão, na verdade nem eu queria isso, mas com Jonathan a solta eu precisava ficar de olho, porém enquanto não pudesse sair de dia, eu seria um inútil.
Bufei algumas vezes entediado, a mansão era um lugar grande demais, e ficava ainda mais vazia quando minha querida não se encontrava. Renfiled bateu na porta do quarto, assenti com a cabeça e ele entrou.
—É bom vê-lo de pé meu amigo—Estava sentado num canto escuro do quarto, onde a luz não me alcançaria.
—Isso graças ao senhor. Mais vejo que está incomodado—Aproximou-se da janela fechando um pouco das cortinas.
—Estou perdendo a paciência com Van Helsing, já era para ele ter trago aquele maldito soro.
—Não acho que ele irá fazer isso de bom agrado, ainda mais porque de certa forma ele não deve mais nada ao senhor.
—Isso é o que ele pensar Renfiled, aquele infeliz me deve muito ainda, foi um idiota traçando sua vingança sem minha ajuda, eu teria ajudado ele, foi o acordo, destruiríamos a Ordo draco juntos.
—Sabíamos muito bem de quem ele queria se vingar—Renfiled me lembrou.
—Estúpido, acha que agora vai viver sua vidinha medíocre em paz.
—Que mal lhe pergunte senhor, o que pretende fazer caso ele não trago seu soro?
—Não posso matá-lo ainda, se eu fizer isso darei adeus a minha chance de consegui andar de dia, não posso perder essa esperança, só ele pode tornar esse sonho realidade.
—Então?
—Irei esperar, por mais que isso me deixe irritantemente zangado, eu não posso perdê-lo ainda, depois que eu tiver o que eu quero nada me impedirá de me livrar dele.
[...]
—Porque demorou?—Mina se assustou ao me vê sentado na sala, às sombras da sala me deixavam invisível aos olhos de quem chegasse, eu estava sentado numa poltrona cor de carne, uma das pernas descansava sobre a outra, meus cotovelos apoiados nos braços da poltrona, enquanto eu rodava um anel que estava em um dos meus dedos.
—Você me assustou—Sorriu nervosa—O que está fazendo aqui no escuro?
—Esperando você, passou o dia todo fora, está tarde então fiquei preocupado—E realmente estava tarde, o relógio na sala já marcava meia noite.
—Desculpe Alexander—Mina curvou os ombros—Depois das aulas fui para o consultório de Van Helsing, tinha muito trabalho acumulado.
—E depois?—Minha voz ela apenas uma linha fina e curiosa.
—Depois Lucy apareceu, então passamos o resto da tarde juntas, depois saímos para jantar, ficamos conversando até tarde.
—Entendo—Levantei-me da poltrona caminhando até Mina, ela não se moveu, permaneceu na mesma posição, até poderia dizer que estava apreensiva com minha aproximação—Algum problema?—Parei em sua frente, Mina apenas abaixou os olhos. Segurei seus ombros com firmeza, enquanto meus olhos estudavam sua aparência—Tem algo que não está me contando Mina?
—Só estou cansada—Levantou os olhos, e nada mais foi preciso para que eu soubesse que Mina estava mentindo.
—Porque sinto que não está sendo verdadeira?
—Não seja tolo Alexander, eu estou falando a verdade—Sua voz aumentou, não que ela estivesse gritando, uma leve alteração em sua forma de falar.
—Tudo bem querida, não queria deixá-la inquieta, eu não irei perguntar mais nada.
—Acredite em mim—Seus olhos encheram-se de culpa.
—Tudo bem, vamos subi—Segurei os livros que Mina carregava nos braços.
—Obrigada—Ela sussurrou.
[...]
POV LUCY
–Horas antes...
Aguardei o dia inteiro para que pudesse sair de casa, minha mãe não estava, fazia alguns dias que mal trocávamos duas palavras. Não que isso me tirasse o sono, muito pelo contrário, pelo menos não teria que dar satisfações do que estava acontecendo nos últimos dias.
Joguei um vestido laranja sobre meu corpo, ajeitei os cabelos os deixando soltos, passei um batom cor vinho bem forte, os olhos também se destacaram devido ao lápis de olho escuro, calcei meu salto preto, joguei uma capa negra sobre os ombros e finalmente sai de casa.
O crepúsculo estava caindo sobre as ruas de Londres, não havia mais raio de sol algum, então poderia caminhar calmamente até o trabalho de Mina, iria esperá-la até que pudéssemos sair para juntas fazermos alguma coisa, como nos velhos tempos.
[...]
—Mina?—A chamei antes que ela atravessasse a rua.
—Lucy?—Olhou curiosa—O que está fazendo aqui?
—Sequestrando você—Segurei em seu queixo sorrindo—E não aceito não como resposta.
—Lucy—Ela começou—Preciso voltar para a mansão, Alexander deve...
—Ele não é seu dono Mina—A interrompi—Sou sua amiga, faz tanto tempo que não saímos para nos divertir, pensei que ainda gostava da minha companhia.
—Não é isso Lucy, é que estou cansada, trabalhei muito hoje.
—Vamos jantar, aposto que deve está morrendo de fome—Já puxava seu braço, Mina carrega alguns livros nas mãos, peguei alguns ajudando-a.
—Jantar?
—Isso mesmo, vamos jantar, assim você se alimenta e poderemos ficar um tempo juntas, depois você volta para Carfox.
—Hum....—Olhou-me pensativa—Está certo—Abrimos um sorriso juntas.
—Prometo que não irá se arrepender minha adorável Mina—Saimos caminhando pela calçada movimentada, queria aproveitar o máximo de sua companhia, pelo menos naquela noite Lucy seria apenas minha.
[...]
Observava a expressão de Mina enquanto comia um pato recheado, o prato também estava decorado com batatas cozidas, salada verde e alguns legumes, eu não estava com a mínima fome, pelo menos não fome de comida, apenas degustava um bom vinho branco.
—Não vai comer Lucy, esse pato está delicioso, você estava certa, eu estava morrendo de fome.
—Não estou com tanta fome assim, agora você estava—Soltei uma risada, o que fez Mina ficar vermelha—Coma sua boba, até parece que não sei do seu imenso apetite.
E foi exatamente o que ela fez, depois do jantar pagamos a conta e saímos para dar uma volta, a brisa era fria, poucas pessoas caminhavam àquela hora, Mina estava mais solta, conversava mais, ria mais, pela primeira vez depois de nossa briga ela estava agindo como ela mesma.
Escutar sua risada era música aveludada aos meus ouvidos, seus lábios avermelhados abriam-se e fechavam à medida que ela falava, eu não conseguia prestar atenção em mais nada quando estava ao lado dela, a noite estava maravilhosa, eu disse certo... -estava–
Alguns metros à frente nós tivemos o desprazer de encontrar com Jonathan Harker, para minha total surpresa ele não estava sozinho, caminhava ao lado de uma moça alta, cabelos na altura dos ombros, escuros como a noite, usava um vestido azul, um sobretudo vermelho cobria seu corpo, botas de couro completavam o visual da desconhecida.
—Mina?—Ele chamou assim que a enxergou.
—Lucy vamos embora—Mina apertou meu braço, sentia sua vontade de sair da presença de Jonathan.
—Lucy—Jonathan olhou-me de lado—Fizeram as pazes?
—Não lhe interessa, já estávamos indo embora, o ar ficou irrespirável—Fechei a cara afastando Mina de perto dele.
A desconhecida que estava ao seu lado permaneceu calada, Mina e eu já virávamos a rua, porém não pude evitar uma última olhada, os olhos de Jonathan estavam sobre Mina, olhos doentios, olhos possessivos.
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