Dry Ice
1 Pink Hair - One Shot
Notas iniciais
De início, a ideia era trazer pra vocês um pouco de mim, e eu o fiz, mas eu quis mudar esse pouco de mim, deixando a personagem principal (Clarie) tomar conta disso por mim. Eu entrei na música (link da mesma nas notas finais) de certa forma que eu quis dar a vida pra Clarie.
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Feita com carinho pra cada um que deseja despejar sua dor sem se machucar ou que o faz. Para que vocês que se mutilam vejam os efeitos que isso possa causar, não que eu o faço, mas para que vocês tentem buscar um psicólogo e busquem pessoas que tentam vencer isso como inspiração e que isso sirva para que vocês encontrem amigos que o ajudem a parar ao perceberem que vocês se mutilam ou se machucam com palavras, como eu. >///<
Acreditem em si mesmos ^-^~
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Link da música nas notas finais
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I hope you like It
A garota de cabelo tingido completamente de rosa — chiclete. A garota chamada Clarie. A mais romântica e doce, talvez. Nada inocente e sempre com um algodão doce na mão, irônico, não? Claro, Clarie é uma garota diferente, única. Possuindo seu estilo próprio, fria como a temperatura em que se deve fazer o gelo-seco.
Fitava o teto branco de seu quarto, pensando em seus pais, no quanto eram frios e rígidos com a mesma. Se o gelo que é frio derrete, por que a frieza e rigidez de meus pais para comigo não derreteram até seis anos atrás? Perguntou-se mentalmente, ouvindo uma de suas músicas favoritas, uma música que definia a si mesma.
Sentou-se na beirada da cama, apoiando suas mãos em seus joelhos. Uma lágrima escorrera pelo seu rosto. Clarie não era de chorar, mas, na situação em que se encontrava, era necessário que chorasse, deixando que seu triste passado fosse finalmente, com muita dificuldade, sepultado dentro e fora de si.
Seu triste passado tinha de ser sepultado, jogado fora. E principalmente, o mais rápido possível... Ou seria ela mesma a matar essas lembranças de um jeito mais rápido, frio e pesado: matando a si mesma, com um tiro em sua própria cabeça ou com uma faca perfurando seu coração.
Na primeira opção; o sangue sairia pelos meus olhos e seria jorrado pela minha boca, manchando meu cabelo, deixando-o num tom mais escuro; já na segunda, bom, o meu sangue se espalharia pelo chão, formando uma poça... Seria horrível, mas bem... Legal, huh? Pensou consigo mesma, enquanto suas lágrimas escorriam sem cessar pelo seu rosto já inchado.
Assim que suas lágrimas cessaram, deu uma risada irônica e sádica. Abraçou a si mesma, arranhando seus braços com suas longas e afiadas unhas. O sangue escorria pela pele e pelos dedos da garota. Clarie sorriu feliz pelo que havia feito consigo mesma, feliz por sentir o sangue escorrer pelo seu braço e pelos seus dedos. Estava simplesmente feliz por saber que achara um jeito de fazer seu lado frio tomar conta de si mesma.
Mas seu lado frio a tomou, desde que nascera, desde que era apenas um feto.
Clarie sentiu-se tonta, uma dor de cabeça imensa a tomara. Todo o seu corpo tremia, como se estivesse com frio, mesmo estando no calor do verão. Deitou – quase se jogando – pra trás, em seu colchão, sentia seu corpo completamente mole, como se estivesse com cólica. Sua cabeça latejava a cada batida da música que ouvia. Sua visão se escureceu, fechou os olhos. Havia desmaiado.
***
Clarie acordou, estranhando o local que estava: um hospital. Tentou falar algo, mas sua voz não saía, tentou então se levantar, mas antes mesmo disso, sentiu uma pontada forte no coração. Percebera então que estava sendo injetado em si, soro e sangue.
–Onde estou? –Perguntou, sua voz falhara. –Aliás, por que eu estou num hospital? –Refez a pergunta, sua voz saíra num fio praticamente inaudível.
–Não se mexa e fique calma... –Um médico pediu-a, como se não tivesse ouvido sua pergunta.
Clarie engoliu em seco. Seu coração gelou. Finalmente percebeu o que estava acontecendo. Clarie agora é como um ninguém para as pessoas depois do que havia feito com ela mesma e depois que desmaiou, na verdade, antes mesmo disso já era considerada como se não existisse. Mas quem ligara para o hospital se ela vive sozinha?
A garota do cabelo tingido de rosa respirou fundo, deixando que uma lágrima escorresse pelo seu rosto. Conformou-se com o estado que se encontrara, ficando em seu silêncio, imaginando quem poderia ter chamado a ambulância pra levá-la pro hospital e quem teria as chaves de sua casa para abri-la... Quem ligaria pra uma garota fria como Clarie? Uma garota que nem dá as caras pras pessoas e que nem sequer tem amigos?
As últimas pessoas que Clarie podia imaginar que tinham a cópia da chave de sua casa eram seus pais. Apenas eles. Mas qual seria o motivo da visita que eles fariam pra Clarie? Era essa a única resposta que ela precisava ter pra terminar o quebra-cabeça que se formara em seus pensamentos.
E por que seus pais não estavam junto dela no hospital?
Talvez eles apenas não consigam aguentar o estado em que me encontro... Só isso,pensou, os batimentos cardíacos voltaram ao normal.
Clarie, ah, doce e romântica garota, muitas vezes fria... Transmitia a doçura de sua mãe; o seu próprio romantismo, trago com seus livros de romance que lia na infância; a frieza que seus pais a tratavam após receber uma irmã, a perfeita e querida filha, Clarie era um pedaço de mau caminho pra irmã caçula, por isso recebera o tratamento frio dos pais e fora amaldiçoada com isso.
Amaldiçoada por ter aprendido a ser fria e a ser o verdadeiro pedaço de mau caminho pra irmã caçula. Tanto que fugira de casa aos dezesseis, fora obrigada a usar o próprio corpo como arma pra ganhar dinheiro, e com economia, comprar sua própria casa e as coisas necessárias para a mesma.
A quem os pais estavam enganando? Apenas a si mesmos, pois foram aqueles que a abandonaram e foram eles que voltaram atrás, pedindo ajuda da filha caçula pra encontrar a primogênita. Ah, Clarie apenas agradeceria sua irmã por isso e fecharia seus olhos, dormindo em paz, para todo o infinito. Morreria em paz e sua alma viria a se encarnar numa outra garota, com a vida difícil, viria a ensinar as pessoas não humildes a aprenderem o valor da humildade e o valor da verdadeira vida.
Seria Clarie a mudar o mundo a partir de sua morte, huh?
Notas finais
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"Para que você possa despejar seus sentimentos ruins nos talentos que você preza, ou naquilo que você pode aprender, sem se importar com que os outros dirão, ser apenas si mesmo e se lembrar de que há pelo menos uma pessoa ao seu lado para te apoiar sempre que necessário..." -fuckmejren
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