Drunk in Love

1 Drunk in Love - Capítulo Único


Notas iniciais
NEWTMAS ARE BACK, BITCHES! Oito meses de espera pela continuação de What I Did For Love e seus 15 favoritos e não sei quantos acompanhamentos marcados naquela one-shot, e finalmente trago pra vocês Drunk in Love, que na minha pobre opinião, está no mesmo nível do primeiro volume: engraçada e romântica (e pegue romantismo nessa parte, viu) ao mesmo tempo *u* O capítulo dessa vez é narrado em terceira pessoa porque quando eu vi já tava assim e não quis mudar '-' Boa leitura, aproveitem e se puderem, deixem o tão conhecido comentário no final, tá bem? ;)

— E eu nunca vou esquecer o que você fez por me amar.

Thomas acordou abruptamente com tal frase ecoada no sonho da noite e também dita por Newt antes. Ele não sabia bem o porquê de ter despertado dessa maneira ás quatro horas da madrugada. Logo ele, que prezava tanto o sono e as belas horas em que aproveitava o mesmo em sua tão conhecida cama que o acompanhara nos momentos bons e ruins da adolescência... não tinha ninguém melhor (ou pior) pra ter seu descanso interrompido?

— Isso não tem como piorar, né, universo?

E foi só ao tentar se equilibrar sentado que Thomas notou onde estava.

No chão de uma cozinha.

A cozinha da casa de Newt. Thomas sabia muito bem porque passou dias e dias de sua vida aprontando alguma travessura naquele cômodo com o melhor amigo – que também era seu crush de anos, mas ele não se preocupava com isso no momento.

— Mas que porra... é essa? O quê que eu estou fazendo aqui? — Virou sua cabeça para a janela, da qual vinha um forte calor que o sol emanava. O jovem achou que, fazendo isso, poderia ter uma conversa séria com qualquer que fosse a força que estivesse tirando com a cara dele. — Sério, qual o seu propósito nisso? Não é legal, já podem parar com a palhaçada!

E como se seu cérebro estivesse adivinhando o choque, começou a latejar. E bem forte. O que diabos Thomas fizera de tão grave pro mundo jogar uma enxaqueca pesada?

— Quer um copo d'água, Tommy?

O moreno ergueu o olhar para cima, a fim de distinguir quem era a criatura que se encontrava de pé ali e que parecia reluzir – mas na verdade era só o sol, vindo da janela e batendo na cara de quem quer que fosse.

— Quem é que-— interrompeu a si mesmo quando conseguiu enxergar quem era.

Newt.

— V-você?

— Não lembra de porcaria alguma da noite passada, não é mesmo? — O loiro abaixou-se para ficar na mesma altura de Thomas — quer que eu te conte?

— Você nunca foi bom em contar a verdade sobre os acontecimentos da vida, Newt, então não sei se confio a você esta tarefa de me contar o porquê dessa dor de cabeça infernal.

— Bom, você confiou a mim as duas maiores coisas que você podia ter ou fazer — Thomas fez cara de estranheza — a carta com tudo o que você fez por mim... e o seu amor por mim. Já pode confiar bastante agora.

O recém-acordado o encarou como quem dissesse “odeio quando você tem razão”. Um olhar prontamente entendido por Newt. Está aí uma das vantagens de serem amigos de infância que mais tarde poderiam muito bem se tornar um casal: eles se entendiam apenas com olhares. Respirações rápidas ou demoradas. Um piscar de olho rente a determinadas situações. Ou um simples emoticon por mensagem.

— Primeiro: não seja tão convencido, moço. Segundo: me ajude a levantar e sentar em algum lugar aqui, por favor — estendeu a mão, a qual o loiro segurou.

Newt ajudou Thomas a se levantar, e antes de qualquer movimento em rumo à sala de estar da casa, o menor – que incrivelmente era Newt, mas esses detalhes já devem ser conhecidos do povo – ergueu o outro pela cintura. O fato fez com que Thomas fosse erguido até a bancada da cozinha pelo loiro.

— É sério isso?

— Vai entender melhor o que eu fiz se me deixar explicar o que houve ontem.

— Então conta — o moreno cruzou os braços como uma criança curiosa — mas primeiro, vai ter de sentar aqui do meu lado.

— Me dê razões.

— Primeiro: porque eu tô mandando — isso fez o garoto menor rir — segundo: porque você não pode recusar o pedido de alguém que te aturou por não sei quantos anos. Terceiro: porque eu te amo.

Thomas calou-se repentinamente e levou as mãos à boca logo depois. A última frase não seria dita tão bruscamente nos planos do garoto sentado na bancada, que estava com medo do que viesse a acontecer em seguida.

— Desculpe — tirou as mãos da boca para falar — falei cedo demais.

— Tudo bem, não é nada que eu já não tenha ouvido antes.

— Do que está falando, Newt? — O outro, então, pulou para se sentar na bancada também, e arqueou uma das sobrancelhas para o “amigo” — Não, não, não, não me diga que eu fiz merda ontem.

— Eu não diria que você fez merda ontem, Tommy.

— Então o que foi que eu fiz?

— Nós — deu uma diferente ênfase na palavra — fomos à festa de reencontro da nossa turma no nosso antigo colégio. Lembra que todos viriam especialmente para tal?

— Oh, sim — jogou a cabeça para trás, como quem lembrasse de algo importante — organizaram no SocialBook e eu emendei minhas férias com essa festa só pra voltar a esta cidade e lembrar dos velhos tempos...

— Engraçado, você disse a mesma coisa quando me viu na festa ontem.

Como se a intenção fosse mesmo voltar aos velhos tempos, as enormes caixas de som concentradas num lado do ginásio da escola ecoavam “22” da Taylor Swift. Foi nesse momento que Newt adentrou o lugar, no qual praticamente todos os seus ex-colegas se encontravam conversando, dançando ou – literalmente – engolindo um ao outro. O loiro até entendia essas pegações todas – afinal, eram quatro anos sem se verem – e por isso nem se atrevia a separar os amantes e perguntar o que diabos estava havendo. Vai que eles respondessem um “pegação de reencontro, nos deixe”... aí ele nem poderia julgar.

— Newt? — Alguém o cutucou por trás, e ele logo se virou para ter certeza de quem era... por mais que já soubesse quem era só pela voz.

— Thomas! — E os dois compartilharam um abraço. Que durou bastante tempo, até... mas era o famoso “abraço de reencontro”.

Quatro anos sem se verem, quatro anos com respostas e perguntas entaladas na garganta, quatro anos sem socializarem com os amigos. Quatro anos.

Tá, essa pausa de quatro anos foi encerrada mais cedo quando eles se viram na praça do bairro onde moravam e disseram várias coisas acerca da carta deixada para o loiro. Mas aquele diálogo não terminou em nada demais; no último segundo Thomas desviara o rosto para que não rolasse o provável beijo, e os dois apenas se despediram e disseram estar ansiosos para a festa de mais tarde.

— Se eu não te conhecesse tão bem, diria que está bêbado. — Disse Newt.

— Eu não bebi, moço, imagina — a frase de Thomas foi anulada completamente pelo copo de cerveja na sua mão direita — só estou fingindo!

— Claro, você está fingindo e o Minho não é coreano — ironizou, tomando o copo da mão do amigo e bebendo o resto — precisava começar assim, com o pé direito.

— Aí beber do meu copo é começar bem? Hum, tá saidinho demais pro meu gosto — o moreno riu alto, atraindo a atenção de quem não estava tão bêbado como ele — o que foi que aconteceu contigo nesses anos?

— Aprendi a dar valor às pequenas coisas da vida, devia tentar — Newt conduziu Thomas até a mesa onde estavam as bebidas, e encheu um copo com ponche (provavelmente batizado por Gally, mas ninguém sabia ao certo se ele realmente o fizera) — nem sei por que estou dizendo isso, você já está aproveitando bastante!

— Vem comigo, a música é tão boa e você aí só bebendo... vamos nos jogar na noite! — O moreno segurou a mão de Newt e o conduziu à pista de dança, onde já começava a tocar “Drunk in Love” de Beyoncé & Jay-Z.

— Não, Tommy, você não vai fazer aquilo de novo.

— Tenho certeza de que você adorou o fato de eu ter dançado essa música com sua ex-peguete aos 17 anos de idade — Thomas nem notou o fato de que sua mão ainda estava ligada a do loiro — vamos... dançar... juntos.

E assim fizeram. Deixaram de se importar com o resto do mundo. Thomas já tinha perdido completamente a noção do que estava fazendo, só se importava em fazer movimentos nada sincronizados ao lado do homem que amou durante tanto tempo – e que ainda amava, mesmo depois de quatro anos escondendo seus sentimentos em favor de uma discrição enquanto estudava Pedagogia na universidade e não queria ser notado pelos outros alunos, preferindo passar a faculdade toda sendo apenas o nerd – enquanto que Newt claramente já começava a perder o controle de suas ações devido ao ponche (que com certeza fora batizado) e começava a encarar o amigo com outros olhos.

Rapidamente se lembrou de quando chegou no quartel da Aeronáutica e leu a carta que estava em seu bolso durante todo aquele tempo. Ele não ficara tão chocado com as revelações do amigo Thomas, porque de fato ele já desconfiava... mas era mais difícil ter de aceitar que agora era mais que uma suposição esquecida. Era uma verdade. Thomas definitivamente o amava e isso ninguém poderia mudar. O moreno fizera tantas coisas em nome de quem gostava... e Newt talvez não tivesse tão cedo a chance de retribuir.

Aquele com certeza poderia ser o momento.

E, sem pensar em mais nada, beijou o garoto.

— Você O QUÊ? — Thomas interrompeu a contação de história do outro com tal grito.

— Obrigado, Deus, por minha mãe já ter saído pra fofocar com os vizinhos a essa hora — Newt encarou a mesma janela de antes — ou eu te esganava agora mesmo.

— Você m-me beijou?

— Calma, não é como se fosse a pior coisa do mundo... ou é?

— Definitivamente não é — o moreno se permitiu sorrir de lado, antes da vergonha voltar a tomá-lo — desculpe.

— Não é vergonha gostar de um beijo, ainda mais quando não foi culpa sua.

— Mas eu podia ter interrompido e...

— Caro Thomas, convenhamos em uma opinião aqui — o garoto menor apontou para ambos — você não interromperia isso nem se eu implorasse pra você parar.

O maior ponderou bem sobre isso e no final das contas, Newt estava certo. Thomas que é Thomas não recusaria um beijo do seu crush de anos.

— Droga, você está certo — ergueu as mãos em sinal de rendição — e o que houve depois?

— Quer a versão limpa ou a explícita?

— Me diz que isso foi uma piada — segurou o outro pela gola da camisa — me diz que foi!

— Foi só pra provar que você continua o mesmo dramático de sempre — o loiro riu — pode me soltar, foi só uma piadinha.

— Graças a Deus!

— Não acho que você possa meter Deus num assunto que não cabe a ele.

— Como é que é?

— Tommy, eu só vou te contar porque somos amigos de longa data e porque tenho uma grande consideração por você... ou eu guardaria o acontecimento só pra mim e você jamais se lembraria da sorte que teve na noite passada — respirou fundo antes de voltar a falar — nós nos pegamos bastante, cara.

— Transamos?

— Não que eu lembre.

— Não faça piadinhas.

— Não é piadinha.

— Jura?

— O que você quer que eu faça pra provar que não transamos?

— Diga em frase afirmativa, se é que aprendeu alguma coisa nas aulas de gramática.

— Eu. Não. Transei. Contigo. Ontem. — Newt falou pausadamente.

— Hum — Thomas franziu os olhos — ainda bem que você disse isso.

— Por quê?

— Porque eu lembrei de tudo que aconteceu ontem no momento em que você citou a música da Taylor.

— Filho da puta! — O loiro deu um tapa forte na cabeça do “amigo colorido”, assim podemos nomear — Me fez contar a história toda?

— E ainda fiz teatrinho. Viu como eu também consigo te enganar?

— Nunca vou te perdoar por isso.

— E eu nunca vou te perdoar por ter feito mistério sobre a única parte da qual não me lembro — fez uma pausa dramática — a parte depois que saímos do ginásio logo após esse primeiro beijo pra fazer alguma coisa.

— Tá bem, não vou mentir mais pra você — rendeu-se — só te levei para nossa antiga sala de aula.

— E o que fizemos lá?

— Em suma, foi você quem me levou àquela sala — apontou para Thomas, que arregalou os olhos — e antes de chegarmos lá, você me disse as exatas palavras...

— Estou cansado de esconder o que sinto e o que quero fazer — falou o moreno, enquanto levava Newt pela mão esquerda até a sala de aula onde estudaram no último ano do ensino médio — quero continuar aquele beijo que você me deu.

— Quem te viu, quem te vê, hein, Tommy — exclamou o loiro, que corria para não ter o braço decepado pela rapidez do amigo — sempre foi 99% santinho e tímido...

— Mas aquele 1% tava louco de vontade de te dar uns pegas, tenha certeza.

— Pelo amor de Chris Martin, eu não posso ter dito isso — Thomas levou a mão esquerda às têmporas, expressando nervosismo — não brinque com uma coisa dessas.

— Sério que você lembra da parte mais light e não se recorda do seu lado safadinho?

— Não é minha culpa se a bebida tomou conta de mim completamente logo nessa parte!

— Podia ter maneirado um pouco, então, ué.

— Aí eu não teria te levado até aquela sala e continuado o que você — deu ênfase no “você” — começou!

— Ah, então isso significa que você gostou!

— Claro que eu gostei, Newt! Porra, eu sempre quis ter alguma coisa contigo, nem que fosse uma ficada de uma noite — falou sem pensar, e dessa vez não mostrou uma única ponta de arrependimento — e justo agora que eu tive uma noite inesquecível com você, precisava estar bêbado a ponto de esquecer as merdas todas. Mereço, mereço!

— Tenha calma.

Newt sentiu a vontade de pôr as mãos nos ombros do “amigo colorido”, para tentar acalmar a culpa de Thomas em não lembrar da única vez em que pode ter algo mais sério com aquele que sempre amou. Ele só não contava com o fato de que seu Tommy iria abraçá-lo em seguida. E mesmo os dois estando em cima da bancada de uma cozinha – e a posição não ser tão favorável ao abraço – eles continuaram ali, daquele jeito, por um bom tempo. Sem mais palavras ditas. Newt sabia o quanto Thomas desejava lembrar daquela noite; e o moreno sabia que o loiro se sentia culpado por não poder fazê-lo recordar daquele momento tão almejado em tanto tempo.

— Talvez você não lembre mesmo o que fizemos ontem, Tommy — disse no ouvido do amigo, afastando-se do gesto do abraço logo em seguida — mas podemos fazer memórias novas. Sempre podemos. E poderíamos começar... assim.

E sem aviso, Newt outra vez beijou Thomas. Um beijo prontamente correspondido pelo garoto de cabelos quase pretos. Um ato que demorou quase um minuto inteiro antes de os dois se separarem à procura de ar.

— Como... como eu vim parar na cozinha da sua casa?

— Antes que você pense qualquer coisa, não fizemos sexo — falou como se acalmasse os ânimos de qualquer um — e eu não te deixei voltar pra casa bêbado e safado daquele jeito. Então te trouxe pra dormir ali no sofá... mas não me pergunte como você veio parar aqui. Isso eu definitivamente não sei.

— Se não transamos naquela sala, então o que fizemos lá?

— Eu bebi menos que você, mas também não lembro dessa parte — sorriu de lado, sabendo que Thomas se derreteria por aquele sorriso — mas do que adianta sabermos ou não? Estamos aqui, e a única memória que temos da nossa relação colorida é esse beijo de segundos atrás.

— Tem razão. Estávamos bêbados e apaixonados demais pra querer lembrar.

— Eu te amo, Tommy. — Newt jogou. O outro a princípio ficou estático, mas logo respondeu de volta.

— De verdade?

— Sim... tomei conta disso enquanto estava na Aeronáutica. Nunca esqueci o que você fez por me amar, e eu nunca vou esquecer o quanto meus sentimentos aumentaram naquela época.

O garoto maior sentiu uma vontade de chorar de emoção, mas segurou suas lágrimas em nome do pequeno discurso que o loiro provavelmente faria. Newt não era de fazer discursos, e não o interromperia ali.

— Esperei pela chance perfeita de poder admitir isso pra você, e acho que agora é o momento — pôs sua mão direita no pescoço de Thomas — eu definitivamente te amo, Tommy.

— E eu definitivamente também te amo, Newt.

E compartilharam outro beijo, desta vez mais intenso do que o anterior.

— Acho melhor terminarmos isso aqui no quarto. — Concluiu o loiro.

— Definitivamente.

Notas finais
E então, pessoas? O que acharam de Drunk in Love? Acho que nem deu tempo de vocês respirarem com tantos tiros! Thomas invocou o Drunk in Love em si e acordou já na cozinha para o próprio desespero... pra depois Newt vir com toda a história da noite passada. Beberam, se pegaram bastante... e no final decidiram tentar alguma coisa, né? TÁ TODO MUNDO FELIZ!Faltou alguma coisa, teve algum exagero, o quê? Sejam sinceros ao comentarem. Eu não mordo e ainda abraço todos vocês com muito carinho ;)PS. É só vocês pedirem e eu faço um volume 3 no próximo ano!PS. Obrigado por lerem! Boas Festas!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!