Druida conjurando sonhos
1 único
Essa manhã acordei suando frio na cama e com meus gatos ao redor de mim. Eu não estava doente e nem tinha tido um pesadelo, pelo menos não me recordava, mas como ainda fazia frio e eu estava de casaco e bem coberto, devo ter passado por algum processo químico que me fez sentir calor.
O colchão ficou úmido e antes que pudesse organizar meus pensamentos, achei que um dos meus gatos havia mijado na cama. Graças a Deus que não foi isso...
Como no conto anterior, ainda permaneço na casa da colina, isolado no meio de uma floresta com carvalhos, onde o sol brilha cinza e o outono é durante o ano todo.
Depois de dar bom dia para cada um dos meus gatos, resolvi me levantar e me livrar do casaco, realmente estava muito suado, e segui para o banheiro fazer minhas necessidades matinais.
Era por volta das oito quando eu comecei a ferver a água da chaleira para o café e, enquanto isso, fui alimentar minha companhia que eu conjurei para passar comigo nessa solidão: os meus 4 gatos.
A porta da sacada ficava aberta, um vento mais frio que os outros me envolvia. Eu fui até o parapeito e vi as árvores de carvalho balançando com força. Fechei a sacada e depois corri pro quarto para vestir o meu casaco novamente...
"Está mais frio que nos outros dias" disse eu a Petisco.
Ele olhou para mim e me ignorou.
"Não curte muito conversa de elevador, né?" perguntei enquanto o via se afastar com o rabo oscilando no ar até parar ao lado de Suki.
Havia passado o café e me sentei no sofá com uma grande caneca queimando minhas mãos e a coloquei para esfriar na mesinha.
Subitamente tive um vislumbre, lembrei do sonho que eu tivera antes de acordar. Sonhei que eu passava fome e dizia as pessoas que ninguém se importava mesmo vendo minhas mãos tremerem.
Eu não sei por que me tornei esse tipo de pessoa... Sinto que me entregar a tristeza vai resolver tudo. Sinto que na verdade não quero que ela se vá...
Me culpo de verdade, mesmo que eu esteja correto. Eu me culpo e me isolo.
Seria eu uma pessoa fria como aquele outono? Será que um dia vou conseguir viver com os demais?
Xena pulou para cima da mesinha e ficou ao lado da minha caneca que ainda esfriava.
"Quente" disse ela.
Eu sorri e pensei que havia endoidado de vez naquela reclusão. Xena falando que nem os gatos de Sailor Moon? Impossível.
"Quente!" ela disse mais alto e eu pisquei meus olhos, confuso "quente, você é quente!!"
Não estava ouvindo coisa, Xena realmente falava comigo. Eu me levantei do sofá e dei alguns passos, me afastando da mesinha.
"Xena, você fala?"
"Quente!! Quente!! Quente!! Você é uma pessoa quente!!"
Ela só sabia dizer isso, então olhei para Gravatinha, tinha a sensação que Gravatinha era a mais inteligente dos 4, mas ela não me disse nada.
"Quente, quente, quente!! Vocé é verão!!"
Xena parecia exasperada.
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