Droga! O Meu Irmão Não...
41 Cap. 41 - Machuca.
Notas iniciais
20/03, Segunda, às 17:05 — Casa
Ah, sei lá, não tô afim agora.
20/03, Segunda, às 18:05 — Casa
Tudo mudará. Era tão bom quando eu e Felipe, ainda crianças, brincávamos no parquinho aqui perto de casa. Duas crianças inoscêntes compartilhando um amor sem malícia. Jamás será assim de novo. Me lembro daquele dia em que entrei correndo desesperada nessa casa... E se em vez de abrir a porta do banheiro (onde Felipe estaria semi desnudo), eu abrisse a do quarto dos meus pais para usar o banheiro dali?
Será que tudo seria diferente agora? Não o desejaria mais do que normal? Fanny e ele continuariam como desconhecidos? Eu e Ângelo chegariamos a nos conhecer? E se não? Iria viver a minha vida pacada de sempre? Aff, queria realmente saber todas essas respostas, mas acho que mesmo que eu soubesse, a coisa já está feita. É melhor eu começar a contar, não é? Bem, saí da casa da Drika já com o pensamento de conversarmos de novo sobre essa situação. Mesmo sabendo que Patrick é gay, tenho que apoiar a minha amiga. Sua determinação me inspira a dar o meu melhor também (seja em que for). Voltando pra casa, vi Ângelo passando na rua com seu lindo carro preto. Sem nem hesitar, gritei seu nome. Haha, claro, as pessoas que passavam por ali ficaram me olhando como se eu fosse maluca (e não tiro a razão). Meu amor parou o carro subtamente e me deu uma carona. Sei que é perigoso e tal, mas adorei provocá-lo com minhas caricias em sua barriga enquanto ele dirigia. Chegamos na varanda da minha casa, rindo como dois bobos apaixonados. Quando íamos nos beijar (que seriam seguidos de ótimos amassos), ouvi pequenos gritos abafados vindo de dentro da casa. Ângelo e eu entramos e vimos minha mãe, na sala abraçada com meu pai, chorando em seu ombro. Meu pai parecia anos mais velho, com uma expressão de cansasso. Passei o olhar agora para Felipe, que estava sentado no sofá, de costas para mim, com o rosto enterrado nas mãos. Fanny foi a primeira a me olhar nos olhos. Apenas algumas lágrimas caiam de seus olhos. Depois que olhou para Ângelo ao meu lado, ficou assustada.
- O que houve? — Perguntei, séria.
- A Es-
- Por favor, não fala! — Rogou Fanny, desesperada, interrompendo minha mãe.
- Meu bem...
- Disse minha mãe, olhando-a nos olhos, com pena.
-Você vai ter que contar.
- Contar o que Esthefanny?!
- Peguntou Ângelo, com uma voz grossa, também preocupado.
- E-eu... — Começou ela, tremendo um pouco.
- Fala logo! — Gritou ele com a irmã.
- E-eu estou g-grávida. — Disse ela, chorando agora mais ainda.
Ficamos todos parados, quietos, num silêncio que só se ouvia os choros de Fanny e minha mãe. Senti como se o meu chão caísse, e junto com ele, toda e qualquer esperança ou possibilidade de acontecer algo entre mim e Lipe. Tipo assim, grávida. Bebê. fraldas. Bebê. Choro. Bebê. Não havia nem necessitade de perguntar quem era o pai. Eu iria parecer uma boba, mas eu queria confirmar. Não era possível! Até o começo do ano, Felipe era o meu irmão mais novo que cuidava de mim. Agora ele é... Pai. Ainda estou abalada com tudo isso. É a mudança mais radical que aconteceu na minha vida e eu nem precisei participar realmente dela. Quer dizer, o filho não é meu né, mas é do meu irmão... Vou ser titia. Aí aí, falando assim parece cada vez mais írreal! Olhei, ainda pasma, para Ângelo que parecia não conseguir (ou não querer) assimilar a informação. De repente, saiu de seu transe, pulou o sofá e parou de frente para Felipe. Segurou em sua camisa, olhando com raiva para o meu irmão. Eu só tinha visto esse olhar em Ângelo, quando o vi pela primeira vez, aqui na varanda de casa, brigando por Fanny com Lipe.
- POR QUÊ VOCÊ FEZ ISSO COM A MINHA IRMÃ! — Gritou ele, sacudindo Lipe pela camisa.
- ÂNGÊLO, NÃO!
- Gritou agora, Fanny, puxando, junto com o meu pai, o meu namorado.
- ME SOLTEM! EU QUERO QUE ELE RESPONDA! PORQUÊ!? UM MONTE DE MULHER POR AÍ E VOCÊ FAZ ESSA PORRA LOGO COM A MINHA IRMÃ!
- ÂNGELO PARA! A-A CULPA NÃO FOI DELE!
- Implorou Fanny, chorando desesperada.
- SAI DAQUI ESTHEFANNY! — Gritou Ângelo para a irmã.
- NÃO! VOCÊ VAI MACHUCAR O PAI DO MEU FILHO! — Gritou ela.
- E-esthefanny, o pai do seu filho? Esse?
Ângelo já não aguentava mais gritar, apenas apontou para Lipe. Meu irmão, sabendo que estava errado, apenas abaixou a cabeça. Eu juro, não consegui me mexer. Vi toda a cena como se estivesse em camera lenta. Despertei de meu transe, saindo de casa, correndo para sabe lá aonde. Enquanto corria, não conseguia derrubar uma lágrima se quer. Meu coração parecia chumbo de tão pesado que eu o sentia. Parei, ofegante, no parquinho que eu tanto gostava. Olhei para trás e fiquei chocada ao ver Felipe vindo atrás de mim. Será que eu estava tão imersa nos meus pensamentos e na minha dor que não o percebi me seguindo? Sentamos, juntos, num banquinho azul (um azum não tão azul, por que o sistema de nãoseionomedessaspessoas não cuida muito disso). Olhei para o lado, vendo a expressão de tristeza do meu irmão. Passei a mão delicadamente em seu rosto. Ele parecia estar triste, mas ainda firme, então me surpreendi ao vê-lo desabar, chorando. Tá, não tão surpresa assim, porque mesmo uns dizendo por aí que homem não chora, até o Latrel ou sei lá qual outro ícone de macho, chora. A única coisa que pude fazer naquele momento era abraçá-lo e chorar junto com ele. Ignoramos todos que passavam e ficavam nos encanrando.
- Eu n-não *Snif* quero isso. — Disse Lipe.
- Eu sei, eu sei. — Respondi, passando a mão em seu cabelo que estava deitado em meu peito.
Mas é claro que não quer! Que garoto da idade dele quer uma coisa assim?! Nenhum! Nenhum quer ser pai nessa idade! Tentei não chorar e me manter forte, pois ele precisaria de mim. Acho que finalmente vou fazer meu papel de irmã mais velha. Deixei ele chorar tudo que tinha enquanto fazia carinho em seu cabelo. Ele não merece aquilo. O meu irmão não merece. Bom, acho que eu já vou indo. Beijo!
20/03, Segunda, às 22:30 — Casa Voltei! Fui lá na casa do Patrick, contar as novidades já que não pude contar da ultima vez que fui lá (você sabe, tive que ajudar você-sabe-quem e deixá-los a sós)! Ele já sabia, claro, mas eu precisava dizer como me sentia; Quando chegamos em casa, eu e Lipe, de nossa "escapadinha", vimos toda a Familia reunida na sala. E quando digo "toda a Familia", isso inclui também os pais da Fanny. Eles pareciam revoltados, querendo esganar o meu irmão. Ângelo estava mais calmo. Me cortou o coração quando decidiram que os novos papais se casariam em desembro, um pouco antes da minha viajem para a Grécia com o Ângelo. É casar, sabe! Não é só juntar os trapos! É sustentar, é trabalhar! Lipe não teve nem o seu primeiro emprego. Ta certo que o Senhor Willian, pai da Fanny, lhe dará um emprego na sua empresa, mas quero ver ele conseguir se manter nele; Depois de toda essas decisões, nem tive coragem de chamar Lipe hj de manhã para irmos para a escola. Fanny também não foi. No colégio meio que persegui Drika para falar sobre o meu apoio para com ela. Só que parecia que a ruiva estava fugindo de mim, com medo de que eu tivesse mudado de idéia. Consegui com que ela fosse comigo à sorveteria depois escola
. — Carol-
- Eí, calma! Eu só te chamei aqui pra dizer que eu vou te ajudar a conquistar o Patrick.
- Disse logo.
- É sério Carol?! — Perguntou ela, com os olhos arregalados.
- Sim.
- Sem zoa?
- Caramba Drika, já disse que é verdade!
- AMIGA!!
Acabei ganhando um ótimo abraço e olha que eu estava mesmo precisando. Fiquei em dúvida se contava ou não sabe. Como eu disse muitas vezes antes em você, Diário, confio muito nas minhas amigas, só que tem certos segredos que tem que continuar em segredo! Minha amiga ruiva, entusiasmada, queria ir logo pra casa de Patrick. Ela estava tãao, mas tão sorrindente que não pude dizer não. Ainda mais porque eu não podia dizer não, pois tinha tido que a ajudaria com isso. E também porque eu precisava quase que urgentemente falar com o meu amigo. Precisava desabafar com ele. Eu tinha muita informação guardada dentro de mim. Liguei pra minha mãe avisando e fomos até a casa do meu gay preferido. Acho que está virando costume o Danilo abrir a porta. Sei lá, ele pareceu um pouquinho feliz de mais em nos ver.
- Fala aê! — Disse ele.
- Oi. — Respondi.
- E aí? Patrick já chegou do colégio?
- Disse Drika, indo logo ao ponto.
- Ainda não, mas espera ele aê. — Ofereceu ele.
Há, a minha amiga não hesitou em entrar. Foi logo sentando no sofá e olhando os retratos de familia. Danilo perguntou-nos se agente ficaria incomodada em estar sozinhas e foi logo respondendo que sim e sentando no sofá também.
- Hmm... Eaí Danilo, o que você faz da vida? — Perguntei, tentando puxar conversa.
- Eu ando de Bike. — Respondeu ele simplismente.
- Isso todo mundo faz. — Disse Drika, sem educação.
- Dríii!! — Falei.
- Que foi?! — Perguntou ela, não entendendo onde errou.
- Não é só andar de Bike. É um esporte.
- Então você é ciclista? — Perguntei.
- Sou, mas quando falam assim, parece que eu só pedalo em ruas normais. Eu pedalo no Cross também.
- Ahhh... — Disse eu, fingindo que entendia sobre esse tal de "cross"
- Po, o meu mano disse que você tem piercing.
- É, eu tenho. — Disse Drika.
- Eu adoro piercings. — Disse Danilo.
- Tá, idaí?? — Perguntou Drika, desdenhosa.
- Só tava tentando puxar conversa...
- Tá, foi mal.
Finalmente Patrick chegou e adorou nos ver. E eu também adorei ver o meu amigo, agora também por não aguentar o clima chato que a má educação de Drika causou. Sei lá, será que o Danilo ta afim da Drika? Mesmo com Patrick alí, ele não tirou os olhos da minha amiga. Como prometi, tentei ao máximo deixar os dois conversnado sozinhos, puxando Danilo pra outro lado;
Tenho que ir dormior Diário! Estou com muita dor de cabeça! E nem preciso dizer o porquê né?
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