Droga! O Meu Irmão Não...

29 Cap. 29 - A verdade como ela é.


13/03, Segunda, às 23:40 — Meu quarto da casa da Familia Price.

Sabe quando você fica "P" da vida porque um cara te olhou ou elogiou, mas no fundo você se sente mais desejada e como diz minha mãe "com tudo em cima"? Não. Está ai outra coisa que você não sabe. E detalhe! É sempre um velho tarado ou um cara feio de meia idade! Nunca é um adolescente ou um cara bonitão com uma idade compátivel com a sua. Ou talvez isso só aconteça comigo. Estou desse jeito! Me sinto poderosa! E também confusa, e milagrosamente dessa vez não é com nenhum cara. É uma garota! Voltando aqui, Fanny me tem confusa. Aquela história da mãe dela me surpreendeu de verdade, só não sei se é a ponto de poder confiar nela. Minha familia é desajustada, mas eu e Lipe sempre tivemos amor e carinho. De ambos. Nunca tivemos a necessitade de reclamar de algo. Sim, uma vida boa que muitas crianças desejariam. Não posso dizer que estaria desse jeito como estou agora se tivesse sido criada do jeito que Fanny foi. Uma mãe que me negligência, ia me trocar por um homem. E para "afogar as mágoas" usar o dinheiro que tenho em compras e influência de um pai rico pra curtir e intimidar os outros. Não que eu queira ser amiguinha dela ou algo assim, mas tenho que admitir que minha visão e pensamentos das coisas não seriam tão diferentes do dela. Enfim, é melhor eu me explicar logo, não é? Acho que parei na parte em que Fanny pegou eu e Ian conversando no meio da mata. Há, ela ficou surpresa com aquilo, mas e se tivesse visto eu e Ian nos beijando? Putz! Quero nem imaginar! Um problema por vez. Vi a pele morena de Ian ficar branca em apenas algunas segundos. Fanny deu uma de Carol e saiu correndo. Ian ameaçou correr atrás dela, mas fui rápida e coloquei uma mão em seu peito, dizendo que estava tudo bem e pra deixar comigo. Eu sei, é um dos piores ALOKAS que já tive. Num momento estou é querendo fugir dessa garota e noutro estou correndo atrás dela. Vai entender. Como estava com um pé bom e outro machucado, não deu pra competir com aqueles parzinhos de pernas da Fanny. Com a dolorosa pisada no chão que dei com o pé machucado, logo caí. E o inesperado aconteceu. Fanny parou me observando. Ouvi um raivoso "merda!" por sua parte, mas ela voltou pra me ajudar. Quando já tinha levantado (ela me erguiu), logo me apressei em me limpar. Já era humilhante demais correr atrás dela, ser levantada por ela, e agora essa de me ver toda suja de terra e mancando (ou seja, na merda,né)?

— Aff, garota burra! Deixa que eu limpo! Aí que nojo... Você sabe que eu nem devia estar te ajudando, não é? — Disse Fanny, agora passando a mão no meus joelhos e olhando com o cenho franzido pra mim.

— Ah, claro. Isso não faz parte dos seus princípios. — Devolvi.

— Quer saber? Fique aí. — Disse Fanny, me soltando e dando as costas.

— E-espera...! Eí, não me ignora, sei q ue está me ouvindo! Okay, tá! Desculpa!

— O quê? — Parou ela, ainda de costas, me perguntando.

— D-e-s-c-u-l-p-a.

— Não precisa falar assim, não sou retardada. — Disse Fanny, se voltando e me ajudando a caminhar pra fora da mata.

Ta aí uma cena que eu nunca imaginei presenciar ou viver. Não é que nos odiamos. Tá, parei. Sim, nos odiamos muito. Mas isso vem de desde o inicio do ensino médio, ou seja, primeiro ano. Eu sempre fui uma garota muito legal e gentil (modesta eu, não?) e quando me deparo com uma garota loira oxigenada, "magérrima" intimidando os outros, é claro que não ia dar certo. Olhei com raiva pra ela, que me devolveu com um olhar de desprezo. Até então, nunca tinha visto tal cara de tanto puro nojo na vida. Desde esse dia eu a "chamo" de Fanojenta. Eu a chamo em aspas porque nunca pude chamá-la assim. Já não nos gostávamos e eu ainda provoco a onça chamando-a desse jeito? Hufp, não sou tão louca assim. Mas adimita, esse apelido "carinhoso" é tão... tão... Não sei explicar. Nesse mesmo ano, ela deixou o suco cair no meu pé. Na cantina. Na frante de todo o colégio. Imagina o meu mico? Uma novata querendo fazer graça. Aposto que é isso que eles pensaram. Bom, na verdade hoje eu não tanto certeza se pensaram desse jeito porque naquele tempo (haha, falando assim até parecendo que foram anos e muitos anos) eu era neurótica. Acho até que todos os novatos em um colégio novo pensam assim, como se todos os alunos de séries mais adiantadas estão te olhando e te criticando. Sei que ela derrubou o suco em mim sem querer, mas visto que aquilo já tinha acontecido mesmo então aproveitou e riu da minha cara como se tivess feito de propósito. Aconteceu outras "trollices" (merdas ou quando zoam as pessoas. Isso se chamar trollar alguém), mas enfim, não vou contar isso agora. Já fora da mata, Fanny me soltou, caindo na grama, cansada. Aliás, ambas estavam cansadas.

— Você pesa. — Disse Fanojenta, normalmente, quase como se aquilo fosse um elogio.

— O que você quer dizer com isso?! — Perguntei, indignada. Nunca critique o peso de uma mulher, caso essa crítica ou comentário ser sobre um aumento (nem que seja mínimo, isso cheteia).

— Que você está pessada ué.

— ???!!! Eu não te entendo Fanny. Aliás, nunca entendi.

— Não me surpreende. — Disse Fanojenta.

— Viu! Você volta pra me ajudar, até se cansa. E quando está tudo calmo, você estraga isso com míseras palavras.

— Há, isso é um dom querida. — Disse Fanny, sentada na grama rindo, olhando para o jardim.

— Você não está me levando a sério, está? — Perguntei, quase me arrependendo por pensar em ter uma trégua com essa garota.

— Relaxa. Estou te ouvindo, só que ao mesmo tempo estou pensando. E quando isso acontece, respondo as coisas sem pensar muito. Faz sentido? — Perguntou ela, olhando pra mim, parecendo (pelo menos ao meu ver) sincera.

— Pra mim faz... E no que você está pensando? — Respondi, logo fazendo uma pergunta.

— Hu, nas coisas. Sentada no mato, olhando pro nada, num lugar que pra mim era um paraíso e agora voltou a ser o que sempre foi, um nada. Ainda mais por estar aqui falando com você. Nem nos meus piores pesadelos imaginei isso. Que foi? Sou sincera.

— Hã... Não posso dizer que não concordo com isso. Também nunca imaginei. E isso de que aqui era paraíso e que não é mais. Não entendi.

— Claro que não entenderia. Ninguém entende. — Disse Fanny, se jogando na grama, deitando com os braços abertos, olhando para o céu.

— Ah, se você me contasse, eu entenderia né! — Disse eu, suspeitando de ser aquela parada com a mãe dela.

— Mas eu te odeio. — Disse ela, olhando pra mim, com o cenho franzido.

— Eu também te odeio. — Respondi, devolvendo o cenho franzido.

— Você vê minha mãe aqui, mas ela me abandonou já faz muito. Não só a mim, mas toda a nossa familia. — Disse Fanny, voltando a olhar para o céu.

— Aquilo com o empregado? — Perguntei, sem nem antes pensar. Quando notei o que tinha dito, logo levei a mão a boca. — D-desculpa.

— Está tudo bem, também é a mãe do meu irmão e ele tem o direito de contar pra quem quiser. — Disse Fanny, suspirando e me surpreendendo.

— e...? Queria saber o que tudo isso tem haver com o meu irmão. Tipo, sinceramente eu não acho que vocês combinam. — Confessei. — Sem contar que você traiu ele né.

— Aff... Todo mundo erra. Você que o dia, não? Eu errei, assumi, pronto e acabou! E Idaí que você acha que eu e Lipinho não combinamos? Ele é lindo, simpático e gentil. Claro que combina comigo.

— Sério? Você só acha que ficam bem juntos porque ele é bonito, simpático e gentil? Okay, não vou negar, você é bonita. Mas onde está isso de você ser simpática e gentil? Outra, quando que você assumiu? Que eu saiba, Felipe ainda não está cosciente de sua "escapadinha". — Disse eu, incrédula.

— Não! Nosso namoro não é fútil como você deve pensar! Sobre essas minhas qualidades, depende dos olhos de quem vê. Eu não tenho culpa se pra você eu sou a Tyra. Diva, mas que adora criticar.

— Mas quem é Tyra gente?

— Dãa, Tyra Banks, apresentadora do American Next Top Model! Ai ai, esse povo...

— Ué, como é que eu vou saber quem é Tyra!

— Esquece Carol, esquece! E eu assumi pra você, não disse que tinha sido para o Lipinho.

— Hãn?! — Expressei, não acreditando na cara de pau dessa garota.

— E o que você pode falar? Você está com o meu irmão e eu acabei de te ver com o Ian. Gostou e quis fazer igual é? — Disse Fanny, provocando-me.

— Nãaoo. Estávamos apenas conversando! E se você terminou com ele, o que tava fazendo lá na mata, hein? — Retruquei.

— Eu não sou boba, claro que tava rolando alguma coisa! Fui muito fria com ele quando rompemos... E não era certo fazer isso com ele... então fui lá me desculpar. — Disse Fanny.

— Ahh, isso explica muito! Pra começo de conversa, por que você traiu o meu irmão?! — Perguntei.

— Eí, não se exalta não garota! Eu e Lipinho temos quimica e tudo mais... só que ultimamente ele tem estado meio distante.

— E o que o meu irmão tem haver com isso?

— Você esperou eu terminar de falar? Não, então cala a boca! — Disse Fanojenta, suspirando e mechendo no cabelo, deitada na grama. — Com a minha mãe fora de orbita, eu só tinha o Ângelo. Ele sempre foi muito carinhoso comigo e tudo, mas ele não podia me dar todo o seu tempo. Foi no ano seguinte ao que minha mãe tentou fugir de casa, que meu pai começou a nos trazer pra cá. Estava me sentindo meio sozinha e conheci o Ian. Ele tinha uma idade parecida com a minha e era muito amigável.

— Ti lindo!! — Exclamei, sincera, com voz de criança.

— Deixa eu continuar? Nos tornamos amigos e a medida que creciamos, começamos a gostar um do outro. E agora toda vez viemos pra cá, ficamos.

— Ahh... Mas-

Fomos interrompidas com a chegada de Ângelo, que ao nos ver sentada juntas, conversando, veio correndo em nossa direção. Deve ter pensado que era briga. Haha, não o culpo. Não vou mentir dizendo que não olhei para o céu pensando se tinham rapitado a Fanny que conheço e colocado outra no meu lugar. Mas não que eu esteja reclamando, sabe.

Ângelo está saiu do banheiro e está vindo na minha direção enquanto me olha esquisito. Ui Ui... Boa noite! Beijinho!