Droga! O Meu Irmão Não...
28 Cap. 28 - Ninguém sabe o dia de amanhã.
Notas iniciais
13/03, Segunda, às 17:35 — Sala da casa da Familia Price.
Não vai dar! Isso não vai dar certo! Essa casa vai virar um cáos completo! Martha nos avisou que Seu William e Dona Magda não vão voltar para o sitio. Vão ir direto para a mansão. E isso aqui vai ficar um inferno. Assim, como é que eles deixam uma casa dessas na mão de um monte de adolescentes? Sei que tem a Marta e o Ângelo não é tão adolescente assim, mas mesmo assim! Hihi, tenho que contar o que aconteceu ontem, certo? Ainda estou assustada; Mesmo mancando, desci as escadas sorrateiramente. Não disse? Ângelo estava vendo jogo de futebol. E incrivelmente, Felipe estava sentado ao lado, vendo também. Uffa! Fanny e Martha tinham saído pra comprar alguma coisa. Tinhamos combinado de nos encontrar perto da cachoeira, que nem aquela vez. Tomei um susto ao vez Fanny ao longe, vindo com Martha. Achei que ela me viu, pois me apressei em entrar logo dentro da mata. É tão difícil achar o caminho da cachoeira. Poxa! É tudo mato, tudo verde! Continuei andando, andando e nada de cachoeira! Sabia que estava atrasada. Fiquei com medo de que ele desistisse e fosse embora, assim me deixando sozinha naquele lugar. Até que vi um garoto moreno, alto, só um pouco fortinho de longos cabelos loiros e queimados pelo sol.
– E-ei... — Disse Ian, quando me viu.
– Oi — Respondi, nervosa.
– Tudo beleza?
– Sim sim... — Respondi apenas, não sabendo o que mais dizer. — Hann... Estou aqui.
– É. — Disse ele, me olhando estranhamente e se aproximando.
– Olha, Ian... Vim o mais rápido que pude e não posso demorar muito, então o qu-
Fui interrompida por repentino beijo(!!). Ian já foi segurando na minha cintura, me puxando pra ele. O beijo foi incrivelmente calmo. Poxa, sou mulher (garota ainda, mas isso é detalhe)! Então é claro que já imaginei como seria beijá-lo. Não é preconceito ou esteriódipo, mas associei ele com toda essa mata, como um... Tarzan. Sei, é vergonhoso e infantil. Um cara mais largado, selvagem. Foi firme, suas mãos seguravam minha cintura fortemente, mas seu beijo era calmo, um contraste com a atitude de seu corpo. Devolvi o beijo, pois, claro, estava surpresa. MENTIRA! Não vou mentir, retribuí o beijo porque ele me excitou. Confesso que desde a primeira vez que vi ele com Fanny, também queria saber como era beijá-lo. Depois de algunas segundos (32, eu contei) que nossos lábios se encontraram, veio a minha mente a imagem de Ângelo sorrindo. Imediatamente empurrei Ian. Não sabia o que dizer, então apenas me virei e sai correndo. Ele estava certo, poderia sim me alcançar quando quisesse. Correu atrás de mim e sem muito esforço me parou. Se bem que, não dava pra eu ir tão rápido porque estava (e ainda estou) com um machucado no pé.
– Me solta! Agora! — Exclamei, assustada
– Quieta! Eles vão ouvir!
– Há! E eu ainda vou gritar muito mais se você não me soltar agora! — Disse eu, já gritando.
– cala o bico! — Disse Ian, colocando a mão na minha boca, tampando-a, e virando meu rosto pra eu ver dois homens andando com uma arma na mão.
Não me pergunte que tipo de arma porque não sei! Quando me perguntam (raramente), apenas digo "uma grande ou uma pequena". Outra coisa que também não sei é que carma que é o meu? Sério, essas coisas só acontecem comigo; Ian apontou com o dedo para eu ver as armas dos dois homens. Eram caçadores, presumi que fosse isso o que ele queria me dizer. Ficamos uns bons minutos parados, como estátuas, pois se dessemos um pio ou um passo, seriamos descobertos. Passados esses minutos parados, a voz e os passos dos caçadores já eram ouvidos a bem longe.
Obs: Isso é o meu braço cruzado.
– Eu tenho que ir. — Disse, finalmente tirando a mão de Ian, que estava tampando minha boca e me afastando dele.
– Não, não vá. — Disse Ian, sério, olhando pra ver se já estávamos seguros.
– N-não vá?! É só isso o que você me diz? Tipo assim, você me agarrou! E-eu não entendo! — Gritei, frustrada. — Eu vou é ir embora!
– Não! Espera! Foi mal... Calma! Desculpa! Não vá! — Disse Ian, com um olhar parecido com o que eu tinha quando pedi a Felipe que não me deixasse.
– Está bem! Mas se explique logo, não quero ficar aqui. — Disse eu de braços cruzados, olhando séria pra ele.
– De verdade, desculpa. Não devia ter te agarrado. E não precisa bater o pé desse jeito porque sei que você gostou. — Disse ele, sorrindo.
– Q-quê? Não... Claro que não. — Respondi, parando de bater o pé no chão, tentando evitar sorrir e demonstrar errado de que estava tudo bem. — Bom, se é só isso que você tem a me dizer, então tchau.
– N-não, espera! A verdade é que eu queria me vingar. — Disse Ian.
– Mas o quê? — Perguntei, exclamando.
– Sei que foi errado, desculpa. — Disse Ian, se desculpando.
– Sim, disso eu já sei! Mas eu quero saber o por quê de você ter feito isso!
– Já disse, vingança. Esthefanny disse pra agente não se ver mais. — Disse Ian, cabisbaixo, escorando num tronco.
– E você está reclamando?! Você sabe o quanto eu queria isso?! Mas ela insiste em sempre aparecer na minha frente! — Disse eu, gritando de novo.
– Hahaha! Calma vai! Por que se não se gostam? Vocês são garotas.
– Hein?! Isso é machismo viu! E sou eu é que pergunto: Como é que você gosta dela? A garota é um saco. — Disse eu.
– Ela não é um saco, só o jeito dela. Ela só tem os problemas dela.
– Por quê vocês dizem isso "é só o jeito dela"?
– Vocês? — Perguntou Ian.
– Sim, vocês. Estou falando do meu irmão e de Ângelo.
– Ué, o seu irmão também ficou com ela? — Perguntou mais uma vez Ian, confuso.
– Sim e já a algum tempinho... Você não sabe que Fanny está namorando?
– É claro que eu sei. Esse cara, acho que é Felipe. É a primeira vez que ela traz um namorado pra cá.
– Então, é o Felipe que é o meu irmão.
– Calma aí... Você namora o irmão dela e ela namora o seu? Esthefanny só disse que você era uma intrusa, nova namorada do sue irmão. Ahh, foi mal. — Disse Ian.
– Não não, está tudo bem. As veses eu acho que sou mesmo... — Disse eu, pensando alto.
– Como assim?
– Nada não, esquece... E isso aí de Fanny ter os seus problemas? Meu Deus, me diga, que problemas?! Ela tem tudo que quer e quando quer! Nasceu num berço de ouro! E isso não pode ser usado como desculpa porque Ângelo veio do mesmo ninho e não é igual.
– Hahaha, também pensava assim. Mas depois que a conheci, descobri que mesmos as pessoas que podem bancar viajens e coisas assim, também tem os seus problemas.
– E de novo te pergunto: Que problemas? — Perguntei novamente, não acreditando que Fanny tenha uma desculpa para ser do jeito que é.
– Aquilo com a mãe... — Disse Ian, agora baixinho, susurrando.
– Hã? — Perguntei, susurrando, porque você sabe que quando susurram pra gente, inscocientemente susurramos de volta também. Não, acho que você não sabe.
– O irmão dela não te contou? — Perguntou agora Ian.
– N-ão — Respondi, curiosa.
– Então não vai ser eu que vai te contar.
– O quê? Agora você conta! — Insisti, super curiosa.
– Não. — Resistiu Ian.
– Olha, Martha, a empregada da casa, me disse que essas matas são perigosíssimas com estrupos e outras coisas e se você não me contar eu saiu correndo em direção daqueles caçadores e conto que você me violou. — Ameacei, não acreditando que estava fazendo isso.
– V-você não faria isso. — Disse Ian, também não acreditando.
– Você se surpreenderia com as coisas que eu já fiz, isso não seria nada. Você não me conhece.
– Tá tá! Eu falo. — Desistiu Ian, obviamente com medo.
– Então comece. — O apressei.
– Sabe a mãe dela?
– Sim, a Dona Magda. Tem um gênio ruim.
– É, também pensei que era só isso. Mas a verdade é que ela tentou fugir com um empregado uma vez. Esthefanny e seu irmão eram crianças ainda. Ela me disse que sua mãe chegou a ter uma briga feia com o seu pai e que ela disse na cara dura que ia embora pra ser livre, viver de verdade.
– Que horror! — Exclamei, incrédula. — Mas então como ela ainda está aqui?
– Esse empregado a deixou esperando. A mulher não tinha pra onde ir e teve que voltar pra casa.
– Meu Deus! Isso é sério mesmo Ian? Caramba!
– Desde então a mulher ficou amargurada e não ligando para os filhos. E tem medo que o marido faça com ela o que ela mesma fez com ele.
Nossa conversa parou, pois os dois viram Fanny parada nos olhando. Mas isso eu explico depois! Finalmente vamos todos juntos na cachoeira! Meu pé já está um pouco melhor e com a ajuda (espero que de Ângelo), posso entrar na água.
PS: E imagina quem também vai? Ian!
Beijunda!
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