Droga! O Meu Irmão Não...
20 Cap. 20 - Gaiola das Loucas Part - 2
Notas iniciais
Hoje vou ao Hospital, então me desejem sorte!
25/02, Sábado, às 21:05 — Banheiro do Hospital
Muito cansada. Cansada de tudo e de todos, inclusive de Ângelo. Meu peito dói... E não é pela culpa que ele me faz sentir; Como você deve ter percebido, ontem eu estava muito apreensiva. Também né, é bem difícil não estar com uma família como a minha. O pessoal começou a chegar umas 13:30 aqui em casa. Seu Afonso e Patrick chegaram primeiro. Patrick me deu a maior força e disse que tudo ia ficar bem e se não, eu teria o ombro dele pra chorar. Poxa! Porque eu não tive mais amigos gays? Fanny chegou com Ângelo já com a cara de nojo de sempre (pelo menos pra mim). Ângelo me perguntou o por quê de eu estar com a cara de quem vai vomitar, lhe respondi, claro, que não era nada. Os últimos a chegarem foram meu Pai e Kátia. A tensão era visível.
- Sirvam-se. — Disse minha mãe, para que todos nós comêssemos. — Oh, Afonso! Esqueci de apresentar, esse é o meu filho Felipe.
- Olá — Respondeu Felipe, sério, sem nem levantar os olhos do prato de comida.
- Hann... Essa é a minha nora Esthefanny e esse é meu genro, Ângelo.
- Prazer — Disse Fanny, esticando a mão na direção do Seu Afonso, para beijá-la.
- Olá. — Disse Ângelo, gentil.
- E o que você faz, rapaz? — Perguntou Seu Afonso a Ângelo.
- No momento nada. Estou tirando um ano de férias, antes de entrar para a faculdade. — Respondeu-lhe Ângelo.
- E o que você vai estudar na Faculdade? — Insistiu o meu possível futuro padrasto, interessado.
- Vou faze-
- Felipe está no terceiro ano e adora esportes. — Interrompeu Fanny.
- Ah, que bo-
- Ângelo é apaixonado por Mitologia grega. — Retruquei, olhando diretamente nos olhos de Fanny.
- Felipe é capitão do time de Futebol! — Disse Fanny, devolvendo o olhar penetrante.
- Ângelo já levou medalha de ouro em natação!
- Her...han... Que bom....? — Apenas disse Seu Afonso, não conseguindo acompanhar a "conversa"
- Meninas, parem com isso! Assim o Afonso não consegue comer. — Disse minha mãe.
- Me parece que você está sabendo muito sobre o meu irmãozinho. — Disse Fanny sebosa.
- Mais ou menos. — Respondi apenas.
- Coitadinha.
- Como? — Perguntei, agora prestando atenção nela.
- Nada! — Interrompeu Ângelo.
- Oh! Você ainda não contou. — Disse Fanny, olhando nos meus olhos, com seu sorriso aumentando.
- Contar o que Ângelo? — Perguntei, preocupada.
- É que... — Começou ele.
- Ele vai pra Grécia o mais rápido possível. — Interrompeu Fanojenta, respondendo ela mesma.
- Por que você não me contou Ângelo?! — Perguntei, já levantando a voz.
- Eu ia te contar no... O que me lembra que tenho que falar com a sua mãe. — Disse ele, mudando de assunto.
- Eu? — Perguntou minha mãe.
- Sim. Como a senhora já deve ter percebido, o carnaval está chegando. E nesse período, eu e minha família vamos a um sitio. Então eu gostaria de convidar a sua filha, Carol, para vir comigo. — Disse ele, educado.
- Oh, por mim tudo bem, mas tem que pedir ao Pai dela também.
- Humm... — Apenas disse, meu pai, analisando Ângelo da cabeça aos pés. — Claro.
- Valeu Mãe! Valeu Pai! — Disse eu, toda animada, esquecendo por um momento que Ângelo ia viajar e ficar longe de mim.
- Mas o seu irmão vai ter que ir junto, pra ficar de olho em você. — Concluiu meu Pai.
- Droga, Pai! — Reclamei.
- Se conforma Carol. Então, Ângelo, você faz natação? Ah, no meu tempo! Eu também adorava! Cheguei até a ganhar algumas competições. — Disse minha mãe, falando mais para o Seu Afonso do que para o meu namorado.
- Sim, sim. Seria bom a senhora me ensinar uns truq-
- Kátia já foi modelo. — Interrompeu dessa vez meu pai, não aguentando mais ser excluído.
- Ah, Ângelo sabia que eu cheguei a fazer cursos de fotografia? - Disse minha mãe, olhando diretamente nos olhos do meu Pai.
- Filho, a minha noiva já foi empresária de várias modelos famosas. — Disse meu Pai para Ângelo, devolvendo o olhar da minha mãe.
- Hann... Err... — Apenas disse, Ângelo.
- CHEGA! — Gritou Kátia. — Isso é um almoço em Famil- Tentou ela terminar de falar, mas saiu correndo para o banheiro com a mão na boca.
- Querida! — Disse meu pai, ameaçando ir atrás dela, mais logo calmado pela mesma fazendo sinal que estava tudo bem.
Ficamos calados por um tempo, somente escutando o bater dos talheres nos pratos e o cachorro da vizinha latindo de novo. Ah, adicionando agora o barulho de Kátia vomitando no banheiro.
- Bom... Alguma novidade, Patrick? — Perguntou minha mãe, interrompendo o silêncio.
- Nada de novo, sempre o mesmo. — Respondeu Patrick, tentando não parecer muito gay.
- E aquele cara que você estava conversando na minha festa? — Perguntou Fanny, com a maior naturalidade do mundo.
- Que cara?! — Perguntou, exclamando, Seu Afonso, fazendo voz grossa.
- Nenhum Pai, nenhum... hehehe — Disse Patrick, tentando enrolar.
- Que cara?! — Perguntou agora Felipe, olhando pra mim.
- Acho que o nome dele era.... Lucio... Luciano! Isso! É um dos filhos dos amigos ricos do meu pai. — Respondeu Fanny, não entendendo o momento constrangedor.
- Quem é esse Luciano, Patrick? — Perguntou Seu Afonso, grosso.
- C-crianças v-vamos continuar a comer. — Disse minha mãe, vendo que Seu Afonso estava ficando vermelho.
- Não ligue, Senhor Afonso. Ele é um bom partido. — Continuou Fanny, não notando a vermelhidão no rosto do Seu Afonso.
- Peraí... ELE É GAY?! — Disse Felipe, perplexo, olhando pra mim. Ops! Agora não dá mais pra fazer ciúmes nele com Patrick.
- Claro, não consegue enxergar o jeito de boiola que ele tem? — Perguntou Fanny, com normalidade.
- N-não! PATRICK NÃO É Ga- Disse Seu Afonso, não conseguindo terminar a frase e ficando roxo.
Agora com todos percebendo o "engasgo" dele, fomos todos correndo para o Hospital. E quando digo "todos"é todos mesmo. Kátia e meu Pai foram com o pretexto de que estavam preocupados. Duvido muito! Eu, Patrick, minha Mãe, Ângelo e Fanny também fomos. Fanojenta disse que veio porque sentiu que a culpa era dela. Isso pra mim é surpresa. Será que ela tem coração? Outra coisa que também duvido muito. Estamos todos esperando o Seu Afonso ter alta pra irmos embora. Estou escrevendo aqui no banheiro do Hospital, porque sei que Ângelo ficou curiosíssimo com você e quer muito saber o que está escrito aqui. Então sim, estou me escondendo. Calma aê, alguém entrou aqui no banheiro.
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