Dress Up For You - Drastoria
1 Capítulo 1 - Starlight
Notas iniciais
Era como assistir a um filme, ver o seu corpo se movendo ao ritmo das músicas que enchiam o espaço. Mesmo com tantas pessoas, olhar para você era uma forma de esvaziar aquele salão e fazer com que fosse apenas nós dois.
Mesmo você não se dando conta da minha presença.
E isso sem dúvidas era o mais irônico de toda a situação. Eu estava tão fascinado em observar você que até a forma como eu vinha me vestindo parecia feita pensando em você, e no fundo eu sei que era. Quando antes eu havia usado uma camisa roxa senão depois de ter posto os meus olhos sobre você?
Cor essa que por sinal realçava a sua pele, mesmo quando em um suéter como era o caso de hoje. Um suéter roxo perdido entre as demais roupas em preto. Mas eu sabia que essa era sua cor preferida, mesmo sem você nunca ter dito, mesmo que você talvez ainda não soubesse. Era a cor das peônias que você insistia em carregar nos seus adereços, e a que eu mais via em seu corpo quando dava uma folga do clássico uniforme.
E eu deveria parar de te observar tanto, e tentar me aproximar. Mas e se você simplesmente se afastasse? E se você confirmasse que de mim não gosta? Que meu sobrenome te enjoa e o meu passado te assusta? Eu não saberia como lidar com a quebra dessa tão delicada fantasia que eu nutro, fantasia na qual você segue dançando ao ritmo dessas músicas que preenchem o salão e ri abertamente com suas amigas, enquanto eu ignoro todos a nossa volta — principalmente todos os garotos que te encaram tão embasbacados quanto eu devo estar nesse momento.
Esse vinho de plástico que insistem em servir nessas festas não é nem um pouco útil em me distrair ou me encorajar em atravessar esses poucos metros que nos separam. Será que dançar ao seu lado faria com que você me notasse? Será que eu ao menos consigo enganar algum ritmo, mesmo que desajeitado, estando ao seu lado?
Sou obrigado a rir sozinho, se me dissessem que eu protagonizaria esse monólogo mental quando te vi entrar pelo salão no seu primeiro dia de aula, eu provavelmente riria sem humor do infeliz que proferisse as palavras. E hoje seria obrigado a pedir desculpas e aceitar que o meu destino provavelmente foi traçado sem que eu ao menos me desse conta. Afinal, quando foi que você se tornou o centro do mundo? O centro do meu mundo.
Talvez naquela festa de família, quando ao tentar cruzar o salão sobre aqueles saltos vertiginosos, eu tive a sorte de estar sentado perto o suficiente para segurar a sua mão em seu rápido desequilíbrio. E talvez um dia eu me perdoe por não ter naquele exato dia, naquele mesmo momento, ter puxado qualquer assunto com você além de responder rapidamente ao seu agradecimento com um “disponha”.
Realmente minha querida, disponha. Do que você precisar, porque eu duvido que consiga um dia me afastar.
— Oi.
— Astoria?
Onde a minha mente me meteu a ponto de eu não perceber todo esse seu movimento chegando ao meu lado. Eu realmente estava sonhando acordado? Ou o vinho estava começando a cumprir o seu papel de me tirar da realidade?
— Sim? — e então você riu. Um riso que eu daria tudo para poder ouvir de novo em um local menos barulhento. — Estamos combinando! — você exclamou como se fosse algo inusitado. Bem, talvez para você sim, que não fazia ideia de como usar essa cor vinha sendo a minha forma de poder ter um pouco de você comigo.
— Realmente.- falei simplesmente, disfarçando o nervosismo com o último gole do vinho. Um gole que em qualquer outro momento poderia ter rendido até dois, mas que eu precisava que me prendesse de boca fechada por mais um tempo.
— Você não dança. — essa frase foi uma acusação. Provavelmente o álcool surtia o seu efeito sobre você e isso me fez rir.
— Não sou muito bom nisso — confessei me virando para o balcão no qual estava encostado mas sem desprender meus olhos de você. Quem me garantia que se eu piscasse você não fosse sumir, sendo tão possível que a sua presença ali era apenas fruto da minha imaginação.
— É uma festa! Você não precisa ser muito bom… — e então você tocou na minha mão, sem muita delicadeza, puxando para seguir o ritmo no qual o seu braço se movimentava. — É só sentir.
O problema talvez era que tudo que eu sentia era você. E por isso foi involuntário conter o riso ou desfazer o sorriso largo que tomou conta do meu rosto. Seria errado eu te trazer para dentro do meu abraço e nunca mais te soltar?
— Você faz isso parecer fácil.- em meio ao riso frouxo que se prendia nos meus lábios, soltei as palavras enquanto descolava meu abdômen do bar e ficava nessa posição estranha, ao seu lado mas no sentido oposto ao do seu corpo. Como se cada um de nós estivesse seguindo o caminho.
O que provavelmente era a verdade. Eu com o meu passado sombrio e impossível de ser apagado, enquanto você estava assim, tão livre e despreocupada.
— Você já deveria ter percebido que é realmente fácil já que ficou me olhando desde que chegou. — Como se fosse algo normal, você soltou essa observação enquanto trocava a minha mão para me deixar de frente para você. Eu simplesmente não tinha o que responder.
E você também não disse mais nada, apenas me guiou para o mais próximo da aglomeração que lhe foi possível e seguiu me embalando com sua mão delicada até enfim decidir por encerrar o espaço entre nós dois. Com seu rosto apoiado em meu peito, você comentou sobre o quanto aquela música era a sua preferida e o quanto gostava quando a tocavam em uma festa. E eu então me permiti prestar atenção na letra.
Bem, eu realmente acredito que essa música combina com você. Eu facilmente dirigia um filme apenas para te colocar como a estrela. Talvez um filme apenas sobre você, sobre a sua cor preferida, essa música e o nosso rápido diálogo. Eu eternizaria de todas as formas possíveis esse momento, apenas pelo prazer de reviver ele todos os dias. Eu me prenderia em um looping temporal por isso. Talvez para consertar as falhas, não esperar você chegar e sim ir até você, ou não. Eu não mudaria em nada, principalmente perceber que você havia me notado e achado graça de eu estar vestido para você.
Starlight, você está sempre dançando com o escuro
Eu mal consigo ver o litoral
Somos apenas uma silhueta silenciosa à parte
Execute-o de volta e agora são um quarto e quatro
Eu estou girando no seu chão
Você está no telefone, suas palavras são um poema
Eu sussurro para você uma verdade sentimental
É a maneira como você ri quando não está divertido
Isso realmente me faz querer me vestir para você
Vestir-se para você
Vou me vestir para você, mesmo que seja o melhor que posso fazer
Você vai fazer um filme, você vai ser uma estrela
Tento ligar, mas não consigo falar com você
Sempre me pergunto onde você está
Perdendo todo o controle com vinho de plástico
Estou sentado em um céu de olhos estrelados ... Voo 749
Estou tonto com você e sei que você também sente
É a maneira como você ri quando não está divertido
Isso realmente me faz querer me vestir para você
Vestir-se para você
Vou me vestir para você, mesmo que seja o melhor que posso fazer
Porque eu sei que você me quer também ...
(O melhor que posso fazer)
Eu vou ver o seu filme, agora que você é uma estrela de cinema
E agora eu sei que nunca vou te alcançar, para sempre me pergunto onde você está
Mas eu ainda vou me vestir para você, me vestir para você
Mesmo que seja o melhor que posso fazer
Dress Up for You — The Technicolors: https://www.youtube.com/watch?v=hQUlXOiiR_U
Fale com o autor