Dress.

1 but they know nothing about.


Notas iniciais
Quem for ouvir a música da história, ouve a versão ao vivo please porque eu odeio a do álbum ♥

Mais um momento secreto em um cômodo lotado com dezenas de pessoas, talvez mais perto das centenas, que não tinham a mínima ideia sobre nós dois. Como poderiam?
Vivíamos o velho conto das duas famílias cheias da grana que não se suportavam por estarem de lados opostos da história. Neste caso apenas, os Greengrass levaram a melhor.

Uma empresa de cosméticos gigantesca que não tivesse um setor completo e rentável para os trouxas provavelmente não encheria o bolso de ninguém e os Malfoy por anos se recusaram a conviver com pessoas que não respeitavam a supremacia bruxa. Não acredito que meus pais se importem com os trouxas de verdade, porém alguns gerentes e diretores de setores de certa forma sempre frequentaram algumas de nossas propriedades menos excêntricas.

Os Malfoy, por outro lado, não gostavam de se misturar com gente que confraternizava com trouxas. Agora, como escória da sociedade após um perdão choramingado e desprovido de qualquer orgulho concedido por Harry Potter, além de todos os amigos e antigos associados mortos ou em Azkaban, eles não podiam se dar ao luxo de simplesmente negar convites, ao invés de fingirem que continuavam por cima.

Naquele baile ofertado por minha família em nome de uma caridade de reconstrução de alguma coisa qualquer, um Malfoy em específico e eu nos olhávamos de longe. Seu olhar era como um entalhe na forma dele dentro de mim. Como uma marca, uma tatuagem. Todo o silêncio e a apreensão, toda paciência e antecipação para o momento que nos veríamos sozinhos em algum lugar mais tarde faziam minhas mãos tremerem de ter que resistir a ele ali no meio de todas aquelas pessoas.

Aquele terno bem cortado azul marinho com as lapelas mais escuras e uma gravata borboleta preta o fazia se tornar irresistível, quase como um colírio para os olhos de uma mulher ansiosa para enxergar aquele corpo nu novamente. Sentada ao bar, tentei não se enrijecer quando ele se sentou ao meu lado.

— Olá, Srta. Greengrass. — Mesmo sem olhar para ele, podia sentir seu sorriso lascivo examinar meu vestido preto e justo com as costas nuas e um decote revelador destacado pelo tecido fino em camadas. Minhas pernas estavam nuas pelo corte lateral do vestido preto que ia até a parte superior das coxas.

— Achei que tínhamos passado por esse nível de formalidade, Sr. Malfoy. — Resolvi bebericar meu martini com azeitonas extras.

— Mesmo? Quando? — Draco se encostou no balcão para me encarar profundamente.

— Quando você me viu nua pela primeira vez. — Sussurrei passando meus dentes pelo lábio inferior. — Você sabe, uma amizade se perde dessa maneira.

— Que bom. — Ele murmurou com um sorriso provocante nos lábios. — Porque eu não quero ser seu melhor amigo.

— E o que você quer ser, Malfoy? – Eu sabia ser provocante também.

— Eu quero ser a pessoa que vai te levar para cama mais tarde. — Ele também tomou um gole de seu whisky. — Bonito vestido.

Levantei-me com minha taça de martini e olhei para além do rosto dele, a milímetros de sua orelha.

— Gostou? Eu só comprei esse vestido para que você o tirasse. — Sorri e saí andando em direção a minha irmã que me olhava com um semblante de poucos amigos.
Podia sentir o olhar dele em minhas costas nuas e depois no rebolar dos meus quadris. Era um jogo excitante o que fazíamos e eu sempre gostava de ver onde íamos parar.
Geralmente era no mesmo lugar.

— Você estava falando com ele de novo. — Daphne batia seu pequeno pé direito no chão.

— Mal, mal. — Balbuciei. — Trocamos cumprimentos, ele falou que meu vestido era bonito e etc.

— Você precisa tomar cuidado, Tori. — Daphne gemeu, jogando os longos cabelos loiros para trás. — Nossos pais não gostariam muito de vê-la conversando com um Malfoy.

— Já não está na hora de eles deixarem essa rixa boba e antiga para trás não? — Bufei, acertando as alças do vestido marfim de minha irmã. — Eu sei que eu não tenho nada a ver com isso.

— Claro que tem, afinal você é uma Greengrass. — Daphne disse orgulhosa. Evitei girar os olhos, ela era também muito sensível.

Para me distrair, observei Draco se mover entre as pessoas com seu rosto carrancudo e seu olhar severo, trocando cumprimentos falsos com quem cruzava seu caminho. Imaginei onde iríamos aquela noite e se acordaríamos juntos na manhã seguinte. Me lembrei de quando nos conhecemos no meio do nada, ele com os cabelos extremamente curtos tentando se livrar do tom Malfoy de ser e eu com o cabelo tingindo tentando ver se combinava comigo.

Ele se interessou por mim mesmo quando eu me encontrava no pior estado e eu vi a verdade nele no meio de tantas mentiras. Faziam seis meses que éramos um casal secreto — e por mais que eu possa continuar assim, há o perigo de que nossos pais nos arrumem pretendentes.

Seria divertido apresentá-lo aos meus pais como o pretendente escolhido para mim e por mim. Entretanto, sabemos que isso está fora de cogitação. Eu sentiria falta de seus olhos cinzentos admirando todo o meu corpo, vestido ou não. De seus dedos longos passeando por minhas coxas, de seus beijos por vezes doces e por vezes vorazes em meu pescoço, minha clavícula, meus lábios, meus seios... Ele tinha acesso a todas as partes de mim.

E a cada minuto até o momento que fugiríamos dali era marcado pela velha antecipação, a palpitação da expectativa, o desespero da espera e as minhas mãos trêmulas novamente por estar afastada dele.

— Astoria. — Ele disse meu nome e foi como se tudo parasse.

Andando na minha frente ele me conduziu até os fundos da minha própria casa.

— Você vai na frente. — Ele sussurrou no meu ouvido enquanto me colocava em um carro preto que aparentemente estava a minha espera, mas encostou os lábios nos meus antes de fechar a porta.

Foi mais que o suficiente para me fazer querer mais. Era como se ele fosse uma droga e eu estivesse terrivelmente viciada nele. Fez eu me perguntar se existia alguma esperança de que eu não estivesse completamente enfeitiçada por ele.

Chegando ao hotel eu fui direto ao quarto reservado por ele. Tinha cheiro de flores e uma garrafa de vinho na antessala. Ele sempre me levava aos melhores hotéis, às vezes em outras cidades ou outros países. Isso me ajudava a não me sentir tão barata, tão "apenas utilizada para fins sexuais".

Eu não sei se me sentia amada também. Era uma de nossas regras: não nos apaixonarmos. Entretanto, assim como a regra de não passarmos a noite inteira na mesma cama ou não nos encontrarmos para outros fins não sexuais, talvez já tivéssemos quebrado essa.

Como seria possível não me apaixonar por Draco Malfoy? O rapaz de vinte e cinco anos, perturbado, que dizia que dormia melhor ao meu lado, com os olhos de um tom cinzento tão bonito e raro, com algum tipo de bondade certamente bem escondida e não descoberta, incompreendido, amargurado e completamente sexy?

Ele sempre me dizia que eu era a melhor coisa que acontecera em sua vida — como se isso fizesse a tarefa de não me apaixonar por ele mais simples. Que eu agora ocupava todo o tempo anteriormente usado em seus planos de autodestruição e o dava certa vontade de viver.

Quando eu vi a luz da pequena tranca magnética do quarto se acender na cor verde, me levantei de prontidão. Me senti patética por alguns segundos até ver o seu rosto sorridente ao cruzar a porta. Era ridículo estar tão a fim de um cara assim. Tão sem fôlego só de ver seus olhos em mim, com o coração tão palpitante.

Ele fechou a porta atrás de si e, andando na minha direção, me virou e me pressionou contra a parede com os lábios nos meus ouvidos.

— Você não sabe quantas saudades eu estou sentindo. — Ele sussurrou, dando uma mordiscada no lóbulo da minha orelha, me fazendo gemer baixinho. — O quão difícil foi me controlar para não colocar minhas mãos em você no meio de todos eles.

— Eu tenho alguma ideia. — Murmurei baixinho com a voz entrecortada pela minha falta de fôlego.

Ele encostou os lábios na parte macia do meu pescoço, suavemente, fazendo todos os pelos da minha nuca e do restante do corpo se eriçarem. Eu senti um arrepio que começara no meu couro cabeludo e se estendia até o último dedo do pé, fazendo todos os lugares do meu corpo vibrarem numa sensação prazerosa familiar.

Quando ele afastou meus cabelos escuros e compridos para o lado, eu senti sua respiração descompassada em meu pescoço enquanto ele segurava um de meus seios sobre o vestido, beliscando-o e fazendo todos os nervos de meu corpo reagirem. Seu polegar e indicador pinçavam e brincavam com minha pele sensível me fazendo bobear em meus saltos finos contra a parede.

— Para que você comprou esse vestido? — Ele sussurrou na minha orelha.

— Para que você o tirasse. — Eu disse, desafiando-o com o olhar.

— Você comprou esse vestido para me enlouquecer. — Draco murmurou, desprendendo-o de meu pescoço.

Malfoy deu um passo para trás assistindo o vestido cair em volta dos meus pés como uma névoa preta de cetim e chiffon. Estava examinando minha silhueta apenas de calcinha de cima a baixo, como se nunca o tivesse visto antes, observando cada declive, cada volta e cada parte do meu corpo curvilíneo. Parou em meus seios avantajados e eu o lancei um sorriso excitado.

— Está gostando do que vê? — Perguntei com os lábios entreabertos em busca de ar. Aquele olhar indiscreto me deixaria envergonhada se não estivesse me deixando com um calor molhado entre as coxas.

— Sempre. — Ele umedeceu os lábios disfarçadamente, se aproximando de mim novamente.

— O que você quer de mim, Draco?

— Tudo. — Ele disse antes de enfiar a língua em minha boca.

Eu estava quase nua quando ele ainda estava terrivelmente vestido, por isso pressionei meu corpo contra sua crescente ereção, com a preocupação constante de movimentar meus quadris e sentir cada pedaço dele. Sem parar de beijá-lo com toda a vontade e saudade que eu sentia, eu abri sua camisa de linho branca com os dedos trêmulos quase que arrancando os botões, puxei sua gravata com vontade, arrancando-lhe um gemido de quase dor.

Com as mãos ágeis eu tirei sua camisa e seu paletó urgentemente e de uma vez só — quem nos visse acharia que fazia meses que não nos víamos ao invés de uma semana. Ele cuidou do botão e do zíper da própria calça quando eu parei de me movimentar ali. Eu estava sedenta e extremamente excitada. A mão que agarrava minha bunda, foi descendo devagar até estar num ponto mais baixo e muito prazeroso do meu corpo, exatamente onde eu precisava.

Ele riu enquanto eu apenas dizia palavras sem sentido de maneira monossilábica, mas eu via o fogo em seus olhos agora escuros de desejo.

— Vamos para a cama. — Sua voz estava rouca e profunda. Eu o observei tirar a última peça de roupa que cobria seu corpo e o imitei. — Caralho. Eu não consigo lidar com o quão...

— O quê? — Mordi o canto esquerdo do lábio inferior.

— O quão gostosa você é. — Ele murmurou.

— Que vocabulário mais inapropriado, Sr. Malfoy. — Sussurrei e ele apenas me jogou no sofá da antessala, de onde nunca saímos.

Não demorou muito para que estivemos encaixados e nos movendo um sobre o outro. Ele conseguia me tocar em todos os pontos sensíveis até me fazer chegar aonde nenhum homem me fez chegar antes. Sempre chegávamos lá juntos: e não foi diferente dessa vez comigo por cima e nossos quadris se movendo juntos em uma sincronia agonizante de puro prazer enquanto ele apertava, beliscava, mordiscava e saboreava meus seios.

Caí exausta em cima do peito dele sorrindo satisfeita enquanto ele penteava meus cabelos úmidos com os dedos.

— Quer tomar um banho? — Me perguntou suavemente.

— Uhum. — Murmurei, sem tirar o rosto de seu colo confortável.

— Venha. — Ele me levantou com carinho e me levou até o banheiro.

Enquanto Draco ligava a água da banheira e despejava o que eu acho que era um óleo de banho, eu examinei a marca de seus dedos sobre a minha pele e meu rosto saudável e corado – além de lindamente saciado por enquanto.

Draco me ajudou a entrar na banheira e se sentou atrás de mim, me servindo uma taça de vinho. Com os lábios dele em minha nuca, finalmente eu admiti para mim mesma que era impossível escapar dele. Eu não vou nem tentar.

— A gente já quebrou todas as regras. — Eu disse me aconchegando em seus braços.

— Todas? — Ele sabia exatamente de qual regra eu estava falando, então apenas assenti.

— O que faremos? — Perguntei derramando sem querer um pouco do vinho na banheira.

— Você sabe que seria melhor para você não ter se envolvido comigo. — Ele murmurou com os lábios em meu cabelo.

— Um pouco tarde demais para isso. — Murmurei sem clima para entrar numa sessão de autopiedade.

— Eu não consigo mais tirar minhas mãos de você. — Ele confessou. — E nem você da minha cabeça.

Me virei para ficar de frente para ele, fazendo um pouco da água da banheira esburrar. Encostei meus lábios em seu rosto pálido e completamente maravilhoso.

— As pessoas acham que nos conhecem. — Murmurei traçando linhas despreocupadamente em seu tórax. — Elas não fazem ideia.

— Do que elas não fazem ideia? — Me perguntou, me beijando o rosto.

— Do que nós somos capazes de sentir. — Mordi seu lábio inferior e encostei meus lábios nos dele.

— Nem eu fazia ideia do que eu era capaz de sentir. — Murmurou com o rosto colado ao meu. — Você é simplesmente irresistível.

— Em que sentido? — pensei por um instante que ele não tinha quebrado a regra principal como eu tinha.

— Em todos. — Ele sorriu num semblante de puro desespero. — É impossível não amar você.

— Então ame. — Sussurrei para os lábios dele.

— Em que sentido? — Seu sorriso era sedutor dessa vez.

— Em todos. — Me encaixei em seu colo dentro da banheira e mais uma vez nos unimos, dessa vez de corpo e alma, com os sentimentos sobre a mesa e a vontade de ficarmos juntos explícita.

Deitados e aconchegados na grande cama do hotel, eu me sentia exausta. Ele acariciava meus cabelos espalhados na cama me abraçando e me mantendo aquecida. Quando meus olhos já estavam fechados eu o escutei murmurar devagar:

— Você não precisa me salvar do meu passado. — Me deu um beijo suave na testa sem parar de me dar carinho. — Mas você fugiria comigo?

— Para onde você quisesse. — Balbuciei não certa se era um sonho ou se a realidade havia sorrido para mim.

Sei que disse mais um sim para ele dois dias depois vestindo o mais belo vestido que pude encontrar na Itália em cima da hora.

— Bonito vestido. — Ele murmurou.

— Gostou? — Sorri, brincalhona. — Eu só o comprei para que você o tirasse.

Notas finais
Me contem o que acham de toda minha tentativa de eroticidade. :p
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!