Dreamy's Girls
32 Capítulo 32
Notas iniciais
"Melhor é o dia da morte, do que o dia do nascimento. " (Eclesiastes 7:1)
Nossa vida é resultado das nossas escolhas. Seremos amanhã o que escolhemos fazer hoje. Por isso a bíblia afirma que é melhor o dia da morte, do velório, do que o dia do nascimento. É neste dia que se descobrirá quem realmente você foi; Quais frutos você deixou; Se você viveu para si mesmo ou se deu ao privilégio de servir e amar ao próximo; Se você andou com Deus ou não.
Melhor é estar em um velório do que em uma festa. Pois quando você está em uma festa, é só alegria e diversão, seu pensamento está apenas voltado para aquele momento. Em um velório não, velório é um momento de reflexão! Você pensa; o que estou fazendo da minha vida? Que legado vou deixar quando chegar minha hora? Estou andando com Deus?
Uma estrela não significa nada, até que desapareça. É triste, mas é verdade, não valorizamos cada detalhe e cada presença. Não sabemos o valor de tudo o que faz parte da nossa vida, e por isso negligenciamos diversos aspectos dela.
Então,quando menos esperamos, tudo muda,e ficamos perdidos sem saber o que fazer. Pode ser que já seja tarde demais para se lamentar e a dor da perda nos faça chorar desconsoladamente.
Se pararmos para pensar, perceberemos que muitas vezes somos incapazes de entender o que é essencial em nossas vidas; do que realmente precisamos e o que queremos manter. Tentamos justificar nossa negligência com os outros através da falsa crença de que “tudo é para sempre”. Mas tudo, definitivamente, não é pra sempre.
— Sakura?
Suspiro cansada desviando o olhar para o copo estendido a minha frente, a fumaça subindo e dançando em suas belas e formosas curvas, livres e sem preocupações com o mundo exterior. Mas elas também tem seu fim, por mais belas que sejam.
— Obrigada. — pego o copo de liquido âmbar e quente.
Ino sentou-se ao meu lado com os joelhos juntos e as mãos em cada lado do corpo. Seu olhar para o chão é um olhar opaco, distante. O sofrimento que a acomete é o mesmo que atinge a todos nós hoje, um que deixa minha cabeça em constante tribulação... Por saber que eu, e apenas eu, fui a causadora.
~-~
Abri os olhos meio perdida, absorvendo de modo lento o cenário que se desenrolava a minha volta. Gritos de desespero, pessoas correndo agitadas, vários celulares discando para emergência. Minha mente estava uma verdadeira bagunça, até eu dar um passo vacilante para frente atingindo algo, ou melhor, alguém.
Desci os olhos vagarosamente já os sentido embaçados pelas lágrimas, e quando atingi o chão, desejei com todas as forças estar morta, que nunca tivesse existido, ou que nunca tivesse feito as escolhas erradas, escolhas essas que levaram longos cabelos pretos azulados estarem jogados ao chão, Hinata.
Desabei com o corpo em cima de minha amiga desacordada, havia um buraco em seu peito e suas roupas estavam completamente encharcadas de sangue. Me desesperei gritando seu nome abraçada ao seu corpo. Nunca um choro foi tão dolorido, angustiante, nervoso. Mal senti quando fui afastada brutalmente de seu corpo por paramédicos que a cercaram.
Não faço a mínima ideia de quem eu abracei, apenas me agarrei firmemente a alguém, gritando, implorando para que salvassem a vida de minha amiga, ou eu jamais iria me perdoar.
~-~
— Nagato está preso.
Soltei uma risada anasalada. — Era o mínimo que poderia acontecer.
Vi Ino me lançar um olhar de canto e pareceu excitar, mordendo o lábio inferior, por fim suspirou e continuou; — O que pretende fazer agora? Os pais de Hinata estão para chegar a qualquer momento.
Olhei para a parede branca á frente. De madrugada havia prestado depoimento na delegacia, relatando tudo que tinha acontecido horas antes, e, apesar de que ninguém anterior a mim ter mencionado o fato de que eu estava participando de uma corrida ilegal, resolvi por confessar, obviamente sem entregar os outros, recebendo um ano de deportação.
— Bom, vou voltar para a casa do meus pais.
— Mas vai voltar quando acabar, não é? — Ino se virou para mim dobrando uma perna em cima da cadeira.
Virei meu rosto para olha-la e analisei suas feições. Olhos inchados e vermelhos, com profundas olheiras. Nariz vermelho, boca ressecada. Em meio ao momento me peguei pensando que nunca tinha visto Ino tão acabada, sem nada de maquiagem e nem um pouco preocupada com o fato.
Ri amargurada me virando para segurar suas mãos e olhar em seus olhos, com compaixão.
— Eu não penso nisso agora. Sinceramente só quero correr para os braços dos meus pais e me esconder do mundo pra sempre. Estou com tanta vergonha Ino, se eu não tivesse corri... — engasguei-me com o choro iminente.
— Shh... — Ino soltou suas mãos e me abraçou, me aninhando, me reconfortando – A culpa não foi sua, não foi você que atirou nela. E meu amor, Hinata jamais te culparia por isso, ninguém vai te culpar.
Me agarrei a minha amiga pela cintura e chorei copiosamente em seu colo enquanto a sentia deitar a cabeça sobre minhas costas e molhar minha camiseta em lágrimas. Era só disso que eu precisava, colo.
~-~
Guardei as ultimas peças de roupas em uma das malas e parei no meio do quarto olhando ao redor agora vazio. Tão pouco tempo naquele lugar e tantas lembranças. Já havia experiências para relatar por uma vida inteira, amizades que eu nunca achei que faria, amores que nunca achei que reencontraria.
Olhei pela janela avistando a casa dos meninos, toda fechada e apagada. Sabia que estavam todos me esperando no aeroporto, para um ultimo adeus, e um bastante improvável, até logo.
Desci as escadas carregando as malas e refazendo o percurso para trazer as restantes. Guardei todas no carro e voltei para trancar a porta da sala, dando uma ultima olhada para seu interior. Entrei no carro e tremi levemente, a sensação jamais seria a mesma, os pensamentos menos ainda.
Ao sair me deparei com um carro da policia que me escoltaria até o aeroporto, garantido que voltaria para meus país. Ri irônica, eles poderiam me mandar para uma ilha exilada que eu não ligaria nenhum pouco.
~-~
Desci as malas do carro e as coloquei em um carrinho, o empurrando para dentro logo em seguida. Caminhei tranquilamente observando as pessoas que por ali transitavam. Famílias alegres, algumas pessoas bravas, outras expressando profundo tédio sentadas em cafeterias. Passei direto pelo check in indo direto para a sala de embarque. Centralizei o olhar e encontrei todos meus amigos em frente a sala.
— Oi. — falei baixo me aproximando.
Todos permaneceram parados me olhando, mas no segundo seguinte recebi um abraço coletivo, cheio de lágrimas e promessas de um futuro melhor. Se afastaram para as despedidas individuais. A primeira a vir foi Ino, seguida de Tenten e Temari.
— Vamos nos ver logo testuda, não vai se livrar da gente assim tão fácil. — riu esfregando o nariz vermelho.
— Sim, precisava te ensinar uns golpes agora que você vai ficar sem mim, mas podemos deixar pra depois. — Tenten me abraçou e se fastou apertando meu ombro levemente.
— É isso aí.
Olhei para Temari que tinha um sorriso mínimo nos lábios. Mais cedo havíamos conversado, a fiz prometer que cuidaria das meninas agora que nosso grupo estava desfalcado, e ela jurou que não deixaria mais nada acontecer. Desviei o olhar para os meninos.
Naruto estava com os olhos bastante vermelho e parecia bem chateado, mas mesmo assim veio me abraçar e acertou um tapa na minha testa. Gaara deu apenas um aperto de mão pedindo desculpas por Neji não ter vindo. Entendi o que ele queria dizer e precisei segurar o choro novamente, a cupa me assolando.
Sai me abraçou apertado, falando que nos veríamos em breve e ele cuidaria de Ino, agradeci mentalmente por isso. Olhei para ver se faltava mais alguém e deparei com olhos negros me fitando, não um olhar de raiva, ou o oposto, de alegria, apenas um olhar comum, mas cheio de promessas. Sasuke chegou perto de mim e envolveu seus braços, um em minhas costas e o outro com a mão na minha cabeça.
— Temos muito o que viver juntos ainda, isso não vai ser um adeus. — sussurrou baixo em meu ouvido e se afastou.
Fechei os olhos contendo um soluço, iria perder tantas coisas pelas más escolhas. Voltei a empurrar o carrinho para dentro da sala e parei, virando-me, recebendo sorrisos, mínimos e leves, mas que eu sabia que sempre estariam ali pra mim.
Sorri e entrei na sala, era hora de colocar minha vida nos eixos, redescobrir minha pessoa, refletir sobre o momento e só então pensar em voltar, com perspectivas diferentes e que de alguma forma poderá beneficiar aqueles que comigo convivem.
Já no avião, encostei minha testa na janela, vendo o decolar e deixar San Diego para trás, com histórias felizes e marcantes, algumas inacabadas e outras trágicas, porém nenhuma com um ponto final e sim, como uma vírgula, de que teria uma continuação.
— Pronta pra recomeçar?
Olhei para a poltrona ao lado e fui recebida com um sorriso cheio de esperanças, concretas e positivas. Eu definitivamente nunca estaria sozinha nesse processo de reconstrução.
— Obrigada Deidara!
Para recomeçar, é preciso ter em mente que tudo que é bom deve ser refeito, revivido. Portas de liberdade, janelas de confiança, assentadas sobre tijolos de verdade e justiça. No teto, uma laje de carinho e perdão, para que possamos ficar ao abrigo das tempestades que a vida fatalmente traz. No chão, um piso seguro e sólido, feito de companheirismo e compromisso, será a base para caminhar de mãos dadas.
Nada de querer aproveitar uma meia bancada, ou uma pintura esmaecida. Afinal, com a vida não se pode brincar. Lembrando apenas dos momentos em que os olhos falaram mais que as palavras, é preciso tomar o outro pela mão e trabalhar. É começar do zero, usando o único material que não se esgota. O amor. — (Christina Ferreira)
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