Dreams of an absolution
1 She.
Notas iniciais
Escola Undertale, Dia 4 de fevereiro, 200x.
S A N S
Eu e Papyrus havíamos chegado mais cedo como sempre fizemos ao longo dos anos. Estamos cursando o segundo ano do ensino médio, juntos. Papyrus repetiu uns 3 anos para ficarmos juntos, acho que estamos juntos desde o nono ano. Parece uma coisa boba, mas nossa mãe partiu muito cedo e meu pai nunca está em casa, então meio que crescemos cuidando um do outro.
Apesar de eu não gostar muito do meu pai...por alguns motivos que eu não gostaria de revelar.
O ano tem sido chato até agora, sempre temos a mesma rotina. Só é legal quando ficamo zoando no recreio juntos, ou quando chegamos em casa e começamos a jogar video-game juntos. Essas coisas nunca vão perder a graça para mim.
A nossa turma é pequena, mas todos são gente boa — e pelo jeito, muito CDF's também, metade passa o dia estudando — ao contrário de eu e Papyrus, que passamos o dia todo zoando e tiramos notas razoáveis.
Mesmo assim, sinto que tem algo faltando para deixar meus dias melhores.
A professora havia entrado na sala, Toriel. Era gentil e sempre tratava todos nós com muito carinho. Ela parecia ter um aviso importante para nós, o que chocou a sala e fez todos prestarem atenção nela.
— Olá, alunos. Bom dia! — Ela disse, sendo respondida por milhares de "bom dias". — Tenho uma notícia boa pra vocês.
Todos pareceram sorrir.
— Teremos uma nova aluna na sala. — Todos começaram a comemorar, inclusive eu, sempre é bom ter gente nova! — Porém, peço que recebam ela com carinho e cuidado. Seus pais morreram num acidente de carro num passeio em família, e ela assistiu os pais sendo mortos. Depois começou a sofrer bullying na antiga escola e seus avós a transferiram para cá.
Todos chocaram-se e ficaram tristes pela história da garota. Já perdi minha mãe mas foi por uma doença, não assisti ela sendo atropelada, morrendo, e sangrando que nem esta garota...Se eu fiquei mal, imagine como esta garota se encontra no momento!
Toriel olhou para mim e para Papyrus.
— Vocês dois sempre animam qualquer pessoa. — Toriel sorriu. — Se importariam se a garota sentasse ao lado de vocês?
Fizemos não com a cabeça. Sorrindo, e se entreolhando. A sala havia três fileiras, eu e Papyrus sentavámos atrás, só que a cadeira da terceira fileira vivia sozinha. Era a cadeira ao meu lado.
Toriel levantou-se da cadeira e sorriu para todos.
— Vou buscá-la. — Disse ela, abrindo a porta. — Sejam gentis, por favor, ela é tímida.
Todos os olhares da sala encheram-se de curiosidade, esperando a garota entrar por aquela porta. Toriel voltou segurando na mão da garota, que estava de cabeça baixa e parecia estar chorando.
— Então, pessoal, essa é Frisk. Ela tem 15 anos. — Toriel disse, olhando para ela.
Frisk levantou a cabeça. E, wow. A sala permaneceu em silêncio por alguns minutos e em seguida pareceram sussurrar coisas um para o outro. Essa garota é realmente bonita. Ela está com uma cara completamente vermelha, parecendo que havia chorado por horas. E ela também é bastante baixinha, muito mais que eu.
Seus olhos eram castanhos, pareciam duas jóias que só se viam nos colares mais caros. Seus cabelos eram liso e não muito longos, batiam mais ou menos nos ombros. Seu corpo — ah, qual é, eu sou garoto — era lindo, do tipo, lindo mesmo. Não preciso descrever. Como que uma garota assim já havia sofrido bullying? Ela não parece uma pessoa ruim.
— Acorda do transe, brother! — Sussurrou Papyrus, rindo.
Toriel mandou a sala ficar em silêncio pois estavam deixando a garota sem graça.
— Frisk, meu doce, pode sentar alí ao lado do garoto de cabelos brancos? — Toriel perguntou, me mencionando.
Os olhos castanhos de Frisk encontraram-se com os meus e eu corei bastante. Ela fez sim com a cabeça e andou lentamente até sua cadeira, de cabeça baixa. Fazendo um pequeno esforço para levar sua mochila nas costas. Ela parecia não ter força pra nada.
Ela sentou-se na cadeira e imediatamente retirou uma folha de papel e um lápis de sua mochila. Começou a desenhar.
Ela é...interessante.
— Então, alunos, tenho que corrigir umas provas na minha sala. — Ela disse, segurando a porta, logo em seguida a abrindo. — Não baguncem muito, ok? Eu volto já já!
Quando Toriel saiu todos foram pra cima de Frisk, menos eu. Papyrus estava contando um monte de piadas e todos estavam rindo. Ela parecia estar confusa e senti vontade de falar com ela, mas não quero enquanto houver a sala toda aí.
Fiquei apenas ouvindo a conversa.
— Ei, garota. — Disse Flowey, um aluno que sempre enche o saco de todos. Espero que ele não mexa com ela. — Por que usar uma saia tão longa com essas pernas lindas? Não gostaria de cortá-la? ❤
— O que é isso, você é retardado? Deixe a garota em paz, cara. — Disse Undyne, uma feminista revoltada.
Frisk ficou sem graça e abaixou sua cabeça. Levantei-me da cadeira e todos olharam pra mim, pois a cadeira havia feito um barulho alto quando me levantei.
— Flowey, se não quer problemas, se afaste. — Disse.
Flowey obedeceu, me encarando com um olhar de raiva. Eu não gostava daquele cara, nós já tivemos muitos problemas no passado. Mas ele sabe que a diretoria da escola, e Toriel, sempre irão acreditar em mim, pois não tenho muitos problemas nessa escola. Ao contrário dele.
Me sentei novamente e todos voltaram a falar novamente com Frisk, e como antes, ela não estava dizendo nada.
//
A campa havia batido e era a hora do recreio. Me perguntava onde estava Papyrus, ele pelo jeito estava cuidando da Frisk. Acho que eu devia ter ido falar com ela para ver se conseguia fazer amizade, mas fui bobo e não fui falar com ela.
Soltei um suspiro e peguei meu celular. Liguei para Papyrus que havia atendido no mesmo segundo, o que eu estranhei bastante.
Papyrus: QUAL A BOA, IRMÃO?
Eu: Onde você está, irmão?
Papyrus: TÔ AQUI NA FRENTE COM A GAROTA NOVA!! VENHA AQUI, ELA É TIPO VOCÊ SÓ QUE GAROTA!
Eu: Ok.
Desliguei o telefone. Parecida comigo? Hm...isso parece estranho. Será que ela tem um jeito parecido com o meu ou os mesmos gostos que eu? Isso é bastante novo pra mim. Nunca me interessei por alguém antes, o que essa garota tem de diferente?
Meh, deve ser algo só do tipo uma impressão. Em breve sei que isso tudo vai passar. Vou ser amigo dela, somente amigo. Tenho certeza que seremos bons amigos.
Cheguei na frente da escola, Papyrus estava conversando com Frisk, que estava rindo. Sua risada é encantadora. Me aproximei e fiz meu "toque lá" com Papyrus.
— ESSE AQUI É O PEQUENO SANS, O IRMÃO DO GRANDE PAPYRUS! — Ele disse, ou melhor, gritou, com aquela piada sem graça.
Frisk deu um sorriso. Eu senti meu rosto quente, ugh. Ela é bonita, só isso. Bonita.
— Eu conheço ele. — Disse ela. Sua voz era muito fina. — Ele me ajudou quando fui assediada, lembra?
Dei risada.
— Fique longe daquele garoto, Frisk. Por favor. — Eu disse, tentando ser gentil. Não sou muito bom com primeiras impressões.
Ela fez sim com a cabeça.
Papyrus pareceu se lembrar de algo.
— SAAAAAAAANS!!! SABIA QUE A GAROTA NOVA JOGA O MESMO JOGO QUE VOCÊ E ESCUTA A MESMA BANDA TAMBÉM, AQUELA QUE VOCÊ TEM O CD?!
Meu coração pareceu acelerar. Ok, isso aí já é demais.
— Você...tem o CD de STLW? — Ela perguntou, parecendo surpresa.
— Sim, eu tenho! Um monte! — Respondi, sorrindo. — E você joga Coldtown?
(N/A vi qualquer nome pra colocar como jogo e banda, não me julguem! -q)
Eu não sabia se teria coragem o suficiente para pedir o que eu queria pedir.
Ah, lá vou eu.
— Pode me passar seu número de telefone...tipo, pra eu te mandar uma mensagem pra gente jogar juntos? — Perguntei, encarando o chão.
— Claro! — Disse ela, pegando em sua mochila uma folha de papel de um desenho dela e anotando seu número atrás. — Ignore o desenho, apenas um rascunho idiota.
— O-ok...
Papyrus a abraçou, mesmo parecendo confuso com tudo — já que não entendia do que estavámos falando — parecia bastante animado.
— AGORA SOMOS UM TRIO! — Ele disse, me trazendo para o abraço também. — PEQUENO SANS, SUPER PEQUENA FRISK E O GRAAAAANDE PAPYRUS!
— Ah, qual é, cara! — Gritei tentando sair do abraço.
Frisk ria muito alto e todos nos encaravam como se fossemos loucos.
Vai ser um looongo ano.
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