Dreams Come True
1 Capítulo 1
Nada parecia estar focado ali. Uma música lenta estava tocando. Conhecia aquela música. Minhas aulas de piano haviam me ensinado apreciar esses tipos de músicas. Sim, Vivaldi tocava em alto e bom som.
Sabia que o local estava repleto de gente, mas não reconhecia ninguém. Os rostos estavam cobertos por mascaras e roupas rusticas, de uma época a qual eu não pertencia mais.
Pessoas dançavam perfeitamente coreografadas. Como acontecia em pleno Baile Real do século XIV.
Eu estava parada no meio da pista. Sentia-me perdida. Aquele lugar era desconhecido por mim. Tentava caminhar, mas não conseguia me mover.
A música continuava tocando, pessoas começaram a dançar ao meu redor. Riam um dos outros, pareciam se divertir.
Reparei naquele momento no que estava segurando. Uma máscara, mas não como as que todos usavam. A minha cobria somente os olhos e o nariz.
Olhei-me. Usava um vestido diferente de todos. Suas cores chamativas fazia-me destacar no meio daquelas pessoas.
— Gostaria de dançar? – Uma voz atrás de mim fez com que me virasse. Achei estranho, até aquele determinado momento não conseguia me mover. Foi ai que reparei no homem a minha frente. Seus olhos azuis me penetravam como se conseguissem ver cada mísero detalhe que eu escondia. Sua mão estava esticada em forma de pedido esperando a aceitação. Meu corpo se moveu por vontade própria e meus lábios responderam prontamente.
-Sim. – Minha mão foi de encontro a sua e ele me guiou em uma dança sincronizada com a música. Não conseguia por um minuto desviar minha atenção daquelas pedras profundas em formato de olhos.
A música não parecia ter fim, mas eu não desejava que ela terminasse. Sentia-me bem.
Nossos movimentos estavam ficando fracos. Foi ai que percebi que nossos rostos estavam próximos a ponto de conseguir sentir sua respiração bater em meu rosto.
Mas algo me chamou atenção. Em um canto por cima dos ombros, daquele ao qual dançava, havia uma mulher, ou melhor, uma senhora. Ela não usava mascaras ou roupas de época. Usava uma roupa normal. Seus olhos com óculos fundos de garrafa estavam fixos ao meu. Um sorriso sombrio se formou em seus lábios. Ela começou a simular uma dança desajeitada, debochando do que acabara de acontecer.
Uma gargalhada tomou conta do lugar. Todos pararam. Literalmente. Não dançavam, não falavam, nem ao menos, respiravam.
Sua mão foi de encontro a um colar em seu pescoço. Seus lábios se moveram: Breve.
Sentei-me na cama. Minha respiração estava descompassada. Eu estava sonhando?!
Levei minha mão de encontro ao lado esquerdo do meu peito, meu coração estava acelerado. Sabia que estava suando.
O que foi aquilo? Quem era aquela senhora? Quem era aquele cara? Onde eu estava?
Nada parecia fazer sentido, nenhuma das minhas perguntas vinham com uma resposta.
— Isso foi só um sonho estranho. – Disse tentando me convencer.
— Acorda Bela adormecida. – Levei um susto com a aparição de Camila no meu quarto. Camila Marques, minha melhor amiga desde que me entendo por gente. – Nossa você está bem? Você está pálida. – Camila largou sua bolsa no chão e veio ao meu lado. Não estava conseguindo raciocinar direito. – Thayná, você está suando. – Ela começou a ficar realmente preocupada, eu precisava dizer alguma coisa.
— Eu estou bem. Só tive um pesadelo. – Sai do meu transe passando a mão na testa. Fiz um certo esforço para conseguir levantar da cama.
— Que pesadelo foi esse? Parece que você morreu e voltou à vida. – Ela disse debochada. Fui até a janela e abri a cortina. Precisava de claridade. Queria tirar a imagem daquela velha da minha cabeça. Camila percebeu que eu não ri. – Quer falar sobre ele? – Ela disse séria.
Segurei a barra da cortina e encostei minha cabeça no vidro da janela. Camila precisava saber, afinal, só foi um sonho. Nada demais. Um simples pesadelo não iria se realizar. Por que estou tão preocupada?
Aquele choque de realidade fez com que um grande peso saísse de minhas costas. Não sentia mais aquela angústia e medo dentro de mim.
— Foi um sonho estranho e bem longo. – Disse ficando ao seu lado. – Tem certeza de quer ouvir? -–Disse a ela com um meio sorriso.
— Tenho, mas antes vai escovar os dentre, porque sério, ninguém merece esse bafo. – Nessa hora taquei um travesseiro na minha linda amiga. Amava sua sinceridade. Estou sendo irônica.
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