Dreams
32 Capítulo 32
Notas iniciais
Austin
Já era dia, eu podia saber por conta das luzes que entravam no quarto. Ally continuava dormindo como uma verdadeira boneca em meus braços, tão delicada e linda. Contornei seus lábios com o meu indicador e soltei um suspiro abafado. Estava começando a ficar difícil acreditar que no fim do dia ela partiria para Princeton, para um lugar milhas e milhas distantes de mim e do nosso amor. Ela se mexeu devagar e coçou de leve seus olhos, ela estava acordando, sorri como um imbecil enquanto via o castanho mais lindo se abrir pra mim.
– Bom dia meu amor. – disse quase em um sussurro, ela sorriu tímida.
– Bom dia. – disse, mas logo em seguida tapou a boca e me olhou envergonhada, franzi meu cenho em sinal da minha confusão.
– hmmm... devo estar com bafo. – ela disse de forma abafada por ainda estar com a boca tapada, soltei uma gargalhada.
– Não seja boba, você não deve ter mal hálito e mesmo que tenha não me importo. – disse trazendo seu corpo para junto de mim, indo de encontro até sua boca.
Ally arregalou seus olhos e praticamente suplicou para que eu não a beijasse, claro que tudo isso não passava de besteira pra mim. Não ia desperdiçar um beijo por conta de uma tolice dessas, afinal eu sabia que amanhã eu acordaria sozinho nessa cama.
A peguei firme deixando- a mole em meus braços e enfim ela cedeu, seus olhos estavam apaixonados e presos aos meus. Apertei meu braço ao redor de seu corpo, minha mão segurou sua nuca e ao me aproximar mais de seu rosto deixei que minha língua roçasse impiedosamente seu lábio inferior, ela arfou suplicante e só então a beijei.
– Sabe o que eu acho? – disse entre beijos, sentindo sua respiração bater quente em meu rosto.
– O que? – perguntou divertida.
– Que chegou o dia de te ensinar a dirigir. – sorri e ela gargalhou.
– Acho uma ótima ideia.
....
Era em torno de 10 horas da manhã, Ally e eu havíamos saído e tomado café em uma padaria próxima a minha casa e agora estávamos numa estrada mais afastada da cidade, onde não haveria perigo de acidentes.
– Então, é simples. Esse pedal você usa para acelerar, esse outro para frear e o ultimo ali para trocar as marchas. – disse enquanto apontava para os respectivos, a morena estava atenta a cada uma das minhas explicações.
– Acho que entendi. – disse ainda tímida.
– Não tenha medo de errar, vamos começar devagar. – disse indicando a chave.
Ela ligou e olhou pra mim sorrindo, logo em seguida pisou na embreagem e engatou a primeira. Começamos a andar devagar, ela estava indo bem para quem nunca havia dirigido antes. Estávamos dirigindo um carro esportivo da minha tia, pois minha BMW possui um sistema de câmbio automático, logo não seria indicado para iniciantes.
– Acho que já podemos acelerar mais um pouco, passe a terceira Ally. – pedi calmamente, ela assentiu.
Sua mão delicada rolou pelo câmbio suavemente até encaixar no ponto certo e então passamos a andar mais rápido do que antes.
– Isso! Você está muito bem pra quem nunca pegou em carro.
– Eu sei, sou ótima. – disse soltando uma piscadela adorável em minha direção, soltei um riso.
– Nem um pouco convencida você. – brinquei.
Ela estava olhando pra mim quando de repente avistei quando parado na pista.
– Ally, cuidado! Pare! Pare! – gritei apavorado.
Tão rapidamente o carro cantou pneu e então respirei aliviado, era um cachorrinho abandonado que estava assustado e perdido no meio da pista.
– Meu coração está acelerado. – a morena disse ofegante.
– Calma, tá tudo bem. Você não o atingiu.
– Venha, vamos descer para ajudar. – disse enquanto destravava as portas.
Caminhamos até o pequeno animal que estava quietinho e medroso.
– Tá tudo bem lindinho. – ouvi a garota se pronunciar de forma carinhosa.
– Ele não parece ferido, mas acho que seria legal se levássemos ao veterinário. – sugeri.
Ela pegou o animal indefeso da maneira mais delicada possível, fui em direção ao banco do motorista e ela do passageiro. Depois de algum tempo enfim chegamos ao veterinário, deixamos o cão com um responsável e ficamos aguardando numa pequena sala de espera, Ally estava nervosa por conta do estado de saúde do pequeno cachorrinho.
– Calma amor, ele está bem. Você não o atropelou e ele apenas parecia assustado, vai ficar tudo bem. – disse alisando seus cabelos sedosos, ela sorriu serena pra mim.
– Vocês são os responsáveis pelo cãozinho que chegou na emergência? – um homem um pouco mais velho perguntou, ele vestia um jaleco então deduzi ser o veterinário.
– Sim, somos nós. – a morena respondeu, seus olhos compenetrados no médico.
– Não fique aflita mocinha, ele passa bem! Tem apenas alguns arranhões e parecia estar com bastante fome e sede, mas fora isso ele está forte como um cavalo. – o senhor disse com um sorriso sincero, então suspiramos aliviados.
– Será que já podemos pega-lo? – perguntei.
– Claro, vou apenas preencher uns papeis e dentro de cinco minutos você podem ir busca-lo. – o médico respondeu simpático indo logo em seguida para uma sala reservada.
– Mas, Austin... para onde vamos leva-lo? Acho que não consigo deixa-lo num abrigo.
– Na verdade... eu pensei em adota-lo. – disse sorridente, eu sabia o quanto isso a deixaria feliz.
– Jura? – seu sorriso iluminou meu dia, assenti com a cabeça.
–Você é o melhor namorado de todos, eu nem acredito! Mas... como vai fazer? Vamos para a universidade! – disse ainda sorridente se agarrando em meu pescoço.
– Eu pensei em não ficar na república, talvez alugar um apartamento pelos arredores, seria mais um pretexto para você ir me visitar lá na universidade.- ela abriu um sorriso largo e logo começou a rir.
– Sabe que não preciso de pretextos para te visitar, eu jamais iria deixar você com aquelas assanhadas de Yale. – gargalhei alto.
– Não seja boba, você é a mais linda do mundo. – disse enquanto sentia suas mãos arrodearem meus pescoço, seus olhos sorriam para mim, meus castanhos.
– Te amo. – sussurrei antes de beija-la devagar, apenas um toque de lábios.
...
– Ele é lindo, não é? Nem sei como vou passar tanto tempo sem brincar com ele. – Ally disse enquanto observávamos o pequeno Plock se esconder no emaranhado de cabelos da minha morena, estávamos esparramos no sofá com o cachorrinho que agora tinha um nome.
– Não quero ficar longe de você Ally, faltam pouquíssimas horas para seu avião partir. – disse triste, sentia um aperto enorme em meu peito, ela era meu ar.
– Calma querido, você vai visita-la. – minha tia disse com um pequeno sorriso em seus lábios.
Estava acontecendo a despedida da garota dos olhos castanhos e todos resolveram se reunir na casa dos Dawson, Tia Charlie já havia feito amizade com os pais de Ally, estava tudo em família. Tudo em paz.
– Nós todos vamos te visitar Ally, não vai ficar um dia sozinha! – Lindsay se pronunciou juntamente com Trish, agora elas se entendiam e não disputavam pela amizade da morena.
– Não esqueçam de mim. – Dez revelou com uma risada boa de se ouvir.
– Todos vocês vão se encontrar, a amizade que construíram é forte o suficiente para que os laços nunca se rompam. – a mãe de Ally disse, seus olhos marejados. Era impossível não perceber que todos os dias ela agradecia a Deus pelo milagre de ter sua filha sã e salva, rodeada de pessoas que a amam.
O tempo não passava rápido, na verdade ele estava voando e meu coração se apertava a cada vez que o ponteiro do relógio se mexia. Eu sabia o quanto seria doloroso vê-la partir e eu podia entender como havia sido sufocante e intensa a dor que Ally sentiu quando eu também cruzei o aeroporto e parti.
Estávamos todos nos dividindo nos carros para levarmos a garota até o aeroporto internacional de Miami, ela segurava minha mão no banco do carona, estávamos lado a lado. Sua cabeça descansava em meu pescoço, a lagrima solitária que ela derramava molhou minha camisa.
– Nunca achei que estudar o que eu mais amo traria tanta tristeza, sinto que estou deixando parte de mim aqui com você... isso dói! – ela disse, sua voz sofrida e embargada. Prendi minha respiração, eu não poderia chorar agora, precisava manter o controle da situação.
– Vai ficar tudo bem meu amor, sabe que isso não vai mudar meu amor por você. Estaremos sempre juntos, fomos destinados a ficar assim. – disse enquanto beijava sua testa da forma mais delicada possível, transmitindo meu amor.
...
Descemos no aeroporto, o voo de Ally estava se aproximando, o embarque havia sido anunciado. Minhas mãos suavam, eu podia sentir o vazio iminente quando ela estivesse a milhas de mim, sua distância iria me ferir.
Ela abraçou cada um de seus amigos, se demorou muito em seus pais, um abraço dado com amor e com vontade. Se despediu de Tia Charlie e em seguida olhou em minha direção, eu a esperava com as mãos no bolso, evitando o nervosismo.
Não trocamos nenhuma palavra, ela apenas se colocou na ponta dos pés e apoiou sua testa na minha, nossos olhos se encontravam na maior das intensidades. Não precisávamos de palavras, sabíamos o quanto um representava pro outro, que era pra sempre.
Segurei firme suas mãos nas minhas, ela foi aconchegando aos poucos seu corpo no meu formando um abraço, nossos olhos nunca se desconectavam. Nos abraçamos com delicadeza, senti a pele de seus braços em mim, aproveitei para guardar o cheiro de seus cabelos em minha memória.
– Te amo. –sussurrei
– Eu também.
– Está na hora. –ela disse ao ouvir o anuncio no aeroporto.
– Eu sei. – respondi com pesar.
– Quando você menos esperar estarei em Yale te visitando, me avise quando chegar.
– Vou esperar ansiosamente.
– Tchau.
–Tchau meu amor.- disse por fim, perdendo a conexão com seus olhos, seu abraço, seu cheiro.
Fale com o autor