Dreams
20 Capítulo 20
Notas iniciais
Gostaria de agradecer a RAFAELASALLES por recomendar a minha historia, sem palavras! muito obrigada de verdade.
:* flores
Austin
Aquilo estava me dando nos nervos, o que aquele cara pensa que é? Pegar Ally assim desse jeito como se ela fosse propriedade sua, mas isso com certeza não ficaria assim. Meus punhos estavam fechados, era errado brigar, mas eu não conseguia me controlar quando se trata de protege-la. Quando enfim eu iria fazer o que a raiva estava mandando a garota a minha frente ficou pálida e seu corpo estremeceu perdendo os sentidos devagar até desmaiar nos braços do crápula.
- Ally? – gritei apavorado enquanto Dallas segurava o corpo da garota, ele estava atordoado.
Os murmurinhos tomaram conta do corredor que antes vazio agora se encontrava lotado, eu senti uma fraqueza me possuir. Me sentia culpado, e se ela estivesse assim por minha causa? Por minha presença? Eu não iria suportar.
Eu me aproximei da minha garota dos olhos castanhos e tentei tira-la delicadamente dos braços daquele cara que não merecia nem se quer sentir o cheiro dos cabelos dela.
- Vou leva-la até a enfermaria. – disse duro e seco para o moreno, mas ele enrijeceu seu corpo.
- Ela caiu em meus braços, eu vou no seu lugar. – ele retrucou e eu senti que a paciência estava esvaindo de mim.
- Vamos acalmar os ânimos garotos? – ouvi uma voz feminina adentrar.
- Ally não vai gostar nem um pouco de vê-lo quando acordar Dallas. – ela alternou o olhar entre nós e eu a reconheci, era Lindsay.
- Eu não sei qual é sua, mas acredito que ela iria preferir ver você. – ela disse apontando pra mim e um sorriso discreto se formou em meus lábios.
Eu rapidamente a tomei dos braços dos moreno e senti as faíscas elétricas se apoderarem de mim pelo simples fato de toca-la, de senti-la. O garoto não disse uma palavra, mas era nítida a sua relutância em me entregar a garota. Eu segui para a enfermaria com Lindsay a meu lado e logo a deitei numa maca onde a enfermeira me apontou.
- O que aconteceu? – a senhora vestida em seu uniforme me perguntou de forma simpática.
- Ela desmaiou no corredor. – respondi preocupado.
- Não deve ser nada demais, isso já havia acontecido antes? – ela me perguntou e eu neguei.
A senhora passou um pouco de álcool num algodão e levou até o nariz de Ally a fim de acorda-la, a mesma demorou, mas recobrou os sentidos aos poucos. Ela piscou várias vezes até abrir seus olhos por completo me enxergando ao seu lado, ela abriu um sorriso leve.
- Como está se sentindo? – a enfermeira a perguntou e então ela se deu conta de onde estava, o sorriso sumiu.
- Me sinto um pouco fraca, sem energias, cansada. – ela respondeu sem hesitar, convicta.
- A senhorita tem se alimentado direito? – a senhora perguntou.
- Sim, sempre como bastante nas refeições. – ela respondeu segura.
- Por uma questão de precaução acho que a senhorita deveria marcar alguns exames. – ela sorriu, mas Ally parecia assustada e eu me assustei também.
- Há algum problema com ela? – eu perguntei atordoado, tentei manter a calma.
- Acredito que não, mas é sempre bom averiguar para se ter certeza. – ela respondeu e em seguida disse para não nos preocuparmos e liberou Ally.
Estávamos em silêncio e Lindsay nos esperava do lado de fora juntamente com Dez e Trish que provavelmente ficaram sabendo do ocorrido.
- Como você está amiga? – as duas amigas falaram ao mesmo tempo, uma não gostando muito da outra o que fez Ally sorrir achando divertido.
- Estou bem meninas. – ela disse por fim e as abraçou numa única vez.
Enquanto as garotas conversavam Dez lançou um olhar pra mim, ele me conhecia pra saber que eu estava preocupado com o estado da garota. Ele se aproximou e discretamente me perguntou.
-Você acha que tem a ver com você? – meu sorriso se fechou e a minha voz fraquejou.
- Acho. – respondi juntando forças, ele tocou meu ombro.
- Vai dar tudo certo, vamos pensar no melhor. – ele me disse claramente triste.
...
O tempo havia passado, Ally fez questão de assistir todas as aulas e eu contava as horas para leva-la pra casa, precisávamos conversar. O sinal tocou e eu já a esperava no estacionamento, ela me avistou e veio em minha direção.
- Oi. – ela disse fraca.
- Você está bem? – perguntei a abraçando, ela se agarrou a mim.
- Sim, estou. – ela sussurrou em meu ouvido.
- Acho que você deveria ir a um médico. – sussurrei de volta, ela se soltou.
- Para de exagero Austin, você passou a manhã toda me pedindo isso. Acho desnecessário. – ela me disse ligeiramente brava.
- Não te entendo, porque tanta resistência? Basta fazer um exame de sangue. – retruquei sem entende-la.
Ally ajeitou seus cabelos e olhou pra mim, com aqueles olhos de perder o fôlego.
- Você não entende? não quero preocupar meus pais, já bastam todos esses problemas. – ela me respondeu sem jeito, seus olhos tristes olhando o nada.
- Desculpe, eu não quis...eu não. – gaguejei, eu havia esquecido por completo a situação da garota.
Eu me encostei no carro e a puxei para mim, seu corpo descansou sob o meu e eu inalei seu perfume de flores, puxei seu queixo e a beijei suave arrancando um leve suspiro da garota.
- Tudo bem. – ela disse baixo quando nosso beijo sessou.
Eu sorri tentando esconder minha preocupação, ela estava tranquila, mas diante das coisas que eu sabia, dos sonhos e de todo o mistério que a nossa relação possui eu não podia nunca me sentir assim, sentir a tranquilidade.
Eu a coloquei em meu carro, ela ainda estava frágil e um pouco esgotada. Dei partida, a princípio achei que a levaria para casa, mas Ally me pediu que fossemos ao teatro abandonado e eu acatei seu pedido subitamente me lembrando da ideia que eu havia tido no dia anterior. Logo que chegamos adentramos o local e o encontramos exatamente do jeito que deixamos da última vez em que estivemos aqui.
- Eu amo esse lugar, é o nosso lugar. – ela me disse romântica e eu não pude deixar de sentir o coração acelerar.
- Você trouxe vida nova à ele. – respondi enquanto colocava uma mecha solta de seus cabelos para trás da orelha.
Ela ficou na ponta dos pés e me lançou um olhar arrematador e em seguida beijou-me com paixão. Essa era a parte mais impressionante, apesar do pouco tempo existia uma conexão forte entre nós, uma paixão, talvez até um amor que crescia a cada centésimo de tempo que passávamos juntos, a cada beijo dado.
Nós caminhamos para a sala onde ficava o piano e ela se dirigiu ao seu lugar na banqueta, ela dedilhou as teclas e eu me maravilhei com as notas que saiam do instrumento, deitei-me como da outra vez no sofá que se fazia presente e a apreciei.
Eu não sabia o que estava acontecendo, estava sentindo uma vontade de contar a ela o que havia acontecido comigo no passado, contar minhas amarguras e deixa-la participar da minha vida. Talvez fosse a música que estivesse me enfeitiçando, ou quem sabe seus olhos que uma vez ou outra procuravam os meus, a pureza e a inocência de seu olhar. Eu precisava revelar.
- Ally? – a chamei receoso, esse era um grande passo.
Ela me olhou e retirou seus dedos do piano, se dirigiu a mim com um sorriso.
- Sim. – ela respondeu e eu senti que esse era o momento.
Ela se aninhou comigo no sofá e eu alisei seus cabelos castanhos procurando a coragem e enfim a encontrei.
- Eu sou órfão. – despejei uma parte, senti seu corpo colado ao meu enrijecer.
- Eu sofri um acidente de carro no ano passado, meus pais morreram e eu fui o único sobrevivente. Eu morava na Califórnia, até minha tia me trazer pra cá depois de tudo.
- Eu não... eu não sei o que dizer. – ela pareceu atordoada, ela teria se assustado? Isso mudaria alguma coisa pra ela?
- Fico feliz por me contar, eu não imaginava que você havia passado por tudo isso. – ela levantou seu rosto para me olhar, ela sorria.
- Obrigada por confiar em mim e eu sinto muito, de verdade. – ela disse e logo voltou a me abraçar apertado me anestesiando das dores.
....
Os dias passavam, eu e Ally cada vez mais próximos. Eu ainda não havia tido coragem para falar sobre os sonhos, ainda era um assunto sério e delicado para ser tratado tão cedo. Eu havia conhecido seus pais na noite de ontem, eles são pessoas amáveis. Estava dirigindo enquanto pensava em tudo que havia ocorrido e no hospital.
Flashback ON
- Meus pais gostariam de te conhecer, sabe a gente tem passado tanto tempo juntos. — ela corou e eu fiquei nervoso.
- Me conhecer? – disse receoso.
- Eu sei que não estamos namorando, mas eu sempre estou com você, eles ficam preocupados. Mas se achar inconveniente, não tem problema. – ela disse envergonhada e eu segurei seu queixo. Ela achava que não éramos namorados?
- Quem te disse que você não é minha namorada? – perguntei incrédulo e seus olhos brilharam.
- Você... você nunca me pediu. – ela disse hesitante e eu sorri. Era verdade, eu havia esquecido de pergunta-la.
- Com você tudo é tão certo que na minha cabeça não haviam mais dúvidas sobre o que você é pra mim, por isso não te pedi antes. – ela sorriu me beijando.
Na noite seguinte jantamos na casa de seus pais, pude notar que muita coisa já havia sido vendida por conta da situação financeira da família Dawson. Eu estava trabalhando duro na minha ideia para ajuda-los mais ainda precisava de mais um tempo, eu estava correndo contra o tempo.
- Ele é lindo querida. – a senhora Dawson disse fazendo Ally corar.
- Seja Bem –vindo. – o pai dela estendeu sua mão para mim e eu a apertei.
O jantar corria normalmente, falávamos sobre muitos assuntos, mas sempre tentando evitar falar da falência a qual eles se encontravam. Foi quando de repente Ally caiu da cadeira puxando consigo a toalha de mesa e consequentemente causando um desastre.
- Ally? – gritamos e quando nos demos conta ela estava desmaiada.
A taça de vinho havia se quebrado e o estilhaço de vidro havia cortado uma parte da perna de Ally, não parecia estar profundo, mas o sangue jorrava fazendo a mãe da pobre garota se desesperar. Rapidamente o Sr. Dawson pegou o telefone e discou para a emergência, não era possível mexer na garota sem ajuda médica, ela poderia ter quebrado algum osso ou coisa pior. Só de pensar meu estomago revirava, estava lutando para me manter forte, para não chorar diante da garota atirada no chão, ela era tudo pra mim.
Logo a emergência chegou levando-a numa maca para dentro da ambulância, os pais dela seguiram a acompanhando e como só era permitido parentes dentro do veículo eu os segui em meu carro.
- Como ela está doutor? – perguntei chamando a atenção dos pais de Ally, nós esperávamos notícias na sala de espera.
- Ela apenas teve um ferimento mediano na perna, mas passa bem. Fizemos alguns exames tendo em vista os desmaios e sua situação de fraqueza nos últimos dias, estado relatado pelos parentes. São vários exames então teremos o diagnóstico apenas pela manhã.
Flashback OFF
Eu tentava espantar esses pensamento de mim, mas era impossível. Eu apenas havia ido buscar Dez e Trish para visitar Ally e pegar o resultado dos exames. Minha tia sabia que eu havia passado a noite no hospital junto da família Dawson.
- Como ela está? – Trish me pediu ao adentrar meu carro.
- Aparentemente bem, o que me preocupa são os exames que ela irá fazer por conta os desmaios. Não estou com bons pressentimentos. – revelei vendo um olhar triste de Trish e um suspiro de Dez.
- Vai dar tudo certo, vamos torcer. – o ruivo disse tentando manter a calma.
Logo que adentramos o hospital encontramos os pais de Ally perplexos, o Sr. Dawson não conseguia nem se consolar para poder assim consolar a esposa. Aquilo havia me deixado extremamente atordoado, o que ela tinha? O que estava acontecendo? Meu coração saltava pela boca e enfim eu tive a coragem de perguntar.
- O que aconteceu? – disse sentindo o nervosismo se apoderar de meus corpo.
- Os exames saíram... minha filha está doente Austin. – a sra. Dawson se jogou em meus braços e eu a abracei, meus olhos não piscavam. Estava tentando processar quando ouvi mais uma voz.
- Ela tem leucemia. – a voz do pai de ally adentrou meus ouvidos me fazendo derramar uma lágrima solitária.
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