Dreams
11 Capítulo 11
Notas iniciais
Ally
Me despedi de Austin e não pude deixar de me sentir verdadeiramente bem ao ouvir ele dizer que nos veríamos amanhã. Não acho que ele se sinta da mesma forma que eu, até porque o que eu sinto é meio diferente de tudo que já imaginei, não chega a ser amor afinal eu mal o conheço, mas é como um elo invisível que me liga a ele de um jeito que nem eu entendo e pra ser sincera não sei se isso é normal, de qualquer forma não importa porque eu gosto.
Caminhei em direção a Lindsay e lembrei de Trish, fazia um dia que nós não nos falávamos e pensei em ligar para ela no dia seguinte. Nossa amizade crescia a cada minuto que passávamos juntas, mesmo que ela me parecesse algumas vezes muito mais interessada em seu celular do que em qualquer outra coisa.
- Hey Linds. – eu disse com um sorriso ao me sentar a seu lado, ela me olhou decepcionada.
-O que foi? – perguntei confusa.
- E você ainda pergunta? Ally não acredito que estava com aquele esquisitão! Você sabe que ninguém anda com ele. – ela me reprendeu e eu não acreditei.
- Ele é uma boa pessoa, você não o conhece pra falar essas coisas. – me irritei.
- Por acaso você o conhece o suficiente pra dizer isso? Tenho certeza que não! E pelo amor de deus, ele anda com um capuz!! Não dá nem pra ver a cara dele direito, você quer mesmo acabar com sua reputação de popular né? – ela falava tão rapidamente que me dava dor de cabeça.
- Reputação de popular? Que saco Lindsay! Pouco me importo com isso, não vê a forma como Kira, Cassy e Dallas deram as costas pra mim? Eram eles que eu considerava como amigos e são eles os populares dessa escola. – despejei na cara dela, aquilo era inacreditável. Lindsay soltou uma risada pra mim.
- Acorda Ally! Suas aulas de piano e as líderes de torcida já eram se você continuar desse jeito, você sabe que tudo o que conquistou foi por causa da popularidade, sabe melhor do que eu. – ela disse e eu senti aquelas palavras me acertarem em cheio, como uma bala de um revolver.
- Eu... eu sou boa no que faço Lindsay! – foi tudo o que consegui dizer, estava arrasada.
Sair das líderes de torcida tudo bem, eu gosto, mas aguentaria. Agora deixar de dar minhas aulas de piano para as crianças carentes era demais, muito mais do que eu poderia suportar. Podia lembrar de quando Dallas pediu ao seu pai, diretor do colégio, que abrisse essas aulas pra mim na instituição carente que o colégio ajuda.
- Eu sei que é, nunca disse que não. Mas esse colégio é movido a status, você melhor do que eu sabe disso. – ela me interrompeu os pensamentos, eu assenti com a cabeça. Por pior que fosse Lindsay tinha razão.
- Mas depois de tudo o que aconteceu me surpreende que Dallas não tenha pedido ao pai para suspender essas aulas. – eu rebati e ela mais uma vez sorriu.
- Ally você foi eleita a garota mais bonita do colégio, Cassidy nem se quer conseguiu entrar nas líderes de torcida por conta própria! Você que deu um jeito de ela entrar, não duvide que você ainda não tenha saído da mira de Dallas. – ela despejou mais uma vez me acertando com a verdade.
- Ridiculo, isso é o que ele é. – disse sentindo meus punhos fecharem, a raiva subia ao lembrar dele aos beijos com Cassidy. Por mais arrogante que ele fosse era meu namorado e por incrível que pareça eu gostava dele.
- Olha Ally, não adianta! Eu sei que ele fez merda, mas você precisa deixar isso de lado e viver sua vida. – ela me olhou passando de leve seu braço por meus ombros, eu deixei me envolver pelo seu consolo.
O torneio terminou, o amigo do Austin era realmente muito bom, mas não ganhou e logo Vitor anunciou a festa que teria em sua casa de praia por conta da vitória. Ia me despedir de Lindsay, mas ela me olhou assustada.
- Não acredito que você não vai a festa Ally. – ela me repreendeu.
- Linds, o pessoal vai estar lá! O Vitor anda com Dallas e afins. – fiz uma careta ao pronunciar tal nome.
- Isso não implica em nada, o Vitor acha você super legal. – ela sorriu me puxando pelo braço e tentando me convencer de que aquela era uma boa ideia.
Eu tentei dizer que não ia, mas ela não me deixou voltar pra casa e quando me dei conta estava em uma casa muito luxuosa na beira da praia e a festa? IMPECAVEL. Parecia até que ele já estava esperando ganhar o campeonato, porque tudo estava preparado.
Fiquei conversando com Lindsay enquanto dançávamos um pouco, a iluminação era meio apagada e tinham várias luzes coloridas e gelo seco, comida e bebida à vontade. De repente Cassidy passou por mim dando um super empurrão, eu fiz uma careta, mas preferi não brigar.
- Ah me desculpa, não te vi ai! – ela levou a mão à boca como se estivesse realmente preocupada por ter me empurrado, sendo que ambos sabíamos que aquilo havia sido de propósito.
- Acho que deve ser porque você está ficando invisível, isso que dá ficar andando com gente esquisita. – ela cuspiu a provocação quando viu que eu não iria responder, logo depois deu uma risadinha pra mim. Ela estava falando de Austin!
- Dobre sua língua pra falar dele, Vadia! – gritei incontrolável, Austin não tinha nada a ver com esse meio de cobras e eu não iria deixar que ela o envolvesse no meio dessa sujeirada.
- Coitadinha, daqui a pouco vai usar um capuz também. – ela gargalhou me deixando pra trás com Lindsay na pista de dança.
- Que ódio, vou matar aquela desgraçada! – eu esbravejei indo em direção à loira, mas alguém me puxou pela cintura e eu achei que talvez fosse Lindsay.
- Calma linda, ela não vale a pena! Desculpa amor. – ouvi enquanto as mãos me envolviam e me viravam para frente e enfim vi quem estava me segurando.
- Dallas? Cai fora, não tem meu amor nenhum. – gritei irritada, enquanto Lindsay estava logo atrás perplexa.
- Deixa dessa Ally, eu errei e você errou, mas agora já passou. – ele dizia tentando me convencer, seu hálito era de álcool.
- Eu errei MESMO, errei quando um dia namorei você. – despejei as palavras e me desvencilhei da tensão de suas mãos. Ele tentou me puxar, mas eu sai furiosa.
Larguei tudo de lado e peguei o primeiro copo de bebida que encontrei, deixei que o gole descesse garganta a baixo queimando e logo notei o gosto puro da tequila. Passei a beber, bebia tanto que já não sabia quantas doses havia tomado. Eu nunca fui de beber desse jeito, mas a situação pedia, não dava pra acreditar no que Dallas havia feito, por algum acaso ele acha que pode fazer o que quiser comigo? Que sou o brinquedinho dele? Cada vez mais me sentia furiosa, logo não notava mais nem onde estava pisando e nem com quem conversava. Sai andando sem rumo por ai, apenas com meu copo de Tequila.
Andava no escuro, apenas umas luzes distantes iluminavam um pouco do caminho foi quando de repente notei alguém deitado, Austin?
Austin
Cada minuto que passava intensificava a minha dúvida, o que fazer com a garota? Deveria beija-la? Eu tentava com todas as forças me segurar para decidir o certo a fazer, mas nessas circunstâncias era quase impossível pensar. Eu queria mais que tudo sentir aquela sensação, então pensei que o que aconteceu essa noite já era errado demais, logo que mal faria um beijo? Sorri com a possibilidade e a coragem se formou dentro de mim.
Me ajoelhei sem desprender meus olhos dela, mais precisamente de sua boca delineada. Abaixei meu rosto em direção ao da garota, encostei levemente minhas mãos em sua nuca e fechei meus olhos me entregando ao momento.
Logo que meus lábios se uniram aos dela senti as faíscas tomarem conta de mim, a sensação era inexplicável e ao mesmo tempo que me deixava louco me doía pensar que talvez nunca voltasse a acontecer, então pressionei com mais força nossos lábios para me despedir daquele toque.
Terminei meus gesto lentamente e a olhei com carinho, ela dormia como um anjo e eu percebi que ela jamais lembraria dessa noite e eu seria apenas um borrão em sua mente assim como ela um dia foi em meus sonhos.
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