Dreaming Again
11 Capitulo 10 - One And The Same
Notas iniciais
Sexta-feira somos bacanas
Segunda estamos malucas
Às vezes você faz as regras
Às vezes você sequer pensa
Mas podemos sair e dar risada
Certo, essa coisa de Romeu e Julieta não é tão ruim quanto pensei. É pior! Terei de gastar tempo da minha vida nisso, além de que terei de beijar o Mellark. Não é como se ele fosse feio, me odeio por pensar assim, mas ele não é. O problema é que ele é chato. Numa escala das pessoas mais irritantes do mundo, não são muitas pessoas que o vencem, mas uma certeza eu tenho, a diretora Coin conseguiu chegar ao topo facilmente. Agora, entendo completamente o fato dos alunos chamarem-na de Coin, a bruxa sem alma. Ela não se compadece do meu sofrimento por ser obrigada a participar desse teatro fuleiro, e ainda quer me obrigar a dedicar meu tempo nisso. Fora que fui muito zoada por isso. Gale ri de mim a todo instante, afinal, não foram poucos os momentos em que debochei dele sobre suas declarações para Madge. Aliás, tenho de falar com ele.
— Gaaale! — Saio gritando-o pela casa. — Gaale.
— O que foi? — responde gritando de alguma localização não identificada.
— Onde você está? — grito de volta.
— Na cozinha. — responde por fim. Desço as escadas apressadamente até chegar na cozinha e encontra-lo sentado, tomando café.
— Gale, maninho querido.
— O que você quer?
— Nossa, quem olha assim, pensa que sou interesseira e nada amorosa. — resmungo com falsa mágoa. — Chamei as meninas para dormir aqui de sexta para sábado.
— Certo, e o que eu tenho a ver com isto?
— Bem, você é namorado de uma delas, e vocês tem uma relação muito pegajosa.
— Pegajosa como a de Romeu e Julieta? — questiona tentando fazer uma piadinha.
— Essa nem teve graça, aliás, nenhuma teve, Gale. Mas, prosseguindo, teria como você se retirar da casa para não atrapalhar minha noite?
— Deixa eu ver se entendi o que você falou. Está me expulsando da minha própria casa? — questiona, esperando que eu negue veemente.
— Não estou te expulsando, estou pedindo para que saia.
— Na sexta, certo?
— Sim, amanhã.
— Ah, não vai dar, Kat, na realidade, você vai ter de cancelar sua noite das garotas.
— O quê? Por quê?
— Eu chamei os garotos para aproveitarmos a nova reforma da sala de jogos.
— Você tá brincando comigo, não é? Depois que me irritar muito, vai sorrir como se tudo fosse uma piada muito engraçada, e dizer que vai dormir na casa do Finn, ou talvez na casa dos Mellarks.
— Não, Kat, não é uma brincadeira. Será a noite dos garotos amanhã.
— Mas, Gale, você já deve ter feito isso mil vezes. É meu dia, é o dia das garotas.
— Nem vem, Katniss, eu já chamei os caras para vir, não adianta falar que é sua noite, porque não é.
— Mas, Gale...
— Qual o problema aqui? — Meu pai chega questionando, irritado pelo show que Gale e eu estamos protagonizando.
— Eu chamei as garotas para virem passar uma noite comigo aqui, e Gale cismou de chamar os amigos dele também. — narro irritada, esperando que meu pai faça algo.
— Certo, isso é um fato, agora qual é o problema?
— O problema é que Katniss não entende que amanhã é a noite dos garotos.
— Vocês são crescidos, conseguem trazer seus amigos e conviver como pessoas civilizadas, até porque, sã todos amigos entre si. Deixem de ser sexistas. — Meu pai reclama, mas assim que termina de falar, arregala os olhos, preocupado com algo. — Amanhã? — Assentimos. — Que saco, eu estava planejando um encontro com a Mary amanhã, afinal, é nosso aniversário de namoro.
— E qual o problema?
— Eu não posso deixar todos vocês aqui, sozinhos.
— Qual é o problema? — questiono. — Somos todos adultos, ou quase adultos, quando o senhor chegar a casa ainda estará inteira.
— Eu não sei, deixar você é Gale é uma coisa, convidar seus amigos para cá... Não sei se é seguro.
— Pai, já somos todos 'grandinhos', para que tanto medo? — Gale retruca.
— Se você não se lembra, senhor grandinho, a última vez que deixei você e seus amigos sozinhos, quando eu cheguei a casa estava uma baderna.
— Pode deixar na minha responsabilidade. — retruco sem nem mesmo acreditar que estou fazendo isso.
— E o que te faz acreditar que é muito mais responsável que seu irmão?
— Bem, eu passei quase cinco anos morando 'sozinha'. Nunca ingeri drogas, não entrei em coma alcoólico, nunca engravidei, nem entrei em altas dívidas e minhas notas são as melhores. Mais alguma coisa? — Quando termino de falar, meu pai passa um tempo apenas observando, olho de Gale para mim, de mim para ele novamente.
— Tudo bem, confio em você.
— Por que confia nela e não em mim? — Gale choraminga como um crianção.
— Talvez, porque ela esteja merecendo mais confiança que você. — Meu pai responde ao nível certo. E eu mando meu olhar triunfante para Gale, meu famoso olhar “Olha, quem venceu de novo? Eu!”, e ele apenas revira os olhos.
— Então, se eu estou no comando...
— Não, Katniss, não é porque você é a responsável que vai poder chutar Gale e seus amigos para fora de casa.
— Tudo bem, tudo bem. Então, chame seus ‘amiguinhos’, Gale. — resmungo saindo da cozinha.
***
— Ah, para, Annie. Chega de choramingar, sim? — peço já cansada. Posso parecer uma péssima amiga, mas desde o começo da noite ela está choramingando, Madge já fugiu para unir aos garotos, Clove fingiu que ia tomar um gole de suco e não voltou mais, e aqui estou eu escutando Annie falar sobre essa coisa de fim de relacionamento. — Pare de chorar pelo leite derramado, vá no armazém, compre mais e seja feliz.
— Eu realmente não entendia metáfora. — Franze o cenho em dúvida.
— Olha, sei que você acabou de terminar um relacionamento e que arrumar outra tão rápido não é ideal, mas... — Dou de ombros, sem saber exatamente o que dizer. — Bem, eu posso amar a Inglaterra, mas a Califórnia é, sem dúvidas, o melhor lugar para se encontras caras gatos, musculosos, sem camisa — Conto nos dedos. —, e que sabem surfar. E você não é bonita, Annie, você é linda em dez segundos arruma um cara melhor que aquele babaca. — Mando uma piscadela por fim.
— Você acha que isso vai dar certo? E se eu me magoar?
— Vai dar tudo certo, ruiva! — Tento acalma-la.
— Mas, e se não der certo?
— Eu te ajudo a catar os caquinhos.
— Ajuda mesmo? — Ergue seus olhos verdes de ‘gato do Shrek’ para mim.
— Cada um deles! — garanto. — Agora, vamos descer, temos alguns garotos para atazanar e uma noite para nos divertir. — Ela olha para mim e sorri mais que agradecida.
— Vamos lá. — confirma. Descemos as escadas rapidamente, e logo encontramos todo mundo na sala de jogos, rindo alto e se divertindo. Gale jogando sinuca com Finnick, enquanto do outro lado da sala Peeta, Madge Cato e Clove estão jogando Pebolim, um homem e uma mulher em cada time. Decidimos nos aproximar do último grupo, cutuco Clove na coluna e estreito os olhos para ela.
— Suco demorado, hein, Clove? — ironizo e ela sorri amarelo.
— Me desculpa, mas eu não estava aguentando mais. — Revira os olhos. — Alias, como conseguiu dar fim a todo o chororô?
— Eu fiz uma promessa. — conto. — Uma promessa que estou disposta a cumprir.
— Então, Katze — Peeta me chama. —, você adora desafios, não? — questiona e eu apenas assinto. — Que tal um desafio? — Estreito os olhos em direção a ele, temendo esse desafio. Bem, estamos em uma sala de jogos, acredito que o desafio tenha algo haver com isto.
— Diga-me.
— Que tal um desafio no pebolim? — convida.
— O quê? Pebolim? Não, obrigada. — recuso de imediato, temerosa. Existem algumas coisas que posso ser considerada ‘boa’, natação, consolar, ajudar, atuar, mas pebolim? Sou horrível, consigo ser ainda pior que no futebol físico.
— Dispensando um desafio, Katze, está com medo? — debocha, fazendo-me ranger os dentes. Odeio ser considerada 'covarde’.
— Eu apenas não desejo um desafio neste momento, não covarde. — grunho irritada.
— Uou! Não te chamei de covarde, foi apenas uma brincadeirinha, não precisa me matar. — Ele sorri debochado. — Vamos nos divertir como pessoas civilizadas, sem desafios, mas você irá jogar conosco. — Reviro os olhos, mas assinto.
— O que eu tenho de fazer? — questiono contrariada.
— Simples, você está no meu time. — me posiciono ao lado dele. — Não tem que fazer muita coisa, vou deixar você que o goleiro, tudo bem? — assinto. — Então, tem apenas de evitar que os adversários, no caso Cato e Clove façam gols.
Logo o jogo começa, e eu entro em desespero. Eles giram a barra de jogadores com força e sem controle, o que me deixa atônita, a bola batendo de um lugar para o outro, esse jogo não tem logica, não tem como calcular um ângulo ou algo do tipo. A bola se aproxima do meu goleiro e eu o giro calmamente, fazendo com que acidentalmente, a bola entre no gol. Droga! Gol contra.
Todos ignoram meu gol contra, Peeta apenas olha para mim e sorri. Mais uma rodada, dessa vez, observo a bola mais atentamente, sem desviar os olhos dela por nenhum segundo. Peeta chuta, Cato devolve, Clove, Peeta, a bola vem na minha direção, é minha hora. Gol! A bola passou direto. Depois de mais algumas rodadas, Peeta fazer alguns gols e eu sofrer muitos, ninguém aguenta mais.
— Só uma dúvida. — Peeta chama minha atenção. — Você sabe que tem de chutar a bola para longe do gol, certo?
— Sei, Peeta, eu sei. — Reviro os olhos.
— Então, faça isso, por favor.
Após um tempo, Cato e Clove se cansam, Madge e Gale passam a jogar conosco, e mesmo assim, não consigo parar de perder.
— Eu cansei. — Gale confessa, e todos concordam. — A Kat é horrível no pebolim e ponto, não vamos conseguir mudar isso. Mas, podemos aproveitar o resto da noite.
— Eu tô com o Gale. — Cato retrucou. Todos olharam para mim que dei de ombros.
— O que vamos fazer? Isso é realmente uma droga, detesto ficar girando essa coisinha aqui. — resmungo.
— Hum... Que tal jogarmos algo? — Finn sugere.
— Mais jogos? — Madge revira as orbes verdes.
— Não qualquer jogo, verdade ou desafio. — Finnick completa e nos entreolhamos, questionando uns aos outros se esta é uma boa ideia, mas por fim damos de ombros.
Nos reunimos no meio da sala, e Gale pega uma garrafa para brincarmos, coloca-a no centro e gira. Finnick pergunta par Madge.
— Verdade ou desafio? — questiona.
— Verdade, sem dúvidas.
— O que você viu no Gale? Ele é feio, chato, canta mal e é de exatas. Exatas, quão chatas são as pessoas de exatas?
— Primeiro, você errou tudo. O Gale é lindo, incrível, e tá, ele realmente canta mal, mas continua sendo incrível. — declara-se Madge, com os brilhando. Eu olho para Annie que está ao meu lado, e ao mesmo tempo fingimos colocar o dedo na garganta. — Segundo, você é de Biológicas, cale a boca.
Assim que Madge termina de zoar com Finn, que realmente calou a boca, ela gira a garrafa. Annie pergunta para mim.
— Verdade ou desafio?
— Verdade.
— Ótimo, finalmente saberei as coisas que você esconde. — fala dando uma risada maléfica. — Como foi seu primeiro beijo?
— Hum... O que acontece se eu não quiser falar?
— Eu te obrigo a falar. — Dá de ombros, despreocupada.
— Eu tinha 14 anos, ele 16. Eu imaginava que ele beijava bem, mas na realidade, ele beijava muito mal, e eu não sabia o que fazer. O beijo foi horrível, muito molhado. — conto meio sem jeito, fazendo todos rirem.
— Ai, meu Deus! Agora entendo porque você não gosta de nos contar seus ‘segredos’. — Clove zoa.
— Parem! — peço, sentindo que em pouco tempo ficaria vermelha se não calassem a boca. — Estou ficando envergonhada.
— Essa é intenção, irmãzinha. — Ri Gale, eu apenas ignoro e giro a garrafa.
Após muitas rodadas e muitas risadas, todo mundo começou a reclamar que ninguém escolhia desafio. Quanta hipocrisia, reclamavam, mas não pediam. Por fim, quando é a vez de Cato perguntar para mim decido.
— Sei que vou me arrepender, mas quero desafio.
— Perfeito. — Ele sorri maléfico, me fazendo temer. — Te desafio a aceitar ter um encontro com meu irmão.
— Mas, ele não chamou para um encontro. — Sorrio nervosa.
— Esse é o problema? — questiona Peeta, e eu mexo a cabeça, tão atônita que faço que sim e não ao mesmo tempo. — Tudo bem. — Se aproxima de mim e sorri torto em minha direção. — Oh, Katze, querida, aceita ter um incrível encontro comigo no sábado que vem?
— E-Eu... — gagueja querendo negar, obviamente, olho na direção de Cato que dá um sorriso maléfico, como se gostasse de ver a desgraça pela qual a humanidade tem de passar. — Eu aceito. — resmungo.
— Não se chateie, Katze, esse será o melhor encontro da sua vida. Lembro-me que no dia que chegou, reclamou que os londrinos só te levavam à London Eye, ter quase namorado um alemão nazista e os franceses serem muito românticos. Para sua sorte, não vou te levar à London Eye, não sou neonazista, e prometo evitar ser romântico. Traduzindo, sou todos seus sonhos em único cara. Seu Romeu.
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