Dreamers
3 Abandonada
Notas iniciais
Ele atravessou a rua olhando de um lado para o outro a procura se a barra estava limpa. E veio na minha direção, Maggie se afastou um pouco de mim.
Ele me lançou um beijo que fiquei sem folego na hora.
– Oi. – Disse ainda recuperando a respiração.
– Temos que conversar. – Ele comentou com a voz mais grossa que ele tinha.
– Agora?
– Sim, e importante, e também não tenho tempo para conversa longa.
Conversa longa? Era isso que ele me disse que não tem tempo. Varias coisas passaram na minha cabeça, se que ele tinha ficado bravo por eu ter inventado uma falsa doença para não ir à festa do colégio com ele, mais como ele soube disso.
– Maggie, teria problema se você voltasse pra casa sozinha?
– Não. – Ela comentou irritada.
– Empresta o carro para ela. – James disse antes mesmo de eu dar a resposta a Maggie.
O que ele realmente queria comigo?
– Porque eu deveria fazer isso?
– Ela e sua e amiga e também eu estou de carro e vou te levar a um lugar.
Eu estava completamente confusa com essa história toda. Dei as chaves para Maggie, ela pulou de alegria e me abraçou agradecendo.
– Você vem? – Gritou ele do outro lado da rua me esperando.
Parti ate o carro luxuoso de James.
– Aonde vamos?
– Não posso falar.
– Como assim não pode falar. – Comentei irritada.
– Relaxa meu bem.
Não estava bem nesse momento, fiquei mais confusa ainda, ele querendo me levar a um lugar secreto, e ainda por cima ter uma conversa não muito “demorada”. Então porque queria me levar a um lugar ao invés de falar logo na lata e acabar de vez com esse mistério. Já estava irritada com esses pensamentos.
James pegou seu óculos que combinavam certinho com sua jaqueta de couro. Ligou o radio ao som de Rolling Stones. A banda preferida dele, então ele acelerou o carro e saiu em disparado. O vento batia forte em seus cabelos castanhos, parecia que ele estava em um desses comerciais de creme para cabelos.
A viagem demorou mais do que eu esperava, quarenta e sete minutos certinho. James parou o carro, ainda no meio da estrada vazia, a paisagem do lugar era linda, floresta ao redor da estrada, o cheiro de chuva recente ainda pairava no ar. Nunca tinha ido ali, era simplesmente deserto o lugar, som de grilos e outros insetos tomavam conta do local.
Estávamos em silencio. James ainda estava com as mãos no volante, estava sem nenhuma expressão. Mais seus olhos claros estavam cansados. Ele estava pensando.
– Então. – Disse enxotando o silencio que corria entre nós.
– O que temos que conversar?
Ele olhou pra mim, sua expressão no olhar mudou radicalmente, ele estava triste.
– Eu vou embora. – Disse na lata.
Antes mesmo deu eu abrir a boca para comentar o fato ele completou.
– E você não pode fazer nada para me impedir.
– Você poderia me falar o que esta acontecendo? – Disse com a voz tremula.
– Sinceramente, não.
Seus olhos correram aos meus em desespero, James estava me olhando com expressão que nunca tinha visto nele, o clima estava frio e úmido. Ficamos em silencio por alguns instantes.
–James. -Finalmente quebrei o silêncio que corria entre-nos.
Depois de ficar fitando o volante por um bom tempo, seus olhos correram aos meus.
–Sim. Ele respondeu baixo.
–O que esta acontecendo? -Falei, mas saiu mais alto do que deveria.
–Desça do carro. -Ele ordenou.
– O que você esta fazendo comigo? -Minha voz estava fraca e oca.
– E isso que você ouviu, desça agora.
Meu coração ficou acelerado, minhas mãos estavam tremulas, meus olhos lagrimejaram. Isso mesmo James estava me mandando embora, sem da a menos explicação do fato. Ele estava terminando comigo.
–E isso que você quer fazer mesmo ne?
–Você me ouviu muito bem Amber, desça do carro agora. -Ele gritou.
–Tudo bem, eu vou sair, e fique com essa droga de anel.
Joguei o anel que ele tinha me dado de presente. Dois anos de namoro, como ele disse era um anel que significava muito pra ele, mais agora pra mim não passa de um lixo que usei achando que ele significava muito a mim.
Abri a porta do carro, o vento invadiu o carro fazendo meu cabelo muito bem arrumado saísse do lugar e ficar totalmente bagunçado. Muito pouco de eu ter posto os pés ao asfalto da estrada, James arrancou o carro quase me levando junto.
Agora imagine minha situação, sendo dispensada pelo próprio namorado, ou quer dizer "EX", sem da às queridas explicações, sozinha numa estrada rodeada de uma floresta que nunca tinha visto na minha cidade, e também muito, muito longe de casa. Ir seguindo a estrada seria bem complicado pra mim, mesmo sabendo que iria acabar com os músculos do meu corpo, decidi não seguir a estrada que James veio até aqui.
Desci um morro de terra úmida que havia, passei por uma poça de lama que por incrível que pareça acabei caindo nela. DROGA! Levantei, estava ensopada, minha bolsa pingava, e meu celular estava lá, já era ligação por socorro, sim, era o pior dia da minha vida. Olhei no meu relógio que ainda estava funcionando 16h58min. Ia escurecer logo e teria que arrumar um lugar para ficar, estava muito frio e ainda por cima ensopada por lama, meu cabelo que a uns cinco minutos atrás estava limpo e cheirando meu shampoo preferido, agora esta um nojo.
Corri ate a floresta, sei que e um risco, pois não sei o que encontrar nesse lugar a noite. Depois de varias horas andando, meu corpo estava dolorido, o sol já tinha se posto ao seu lugar e a Lua cheia já tinha tomado o seu lugar.
–Eu poderia subir e uma dessas arvores, e ficar ate ao amanhecer. -Disse a mim mesma.
Então comecei a subir, pus o pé direito e depois o esquerdo e as mãos sempre apoiando aos galhos. Não teria feito tudo disso graças ao meu pai que me inscreveu num curso para ser escoteira nos finais de semana quando eu tinha sete anos. Mais depois de ter caído num barranco e quebrado à perna, e meu pai me tirou com medo de eu quebrar mais um osso.
Consegui subir a arvore, era bem alta e um grande risco de eu cair seria inevitável. Barulhos de animais e insetos invadiam o silencio do local.
–Amber.
Acordei assustada, senti uma presença de alguém sussurrando meu nome. Era uma voz de uma mulher.
–Quem esta ai? -Gritei.
Sem resposta, talvez fosse minha imaginação.
–Querida venha até a mim, minha filha.
Era a voz da minha mãe, dessa vez não era imaginação eu realmente a ouvi, desci rapidamente da arvore, mais por uma distração vi um vulto bem a frente de mim. Desiquilibrei e cai. A dor era insuportável, não sentia meu braço e ele sangrava e minhas costas doíam muito.
Fale com o autor