Dream Ailes

1 Prólogo - Mensageiros e Aldeões


Notas iniciais
Ficou longo, sim. Realmente, um prólogo é curto como uma sinópse de um livro, mas este ficou do tamanho de um capítulo inteiro. Não me levem a mal, mas eu queria ter detalhado mais, só pude cortar a empolgação quando percebi o tamanho do negócio. e_e'

Estavam bebendo canecões de cerveja. Riam. Riam sem parar; riam até suas barrigas doerem. Os rostos corados denunciavam o exceço da bebida amarga. A menina de longos cabelos castanho-escuros era a única que permanecia em silêncio, afinal, Tomoyo sempre foi a mais sensata de todos eles. Seu irmão, Sebastian, que possuía cabelos levemente mais escuros do que o dela, aproximou-se.

- Não vai beber nada, irmãzinha? — perguntou ele, notanto que nenhuma gota estava fora do lugar na caneca da mais nova.

- Absolutamente. Sabe que sou contra o fato de menores ingerirem bebida álcoolica, irmão.

O homem riu.

- Qual é a das palavras difíceis, moçinha? Antes de sairmos de casa, mamãe disse pra você falar assim?

- É... Eu acho. Bom, simplificando, não quero beber.

Ele apenas assentiu, ainda rindo. Virou de costas enquanto afastava-se. A menina girava a caneca em círculos para ver o líquido amarelado se mover dentro do recipiente. Ergueu a cabeça para que pudesse fitar a lua resplandecida através da janela de madeira escura. A gargantilha de renda negra presa a um laço bege-escuro encomodava-a, era pesada e levava consigo um pequeno pingente. Sua roupa era demasiadamente detalhada, mas cobria-se com uma capa velha e surrada. Recordou-se das palavras de sua mãe, e das palavras dos pais de seus amigos antes de partirem.

\'\'Cuidem-se\", disseram eles, \"Podem ser mensageiros de Deus, mas não queremos que se sacrifiquem, e nem que sacrifiquem outras pessoas\". Pessoas especiais, eram eles. Presenteados com dons jamais vistos, dados por um único e celestial ser. Todos eles poderiam domesticar os quatro elementos mais importantes, mas não Tomoyo. A garota poderia controlar tudo e todos, além de poder realizar mutações corporais. Nomeada de demônio chave, Tomoyo partiu com seus amigos em uma jornada para testar a crença pública.

Como era difícil, sua missão. Partir abrindo mão de todos, deixando tudo para trás. Indo pelo caminho sem volta da morte e carnificina. Sim, aniquilariam todos aqueles que não acreditassem em seus poderes vindos do além. Essa era a consequência.

Acordou do trânse. A garota fitou o líquido por uma última vez, antes de bebê-lo num único gole. Jogou a caneca longe, paciência nunca fora uma de suas virtudes. Como era fraca para bebida, já havia sido tomada pela consistência amarelada. Subiu em cima da mêsa chamando a atenção de todos os ali presentes.

- Escutem! Somos demônios, eu e meus amigos. Demônios que condenarão a humanidade inteira!

Percebeu o exagero, mas palavras não podem ser detidas depois de serem pronunciadas. Um pequeno silêncio extendeu-se pelo recínto, mas o anúncio feito por ela foi respondido com um indiscreto levantar de canecas e, em seguida, a colisão delas. Os sons grotescos não mais seriam interrompidos, a noite era uma criança.

Tomoyo, por pouco, não caiu da mêsa. Seu salvador foi o demônio da água, Daniel. Pegou-a no colo e a levou para um dos quartos que haviam alugado para passar a noite. Deitou-a na cama e acariciou suas madeixas, enquanto fitava a expressão sonolenta. Se aproximou e beijou sua testa, o semblante anterior transformou-se em algo sorridente, e feliz. O garoto apenas sorriu de volta, e passou a noite a observar seu pelo e pálido rosto.

Não demorou muito a amanhecer, a noite que fora chamada de criança havia acabado. Tomoyo, Daniel, Sebastian, Tiriel e Fye agradeceram a hospitalidade, e partiram. Depois de uma longa caminhada traçada por um caminho inexistente, finalmente, depararam-se com uma nova aldeia.

Pelo que parecia, viajantes não eram muito comuns ali. Todos os aldeões reuniam-se, até que um aproximou-se de Tomoyo, que estava com o rosto coberto pelo capuz. Todos os cinco revelaram suas faces, sem medo, sem remórso. Aquele mesmo cidadão, levantou a voz.

- O que fazem cinco belos jovens em nossa aldeia? Falava com um sorriso no rosto, humildade no olhar. Tomoyo fitou tudo a sua volta, notou uma cruz sendo queimada públicamente. Eles provavelmente dariam trabalho. Estendeu os braços, um para cada lado. Suspirou grandiosamente enquanto gastava o fôlego com seus palavras.

- Oh, vós que fitai-nos! Percebeis que somos pobres e singelos viajantes. Agora, declaro a todos... — tomou mais fôlego, para que pudesse falar ainda mais alto. Por um momento, sentiu que poderia se arrepender pelas palavras que pronunciaria depois disso. — Somos enviados de Deus, somos guardiões elementais!

Rostos apavorados; crianças chorando e correndo para diversos lados. Pânico. Lágrimas. Gritos. Armas. Tomoyo abaixou os braços lentamente, com um semblante assustado e confuso. Uma lança foi jogada contra ela, a mesma somente desviou. O dia tornou-se noite em uma fração de segundos. O calor e a luminosidade das tochas contagiava os aldeões.

- Demônios! São demônios! Criaturas diabólicas que vieram somente para destruir a civilização que criamos com tanto pesar!

A garota mudou de face uma vez mais. Repulsa, nojo, raiva, era isso que demonstrava.

- Blasfémia! Mate-os! Mate os filhos do demônio! — diziam eles. — Vamos detê-los! Detê-los da mesma forma que detemos os outros.

Jogaram redes, redes gigantescas que facilmente prenderia qualquer ser vivo. Mesmo que todos usufruissem de seus respectivos elementos, Tiriel e Fye acabaram caindo na armadilha. Após isso, jogaram cacos de vidro quebrado, nada que os elementos deteriam. Inesperientes, era isso que eram. Inesperientes em sua missão impossível. Foram derrotados, presos em uma cela e postos sob tortura. Tiriel caia aos prantos por ter sido tão ingênua, e ter ido com eles.

Tomoyo e Daniel olhavam um dos guardas, enquanto Fye e Sebastian tentavam acalmar Tiriel.

- O que está pensando? — sussurrou Daniel, enquanto voltou seus olhos para a garota.

- Não irei ferir humanos, não irei decepcionar minha mãe. — falou ela, abaixando a cabeça. - Onde quer chegar? — perguntou ele, novamente. — Você disse que nossa missão era aniquilar qualquer um que se oposse!

Ele havia falado alto, alto demais.

- Ei! Você aí! — disse o guarda, ao se aproximar.

- Não chegue perto do meu irmãozão, seu monstro! — gritou Tiriel, enquanto chorava.

O Homem alto voltou-se para a menor, encrustou a lança que estava em suas mãos nela. A menina arregalou os olhos e, sem poder dizer nada, morreu. Daniel ficou sem palavras. Estático, pálido. Quando Fye foi tentar protestar, um outro guarda chegou mais perto. Girou seu pescoço, sem dó. Sem palavras, sem protestos.

- Ah, eles vão morrer uma hora ou outra mesmo, vamos acabar logo com isso. — falou o primeiro, num tom de deboche.

Retirou a espada da bainha, e fez um corte no tórax de Sebastian. Ele vomitou uma grande quantidade de sangue, mas, por pouco, ainda vivia. O rapaz de cabelos acinzentados ergueu a cabeça uma última vez, enquanto fitava o rosto horrorizado de Tomoyo.

- Mate os humanos, faça com que paguem por terem ridicularizado os Deuses. Faça com que recebam a fúria de nós mesmos.

E estas, foram suas palavras finais. Mais uma alma descia até o inferno. Sim, inferno. O único que merece o céu foi nomeado Deus, não há espaço para humanos pecadores entre as nuvens. A morte de seus três amigos havia sido rápida demais e, mesmo que odiasse admitir, não conseguiria impedir. Seu irmão, seu amigo, e a irmã daquele que amava tinham sido mortos bem na frente de seus olhos castanho-claros.

Lágrimas rolaram pelo rosto da garota, agora, com a cabeça baixa. Daniel estava não estático quanto ela, mas sentato o suficiente para ouvir um leve \'Morra\' ser dito aos sussurros dentre os dentres de Tomoyo. Ela apenas levantou a cabeça, enquanto as orbes arregaladas fitavam os guardas. Foi solta das correntes por seus poderes descontrolados. Matou. Matou. Matou. Era como um grande mergulho no lago da carnificina. Traiu as espectativas de seus familiares, mas realizou o desejo de seu único e falescido irmão. Daniel podia ouvir os gritos desesperados, a palavra \'demônio\' fora repetida contínuamente, várias vezes. Daniel, com um bocado de trabalho, pôde soltar-se das correntes que prendiam-no anteriormente. Saiu da cela em disparada, a procura de Tomoyo.

Horror. Era como se no chão tivesse sido extendido um grande e largo tapete vermelho no meio de um deserto inabitado. Finalmente a encontrou. A garota entrou num choro silêncioso, enquanto encostava a cabeça num dos ombros do rapaz. O mesmo, poi-se a acariciá-la.

Notas finais
Gostaram? Odiaram? Peço que deixem seus reviews, assim, poderei ir melhorando cada vez mais.