Dread Of The Grave.

4 Só mais um dia


Cap 1 — d- Só mais um dia.

Andava sozinha pelas ruas daquela maldita cidade destruída para passar o tempo, não sei bem o que havia ido fazer tão longe de casa, mas simplesmente senti que se eu ficasse em casa perderia um bom dia, me enganei. O céu estava meramente cinza escuro, coberto pela fumaça das fábricas e as ruas eram simplesmente encobertas pelos sons de batidas metálicas e barulhos de motores, esta maldita cidade industrial. Desde que houve uma nova guerra basicamente o mundo voltou a era industrial, graças a descoberta de novos minérios e da nova tecnologia bélica, sinceramente, ouço historias dos meus avós sobre como o mundo era antes, não vou dizer que tenho inveja, mas é um saco ter que chegar em casa toda a noite e ter que tomar um comprimido para a purificação dos pulmões e outro para não pegar um infecção com todas e merdas que devem existir nessa maldita fumaça.

Cheguei ao topo de uma colina onde decidi tirar a touca do meu casaco um pouco, deixar meus cabelos ao vento não era exatamente ruim, era refrescante, infelizmente eles perderam um pouco da cor devido a poluição do local, mas isso havia acontecido com todos que não tinham cabelos negros, mas francamente, gosto do meu cabelo assim. Usava um moletom grosso por cima de uma camisa regata velha, nas pernas tinha uma calça jeans meio rasgada, mas que era ridiculamente confortável, e de calçado, portava botas não muito cumpridas, só usava elas por que hoje estava milagrosamente frio.

Digo milagrosamente pois de alguma maneira, devia a poluição e a quantidade de gazes no ar, eles meio que abafam o lugar, deixando impossível do ar quente sair, logo, estaríamos dentro de um carro de janelas fechadas pelo resto da vida, mas por algum motivo, hoje estava realmente frio, devia estar ao menos -10©°. é a primeira vez na minha vida que vejo tal temperatura, mas estou um pouco feliz até, vivi no calor a minha vida inteira, é bom conhecer o frio.

Ouvi explosões um tanto quanto distantes na cidade, mas nem liguei, eram normais, afinal, não era estranho uma caldeira ou outra explodirem uma ou duas vezes ao dia, afinal, somos um pais industrial bem pobre. Mas ainda sim, lentamente comecei a descer a colina, pois não poderia ficar ali para sempre, minha mãe devia estar me esperando em casa, super preocupada, pois eu não sou do tipo que sai sozinha, muito menos sem um lugar específico para ir. Porém, enquanto eu voltava para as ruas da cidade, algo de estranho acontecia, sei que ainda estava na favela, tenho certeza, mas não haviam mais barracos, nada, haviam algumas pilhas de madeira no chão, seguidas de algum pó preto próximo delas, mas resolvi ignorar, aquilo era muito estranho para mim, segurei meu colar com um pendante de dragão por um segundo e depois continuei meu caminho, esperando chegar em casa logo, pois um calafrio subia pela minha espinha a cada passo.

Após alguns instante me via correndo, os calafrios não paravam, já estava dentro da cidade, mas sabia, tinha algo me seguindo, tentava despistar ele sem olhar para trás, estava com medo de olhar para trás, então comecei a entrar em vários cantos diferentes da cidade, porém, não chegava a lugar algum, não via o bar, nem a padaria, não encontrava nenhum dos lugares que eu ia normalmente, mas no fim, de alguma maneira encontrei minha casa, logo atrás da igreja, então, correndo desesperadamente entrei lá dentro, respirando bruscamente.

-Mãe!! Tá em casa?! — Falei num tom quase desesperado.

Lentamente via uma silhueta vinda da cozinha, reconheci de longe nela os cabelos longos de minha mãe, olhando em minha direção, mas estava escuro, não reconheci sua expressão.

-Você sumiu filha! Onde foi? Venha aqui, quero te ver! — Falou gentilmente.

Andei com um sorriso até a minha mãe, porém, quando estava a um passo de distancia de conseguir ver seu rosto, tentei hesitar, pois novamente tive um calafrio, porém, infelizmente não consegui, e gritei, muito, não chorei pois estava com medo do que via, minha mãe, que vivia sempre comigo, estava completamente desfigurada, seu rosto macio e gentil havia se tornado uma massa de carne e pele queimada, seus olhos eram substituídos por dois buracos negros e profundos, e seus cabelos longos que eu tanto conseguia relacionar com os meus próprios, havia se tornado nada mais que fios carbonizados. Após a imagem ter cido gravada em minha mente, comecei a correr, tão rápido quanto pude, sai de casa, e voltei as ruas da cidade, ou pelo menos achei que teria voltado, pois quando sai, fui exposta novamente a paisagem da favela de onde eu havia começado a correr, e lentamente, senti algo estranho no ar, cheiro de álcool.

Porém, percebi tarde demais, quando me dei conta já estava em chamas, doía, muito, ridiculamente muito, porém não conseguia gritar, algo estranho não me deixava, porém, enquanto as chamas me envolviam, vi algo ao horizonte, não era humano, era um lobo branco, olhando diretamente para mim com olhos de cor rubi e no momento em que ele uivou, olhando para o céu, a paisagem a minha volta começa a trincar como vidro após ser acertado por uma pedra, e dessa vez me via novamente na favela, ainda queimada e destruída, porém, eu não pegava fogo e dessa vez eu conseguia ver quem havia feito tudo aquilo, era um....ser.... Alto, mais que dois metros de altura, seu corpo era quase humano, porém, este tinha no lugar das mãos e das pernas garras de dragão, assim como sua cabeça também era no formato de uma de dragão.

Estranhamente, não me senti ameaçada, pois, após o que aquele filho de uma puta havia me feito assistir, tudo o que eu queria era matar ele, não matar....Queria queimar ele, não deixar que nada sobrasse de sua existência maldita. Senti algo dentro de mim, queimando, mas o fogo dessa vez era próprio meu, sentia, era como um voz no meu colar, me chamando, ao mesmo tempo em que via aquele homem-lagarto vindo em minha direção, com paços lentos e sinistros, e eu simplesmente dando risada:

- Você me colocou num espaço diferente só pra poder me matar sem que visse essa sua cara? Existem pessoas com complexo de inferioridade, mas isso é ridículo, se você é um......Lagarto, vem me pegar aqui filho de uma puta!Falei com fogo nos olhos.

No mesmo instante em que o homem lagarto veio me atacar, segurei meu pendante, com firmeza e confiança, vi uma luz forte, e no instante seguinte, estava olhando para o céu, não a fumaça cinza, mas sim o céu, azul e claro, o lagarto havia sumido, boa parte da favela também, e agora havia um buraco no meio das nuvens cinzas, dando a visão do céu azul e original.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.