Harry estava deitado no sofá da sala dos Dursley assistindo televisão enquanto desfrutava de um prato de biscoitos recheados que achou no fundo da dispensa alheio a tudo. Fazia tanto tempo que o garoto não tinha um momento de descontração como aquele e por isso, acabou ficando bastante relaxado tanto que não percebeu o carro estacionando na frente da casa dos tios. Na realidade, Harry só percebeu que seus tios haviam chegado quando ao olhar para a porta, os viu parados olhando em sua direção. No susto, Harry se levanta do sofá fazendo o prato com os biscoitos voarem pela sala onde o prato foi quebrado e os biscoitos sujaram o tapete que tia Petúnia adorava.

— Eu… é… me perdoe… – Harry se embaralhou com as palavras enquanto se desculpava. Ele sabia que seria castigado e se tivesse sorte, só ficaria sem jantar até os 40 anos.

Harry ficou parado na sala por mais alguns minutos e então estranhou. Os gritos não vieram. O garoto olha para os tios com mais atenção e percebem que desde quando haviam entrado eles não se moveram mais, ficaram estáticos no mesmo local com os olhos virados para a frente sem focar em nada em especial. Harry fica sem entender o que estava acontecendo, talvez a audácia do garoto foi tamanha que os tios entraram em estado de choque. Quando Harry ia se aproximar para ver se seus tios estavam bem, eles andam de maneira coordenada até o sofá e sentam e ficam olhando para a frente da mesma maneira de quando estavam em pé. Harry estava cada vez mais confuso mais pela ausência dos gritos do que pela atitude dos tios, se bem que uma coisa tinha a ver com a outra então as coisas estranhas só foram se acumulando. Harry decide aproveitar este momento de sorte para fechar a porta que eles deixaram aberta e depois desaparecer em seu quarto pelos próximos dois dias no mínimo. Porém, quando se aproximou da porta um casal adentrou por ela, o que fez Harry dar alguns passos para trás. Ele olhou os dois invasores e eles estavam vestindo capas pretas com um capuz que lhe cobria o rosto. O mais alto ficou diante de Harry enquanto o outro foi para a porta a fechando com uma delicadeza que não combinava com o momento. Logo o visitante a frente tira o capuz e revela um homem bonito, ele não sabia dizer a idade que tinha mas aparentava ser muitos anos mais jovem que seu tio. Seus cabelos eram desgrenhados e até lembravam um pouco os cabelos de Harry, usava óculos de armação simples e tinha olhos claros mas expressivos. Harry sentiu uma batida de seu coração falhar ao olhar o homem, ele parecia estranhamente familiar mesmo nunca o tendo visto antes.

— Boa noite fil… – o homem começou a falar algo mas foi bruscamente interrompido pelo outro visitante, ou melhor, outra visitante pois foi quando ela abraçou Harry que ele se tocou que se tratava de uma mulher. Não conseguiu ver suas feições assim como as do homem, mas seus cabelos ruivos ficaram bastante evidentes. Quando Harry ia falar algo, ele sente ela chorando em seus ombros onde as lágrimas quentes logo estavam caindo sobre ele. Ele ficou olhando para o homem sem entender e logo o homem fez um gesto que parecia que era para retribuir o abraço. Harry abraça a mulher um tanto cauteloso sorrindo amarelo para o homem que agora se sentava na poltrona favorita de seu tio.

— Me perdoe filho. – as palavras saem cortadas pela voz chorosa da mulher e Harry fica se questionando se havia escutado corretamente. — Me perdoe por tudo.

— Perdão? – Harry mais uma vez ficou confuso. – Porque está me pedindo perdão?

— Por tudo que eu te fiz, eu não queria, mas fui obrigada a agir assim. – ela se afasta um pouco e Harry finalmente pode ver a mulher. Ela era linda, seus traços delicados em soma com seu olhar firme mostravam que era uma mulher forte, mas ao focar em seus olhos ele percebe que já os havia visto, na verdade sempre que olhava no espelho ele via aqueles mesmos olhos e isso o deixa desconcertado por não compreender nada, por ninguém falar algo coerente e por sua tia não estar gritando pelo fato daquele homem estar com as botas sujas em seu tapete favorito. O olhar de Harry deve ter dito tudo o que sua alma estava gritando, pois a mulher limpa as lágrimas restantes e sorri para ele.

— Oi Harry, eu sou Lilian Potter e… – ela respira fundo. — Eu sou sua mãe.

— Mãe? – Harry repetiu a última frase da mulher a olhando incrédulo, seu olhar se desvia para o homem sentado no sofá que acena positivamente com a cabeça e quando volta a encarar Lilian eram seus olhos que estavam cheios de lágrimas e tinha plena certeza que ainda estava no sofá, só que estava dormindo e tendo o melhor sonho de todos.

Harry puxa Lilian a abraçando com urgência, um abraço que havia esperado quase 10 anos e agora enfim poderia ser dado. Tiago fica olhando para sua esposa e filho satisfeito, essa missão foi sem dúvida a missão mais desgastante de sua vida e duvidaria que alguma seria tão cruel aos seus olhos quanto esta. Ao olhar para o lado o homem se lembra que os Dursley ainda estavam ali, alheios a tudo sobre o efeito da maldição Imperius. Logo ele com leve aceno do rosto a família Dursley se levanta e caminha em direção ao antigo quarto de Harry. Quando essa guerra chegasse ao fim, esses trouxas vão sofrer muito por tudo o que haviam feito com o garoto. Eles tiveram que observar os primeiros 6 anos antes de usar polissuco para tomar o lugar deles. Durante esse tempo os Dursley foram os mais cruéis trouxas que Tiago já teve o desprazer de ver. Foram várias as vezes que Sírius teve que segurar ele e Lilian para não adentrar na casa deles e amaldiçoar aqueles bastardos.

— Pai? – Harry o chamou tirando-o de seu devaneio, ele se arruma na poltrona para olhar o garoto que estava próximo a ele. Sua mãe estava em pé atrás de Harry como se o encoraja-se.

— Faz tempo que esperava ouvir isso. – disse Tiago que bagunçou os cabelos já bagunçados de Harry e aquilo foi reconfortante para ambos.

— Mas… me disseram que vocês… – Harry não conseguiu completar a frase, como se tivesse medo de que o mundo houvesse errado e ao ouvir ele falar se lembrasse e retirasse seus pais novamente.

— Esqueça isso por enquanto filho. – Lilian o leva para o sofá sentando e puxando sua cabeça para seu colo onde ele se deita estranhamente confortável. — Teremos muito tempo para lhe explicar tudo com calma. – Lilian brincava com os cabelos do filho, Tiago senta ao lado da esposa a abraçando. – Por hora só descanse meu filho, pois não existe força neste mundo que vai me afastar de você novamente.

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— Mais uma vez estou em um quarto de hóspedes na mansão… – Lucius havia jogado um vaso raro e caríssimo contra a parede que se espatifou ao contato. — MINHA MANSÃO!

— Eu gostava deste vaso. – Narcisa estava sentada na cama lendo uma revista que havia sido trazida por Lilian, as mulheres começaram a compartilhar uma certa admiração por revistas trouxas e a quem ouse em dizer que parte dessa admiração de Narcisa era apenas para criticar aos ideais puros de seu marido que a cada dia dava a ela mais desgosto.

— QUE SE DANE A DROGA DO VASO… ELES NÃO PODEM FAZER ISSO NA MINHA MANSÃO! – Lucius se vira para a mulher que continuava impassível folheando a revista parando vez ou outra para ler algum artigo.

— Querido, não é para mim que deve destinar suas reclamações. – ela fecha a revista e finalmente olha para o marido. – Se está assim tão insatisfeito, deveria dizer ao Lorde que não o quer em sua preciosa mansão.

Narcisa sabia que Lucius era covarde e jamais iria desafiar a autoridade de Voldemort, ela achava engraçado suas atitudes quando estavam longe dos olhos dos demais e até mesmo o fato do marido ter medo de falar o nome do Lorde era risível. A mulher se levanta e caminha na direção do marido. Ela estava vestindo um robe sedutor preto que dava um contraste perfeito com sua pele alva. O tecido transparente não deixava nada para a imaginação.

— Que pena que não estamos em nosso quarto. – ela falava com a voz baixa o que obrigava o homem a não esboçar nenhuma reação. – Este quarto que estamos é tão frio que estou sendo forçada a vestir algo mais quente e isso é uma pena pois eu adorava a sensação da seda de nossos lençóis em minha pele.

— Sim… – Lucius olhava sua esposa com luxúria ele avança na direção dela, só que a mulher espalma as mãos em seu peito o impedindo de avançar.

— Irei dormir no quarto de Draco esta noite. – ela pega o roupão cobrindo o corpo e acabando com a esperança de um fim de noite agradável. – Espero que minha ausência o faça refletir sobre suas prioridades.

Quando Narcisa sai pela porta, leva todo o restante da calma de Lucius que só consegue dormir quando toda a mobília do quarto de hóspedes havia sido reduzida a pó.

Lucius despertou de mal humor descontando sua raiva e frustração em qualquer um que cruzasse o seu caminho. O Lorde havia saído logo após a reunião e até o momento ainda não havia retornado. Nunca lhe era passada nenhuma informação essencial. Tudo o que era passado para o bruxo era as informações que eram compartilhadas com todos. No começo Lucius se gabou para todos que podia que ele fazia parte dos comensais da morte e que havia tido o privilégio de ter sido marcado com a marca negra. Mesmo os Potters, aquele merdinha do Black e o lobisomem não foram marcados e por um breve momento ele se sentiu superior. Até perceber a relação que o Lorde tinha com eles, principalmente com aquela maldita sangue-ruim. O nojo que ele sentia sempre que aquela mulher pisava em sua mansão era insuportável. Sempre que as reuniões terminavam ele obrigava os elfos a limpar todos os cômodos por onde ela passou.

Lucius chega à sala de jantar para tomar o café da manhã e nota que era o único presente no cômodo. Quando Dobby se aproxima servindo o bruxo, ele pega o elfo pelo colarinho e o olha com todo o ódio que lhe transbordava.

— Onde… está… minha… mulher. – questiona Lucius pausadamente para o elfo.

— A madame saiu cedo senhor. – responde Dobby tremendo. – Ela levou o pequeno mestre para comprar seus materiais para Hogwarts.

Lucius larga o elfo e joga água nas mãos para limpar o contato que teve com o servo, consequentemente molhando o chão. Era para ele acompanhar a esposa, mas pelo visto os planos dela incluíam excluí-lo. Ele dá uma risada nasalada se levantando depois de perder o apetite.

— Limpe isso. – diz antes de sair a caminho de seu quarto. Ele havia chegado ao limite e precisava começar a tomar as rédeas de sua vida e para isso ele tinha um bom plano que se bem executado ele iria tirar seus rivais e ganhar as graças do Lorde como o seu servo mais leal.

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Harry desperta e por um breve momento ele teme abrir os olhos. O sonho que teve na noite anterior foi tão vívido que ele não queria mais fazer parte da realidade.

Não se sabe quanto tempo ele passou acordado de olhos fechados deitado desconfortavelmente naquele sofá, mas quando os abriu e se viu sozinho naquela sala, ele se sentiu solitário e com vontade de chorar. O garoto se senta e fica ainda um tempo refletindo olhando para aquele cômodo que parecia maior desde a noite anterior. Aparentemente seus tios ainda não haviam chegado, caso contrário eles teriam o enxotado do sofá como um animal sarnento e isso lhe deu raiva. Sempre se perguntou o porquê daquele tratamento tão ímpar para com ele. Ele não pediu para morar com os tios, não pediu para fazer parte da vida mesquinha e fútil deles. Ele não queria amor, carinho ou qualquer demonstração de afeto dos tios para com ele, ele queria simplesmente não sofrer por qualquer coisa mínima que acontecesse como se mágicamente fosse culpa dele. Ele só tinha malditos onze anos que ironicamente estavam sendo completados naquele dia e adivinha, seria mais um ano onde se tivesse sorte, não receberia uma surra de presente de aniversário. Injusto, tudo era injusto. Não sabia nem se aquela era realmente a aparência dos pais, pois nunca lhe foi mostrada nenhuma foto. Sentia raiva de seu pai por beber e dirigir, sentia raiva de sua mãe por não o repreender e morrer com ele em um acidente idiota, sentia raiva dos pais por deixarem ele sozinho naquele inferno de vida em uma merda de situação que se repitia dia após dia.

— EU ODEIO VOCÊS! – ele gritou no meio da sala jogando o prato que estava em sua frente na parede.

— Harry? – do caminho que dava para a cozinha ele olha e vê a mulher de seus sonhos o olhando preocupada. Ele sente raiva desse maldito sonho novamente, essa brincadeira feita por uma deidade superior sádica. Harry caminha na direção da mulher e quando estava para chegar nela ele pisa em um dos cacos da porcelana do prato que havia partido a pouco tempo. A dor faz ele parar e olhar o sangue que vertia de seu pé. A mulher se aproxima para ver seu ferimento e o toque quente dela apenas confirma sua suposição de que aquilo que ele estava vivendo era real, não era um maravilhoso sonho, tudo era real.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.