Dramione - Side Effect

73 Visão de Draco Malfoy: Não podíamos esperar mais


Notas iniciais
Oi gente! Tô viva... Por favor, sem maldições e azarações. Juro por Merlim que estou escrevendo o mais rápido que eu posso. Tá tudo PRONTO, só preciso passar pro PC. Enfim, preciso agradecer aos queridos Emmanuel Slytherin e yasminvitoria pelas recomendações incríveis que me fizeram querer largar tudo e viver pra escrever. kkkk (Sim, sou dessas!) Suas palavras foram motivantes e inspiradoras. Aproveitem o capítulo...

Tive que utilizar de todo o meu foco e autocontrole para não desviar o olhar de Derick e conferir se Longbottom e Lovegood haviam conseguido tirá-la de lá. Confiança era algo em que eu ainda tinha que trabalhar. Não estava acostumado a depositar minha fé em ninguém, para absolutamente nada. E fazer isso quando se tratava da vida de Hermione… Argh! Tentava lembrar a mim mesmo que era diferente, que era Luna quem estaria com ela. Mas estávamos naquela situação, justamente, porque eu tinha confiado a segurança da minha noiva a outra pessoa.

A falta de tato e pontaria do Weasley acabou atrapalhando o próximo golpe que eu pretendia acertar em Derick. O safado jogou-se no chão e, enquanto deslizava para longe, atirou uma maldição em mim. Por pouco, não consegui sair do caminho. Havia entulho para todos os lados. E a mistura de terra e água tornava o piso escorregadio. Ronald Weasley me encarou de olhos arregalados quando aterrissei ao lado dele, atrás de um armário destruído.

— Muito obrigado! — murmurei irônico e enraivecido.

— De nada. — ele gruniu de volta.

— De nada? Eu estou sendo irônico! A sua incompetência crônica atrapalhou meu outro soco!

— É… De nada, sim. Pode não ter percebido mas eu acabei de salvar sua vida.

— Você me devia uma dessas há muito tempo. — respondi, sem dar muita importância ao que ele queria dizer com aquilo, apenas para não perder a discussão.

— Uma ajudinha aqui não seria nada mal. — a voz de Neville sobrepôs o barulho da água jorrando pelo cano estraçalhado e colocou meus sentidos em alerta. Ele já devia ter saído, devia estar escoltando Luna e Hermione, até o castelo.

Levantamos praticamente ao mesmo tempo para encontrá-lo trocando feitiços com Derick do outro lado do cômodo, perto da porta. Não havia sinal das meninas em lugar algum, mas estava claro que o sonserino levava a melhor. Longbottom resistia bravamente, da maneira que podia, mas estava ficando sem opções.

Petrificus Totallus!

Derick o bloqueou sem esforço, refutando o feitiço com um pequeno agitar de varinha. E eu aproveitei para fazer uma tentativa.

Estupefaça!

No último segundo, ele conseguiu desviar do caminho do meu feixe de luz. Então, suas frias orbes verdes se fixaram em mim. E ele gritou:

Avada Kedavra!

Pulei para o lado esquerdo, mergulhando mais uma vez entre o entulho e os pedaços de móveis quebrados. Meu cotovelo bateu em alguma coisa, fazendo uma onda de dor reverberar pelo meu braço, atrasando minha reação em alguns segundos.

Sectumsempra!

Pude escutar o feitiço de Ronald ricochetear no escudo de Derik e mudar de direção, zunindo. E, quando isso aconteceu, devia ter me colocado de pé mais rápido. Devia ter revidado enquanto levantava, mesmo sem mira. E vou me arrepender pelo resto da vida por não tê-lo feito. Porque não houve tempo para conjurar um escudo, para bloquear a maldição com um contra-feitiço, muito menos, para tirá-lo do caminho. Não consegui nem mesmo gritar, como fez Weasley.

Ele atingiu o chão com um baque surdo e ficou imóvel. Pulei um grande pedaço do que fora o armário de vassouras e me joguei de joelhos ao lado do corpo ensanguentado de Neville Longbottom. A mancha vermelha se espalhava pela água, cada vez mais rápido. Enquanto ele ia ficando pálido e gelado.

Vulnera Sanentur… Vulnera Sanentur… Vulnera Sanentur… — murmurei com as maiores concentração e calma que consegui.

Engoli em seco quando percebi que não parecia estar fazendo muito efeito. Os cortes sequer haviam parado de sangrar ainda, apesar de o volume que escorria por eles ter diminuído. Respirei fundo, tentando pensar no que fazer, regularizar meus batimentos cardíacos e, por consequência, obrigar minhas mãos a parar de tremer. Então, um feitiço atingiu a parede atrás de nós. Debrucei-me sobre Longbottom e consegui evitar que os pedaços de reboco e pedra o atingissem. Mas acabei com um zumbido irritante no meu ouvido esquerdo.

— Tira ele daqui. — Ronald estava em pé entre Derick e nós, lutando para manter meu antigo colega de casa afastado.

O ex-sonserino atacou mais uma vez e, por muito pouco mesmo, não acertou o ruivo em cheio no peito. O contra-ataque de Weasley não foi muito eficaz. Mas ainda assim conseguiu desestabilizar Derick.

— AGORA, Malfoy! — ele nos espiou por cima do ombro, tentando avaliar o estado de Neville, baixando a guarda.

PROTEGO!

Apesar de mal executado, meu escudo conseguiu conter o ataque de Derick. E deu a Ronald tempo o bastante para se voltar novamente para frente. O grifano, que sempre ficava vermelho escarlate em situações como aquela, estava branco como neve. E algo me dizia que sua falta de cor não tinha relação nenhuma com o susto pelo estrondo, que o choque dos dois feitiços provocou. Ficou claro que ele estava preocupado demais com o amigo caído para conseguir se concentrar totalmente, por mais que tentasse.

Então, Neville ofegou de forma engasgada, quase um gorgolejar. Por um milésimo de segundo fiquei preso em uma espécie de limbo, um lugar no espaço onde nada mais existia a não ser ele e eu. Meu cérebro parecia ter se desligado do mundo ao redor enquanto tentava decidir o que fazer primeiro.

Accio Capa da Invisibilidade.

O tecido leve e fluido acariciou a ponta dos meus dedos esticados, fazendo-os desaparecer. Acenei a varinha e a capa terminou de nos cobrir. Com outro aceno fiz o corpo de Neville flutuar. E, mais uma vez, tive que combater meu instinto. Queria muito me certificar de que estávamos seguros. Mas não havia tempo para isso. De novo, eu tinha que confiar em Ronald Weasley. Um passo de cada vez, e ainda assim, da maneira mais rápida que pude, transportei Longbottom para fora.

A calmaria me atingiu com a força de uma azaração ferroante. Estava tudo deserto — todo o caminho de volta até o campo. Eu podia ouvir o eco dos gritos e assovios da torcida, mas isso era tudo. No estádio, ninguém podia sequer imaginar o que estava acontecendo nos vestiários, bem ao lado. Ainda assim, decidi nos manter protegidos pela camuflagem da capa. Então, segurei-a sob o corpo de Neville e corri.

Longbottom respirava de forma difícil e eu parei duas vezes para repetir o encantamento e me certificar de que ele ainda estava comigo. Por isso, avistar os jardins que ladeavam o castelo trouxe uma sensação de alívio indescritível e até renovou meu fôlego. Quando alcancei os degraus de pedra, agarrei a ponta do tecido e, com um gesto brusco, retirei a capa. O grito de espanto de Luna quase me derrubou de volta na grama. Mas foi a dor em seus olhos, ao constatar o estado do namorado, que cravou um verdadeiro punhal de culpa, remorso, arrependimento e pesar em meu peito.

— O que…

— Ele está vivo. — balbuciei. — Desculpe… É minha culpa, eu-

— Não. A culpa é minha. Fui eu quem tive a ideia de entrar lá daquele jeito, fui eu quem aceitou deixá-lo pra trás quando ele disse que ia ajudar vocês. — ela choramingou, acariciando os cabelos molhados do namorado.

— A culpa não é sua. É- — ela me lançou um olhar zangado e resolvi mudar o tom do discurso. — É que… Eu sinto muito, Luna. Fiz o melhor que pude. Eu juro. — colocar aquelas palavras para fora fez arder minha garganta. Não importava o que ela dissesse, era tudo minha culpa, de novo. Mais uma vez não foi o suficiente. — Mas está além dos meus conhecimentos… precisamos levá-lo até Madame Pomfrey.

A garota de cabelos loiros perdeu o pouco de cor que possuía enquanto me encarava de olhos arregalados. E eu pude sentir o último fio de esperança que existia dentro de mim se romper.

— Oh, Merlim! Ela… ela ainda está no estádio, eu acho. — as lágrimas inundaram as orbes azuis. — Eu mandei um Patrono, mas não podíamos esperar mais. Estava justamente indo cha-

O barulho da explosão que interrompeu a frase de Luna veio seguido de uma espécie de onda, uma gigantesca lufada que acabou nos jogando para dentro do castelo. Coloquei-me de joelhos o mais rápido de pude, enquanto procurava por meus amigos. Mas eles estavam exatamente no mesmo lugar. De alguma maneira, a loirinha havia conseguido manter-se de pé e segurar Neville junto com ela. Entretanto, assim que me aproximei, ela desabou nos meus braços.

— Luna! — balancei-a delicadamente. — Luna, fala comigo.

Os olhos azuis estavam semicerrados e a respiração pesada. Mas ela se mexeu, respondendo ao meu chamado e percebi que não tinha perdido totalmente a consciência. Luna havia esgotado suas forças protegendo o namorado do deslocamento de ar.

— Eu estou… — ela começou a dizer, finalmente, reabrindo os olhos. Então, o aperto da mão com que Luna se agarrava ao meu cotovelo ficou mais intenso. — Draco.

Meu nome soou preso, formou-se num sussurro quase inaudível, como se as palavras estivessem com medo de sair. Virei-me para averiguar o que, no horizonte às minhas costas, podia tê-la deixado com a expressão tão assustada, e me deparei com labaredas, quase da mesma altura da torre de astronomia, misturadas a uma espécie de fumaça negra, que subia em espirais. E foi minha vez de ficar atônito e desconcertado. Precisei forçar o ar para dentro dos meus pulmões, lembrando a eles como respirar.

— O Estádio de Quadribol. — sussurrei, enquanto sentia todos os pelos do meu corpo se arrepiarem.

— Oh, Merlim! Precisamos voltar. — ela decretou, enquanto tentava ficar de pé. Estão todos…

Mas Luna não conseguiu dar sequer um passo sem fraquejar e quase cair de novo. Amparei-a. E a loirinha encarou os próprios pés, constrangida. Segurei o queixo dela com a ponta dos dedos e levantei seu rosto, fazendo-a me olhar. Havia mais ali do que nós, seus amigos, jamais poderíamos descobrir, entender e, especialmente, merecer em uma única vida.

— Você fica e cuida dele. — dava para ver que ela estava lutando com todas as forças para não desmoronar. Lágrimas inundavam as orbes azuis, deixando-as claras como uma manhã de inverno. — Eu volto e descubro o que aconteceu.

Ela balançou a cabeça de forma afirmativa, mas sem muita convicção. E como Luna não soltou meu braço, eu também não a larguei. Fiz um esforço enorme para não deixar transparecer minha ansiedade — tenho certeza de que ela compartilhava o suficiente da sensação — e esperei até que ela se sentisse bem e segura. O que levou apenas alguns segundos.

Quando alcancei o último degrau da escada, ela me chamou.

— Draco. — a aflição estava evidente em sua voz.

Virei-me.

— Por favor, tome cuidado. Por favor… Por favor, volte pra ela.

— Eu vou. — garanti, meneando a cabeça. Sentindo aquela frase fazer cócegas no meu cérebro.

Eu estava exausto, física e emocionalmente. Há semanas eu fingia, enganava e manipulava mais da metade das pessoas ao meu redor; aparatava, desaparatava, voava, excursionava e lutava em minha busca por Derick. Tudo para tentar impedir o que estava acontecendo. Tudo para tentar evitar o que, diante dos acontecimentos, eu sabia, só poderia ter sido evitado com a ajuda dela.

Estaquei no meio da ponte de acesso ao jardim externo.

— Hermione…

Notas finais
Bjos de luz. Não se esqueçam de deixar muitos comentários estimulantes para a Titia!