Dramione - Side Effect
19 Um desespero bom
Notas iniciais
Como tenho os melhores leitores do mundo! Os mais fiéis, mais lindos, mais encantadores, com as palavras mais incríveis, trouxe um presentinho!
Adiantei o capítulo que sairia na sexta!
Aproveitem... é todinho de vocês!
Meu corpo enrijeceu. Em segundos, meus sentidos estavam todos despertos, e minha mente, totalmente alerta. O medo começava a apertar a boca do meu estômago. As lágrimas já ardiam no fundo dos meus olhos. Fui puxada para o espaço escuro e escondido entre a escada e a escultura de um bruxo do século 15. Levei a mão até o bolso para sacar a varinha, mas dedos envolveram meu pulso. Torci o braço desesperadamente tentando me libertar.
– Hermione, calma. Sou eu! – Parei de me debater e levantei a cabeça para encarar os olhos azul-acinzentados. Draco examinou meu rosto com atenção. – Desculpe. – ele pediu, levando uma das mãos até meu rosto e limpando as lágrimas.
– Sabe que odeio que façam isso. – acusei dando um soco no peito dele. Era para ter doído, mas ele pareceu nem notar.
– Desculpe. Mas eu precisava falar com você!
– E eu já disse que preciso ficar longe de você.
– Mas eu não quero ficar longe de você. – ele disse enquanto percorria com os dedos o caminho da corrente no meu pescoço. – Que bom que ouviu a voz da razão e decidiu usar o pingente.
– Desde quando Gina é a voz da razão? – exclamei. – Foi apenas para que ela parasse de perguntar. Não posso aceitar isso, Draco. – disse levando as mãos à nuca para abrir o fecho. Ele segurou meus pulsos a meio caminho do destino e me lançou um olhar desafiador.
– Aceite, por favor.
– E o que virá depois, se eu aceitar? Gargantilhas de brilhante? Brincos de esmeralda?
– Quando for minha mulher, sim. Por enquanto, será só este. Eu prometo... – disse com displicência — Se... aceitar ficar com ele. — completou . Bufei contrariada.
– O que quer? – perguntei, deixando no ar se aceitaria o presente ou não.
– O que foi aquilo com o cabeça de fósforo?
Seu rosto adquiriu uma expressão séria e sombria. Ele parecia querer ler a verdade através dos meus olhos, encarando-me com uma intensidade assustadora.
– Ele é um imbecil!
– Isso eu sei, desde o primeiro ano. Pena que você demorou tanto tempo para perceber também. Não tenta me enrolar, Hermione.
– Não quero falar sobre isso.
– É verdade? – ele aumentou o aperto nos meus pulsos, puxando-me para mais perto.
– E se for... Mais uma razão-
– O Weasley é o pai? – ele me cortou.
Aquela pergunta fez com que eu quisesse partir Draco Malfoy ao meio, ou pelo menos, socá-lo como no terceiro ano. Infelizmente, ele estava segurando meus pulsos, então, tudo o que pude fazer foi deixar que as lágrimas que haviam se avolumado com a fúria rolassem. Essa reação foi ainda pior, pois pareceu confirmar suas conclusões erradas. A dor cruzou o rosto de Draco, ele trincou os dentes com força e seus olhos escureceram, perdendo o brilho. Ele soltou meus pulsos e apoiou umas das mãos na parede ao lado da minha cabeça, com a outra levou os cabelos loiros para trás de forma nervosa.
– Draco... – comecei.
Mas o que eu ia dizer? Contar a verdade seria comprometer Harry e Gina. E eu havia prometido aos dois e a mim mesma que iria protegê-la. Ele levantou o dedo em riste e abriu a boca, como se fosse dizer alguma coisa. Depois desistiu. Ao invés disso, ele colocou a mão na minha nuca e me puxando para perto, colou nossas testas e fechou os olhos. Mais uma vez, observei ele repetir silenciosamente o mesmo mantra da Torre de Astronomia. Parecia uma expressão em outra língua, mas eu não conseguia entender todas as palavras. Senti uma gota cair na minha bochecha e percebi que Draco estava chorando. Meu coração se partiu e eu arfei.
– Draco... – ele colocou um dedo sobre os meus lábios e abriu os olhos.
– Não importa. – sentenciou. Fiquei espantada e muda. – Não importa. – ele repetiu. – Eu serei o pai dessa criança.
Eu nunca encontrarei palavras para descrever o sentimento que me invadiu naquele momento. Um misto de excitação e angústia. Algo como um desespero bom. Que me fez perceber que eu queria Draco desesperadamente e que, por isso, o medo de tê-lo era paralisante, pois eu nunca, jamais suportaria perdê-lo.
Dando vazão ao meu desespero, coloquei as mãos em sua nuca, entrelaçando os dedos em seu cabelo macio e o puxei para mim. O beijo foi temperado pelas lágrimas. Draco, por sua vez, passou o braço pela minha cintura e me apertou contra si mesmo. Enquanto nos beijávamos, minhas mãos desceram para seus ombros, apertando e puxando-o para mais perto. Eu precisava de Draco e a forma como nossos corpos estavam colados não parecia suficiente. Eu queria mais. As mãos dele escorregaram para o meu quadril e quando ele me impulsionou para cima, envolvi sua cintura com as pernas. Ele pressionou meu corpo contra a parede e eu fiquei totalmente ciente de nosso encaixe perfeito, impedido apenas por uma fina camada de tecido. Draco gemeu na minha boca e meu corpo pareceu responder, ficando ainda mais quente. Quando ele desceu uma linha de beijos pelo meu pescoço, inspirei uma grande quantidade de ar. O loiro beijou minha clavícula e foi minha vez de gemer.
Vozes distantes invadiram meus pensamentos desconexos. O volume da conversa começou a aumentar e eu subitamente me lembrei de que estávamos no corredor, escondidos apenas pelas sombras da escada e da estátua.
– Draco... Draco...
Ele levantou os olhos para mim. As íris escuras como o mar sob o céu noturno em um dia de tempestade.
– Tem alguém vindo. Ouça.
Quando ele diminuiu a pressão, me permitindo descer, meu corpo todo protestou. Mantive as mãos em seus ombros, já que meu corpo se recusava a se separar totalmente de Draco e me encolhi nas sombras atrás dele, observando duas alunas da Lufa-lufa subirem as escadas conversando animadamente.
– Então você também ouviu? – perguntou uma delas.
– Foi o assunto do almoço. – a outra respondeu. – Ravena garantiu, que Morgan disse, que Jamie escutou a discussão durante a aula. A Granger está mesmo grávida.
– Do pedaço de mau caminho do Ronald Weasley? Sério? Oh, Merlin! Por que ela e não eu? Isso é tão injusto. ..
Senti os músculos de Draco se retesarem sob os meus dedos. As vozes já estavam se afastando novamente, nem era mais possível entender o que diziam. Ainda bem! A fofoca havia se espalhado “como fogo em palha seca”, como diria a minha avó. O sonserino se virou para mim com o olhar torturado.
– Não precisa fazer isso. – eu argumentei.
– Eu preciso. – afirmou. – Eu preciso de você, Hermione. E se criar um filho daquele babaca inútil é o preço, eu ficarei mais que feliz em pagá-lo.
– Draco...- insisti. – Você não tem que passar por isso. Sabe que as fofocas serão ainda piores.
– Vou adorar ser acusado de ter feito você trair o cabeça de fósforo. Não se preocupe, saberão que não foi culpa sua. Sempre fui irresistível.
– Precisamos ir com calma. .
– Você já disse isso. E se me lembro, respondi que poderia ter calma...
– O que significa: sem presentes caros, amassos embaixo da escada e sem provocar o Ronald.
– Se prometer cumprir tudo isso, estamos namorando?
Arregalei os olhos em surpresa. Levou alguns segundos há mais para eu conseguir responder.
– Estamos nos conhecendo melhor. – coloquei.
– Mas eu já conheço você! – Draco teimou. – É a sabe-tudo, irritante, rata de biblioteca, que anda com gente esquisita tipo a DiLua e a Weasley Fêmea. A menina de cabelos castanhos rebeldes e coração gigante, a aluna mais brilhante de Hogwarts. Uma das pessoas mais corajosas e altruístas que já conheci, capaz de abdicar da própria felicidade para ajudar os outros e arriscar a vida para salvar o mundo. A garota que deixou todos boquiabertos no Baile de Inverno durante a taça Tri-Bruxo, a mais bela, a bruxa que me enfeitiçou e mesmo sem querer ou saber roubou meu coração na primeira vez em que surgiu na minha frente: uma maluca de nariz empinado e ar superior, murmurando consigo mesma ao ser chamada para colocar o Chapéu Seletor.
Cobri o rosto com as mãos, totalmente sem jeito com a declaração inesperada! Draco riu com gosto e me abraçou apertado , enquanto cobria meu rosto, e as mãos que o escondiam, de beijos. Respirei fundo e olhei para ele.
– Eu sempre achei que sabia quem era você. — ele me olhou confuso. — Mas estava agradavelmente enganada sobre quase tudo. Por isso, quero conhecer o verdadeiro Draco Malfoy. — disse.
Um sorriso iluminou seu rosto.
– Preciso ir. — anunciei.
– Mas… — ele começou a protestar.
– Devagar, lembra?! — argumentei.
Ele balançou a cabeça positivamente e me deu um selinho demorado.
Procurei o canto mais escondido da biblioteca. Não queria ouvir mais fofocas, nem enfrentar olhares, por enquanto. Sentei no chão, com as costas apoiadas em uma estante e tirei a maldita carta do bolso.
Querida Hermine,
É claro que posso marcar um horário com o Dr. Augustus no sábado de manhã. Mas não vou mentir, seu pedido sem maiores explicações me deixou preocupada. Por que precisa ir ao ginecologista?
Como vão as coisas por ai? Como está Ronald? Vocês estão tomando cuidado, não é? Estão usando o que quer que os bruxos usem para se proteger, não estão? Você vai direto ao consultório ou pode nos encontrar para para conversarmos antes?
Por favor, tenha juízo!
Beijos,
Mamãe
Peguei pena e pergaminho para redigir uma resposta e parei com a mão alguns centímetros acima do papel. Parecia a opção mais segura no momento, apesar de não ser a melhor delas.
Mamãe,
As coisas estão ótimas com Ronald e com todos. Eu precisava mesmo voltar à escola e ver o pessoal.
Não há nada com que se preocupar. Ver o Dr. Augustus é um primeiro cuidado. Ainda não aconteceu nada, fique tranquila. Apenas quero estar preparada caso aconteça.
Mande beijos ao papai.
Hermione
Pronto. Havia feito minha mãe não só continuar acreditando que eu estava namorando Ronald, como também que eu queria dormir com ele. Pelo menos agora ela não entraria em contato com Molly, totalmente desesperada e acreditando que elas iriam ser avós. Bem, Molly ainda iria. Balancei a cabeça negativamente enquanto guardava o pedaço de pergaminho nas vestes.
– Não, não, não… — uma voz estridente e não totalmente desconhecida, cantou em meio a risinhos.
Me arrastei para o canto mais escondido , atrás da estante.
– Sim, sim, sim…
Constatei chocada que a segunda voz pertencia a Ronald.
– Não podemos, estamos no meio da biblioteca, docinho.
Imediatamente reconheci o tom irritante. Pertencia à Annie Potins.
– Ninguém vem aqui. Não se preocupe. — ele disse.
Estiquei meu pescoço para tentar ver o que estava acontecendo. Eu não me atrevia nem mesmo a respirar. Ronald segurava a garota pela cintura de costas para ele e beijava seu pescoço. Potins se virou para encarar o ruivo, curvada para ele de uma forma nada descente. Ela o beijou e o barulho alto, como um desentupidor de pia, fez meu estômago começar a embrulhar.
– O que eu ouvi pelos corredores é verdade? A Granger está grávida? — ela disse num gemido, entre um beijo e outro.
– Provavelmente. Mas não tenho certeza se é meu. — foi a resposta.
Segurei-me na borda da estante para não lançar uma Maldição Imperdoável em Ronald. E tive que assisti-lo colocar a garota sobre a mesa do outro lado da sala. Precisei me espremer no minúsculo espaço entre a parede e a estante, mas felizmente consegui sair de lá antes de ficar traumatizada para o resto da vida.
Bem… Pelo menos eu já sabia quais seriam as manchetes do jornal de amanhã.
Notas finais
*SUSPIRA
Continuo carente de review! Hahahaha....
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