Dramione - Side Effect

37 Não tem nada de óbvio no amor


Notas iniciais
Capítulo necessário... E isso é tudo o que eu tenho a dizer!

Limpei a garganta com força. Mas, tenho que admitir, foi uma tentativa medíocre de chamar atenção. De onde estava sentada, chamei umas três ou quatro vezes por Harry. E foi a mesma coisa que nada. Então arregacei a saia do vestido, subi na cadeira e gritei a plenos pulmões. A energia estranhamente renovada, diante do mínimo progresso. E da oportunidade de extravasar o turbilhão de emoções dentro de mim.

— Gente! GENTE! — finalmente consegui a atenção de todos na cozinha. — Narcisa terminou a lista. — balancei o papel em cima da minha cabeça para que todos vissem. — Temos cinco lugares em que procurar, mas não acho que seja uma boa ideia nos dividirmos para isso.

— Como assim, Hermione? — Estendi o pedaço de jornal para Harry e ele continuou falando enquanto lia. — Se nos separarmos vamos cobrir mais terreno em menos tempo. Não podemos nos dar ao luxo de-

— Entende agora?

— Será que dá para dividir a informação? — Gui parecia realmente irritado.

— Cada uma dessas propriedades…

— Fica em um continente. — completei a frase do menino que sobreviveu. — Mas não acho que eles tenham ido longe. Não faz sentido atravessar meio Planeta Terra se você pretende ser encontrado. — preferi não revelar que Narcisa foi quem deduziu essa parte. Imaginei que Harry seria mais receptivo se acreditasse que a ideia partiu de mim. — Por isso, acho que deveríamos começar pelo Castelo Dunstanburgh.

— Castelo Duns… o quê? Como assim os Malfoy tem um castelo?

— Está mais para ruínas do Castelo Dunstanburgh, agora. — Narcisa murmurou.

— Será que dá para focar no que é mais importante, George. Onde fica esse tal castelo? Temos pelo menos alguma noção do tamanho real dele?

— Fica na costa de Northumberland...

— Inglaterra do Norte.- completei a frase de Harry mais uma vez. Se antes eu não conseguia falar, naquele momento a ansiedade não me deixava calar a boca.

— Ele tem três torres bem altas em forma de D. Cada torre tem quatro andares e era coberta por mais quatro torres menores, mas acho que essas não existem mais. A passagem era protegida por portões em cada extremo e duas guaritas. No primeiro andar, a portaria era dividida em três salas. O segundo tinha um ambiente só. O terceiro, um hall e câmaras. Os outros andares não sobreviveram ao tempo.

A descrição minuciosa de Narcisa surpreendeu a todos, e levou alguns bons segundos até que conseguíssemos voltar a agir. Olhei de esguelha para a mulher imponente e altiva, que então nada mais era que um maltratado trapo humano. Olhei de verdade, sem os julgamentos pré-concebidos, trazidos por seu nome e as ações do marido. E descobri que admirava Narcisa Malfoy. Em meio à II Grande Guerra Bruxa, ela lutou sua própria guerra, para proteger o filho, aguentou coisas inimagináveis por ele, enganou Voldemort. Perdeu o marido e descobriu que esse mesmo filho — por quem arriscou-se — traiu a confiança de todos, inclusive a dela e, ainda assim, de alguma forma, tentava se recompor para ajudar.

— Certo. Neville e Luna, vocês ajudam Narcisa a fazer um esboço do que deve ser a planta do castelo e como exatamente chegar lá. Percy, contate Kingsley, o Departamento de Aurores vai querer saber sobre que está acontecendo. Gui… a Ordem, ou quem restou dela e puder nos ajudar. Vou avisar a McGonagall.

— Vamos precisar de roupas. — constatei. Harry, Neville, Luna, Andrômeda, Derick e eu ainda vestíamos as fantasias da festa de Halloween. — E suprimentos. Não dá tempo de voltar ao castelo.

— Posso providenciar isso em casa. — George não esperou por aprovação, apressou-se até a lareira e desapareceu por ela em um movimento gracioso.

— Vou preparar um chá de camomila. E alguma coisa para vocês comerem. Arthur, querido, se importa em me ajudar?

Estranhei o pedido de Andrômeda, então, vi o sr. Weasley ainda parado no meio da cozinha, parecendo perdido sem os filhos, que tinham saído para realizar as tarefas designadas por Harry. Olhei ao redor, para as pessoas que se movimentavam para lá e para cá, até perceber que eu também estava perdida. Harry não tinha me dado nada para fazer. Tamborilei os dedos no tampo da mesa, observando Neville traçar linhas em outro pedaço de jornal, seguindo as instruções de Narcisa. Forcei um sorriso para Luna quando ela desviou a atenção do que estava fazendo e se virou para mim. Pela expressão de pena e preocupação que perpassou o rosto da loirinha, deve ter parecido mais uma careta.

— Andrômeda. Se importa se Hermione e eu verificarmos como estão as crianças?

— Não se preocupe, querida, Derick já subiu para fazer isso.

— Tem certeza? — dessa vez a senhora virou-se para nós e Luna fez um meneio quase imperceptível com a cabeça, na minha direção.

— Bem… Talvez ele possa estar precisando de ajuda. Seria ótimo, obrigada.

Luna estendeu a mão e diante da minha relutância, agarrou a minha, puxando-me pelo corredor, até as escadas. O segundo andar estava tranquilo e o silêncio agrediu os meus ouvidos. Pelo menos, lá embaixo, no meio do caos, vendo as coisas acontecerem, evoluírem, eu conseguia me distrair do fato de que Gina corria perigo por minha culpa. Por eu ter sido ingênua e me deixado levar. Por eu ter me apaix…

Involuntariamente, apertei os dedos da loirinha entre os meus. Luna não reclamou, ao contrário, parou de caminhar e se virou para mim. Não tive forças para encará-la, e baixei os olhos para meus pés. Então, ela me puxou para um abraço carinhoso. Enquanto acariciava meus cabelos, ela sussurrou:

— Vai ficar tudo bem. A Gina é dura na queda. — Foi como levar um soco no estômago. As palavras ecoaram na minha cabeça, em outro timbre. Ele havia dito a mesma coisa apenas algumas semanas atrás, quando Gina estava na enfermaria. E ouvir aquilo de novo fez meu corpo enrijecer.

— Não. É diferente agora, ela está grávida e assustada. Eu vi o pânico nos olhos dela quando a levaram, Luna. Eu sei…

— Nós vamos encontrá-la. Vamos encontrá-la antes do que você imagina.

— Mesmo que aconteça como você diz. E Merlin permita que aconteça. Isso não muda o fato de que eu… eu deixei, eu não fiz nada…

— Ei. Não foi culpa sua. Você não podia arriscar a vida dela, ou do Ron, ou da Lily tentando alguma coisa. Hermione, você se ofereceu para ser levada no lugar dela. Não é o tipo de coisa que qualquer um faria.

Encarei os olhos azul piscina de Luna por entre as lágrimas. Ela não entendia, não podia entender. Eu sei que agi certo quando não reagi. Só que isso não tornava as coisas mais fáceis de aceitar. E fui eu… Eu quem abriu espaço, quem deixou Ele se aproximar. Eu quem pediu para Harry e Gina confiarem Nele. Eu quem ficou sem reação diante do que, no momento, pareceu uma grande traição; mas era, na verdade, uma tragédia anunciada. Eu, e somente eu. A sabe-tudo, a estudante mais brilhante de Hogwarts, a brilhante Hermione Granger tinha sido ridiculamente passada para trás. O golpe que Ele me aplicou era mais antigo que a própria Hogwarts e, ainda assim, eu me deixei ser enganada.

— Você não…

— Eu não entendo?

Luna me puxou até uma poltrona, entre duas camas, debaixo da janela. A cortina estava aberta e o brilho da lua lançava uma iluminação prateada sobre o móvel. Sentei e a loirinha ajoelhou-se na minha frente, olhando bem no fundo dos meus olhos. Ali, na pequena ilha de claridade, pude ver sua expressão com clareza. Era calma, tranquila — como sempre — mas também havia uma seriedade pouco comum, que vincava sua pele alva no espaço entre as sobrancelhas.

— Eu realmente só posso imaginar como deve estar se sentindo, Mione. Até pouco tempo atrás eu nem mesmo sabia o que significava gostar de alguém. Mas desde que o Neville… Bem, encurtando a história. Posso imaginar. É um misto de ira, indignação, dor. É como tentar acordar de um pesadelo aterrorizante. E…- ela parou de falar por um instante e encarou o céu pela janela atrás de mim. Uma ruga aparecendo entre suas sobrancelhas — não faz o menor sentido.

— É claro que faz. Ele precisava se aproximar, ganhar nossa confiança. Para criar e aproveitar as oportunidades, como enfeitiçar o Ron e depois encurralar a Gina. E fingir estar apaixonado por mim foi a maneira mais fácil que encontrou de fazer isso. Como eu pude ser tão cega, Luna? Tão burra?

— Tem tanta coisa estranha nessa história toda, Mione.

— O que quer dizer?

— Há poucas coisas em que posso dizer que sou realmente boa. — abri a boca para retrucar o comentário, do qual eu discordava completamente. Luna era boa em muitas coisas, apenas não tinha se dado conta disso. Mas ela levantou um dedo me silenciando. — E uma delas é ler as pessoas. E o Draco me parecia estar sendo realmente sincero em tudo que eu observei ele dizer e fazer. Ele parecia mudado de várias formas e todas elas para melhor. Se ele mentiu, conseguiu enganar a todos nós. Mas ninguém consegue fingir tão bem o tempo todo. Tem algo que a gente não ‘tá vendo. Tem alguma coisa que a gente ‘tá deixando passar.

— Claro que tem… Eu sou uma nascida trouxa, Luna. Uma sangue sujo. Em que mundo distorcido ou universo paralelo alguém como Draco Malfoy sentiria algo além de nojo por mim? Ah. Meu. Merlin. É tão óbvio que chega a ser ridículo!

— Não tem nada de óbvio no amor, Hermione.

Soltei uma risada nervosa. Aquela palavra não fazia o menor sentido naquele momento. Parecia mais um xingamento, algo que alguém diria para machucar, ferir. A menininha de cabelos dourados na cama a minha direita se mexeu inquieta e eu me forcei a engolir a histeria. Puxei as cobertas que ela havia empurrado durante o sono até seus pequenos ombros enquanto fazia uma oração silenciosa. Por favor, Merlin, permita que eu repita esse gesto com Lily um dia! Por favor...

— Luna. Hermione! — a voz abafada e apressada de Neville vinha do corredor. — Precisamos de todos na cozinha.

Não esperei para ver se Luna ia dizer mais alguma coisa. Levantei puxando ela comigo e saí do quarto o mais depressa que pude sem fazer barulho. Quando saímos pela porta, quase colidimos com um apressado Derick. Ele levou um susto com nossa aparição repentina e quase derrubou o porta-retrato com a foto de Tonks e Lupin que estava sobre o aparador. Não esperei que ele se recuperasse, apenas agarrei sua mão e continuei meu caminho.

A cozinha estava cheia. Carlinhos Weasley, Héstia Jones, Olívio Wood e Rúbeo Hagrid estavam sentados em uma ponta da mesa ouvindo atentamente a explicação de Harry. Na outra, o senhor Weasley tentava servir chá em canecas multicoloridas que estavam espalhadas, mas suas mãos tremiam tanto que a tarefa parecia hercúlea. Então, Percy se apressou em ajudá-lo. Narcisa ainda ocupava o mesmo lugar em que a tínhamos deixado, vigiada de perto por Gui Weasley. Andrômeda colocou um prato de sanduíches entre os membros da Ordem, mas nenhum deles pareceu notar. Apenas quando a lareira expeliu uma Angelina Johnson muito brava, a atenção deles se desviou. Ela estendeu uma bolsa de couro para mim. Pisquei sem entender do que se tratava.

— As roupas. George me pediu para trazer.

Peguei a sacola e de imediato comecei a remexer o conteúdo. Joguei um conjunto de roupas para Neville e outro para Luna.

— Onde ele está? — Harry perguntou aceitando a calça jeans, a camisa de flanela e o casaco que estendi para ele.

— Tentando convencer M-

O fogo se avolumou em outra bola verde gigante e com um estrondo George surgiu resmungando.

— Eu tentei. Eu juro que tentei. Mas elas são impossíveis. Desisto! Simplesmente não dá.

Antes que qualquer um pudesse questioná-lo a lareira se iluminou mais uma vez e Fleur Delacour e Molly Weasley saíram dela de braços dados. Gui suspirou cansado ao lado da cadeira de Narcisa o que fez Fleur empinar o nariz em resposta.

— O que é que vocês duas estão fazendo aqui? — ele perguntou de forma retórica.

— A minha filha e a minha neta desaparecem e você quer que eu fique em casa tricotando?

— É muito arriscado…

— Arriscado? Acha que eu me importo com riscos? É da minha filha que estamos falando.

— Eu sei, mamãe. Não era você que a gente queria manter fora disso era a Fleur. E a sua outra neta. Manter você ocupada era uma desculpa para deixar ELA para trás, em segurança. — o rapaz explodiu.

Molly agarrou o braço de Fleur antes que a nora escapasse para longe. E depois de abraçá-la, fuzilou-a com um olhar carregado de acusação. Fleur nem tentou argumentar, apenas deu de ombros e fez sua melhor cara de inocente.

— Merlin! Isso é incrível! Duas netas! Quando é que vocês iam nos contar? — Arthur abandonou a chaleira e se voltou para a cena no meio da cozinha.

— Hoje. Por isso convidei vocês para aquele almoço.

— A senhora não vai a lugar nenhum, senhora Fleur Weasley. — Molly disse em seu melhor tom autoritário de mãe.

— Mas eu querro… Argh! Eu PRREECISO fazerr alguma coisa parra ajudarr! Ou vou enlouquecerr…

Não podia julgar Fleur, eu entendia bem a sensação de impotência que ela estava enfrentando. Ser obrigado a ficar sentado e assistir enquanto alguém que você ama corre perigo era a pior forma de tortura que eu conhecia, que eu já tive de enfrentar. E, infelizmente, eu enfrentei mais que uma ou duas formas de tortura. Podia afirmar com precisão a diferença.

— Mais um par de braços por aqui não faria mal, com todos indo e vindo. E as crianças para cuidar. — Andrômeda tentou parecer displicente, mas é claro que a veela sacou a intenção por trás da frase. Especialmente depois de pegar Gui sibilando um “Obrigado!” silencioso para a bruxa.

— Eu vou sozinho! — Harry decretou antes que mais alguém pudesse se manifestar. — É a mim que eles querem, ninguém mais precisa se arriscar.

— Nem começa, Harry Potter. — Neville cortou o amigo. — Aparatar aqui é nossa melhor opção. — continuou, ignorando o comentário de Harry, como se ele nem tivesse dito nada e apontando o local no mapa, como um verdadeiro auror. Talvez Herbologia não fosse sua verdadeira vocação afinal. — Assim que tocarmos o solo, acho uma boa ideia adotarmos a formação losango. Depois que entrarmos no castelo reavaliamos e nos dividimos em grupos para procurar mais rápido.

Assim que todos assentiram confirmando terem entendido as instruções ele puxou a comitiva até a porta da frente. Já com o mapa em mãos, Harry tomou seu lugar no que parecia ser a ponta do losango, com Neville de seu lado direito e Gui do esquerdo. E todos nos posicionamos no pequeno jardim de entrada.

— Cubram uns aos outros. — Neville disse, dando as mãos à Harry e George. Seguimos o gesto e assim que Molly e Arthur entrelaçaram os dedos, senti o conhecido puxão no umbigo.



Notas finais
Acho que mereço umas recomendaçõeszinhas... Né? Não? Tem certeza? Nem uma bem pequenininha? #caradegatodoshrek Hein?