Dramione - Side Effect

51 Não foi o suficiente


Notas iniciais
Pô gente, ameaçar a autora tudo bem... Mas a mãe da autora é sacanagem! O.o Espero que todos tenham gostado do Capítulo 50! Vou repetir aqui uma promessa que fiz nos comentários. Juro solenemente que não vou mais terminar capítulos com "Avada kedavra!" #PalavraDeEscoteira Side Effect chega num ponto decisivo para todos os personagens. Já tô começando a ficar com saudade... Antes que eu me esqueça... Obrigada Mrs Know All pela recomendação e por criar um novo apelido para Side Effect. Tô in love com as suas palavras até agora. Olha isso gente (minha parte preferida!): "Não leia essa história se não quiser se apaixonar pelos personagens, se não quiser estar no lugar da Hermione, se não quiser ser completamente sugada para o mundo deles, não leia essa história, caro leitor, se não quiser se emocionar ao extremo, se não quiser se preocupar com cada um dos personagens, se não quiser ficar esperançoso toda vez que abre Nyah esperando uma atualização de SD" E pra finalizar, recomendo buscar alguns lenços antes de rolar a tela... Mantenham em mente que Titia ama vocês!

Não dei atenção ao caos e a gritaria que se estabeleceram segundos depois de um dos dois homens ser jogado através da sala pela maldição, nem parei para pensar no que diabos poderia ter levado Draco a fazer aquilo. Apenas me coloquei na frente dele, de varinha em punho, enquanto ficava ciente dos aurores e membros da Ordem nos observando atônitos e discutindo entre si. Também não olhei para trás, não me virei para ele, pois estava com medo do que poderia encontrar.

— Sai da frente, Hermione. — Percy exigiu, levantando a voz por sobre o burburinho.

Não emiti nenhum som, ainda não sabia o que dizer. Só neguei com a cabeça, atenta aos movimentos dele.

— Hermione, por favor. — pediu Hagrid.

Senti meus olhos começarem a arder diante da expressão ferida e desapontada do meu meio-gigante preferido.

— Deve… — balbuciei tentando segurar o choro. — Deve…

— Deve haver uma explicação. — Luna completou a frase para mim, enquanto caminhava para se colocar ao meu lado.

— Com certeza há uma explicação. — Neville disse, olhando diretamente para Kigsley ao repetir o gesto da namorada.

— Será que eu posso falar? — A voz de Draco se fez ouvir. E estava surpreendentemente calma .

— Falar? Você não deveria sequer estar respirando.

Um dos aurores, que parecia estar sendo contido por outros desde o ‘incidente’, finalmente soltou-se e veio na nossa direção. Luna e Neville se aproximaram ainda mais de mim, impedindo Draco de tomar a frente e se expor.

— Draco Malfoy é a razão de Gina Weasley estar viva e em segurança. Ele arriscou a vida para garantir a proteção dela. Olhe para ele... — o rosto de Neville estava ficando vermelho. — E vai ter uma pequena ideia do que ele passou para conseguir isso. Está estampado na pele, marcado na carne dele.

— Ele matou Nico Armand. Um dos melhores bruxos que esse Departamento já conheceu. Ele não passa de um assassino, assim como pai dele.

— Eu não… — Draco tentou dizer, mas a frase morreu no meio. — Eu tentei impedir a morte dele, tá ok? Mas não consegui, sinto muito! Por que acha que estou nessa situação. Esse ai não-

— Você só pode achar que somos um bando de idiotas. Ficou maluco?! Do que é que você está falando?

— Esse não é Nico Armand. — As palavras saíram sem que eu me desse conta. — Nico foi sequestrado e substituido por um comensal meses atrás. Como acha que Lucius Malfoy conseguiu escapar do Beijo do Dementador? — Os acontecimentos tinham começado a se encaixar na minha cabeça e eu não ia parar de falar até concluir o raciocínio e garantir que todos tivessem acompanhado. — Quem você acha que estava repassando informações de dentro do Departamento? Ronald Weasley foi enfeitiçado com a Maldição Imperius, houve uma fuga em massa de Azkaban, nossa mensagem informando sobre o local do cativeiro e o plano para resgatar Gina nunca chegou… “Houve uma confusão no repasse de informações”, foram as palavras do próprio Ministro da Magia. Não acha que são coincidências demais?

Todos haviam se calado e me encaravam. O auror ainda buscava algo para dizer, contradizer a minha teoria. Ele abriu e fechou a boca várias vezes até que pareceu encontrar uma brecha na explicação.

— E o verdadeiro Armand? Onde ele está? Sabem como e quando ele foi substituído? — Os olhos do homem brilhavam devido às lágrimas e ficou claro que ele não estava refutando minha explicação, apenas buscando conforto no esclarecimento

— Acredito que o corpo dele está no porão! — Draco respondeu com cuidado. — Sinto muito. Avery estava usando a Poção Polissuco para se passar por Armand, mas desconheço as circunstâncias em que ele foi capturado. Quando me juntei a eles, Armand já era prisioneiro.

— Eu mostro onde fica.

Luna colocou a mão no ombro de Draco, ao passar por nós, num gesto de conforto. Neville apenas acenou com a cabeça, mas aquele ato também estava carregado de significado. Eles se afastaram, seguidos por alguns dos aurores e eu teria ficado olhando para os dois até desaparecerem, se Kingsley não tivesse começado a falar.

— Acho que devemos um pedido de desculpas ao senhor, senhor Malfoy. Pelo que eu entendi, pode ter salvo mais algumas vidas com que o acabou de fazer.

— Um agradecimento também não seria mal. — Draco disse sério, no melhor estilo Draco Malfoy.

Meneei a cabeça e suspirei — independente do que acontecesse, algumas coisas nunca iam mudar. Fleur me lançou um pequeno sorriso divertido, Percy fez uma careta e Hagrid revirou os olhos de forma teatral.

— Abusado!

— Obrigado. — O Ministro da Magia estendeu a mão para meu namorado, que a segurou firme, enquanto encarava a todos os outros de cabeça erguida.

— Claro. Eu também tinha razões para querer que tudo isso terminasse bem.

Draco passou o braço sob os meus ombros, puxando-me para mais perto e senti meu corpo se aquecer. Foi como se o turbilhão dentro de mim se acalmasse instantaneamente. Como se com aquele simples gesto, ele tivesse dissipado toda a tempestade de sentimentos contraditórios, angústias, medos, incertezas e tristeza. Um sorriso começou a se formar nos meus lábios e desviei o olhar para os escombros de propósito, quando percebi as pessoas me observando.

O movimento ao nosso redor começou a aumentar, quando os aurores se separaram para fazer seu trabalho. Dois deles levaram George — no que foram seguidos de perto por Arthur, Molly e Fleur. Percy conversava com Kingsley e contava sobre o que tinha acontecido desde que recebemos o Patrono de Draco até a chegada dos aurores na Mansão. Hagrid tinha voltado a Hogwarts para atualizar e acalmar Minerva. Narcisa orientava os aurores e os auxiliava a se movimentar pela casa.

Parecia estranho, sentir-me tão calma em meio a toda aquela agitação, finalmente, poder deixar que outras pessoas resolvessem as coisas, pra variar. Então, Draco me puxou para um abraço. E com os braços dele firmes em volta de mim; com o rosto apoiado em seu peito; sentindo o cheiro de sândalo, âmbar e musgo de carvalho; escutando as batidas fortes e estáveis do seu coração; consegui deixar o resto de lado. Até que a voz de Luna nos chamou para a única coisa que poderia me fazer querer sair dali.

— Hermione, Draco. Venham logo! Vamos para casa.

Eu estava exausta, mas também estava feliz. De uma maneira que não imaginava ser possível depois de tudo aquilo. Neville girou a maçaneta da porta da frente brigando de brincadeira com Luna — por caçoar dele e ameaçar consertar o tornozelo, que ele havia torcido, com o mesmo feitiço que Lockhart usou para arrumar o braço de Harry.

— Querida, cheguei! — Anunciei ao cruzar o batente.

Os três me lançaram olhares perdidos e desconfiados. Eu sabia que ninguém ia entender a brincadeira, mas quis fazê-la mesmo assim.

— Piada de trouxa. — Expliquei rindo sozinha, feito uma idiota.

Foi então que Angelina apareceu na porta da cozinha. A expressão em seu rosto fez nossos sorrisos murcharem. A sensação dentro do meu peito era bem similar, como se meu coração tivesse murchado e desaparecido, deixando para trás apenas o seu lugar vazio. Draco soltou a minha mão e foi como se o mundo ao redor começasse a rodar, como se eu tivesse perdido totalmente meu senso de direção, meu norte. Um estrondo na parede ao meu lado me fez pular. O loiro socou com força a alvenaria, descarregando toda sua frustração e descontentamento, e o fez algumas vezes, até Neville se adiantar e segurá-lo pelo punho.

— Onde...? — Praticamente guinchei, sem conseguir fazer ar suficiente passar pela minha garganta.

— No quarto da Andrômeda. — Ela murmurou de volta.

Adiantei-me, mas parei quando Draco não me acompanhou. Ele mantinha a cabeça e as mãos, ainda em punhos, encostadas na parede e os olhos fechados. Joguei o peso de uma perna para a outra, desesperada por descobrir o que fazer.

— Draco. — chamei incerta.

Ele meneou a cabeça em negativa, sem abrir os olhos. As narinas estavam dilatadas devido à força que ele fazia para respirar, para se acalmar. E os nós dos dedos estavam ficando ainda mais brancos.

— Eu sou a última pessoa que eles vão querer ver agora. — a voz dele tremeu.

— Vai. — Luna sussurrou. — A gente fica com ele até você voltar.

Subi os degraus de dois em dois, forçando as lágrimas a permanecerem no lugar. Quando, depois do que pareceram horas de subida, finalmente alcancei a porta do quarto, hesitei. As palavras de Draco ecoavam sem parar na minha cabeça Eu sou a última pessoa que eles vão querer ver agora. De repente, segurei a maçaneta, decidida, mas desisti e recolhi a mão. Eles poderiam não querer ver ninguém. Mas, especialmente, poderiam não querer ME ver. Podiam estar me odiando. Afinal, eu não impedi Rodolfo de levar Gina. Eu entendi perfeitamente a reação do meu namorado naquele momento, parada no meio do corredor, sozinha, no silêncio. Não foi suficiente. Nada do que fizemos foi suficiente.

As lágrimas escaparam, teimosas. Encostei na parede e respirei fundo, tentando me controlar. Então, uma certeza brotou dentro de mim. Independente de como eu fosse ser recebida depois que cruzasse aquela porta, eu tinha que entrar. Eu devia isso a Harry e Gina. Segurei a maçaneta de novo e bati três vezes.

— Sou eu, Hermione. — anunciei.

Esperei por uma resposta, algum sinal indicando que eu podia prosseguir. Mas ele não veio. Fechei os olhos, cansada. Não foi suficiente.

— Hermione. — a voz de Harry estava fraca, quebrada. — Graças a Merlim. Achei que tivesse imaginado a sua voz.

Ergui a cabeça. Ele me olhava do outro lado do batente. As cortinas estavam fechadas, deixando o quarto escuro e eu não conseguia ver nada atrás dele. Engoli em seco. Não podia chorar. Eu não ia chorar. Eu precisava ser forte, por eles.

— Harry. — suspirei.

Não esperei por permissão, dei um passo à frente e fechei a distância entre nós, jogando os braços ao redor do pescoço dele. Ele me abraçou de volta, com força, como se precisasse de algo em que se apoiar, em que se sustentar.

— Eu sinto muito! Sinto muito mesmo. Me desculpe, Harry.

— A culpa não é sua… Se Gina está viva, se conseguimos tirar ela de lá foi por sua causa, sua e do Malfoy. — Ele fungou baixinho e me soltou, virando-se para uma cama de dossel, no lado direito do quarto, onde Gina estava adormecida. — Madame Pomfrey disse que, se demorássemos mais um pouco, teríamos perdido as duas.

Assenti e ele se sentiu encorajado a continuar.

— Eu não… eu me sinto tão impotente. Não sei o que fazer, Mione. É como se… como se tivessem arrancado o chão de debaixo dos meus pés. Como posso passar força pra Gina se não a tenho nem pra mim mesmo?

Ele sentou na ponta da cama e começou a chorar baixinho.

— Nossa Lily… Era tudo tão surreal e tão real ao mesmo tempo. Por que, Mione? Por que são sempre os inocentes que pagam o preço pela ganância e maldade do mundo?

Eu não tinha a resposta para nenhuma daquelas perguntas. Eu me sentia tão perdida quanto Harry. Sempre considerei Lily um pouco minha também — minha afilhada, minha sobrinha, minha filha. Nossa pequena e maravilhosa surpresa. Nossa manhã de sol, toda cabelos ruivos, olhos verdes e covinhas. Incrível como em tão curto espaço de tempo ela se tornou parte tão grande nós. Como uma estrela cadente, passou por nossas vidas e deixou um imenso rastro de luz. Como toda estrela cadente, foi fugaz e seria inesquecível.

— Vocês vão ficar bem. — Falei baixinho. Era a única coisa que fazia sentido dizer. — Eu sei que é pedir muito, mas você precisa encontrar essa força. Gina precisa de você, mais do que nunca.

— Ela precisa de nós dois. — Ele respondeu. — Quer dizer… Nós dois precisamos, ela e eu… Nós dois precisamos de você.

Não consegui mais segurar, deixei minhas lágrimas caírem e se misturarem as de Harry. Ficamos sentados um ao lado do outro, tentando lidar com a dor e a tristeza, velando o sono de Gina, por um longo tempo. Ela se mexeu inquieta na cama e o menino que sobreviveu deitou ao lado da noiva, aconchegando-a junto de si. Era a minha deixa para partir. Mas ainda gastei alguns minutos observando os dois juntos, pensando em como faria para ajudá-los, se eu tinha mesmo toda essa força de que eles precisavam. Até que fiquei consciente do latejar na minha cabeça, do peso do cansaço nos meus membros, da dor crescente na minha bochecha.

Encostei a porta com cuidado ao sair e desci as escadas devagar, planejando cada passo para que não sobrecarregasse ainda mais meu corpo cansado. Luna me interceptou no corredor do segundo para o primeiro andar. Ela já estava limpa e alguém tinha tratado de seus ferimentos.

— Ah, achei você! — Ela cantou. — Que tal um banho, roupas limpas e um pouco de comida?

— O que mais eu poderia querer? — Brinquei.

— Ótimo… Estou ao seu dispor, madame. Vamos, vou cuidar de você!

— Na verdade, tem mais uma coisa que eu quero, sim. Meu namorado. — Disse ainda em tom divertido.

— Não prefere estar limpinha e cheirosa pra encontrar com ele? — Ela fez uma careta.

— Só quero ter certeza de que ele está bem! — Temei.

Luna me analisou de cima a baixo, a expressão em seu rosto passando de divertida para cansada e triste.

— Droga! Avisei pra eles que não conseguiria mentir, especialmente para você.

Ela me encarou e deu um passo na minha direção. Dei um passo atrás, esquivando-me da mão que ela esticava em direção ao meu ombro. Senti meu corpo começar a tremer. E o restante das minhas forças escorrer pela ponta dos meus dedos.

— Luna… — Gemi, fugindo dela de novo.

Luna deixou o braço cair ao lado do corpo, derrotada. E soltou um longo suspiro.

Notas finais
Errinhos, já sabem! BJo