Dramione - Side Effect

24 Não vou a lugar nenhum


Notas iniciais
Oi pessoas, que saudade de postar aqui! Quase morri de depressão nesse tempo que o Nyah ficou fechado... (autora dramática modo on). Como todo mundo deve estar louco de vontade de ler o próximo capítulo depois de toda essa espera forçada, vou deixar vocês em paz. Mas quero MUITOS comentários... MUITOS mesmo. Tipo uns 50 (tenho 230 leitores, então isso não é nada), então posto o próximo capítulo. Será que consigo portar daqui a dois dias??? Meus leitores são os melhores, aposto que aceitam o desafio e vão conseguir...

— Isso! É isso! Justiça! — ouvi a voz de Ronald crescer quando ele entrou no salão comunal.

Sentados no sofá à minha frente, Harry e Gina mostraram seu desgosto por meio de caretas e acenos negativos de cabeça. Desde havia retornado de sua primeira experiência com os Aurores semanas atrás, Ronald estava ainda mais intratável. A investida foi bem sucedida e Notte e Zabini agora aguardavam julgamento em Azkaban. Não tinha como sabermos a real dimensão dos fatos, já que ouvimos tudo da boca do ruivo, mas nós três concordávamos que a missão devia ter sido mais tranquila e segura do que ele fez parecer. Ron trocava correspondências com o departamento todos os dias, desesperado para estar sempre por dentro dos mínimos detalhes do que estava acontecendo.

— Estão sabendo das novidades? Nada poderia ser mais apropriado, acredito. — ele disse diretamente para nós.

— Oh, por favor, conte, conte… Não vou conseguir dormir se não souber qual dos aurores não foi trabalhar hoje.

— Toda e qualquer informação é importante, Gina. Quando um auror falta ao trabalho isso pode significar uma simples varíola de dragão ou um sequestro, um atentado. Somos alvos muito visados devido à nossa habilidade no combate às artes das trevas e as informações secretas que guardamos.

A ruiva revirou os olhos. Tornou-se cansativo, até mesmo para Harry, que queria seguir a profissão, escutar sobre a rotina dos aurores. Ronald não parava de falar sobre o assunto, esmiuçando até mesmo os temas mais banais e desnecessários, além de convenientemente esquecer que era apenas um estagiário.

— Mas voltando ao que eu ia dizer... Finalmente, a execução de Lucius Malfoy foi marcada. Ele receberá o Beijo do Dementador no Halloween! Não é maravilhoso?!

— Maravilhoso?

Desde o dia em que ele descobriu que era Gina quem estava grávida, não eu, — nós comemorávamos a confirmação de que seria mesmo uma menina, quando ele entrou e ouviu tudo — eu quase não falava com ele. Primeiro porque a discussão que tivemos naquele dia — quando Ron xingou Gina de nomes não publicáveis e quis azarar Harry — extinguiu quase tudo que eu pudesse ter para dizer. Segundo porque eu prometi a mim mesma que não discutiria mais com Ronald, que ignoraria os absurdos que ele dissesse por mais idiotas, preconceituosos ou monstruosos. E eu vinha me saindo bem nisso. Até então!

— Eu bem que procurei uma palavra melhor enquanto voltava do corujal, mas não encontrei. Não conheço nenhuma expressão que defina melhor o que eu estou sentindo. Finalmente, ele vai pagar por tudo o que fez, como merece.

— Por Merlin, Ronald. Esse tipo de atitude não faz de você alguém melhor que ele, apenas igual. Como quer ser diferente agindo da mesma maneira rancorosa e malévola?

— Não adianta, Hermione. Essa é uma discussão perdida. — disse Harry.

— Espera aí… Você disse Halloween? Daqui há duas semanas, Halloween? Quando faremos o baile beneficente do Instituto?

— Isso mesmo. Por isso é tão apropriado… Teremos mais uma razão para comemorar.

Harry balançou a cabeça negativamente, uma expressão triste no rosto. Gina era o reflexo da decepção. Subitamente ela pareceu se lembrar de algo, e apesar de questionar o irmão, seus olhos estavam em mim.

— Quando foi que essa notícia chegou? Todos no Ministério já sabem?

— Recebi uma coruja há alguns minutos. É claro que sabem, Gina. Rita Skeeter vai publicar a boa nova no Profeta de amanhã também, assim a Inglaterra toda vai saber.

Arregalei os olhos para minha amiga. Nas duas últimas semanas meu maior contato com Draco havia sido durante as rondas. Nós costumávamos falar sobre quase tudo, mas o futuro de Lucius e o que aconteceu durante a guerra eram uma espécie de tabu. Eu queria esquecer o que aconteceu e sabia o quanto era doloroso para ele conversar sobre isso. Então, foi como se estabelecêssemos um pacto. Mas, meu pai estava certo. Não dava para evitar cutucar as feridas.

Não me preocupei em avisar para onde ia. Apenas devolvi o olhar para Gina com a esperança de que ela entendesse, coloquei o pergaminho e a pena de lado e sai em disparada.

— Aonde você vai? Ainda não contei tu-

Ouvi a voz de Ronald ser cortada quando atravessei o buraco do retrato.

Draco sabia melhor que ninguém como eu passei a odiar andar pelo castelo sozinha e, por isso, mesmo correndo o risco de cruzar com Ronald, esperava por mim no corredor da entrada da torre. Não faltava muito para ronda e ele já devia estar a caminho nesse momento. Desci os degraus de dois em dois, estava quase tudo vazio, e só avistei alguns fantasmas pelo caminho. Quando virei a esquerda no corredor leste do terceiro andar eu o vi pisar no topo da escada. Draco usava uma blusa de linho preta com gola alta e mangas compridas, uma calça jeans preta e sapatos pretos. Imaginei se ele sabia o efeito que aquilo provocava em contraste com sua pele clara e seus cabelos loiros quase brancos e se vestia assim de propósito. Ele levantou os olhos e me viu, a lateral de sua boca curvou para cima em um meio sorriso, suavizando sua expressão dura. De repente o espaço entre nós parecia imenso. Forcei minhas pernas ainda mais e me joguei nele. Draco envolveu minha cintura com os braços ainda assustado.

— Também senti saudade. — disse em meio a uma risada.

Meu coração perdeu uma batida quando percebi seu bom humor e constatei que ele parecia não saber de nada. Meu cérebro começou a trabalhar furiosamente. Não podia contar a ele enquanto andávamos pelos corredores. Não sabia o que ele faria, como reagiria. Precisava de um lugar reservado, que nos garantisse privacidade.

— Será que alguém vai perceber se faltarmos à ronda hoje?

Draco me lançou um olhar ao mesmo tempo surpreso e cheio de malícia. As íris azul-acinzentadas escurecendo, como o céu que se fecha para uma tempestade.

— Eu não poderia me importar menos.

Caminhamos mais rápido do que normalmente faríamos se estivéssemos em ronda. Quando chegamos ao corredor, adiantei-me e executei o ritual em frente a parede.

Eu mal tinha passado pela porta quando fui tirada do chão por um par de braços que se fecharam com firmeza ao meu redor. Draco me girou, colocando-nos frente a frente e, antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, tomou minha boca na dele. Ele pediu espaço com a língua e eu cedi, enquanto meus pensamentos se desorganizavam e eu me esquecia da verdadeira razão de termos ido parar ali. Não sei se caminhamos em meio ao beijo, nem como ele registrou que aquilo estava lá. Sei que senti algo contra as dobras dos meus joelhos e ele me empurrou com delicadeza, enquanto sustentava meu peso, pousando-me suavemente em uma espécie de divã preto de couro.

Draco desceu um linha de beijos pela minha mandíbula até o meu pescoço. Joguei a cabeça pra trás e agarrei seus ombros com força, sentindo a tensão dos músculos por baixo do tecido. Quando ele colocou a mão por dentro da minha blusa de lã, acariciando e apertando minha cintura, minha pele pareceu pegar fogo onde suas mãos me tocaram. Ele traçou o contorno do meu umbigo com a ponta do dedo e arregaçou o tecido para distribuir beijos pelo mesmo caminho. Soltei um pequeno gemido quando ele deslizou os lábios com suavidade pela linha do meu abdome e senti-o sorrir contra a minha pele. Entrelacei meus dedos em seus cabelos claros, lutando para manter a sanidade enquanto ele distribuía mais beijos, agora subindo até alcançar minha boca novamente.

Quando me beijou de novo, ele colocou uma das pernas entre as minhas e permitiu que um pouco de seu peso ficasse sobre mim, pressionando nossos corpos. Entrelacei minha perna esquerda na cintura de Draco, aumentando o contato e foi a vez do loiro gemer contra a minha boca. Sua mão desceu automaticamente para o meu quadril e ele apertou a carne macia ao mesmo tempo em que aprofundou o beijo. Precisamos de ar e aproveitei para passar os lábios pela orelha dele, mordiscando o lóbulo.

— Hermione…

Ele sussurrou com a voz rouca, em tom de aviso, quando repeti o gesto. Num movimento rápido e fluido Draco inverteu nossas posições e se sentou, levando minhas pernas uma para cada lado de seu corpo. Dessa maneira estávamos quase da mesma altura. Nossos olhos se encontraram, castanho e azul misturados. A intensidade do olhar de Draco me fez corar.

— Eu quero você, Hermione.

Perdi o ar e engasguei. Eu conseguia sentir a verdade daquelas palavras em cada pedaço dele, mas não era seu corpo que mais me intimidava, era seu olhar.

— Draco… — comecei. Nunca falamos sobre sexo, mas com o episódio da suposta gravidez e os absurdos que Ronald disse em nossas várias brigas, eu não condenava Draco por pensar que eu já tinha feito aquilo antes. — Sei que é difícil de acreditar, mas eu… Tudo o que Ronald disse era mentira… Quer dizer, eu…

Diante da minha inabilidade para formular uma frase coerente, ele me puxou para um abraço. Quando nos afastamos, ele segurou meu rosto entre as mãos e beijou minhas bochechas quentes.

— Você fica ainda mais linda quando está envergonhada.

Bati com o punho fechado no peito dele, uma forma idiota de protesto por me deixar ainda mais embaraçada.

— E você adora me deixar envergonhada.

— Minha vontade é acabar com a raça do Weasley por ter dito todos aqueles absurdos. Por Merlin, Hermione, ele sabia melhor do que ninguém que nada daquilo podia ser verdade.

Meu rosto agora pegava fogo entre as mãos dele. E eu não podia nem mesmo desviar o olhar.

— Draco… Deixa pra lá, esquece. Não importa. Como você mesmo disse, não era verdade. Além disso, tem uma coisa que eu preci-

— Isto está tão errado. Como pode namorar aquele idiota desmiolado? Você merece mais, Hermione. Merece que alguém cuide verdadeiramente de você, te faça sentir segura, feliz, amada…

Absorvi a última palavra com o coração espancando meu peito. Era exatamente isso que Draco vinha tentando fazer desde que voltamos à Hogwarts, cuidar de mim. E sim, eu me sentia segura ao lado dele, por mais dúvidas e incertezas que eu ainda tivesse sobre ele, sobre nós. A paz no mundo bruxo ainda era apenas uma sombra do que todos esperavam. Ronald fazia questão de usar sua influência, e a ajuda de outras pessoas também influentes que compartilhavam de sua sede por vingança, para estimular a caça aos comensais e aumentar as penas. Histórias obscuras da guerra, novos casos de tortura, estupro, sequestro e assassinato ainda surgiam esporadicamente para avivar o que as pessoas queriam esquecer. As suposições de Annie Potins não geraram uma grande repercussão, mas as reações foram diversas e, infelizmente, em sua grande maioria negativas. E, em meio a tudo isso, eu tinha medo do que assumir publicamente nossa relação podia significar para a liberdade de Draco.

— Ainda bem que encontrei você.

Senti um tremor balançar o corpo de Draco embaixo de mim, o toque de suas mãos em meu rosto ficou menos suave.

— Se pelo menos isso tivesse acontecido antes. As coisas que eu fiz… as coisas que você teve que enfrentar...

— Shhhh… Draco, não. Tudo acontece por uma razão. Você agora é uma pessoa melhor…

— Não seja tão condescendente comigo, Hermione. Nós dois sabemos que eu ainda tenho um longo caminho a percorrer antes de poder voltar a me encarar no espelho sem sentir nojo do que vejo.

Encostei minha testa na dele e inalei profundamente, tentando guardar na memória o cheiro amadeirado do perfume de Draco. Eu não podia mais fingir que estava tudo bem. Eu precisava tocar no assunto, tentar cuidar dele como ele vinha cuidando de mim. Precisava prepará-lo, não podia deixá-lo saber por meio de um jornal. Meus olhos arderam e eu sabia que não conseguiria segurar as lágrimas por muito tempo. Ah, Merlin, ele já tinha tanta coisa com que lidar. Eu sabia que, no fundo, ele se culpava pelo destino dos pais, especialmente de Lucius. Sabia que, de alguma forma, ele se sentia responsável.

— Draco! Eu preciso contar uma coisa… Antes de deixar a torre, escutei Ronald dizer que recebeu uma carta do Ministério… e bem...

— Meu pai será executado no Halloween. Eu sei, eles tiveram a dignidade de me avisar antes que saísse no Profeta Diário.

Ele fuzilava a parede atrás de mim. Toda a alegria e brilho haviam deixado seus olhos, eles agora estavam vermelhos e duros.

— Ah, Draco. Eu sinto tanto.

Abracei o sonserino com força, tentando colocar naquele abraço tudo o que eu não conseguia dizer. Draco nos girou de novo e se deitou com a cabeça apoiada na minha barriga. Acariciei seus cabelos pensando que, apesar do consenso popular, a verdadeira paz ainda era um sonho distante. Continuaríamos a ferir uns aos outros por um longo tempo, mesmo que não houvesse mais batalhas para lutar.

— Fica comigo essa noite, Hermione. Por favor.

— Não vou a lugar nenhum…

Notas finais
Capítulo 25: "- Ah. Meu. Merlin. Hermione Vocês dormiram juntos? Apertei o braço dela que estava entrelaçado com o meu. — Gina! — O que? Aconteceu ou não aconteceu? Qual é problema Hermione? Todo mundo faz isso." >>>>> Gina indiscreta... E ai, aconteceu ou não aconteceu??? Já sabem como matar a curiosidade... XOXO