Notas iniciais
Oi gente!!!!!!!!!!! Capítulo novinho pra vocês... E, olha, falta UMA semana pro meu Chá de Panela... 1 mês e meio pro meu CASAMENTO. Ou seja, tenho 374692830912 coisas pra resolver. Mas, ainda assim, fiz questão de passar aqui e deixar o capítulo 70 pra vocês. Então, vamos combinar que só vale desejar coisas boas pra Titia nos comentários, ok?! Bjos

Meu cérebro trabalhava furiosamente tentando encontrar uma maneira de nos tirar dali. Mas eu estava encurralada. Mesmo que eu pudesse aparatar, seria muito arriscado fazer aquilo levando comigo uma criança de quatro anos. Qualquer outra opção dependia de eu conseguir alcançar minha varinha. E alguma coisa me dizia que, no momento em que eu tentasse, estaria nos condenando. Nossa única saída possível era a porta atrás dele. Respirei fundo, tentando permanecer imóvel e calma.

— Oi, Derick.

— Olá, Hermione. — um arrepio percorreu a minha espinha quando ele disse meu nome. — Finalmente nos encontramos de novo!

Mase deixou escapar um soluço e imaginar o que havia acontecido para causar aquele tipo de pânico em um garotinho desenvolto e corajoso como ele fez a raiva explodir dentro de mim.

— Que tipo de monstro é você? — sibilei. Apesar do ódio e do medo, eu precisava que minha voz soasse firme e ameaçadora.

— Monstro? — ele sorriu zombeteiro. — Mase sempre adorou brincar comigo.

O garotinho se encolheu nos meus braços e enterrou o rosto na curva do meu pescoço.

— Não fale com ele. — ordenei. Apertando Mase contra mim.

— Ora, vamos, Hermione. Acha mesmo que eu quero fazer mal pra vocês? Eu só estou com saudades do meu parceirinho… E de você também, é claro.

Revirei os olhos. Não sabia por quanto tempo ele ia manter aquele teatro, mas, pelo meu bem e de Mase, precisava que durasse, pelo menos, até eu descobrir o que fazer.

— Não posso dizer que estou surpresa em te ver. Alguma coisa me dizia que não havia acabado. — comentei, tentando ganhar tempo.

— Talvez tenha sido o colar… — Derick zombou, fazendo meu estômago dar um salto.

Então, ele havia me mandado o colar de volta. Saber disso fez a pele ao redor do meu pescoço, que estava em contato com metal, pinicar.

— Como...? — balbuciei.

— Como eu o peguei? Ora, por favor… Já se esqueceu dos nossos momentos maravilhosos no Instituto? — aquela frase não só trouxe de volta lembranças que eu gostaria de não ter, como deixou claro o quanto Derick estava no controle da situação. Como estava me manipulando, levando-me a perguntar exatamente o que ele queria, para que pudesse responder na medida certa, com o que gostaria que eu soubesse, com o que sabia que mais me abalaria. — O peguei da mesma maneira e na mesma oportunidade em que peguei o Desiluminador. Só fui mais cuidadoso na hora de guardar o colar. Tinha um valor muito maior pra mim do que aquela engenhoca do Weasley.

— O que você quer? Quer dizer, houve tantas oportunidades...

— Nenhuma boa o bastante, nenhuma como essa.

— Por que? Por que as pessoas baixaram a guarda?

Ele riu com vontade. Gargalhou, de forma genuína. E o som fez meu sangue congelar.

— As pessoas baixaram a guarda? Pelo Lorde das Trevas, às vezes, você é tão ingênua. Há mais Aurores, feitiços de proteção e olhos vigilantes aqui neste mísero jogo do que em toda a história da Copa Mundial de Quadribol. Nem o Ministro da Magia esteve mais bem vigiado que você.

Respirei fundo mais uma vez, aquilo ia ser mais difícil do que eu imaginava. Se o que ele estava dizendo fosse verdade… Para ter chegado tão longe quando tantos outros morreram, foram presos, ou até mesmo se entregaram, ele tinha que estar planejando tudo a muito, muito tempo. Sabia que estava trilhando um caminho perigoso, mas ainda assim resolvi perguntar.

— Por que eu?

— Você? — Derick riu alto, fazendo minhas bochechas esquentarem — Não me entenda mal. Você é um puta bônus pros meus planos... — seus olhos estavam fixos em meu rosto, o que acabou me deixando envergonhada.

— Mas, ao contrário do que todo mundo lá fora acredita... — pensei no comportamento misterioso dos meus amigos durante a última semana, no olhar preocupado de Ron pouco antes de nos separarmos. — ...isso não diz respeito a mim. — completei.

— Não. Não diz.

— O que você quer? — perguntei de novo. — O que quer de verdade?

— Depende… — ele suspirou.

— Claro! — rebati, irônica, já sem nenhuma paciência para o joguinho dele. — Vocês idiotas nunca podem simplificar os planos de vingança. Precisa sempre ser grandioso, mirabolante…

Derick praticamente saltou do lugar em que estava na minha direção, ainda tentei dar um passo para trás, mas estava encurralada entre ele, a cabine e a parede. Então, o rapaz agarrou e apertou meu queixo, obrigando-me a encarar os frios olhos cor de esmeralda.

— Não me teste, Hermione.

Trinquei os dentes e me obriguei a aguentar a dor. Meus olhos se encheram de lágrimas, de novo, mas eu estava determinada a não deixar mais nenhuma delas cair na frente dele. Depois de examinar minha expressão por alguns segundos, desafiando-me a provocá-lo, Derick voltou atrás e me soltou.

— Sempre admirei sua determinação.

— Certo. Porque você me conhece muito bem. — desdenhei.

Arrependi-me no segundo em que as palavras deixaram a minha boca. No instante seguinte, ele envolveu meu pescoço com a mão e me empurrou com força contra a parede. Milhares de pontos brancos se formaram na frente dos meus olhos quando o exato lugar, na parte de trás da minha cabeça, que eu havia machucado no Havaí, bateu contra a rocha. O fato de o ar não chegar mais aos meus pulmões também não estava ajudando.

— Viu o que você me obriga a fazer? — Derick praticamente gritou ao finalmente me soltar. Fiquei alguns segundos encostada na parede, respirando com força, sentindo minha garganta arder a cada inspiração e expiração, até ter certeza que minhas pernas não iam ceder. Então, examinei Mase, que parecia bem, apesar de muito quieto. — Não quero machucar você.

Engoli em seco a declaração e permaneci em silêncio, ainda tentando estabilizar minha respiração.

— É verdade. — ele insistiu. — Não quero machucar você.

— Harry? — arrisquei.

— Por que as pessoas acham que o mundo bruxo gira em torno de Harry Potter?

— Porque ele meio que gira. — respondi com sinceridade. — E porque há poucos meses você ajudou a sequestrar a noiva dele. — completei com um argumento um pouco mais lógico, tentando não parecer uma completa idiota.

— Ah, aquela palhaçada! — ele cruzou os braços na frente do corpo. — Lucius sempre foi um imbecil, fraco e oportunista. E Rodolfo não ficava atrás. Achei que ajudaria os meus planos… Mas os dois idiotas quase colocaram tudo a perder.

Quanto mais eu tentava me concentrar para entender o que estava acontecendo, mais minha cabeça doía. E eu não conseguia pensar direito. Como trabalhar no Instituto estava conectado a ajudar no sequestro de Gina e deixar todos pensarem que ele estava atrás de mim? Tinha que ser Harry. Ele era a única coisa em comum naquilo tudo. Era o dono do Instituto, o noivo de Gina, meu melhor amigo e de quebra, a pessoa mais odiada pelos bruxos das trevas.

Então, de forma quase relaxada, ainda de braços cruzados, Derick se recostou, apoiou o pé na porta e jogou a cabeça para trás. Aquele gesto fez cada célula do meu corpo entrar em alerta. Prendi a respiração, que havia custado tanto a recuperar. Era tudo milimetricamente parecido. Só que não havia o charme, nem a displicência naturais nos movimentos. Encostar daquela maneira contra a porta não o fez parecer descolado, ou enigmático, e, muito menos, sexy. Apenas uma imitação barata.

— Desgraçado! — bradei, mortificada de raiva por nunca ter percebido, quando os sinais estiveram o tempo todo diante dos meus olhos.

Foi como se Derick levasse um choque. Ele se colocou novamente em posição ereta e me fuzilou com seus grandes olhos verdes. Sustentei o olhar, decidida. Queria que ele lesse em minhas íris castanhas que eu havia descoberto a verdade. Que eu já sabia por que ele estava ali.

Depois do que pareceram horas, apenas encarando um ao outro, ele finalmente desviou o olhar. Eu tinha certeza de que ele havia entendido meu recado mudo. Mas, mesmo assim, Derick parecia relaxado e tranquilo. Era como se não importasse. E talvez não fizesse mesmo diferença. Afinal, não havia ninguém para quem eu pudesse contar.

— Droga! E eu que havia prometido para mim mesmo não subestimar você. — ele quebrou o silêncio. — Sabe, desde o começo, eu tinha certeza de que você seria a minha maior ameaça. Sempre atenta aos mínimos detalhes, a todas as palavras ditas… — ele começou a caminhar pelo vestiário, afastando-se de nós enquanto falava e Mase, subitamente, se agitou. — e, pior, às não ditas também.

— Achou mesmo que eu não ia perceber? — Mase remexeu de novo em meu colo e quase o deixei cair.

— Não, não... Eu sempre soube que iria. Veja bem, Potter não teria sobrevivido até a puberdade sem você por perto. — ele gesticulava de forma ampla, empolgado consigo mesmo e com a análise que fazia de nós, de mim em especial. — Mas, enquanto é esperta demais para algumas coisas, Hermione…

Derick deu as costas para nós por meio segundo para desviar de um dos bancos, mas aquele mínimo espaço de tempo foi suficiente para Mase saltar do meu colo e alcançar uma vassoura que eu não tinha visto encostada no armário. Saquei minha varinha sem nem tomar consciência do gesto.

Estupefaça!— Meu feitiço passou longe de atingir Derick, mas serviu para desviar a atenção dele.— Bombarda Máxima!

Enquanto ele se reequilibrava, consegui explodir a porta, abrindo caminho para a fuga de Mase. Só não tive oportunidade de admirar a destreza do garotinho com a vassoura, ou saborear o espanto e a surpresa no semblante do meu algoz. Primeiro bati contra a parede no fundo do cômodo, depois no chão. E, mesmo que Derick não tivesse caído sobre mim em seguida, eu não teria conseguido me levantar. Ele sentou sobre mim, com uma perna de cada lado do meu corpo, prendendo-me ali.

Comecei a me debater, para me livrar dele. Então, Derick segurou meus braços acima da minha cabeça. E quando fiz força tentando me soltar, meu pulso esquerdo estalou. Não consegui conter o grito de dor, para a satisfação do idiota.

Protego Maxima! — ele sussurrou apontando a varinha para cima. — Eu disse que não queria te machucar. Mas você precisava pagar pra ver, não é mesmo? Precisava dar uma de heroína… E do que adiantou?

— Mase está em segurança.

— O garoto era só uma distração. — Derick desdenhou. — Uma maneira de tirar as pessoas do caminho enquanto eu procurava por você.

— Ele era uma isca muito melhor que eu. — tentei erguer o quadril e ele riu.

— Como eu ia dizendo, antes de você me interromper tão rudemente com aquele feitiço... — ele torceu meu pulso mais um pouco, para garantir que eu não ia tentar mais nada. — Tão esperta para algumas coisas, tão devagar para outras.

— Está perdendo seu temp-

— Por favor, Hermione. — Derick terminou de girar meu pulso, quebrando-o, deixando com que a dor me calasse. Consegui não gritar ou reclamar em voz alta, mas foi impossível não choramingar um pouquinho. — Agora é você quem está me subestimando. Se ele quase se matou pra salvar sua melhor amiga… Me diga, o que Draco Malfoy NÃO faria por vocês?

Toda a dor havia desaparecido, a única coisa que meu cérebro conseguia processar naquele momento era aquele plural. Até então, eu acreditava, de verdade, que conhecia o medo. Mas a sensação que tomou conta de mim quando o escutei dizer a palavra “vocês” foi algo totalmente novo e avassalador. Tão destruidor que ficou evidente em meus olhos e fez Derick exultar.

— Oh, sim… Eu sei o seu pequeno segredo, Hermione. — ele acariciou minha barriga, fazendo meu estômago embrulhar. — E, bem… Desculpe dizer isso assim e acabar com a surpresa… Mas o papai também já sabe.

Mesmo que eu soubesse como responder à provocação, nada que eu dissesse teria a mínima importância. Derick tinha toda a razão. Ele esperou, pacientemente, pela oportunidade perfeita e nós a concebemos para ele, antes do previsto. Draco nunca esteve tão vulnerável. Não com a perda de Lily tão viva em todos nós. Não com todo o sofrimento provocado pelo sequestro de Gina. Não com todos os olhares tortos e sussurros maldosos que ele ainda enfrentava, especialmente, agora que estava ao meu lado. Draco jamais havia carregado tanta culpa. Se sabia mesmo sobre meu estado, ele nem pensaria antes de correr para o que quer que Derick planejava.

— Então, ainda acha que não é uma boa isca?

Notas finais
Também amo vocês!