Dramione - Side Effect

35 Ele não teve outra escolha


Notas iniciais
Muito Obrigada às lindíssimas Ana Pagotto Lupin Odair e Anny pelas recomendação emocionantes. O capítulo é de vocês! Apesar de eu achar que dessa vez isso não... Deixa para lá, isso vocês decidem depois!

A primeira coisa que registrei ao acordar foram as batidas calmas e ritmadas do coração de Draco sob a minha palma. Estava quente e aconchegante ali entre as cobertas, tão próxima a seu corpo, e eu demorei a conseguir abrir os olhos. Sentia-me leve, tranquila como a muito, muito tempo não sentia. Era como se minhas veias estivessem cheias de água morna, deixando-me tão relaxada que meu corpo estava frouxo. Mas a sensação era ótima.

Tentei me mexer com a maior delicadeza possível, sustentei o peso do corpo em um braço e puxei uma das cobertas com o outro para me cobrir. Assim que consegui me sentar, olhei para o loiro deitado ao meu lado e encontrei um par de olhos cor de tempestade me encarando com curiosidade.

— Vai há algum lugar? Por acaso estava pensando em fugir antes que eu acordasse, Granger?

— É claro que não! — respondi corada. — Eu só… eu só… — mas eu também não sabia o que pretendia fazer depois que me levantasse.

— Você só...?

— Eu não tenho ideia. — ele riu junto comigo e em um movimento rápido se sentou também. As cobertas caíram até a cintura de Draco e meus olhos seguiram o caminho do tecido percorrendo seu abdômen definido até a trilha de fios loiros que começava em seu umbigo e desaparecia entre os lençóis. Engoli em seco e me obriguei a encará-lo.

— Que horas são? — perguntei a fim de disfarçar o rubor que começava a se formar em meu rosto.

Draco jogou os pés para fora da cama e se levantou para andar até onde suas roupas jaziam, jogadas no chão de pedra. Foi um gesto natural e desinteressado. Ou ele não se deu conta de que não vestia nenhuma peça de roupa ou não se importava com o fato, mas eu engoli em seco. O loiro pegou alguma coisa no bolso interno da casaca, um relógio de bolso, e após espiar o visor rapidamente virou-se para mim. Desviei os olhos para a parede atrás dele no mesmo instante.

— Ainda não são nem cinco da manhã! Vamos voltar a dormir, ou talvez quem sabe…

Sorri sem graça antes de responder. A proposta era verdadeiramente tentadora. Os cabelos de Draco caiam sobre a testa desarrumados, sua pele estava corada e o brilho em seus olhos me tirava o ar.

— Harry e Gina podem estar precisando de ajuda!

— Ajuda? A festa já deve ter acabado a esta altura…

Lancei a ele um olhar que dizia “É exatamente por isso que eles devem estar precisando de nós!”. Draco suspirou de forma teatral enquanto vestia suas roupas e calçava suas botas. Ele deu a volta na cama e estendeu a mão para me ajudar, quando tentei me equilibrar nas sandálias de salto, ficou claro que eu já havia exigido mais do que o meu joelho podia suportar. Com uma aceno de varinha, o loiro conjurou um par de sapatilhas amarelas e se ajoelhou para colocá-las nos meus pés.

— Melhor?!

— Com certeza! — sorri de forma boba.

Pela quantidade de alunos nos corredores e escadas ficou claro que a agitação lá embaixo ainda não tinha acabado de fato. Pisei no degrau com um pouco mais de força e acabei apertando a mão de Draco quando senti uma fisgada no joelho. Ele parou no meio da escada e me olhou de forma acusadora.

— Vou te levar até o dormitório e volto para ajudar o Potter e a Weasley.

— Não. Eu quero ir lá pra baixo. Não vou conseguir dormir agora, de qualquer maneira. — admiti encarando nossas mãos entrelaçadas.

— Por favor, não discuta comi-

O chão se moveu sob nossos pés e Draco imediatamente enlaçou minha cintura, evitando que eu rolasse pelos degraus de forma patética. Ficava cada vez mais difícil não odiar Ronald. Os danos causados ao meu joelho pelo duelo no jardim tinham me transformado em uma completa inútil. Quando a escada parou continuei meu caminho para baixo, apesar de ela ter parado no corredor mais inóspito e vazio de todo o castelo, sem esperar pelo sonserino. Ouvi ele bufar antes de me seguir.

— O que é que eu vou fazer com você? — Draco passou os braços pela minha cintura e me puxou de encontro ao peito, tirando-me do chão. Deitei a cabeça para trás, contra seu ombro e ele enterrou o rosto da curva do meu pescoço inalando profundamente.

— Você insistiu tanto para que eu ficasse com você e agora não sabe o que fazer comigo. Típico! Só podia ser sonserino.

— Eu sei exata-

— Harry está exagerando! Eu estou grávida, não doente. Podia muito bem ficar até o fim. Quase todo mundo já foi mesmo. Aliás, por que toda a preocupação? Ou está só fingindo agora que todos sabem a verdade? — a voz irritada de Gina encheu o corredor e cortou a frase de Draco no meio.

— Ótimo. Agora você tem companhia para voltar para o dormitório.

Revirei os olhos para o comentário sussurrado de Draco. Gina só usava aquele tom de voz ácido com uma pessoa e, em um corredor vazio no meio do castelo, sem todas as testemunhas, ele não ia deixar a chance passar. Olhei ao redor procurando um lugar para nos escondermos — a minha direita, na direção de onde vinha o som da voz de Gina, estava a estátua da Bruxa de um Olho Só; a esquerda, a porta do que deveria ser um armário de vassouras. Decidi pelo armário, é claro, mas não tinha dado nem meio passo quando os irmãos Weasley fizeram a curva passando pela estátua.

Vi a raiva faiscar nos olhos de Ronald quando ele percebeu Draco e eu ali abraçados de forma tão íntima. Gina riu de forma maliciosa antes de se lembrar que o irmão estava ao seu lado. Então tudo pareceu acontecer ao mesmo tempo.

Duas formas escuras saíram detrás da estátua da Bruxa de Um Olho Só e eu respirei por um instante, quando o ruivo exitou, nervoso pela presença deles. Draco emitiu um som estrangulado, como um engasgo. E eu vi minha inépcia refletida no rosto de Gina. Foi preciso que eles se aproximassem para que eu entendesse porque Draco havia congelado ao meu lado.

Como se tivéssemos ensaiado o movimento, todos sacamos as varinhas. E meu coração despencou no peito, quando um jorro de luz vermelha irrompeu da varinha de Ronald e fez a de Gina voar através do cômodo. Nunca vou me esquecer do olhar ferido, da incredulidade e da tristeza no rosto dela.

Sectumsempra!

Também nunca imaginei aquelas palavras saindo da minha boca, mas o ódio que eu sentia por Ronald e por aquelas duas figuras precisava fluir para algum lugar.

Protego!

Enquanto eu atacava, Draco tentava defender Gina, agora desarmada e encurralada no meio da confusão.

Lacarnun Inflamare! — ataquei de novo. O intruso da esquerda, baixinho e atarracado, ainda tentou desviar mas a manga de sua capa preta começou a pegar fogo.

Tive que me encolher contra a parede para escapar de um jorro de luz verde lançado pelo outro mascarado. E me abaixei bem a tempo de não ser estuporada por Ronald. Sem meus feitiços para lhe dar cobertura enquanto ele corria tentando alcançar Gina, Draco foi obrigado a atacar e Ron usou o momento para agarrá-la. O sonserino estacou a alguns passos dos dois, ao notar a varinha do Weasley afundada na jugular da irmã. Um som parecido com o de um animal ferido de morte e agonizando ecoou pelas paredes e não me surpreendi ao perceber que vinha de mim.

— Ron, não! O que você...? Por que?

— Ele não teve outra escolha! — a voz rouca e ameaçadora não me era estranha. E um calafrio percorreu a minha espinha em resposta aquele som macabro. — Tive que sacrificar a liberdade de dois dos meus homens para conseguir enfeitiçá-lo. O canalha lutou como o inferno antes de se deixar controlar. Ficava tendo lampejos da própria consciência, não obedecia direito quando eu o mandava agir. E como se isso não fosse suficiente, ainda foi atingido por um feitiço de memória que quase despedaçou minha conexão e me tirou de vez do controle. — trinquei os dentes e obriguei o vômito a voltar pela garganta. Gina chorava silenciosamente, presa nos braços do irmão. Draco, a poucos passos de mim, parecia nem respirar. — Até que ele viu você e o Draquinho juntos no baile lá embaixo. Aquela fúria era tudo que eu precisava para trazê-lo definitivamente para mim.

— Rodolfo, deixe a garota Weasley ir. Ela não tem nada a ver com isso. — o nome e, principalmente, a maneira familiar com que Draco o pronunciou fizeram minha cabeça rodar.

— Ela tem tudo a ver com isso. A mãe dela matou sua tia, a minha Bellatrix. Qual é o seu problema, Draco? Eles acabaram de assassinar o seu pai! — o homem parecia descontrolado. A cólera em sua voz fazia eu ter medo de encará-lo, mesmo sabendo que a expressão louca e assassina que combinava com ela estava escondida pela máscara prateada.

— É o Potter que você quer. Vai desperdiçar a chance de pegá-lo por causa dela? — Draco argumentou de forma dura e seca, sem nem se mexer.

— Essa, querido sobrinho, é a razão porque você nunca é incluído nos planos. Você não consegue enxergar além, pensa muito pequeno. Eu não preciso capturar Harry Potter. Se eu tiver a vadiazinha dele, Potter virá correndo até mim.

— Não. Por favor, não! — supliquei debilmente, apoiada à parede. Aquilo não estava acontecendo. Aquilo não podia estar acontecendo. Era um sonho. Apenas mais um sonho ruim. E a qualquer momento eu iria acordar ao lado de Draco na Sala Precisa.

Rodolfo Lestrange me lançou um último olhar enojado e balançou a varinha da direção de Ron, que começou a caminhar com Gina rumo a passagem atrás da Bruxa.

— Não! — berrei, correndo na direção deles. — Me leve no lugar dela. Eu conheço Harry, ele iria por qualquer amigo em perigo. Por favor, não precisa ser ela. — Draco olhou para mim pela primeira vez desde que tudo começou, quando parei ao seu lado. Seu rosto estava contorcido de dor, os olhos pareciam apagados. E eu vi o reflexo do garoto atormentado, que ele foi durante a guerra, dentro deles de novo.

— Por que eu trocaria a ex-futura mulher do cicatriz por você? — riu Rodolfo. Desfazendo nossa conexão momentânea. — Eu deveria era matá-la aqui mesmo, pouparia muito tra-

— Porque a Gina está grávida, Rodolfo. — Draco rosnou.

— Eu sei! E é por isso que ela é tão mais valiosa.

Arrisquei mais alguns passos, o desespero de conseguir chegar até Gina ameaçando transbordar dos meus olhos, e senti uma pressão no meio das costas. As cordas invisíveis me obrigaram a ficar imóvel, ao mesmo tempo em que meu coração era arrancado do peito. Draco havia me enfeitiçado pelas costas.

— Vamos sair daqui antes que mais alguém apareça. — o loiro sentenciou.

Rodolfo Lestrange pareceu confuso por alguns instantes e olhou do sobrinho para mim e de volta para Draco, mas não discutiu, apenas sentenciou.

— Você, sangue-ruim, — ele fez um aceno brusco de cabeça para mim. — só vai sobreviver hoje para poder avisar ao Potter quem levou a mulher dele.

Então, seguiu Ronald e o outro homem pela passagem. Mesmo que não estivesse presa pelo feitiço, eu não seria capaz de me mexer.

— Você obedeceria se eu pedisse para não nos seguir? — Draco perguntou, depois que os outros desapareceram atrás da estátua.

Encarei meus pés, lutando para não derramar as lágrimas que inundavam meus olhos e embaçavam minha visão. Sentindo-me humilhada, traída, despedaçada.

Um pedaço de madeira marrom no chão à minha direita chamou a minha atenção. A varinha de Gina estava a apenas dois passos de mim. Notar aquilo aumentou ainda mais a dor no lado esquerdo do meu peito.

— Hermione... Quando as coisas ficarem ainda piores, apenas tente se lembrar… Apenas se lembre que eu… eu te amo. Te amo. Tanto te amo. Ita hic amor non est in me. — ele sussurrou apressado.

Ouvir meu nome e aquela maldita frase fez o ódio borbulhar dentro de mim. O feitiço de imobilização se quebrou no instante em que ele desapareceu pela passagem. Alcancei a varinha, agitei com raiva e o meu feitiço ricocheteou na parede de pedra, ecoando pelo corredor vazio. Obriguei meus pés a empurrarem o chão e corri. A passagem estava escura e fria. O cheiro de mofo e bolor, misturado ao gosto salgado das lágrimas na minha boca, estavam me sufocando.

Lumus. — murmurei tentando não tropeçar nos meus próprios pés. Levantei a varinha acima da cabeça e vislumbrei os cabelos loiros alguns metros à minha frente.

Draco deve ter percebido a claridade porque se virou para mim no mesmo instante. E mesmo à distância, na penumbra, pude ver o desespero em seu rosto, o olhar atormentado e cheio de dor de durante a guerra, que acentuava a tempestade, que escurecia as belas feições do rosto dele. E mesmo com toda a raiva, aquilo me rasgou por dentro. Mas havia algo a mais... Algo que não tive tempo suficiente para distinguir, pois ele fez o túnel todo tremer quando lançou um feitiço silencioso no teto alguns metros à minha frente, fazendo-o desmoronar e selar a passagem.

Fui engolida por uma nuvem de poeira e minhas narinas arderam quando respirei todo aquele pó. Naquele momento, mesmo com a luz da varinha, era impossível ver qualquer coisa. E só pude ficar parada e desorientada, tentando desesperadamente não sufocar. Até que meu cérebro finalmente voltou a funcionar e comecei a sugar a poeira lentamente com a varinha. Quando a maior parte da nuvem de pó se foi, peguei-me encarando a pilha de pedras e sujeira, tentando fazer com que meus pensamentos assassinos alcançassem Malfoy e os outros. Quando Harry soubesse o que aconteceu…

— Harry… — surpreendi-me sussurrando para a passagem bloqueada.

Quando dei por mim já estava no último lance de escadas rumo ao salão principal, quase não havia pessoas por ali. Algumas poucas me lançaram olhares questionadores, outras nem notaram a minha presença. Virei de uma vez à direita para passar pela porta e colidi de frente com alguém. Desequilibrei e duas mãos envoltas em cota de malha me agarraram antes que eu caísse.

— Derick! — minha voz saiu alta e esganiçada. O desespero tornando-a aguda.

— Hermione! O que aconteceu com você? Onde está o Draco?

Senti como se tivesse levado um soco no estômago ao escutar aquele nome. Arfei algumas vezes, inspirando fundo, buscando por um pouco de ar. O descontrole absoluto ameaçava me dominar, eu podia sentir os soluços começando a se formar no fundo da minha garganta. Se a dor aumentasse ainda mais, como ela insistia em fazer conforme os minutos passavam, ia acabar me imobilizando.

— Harry… — engasguei. — Eu preciso do Harry!

Os olhos de Derick se arregalaram e ele exitou por alguns segundos, encarando o nada atrás de mim, antes de me arrastar com ele até o fundo do salão. Avistei Harry ao mesmo tempo em que ele ficou ciente da minha presença.

— Eles a levaram! Eles levaram a Gina… Eu sinto muito, Harry eu não consegui fazer nada. O Ron estava… e o Draco... — comecei no instante em que ele me alcançou.

— Mione. Por Merlin! Que história é essa? Quem levou a Gina? Onde estão Ronald e Malfoy?

A urgência e a dor na voz dele fizeram o último pedacinho que restava da minha alma se despedaçar. Engoli em seco e me forcei a responder.

— Comensais. Rodolfo Lestrange e alguém que eu não consegui identificar, com a ajuda de Ron e Dra…

O desespero finalmente atingiu seu ápice e eu desmoronei em um choro dolorido nos braços de Harry. Meu corpo inteiro tremia, convulsionado pelos soluços. Senti o abraço de Harry ficar cada vez mais apertado a medida em que ele ia absorvendo as minhas palavras. E ao contrário do que eu esperava, a reação dele não me deixou pior. Mas consciente. A raiva que ele sentia também corria pelas minhas veias. O choro foi diminuindo gradativamente até finalmente cessar eu o encarei convicta.

— Pre.. precisamos da… da.. da Ordem. — gaguejei.

— Sim! Mas primeiro temos que ir ao Largo Grimmauld.

Notas finais
#PROTEGO Por favor não me matem, envenenem, amaldiçoem ou mutilem! Quer dizer... Façam isso, mas só nos comentários! Lembrem-se que eu preciso dos meus dedos e da minha cabeça/meu cérebro para continuar a escrever. Bjos