Dramione - Side Effect

60 Algumas pessoas ainda preferem os quartos


Notas iniciais
Oi gente!!! Capítulo para rir um pouquinho... Prometo que se vocês deixarem muitos reviews no próximo tem momento Dramione MEGA HOT! Haushaushauhs #chantagem AH! Obrigada evvz pelo review maravilhoso! O Capítulo 60 é pra você Bjos

Levei a mão à boca para tapar o que deveria ser o milionésimo bocejo que eu dava naquela manhã. O pior é que eu vinha dormindo como uma pedra durante as últimas semanas, várias horas por noite. Mais até do que o realmente necessário, do que eu deveria, diante de tudo o que tinha que fazer. Mas com a maratona de assistir as aulas, ajudar nos preparativos do jogo, estudar para os N.I.E.M.s e fazer as rondas era de se esperar que eu chegasse ao começo da noite cansada. O problema é que eu me sentia exausta, não só a noite, mas durante todo o dia. O fato de Pansy e Astória terem feito da participação no Comitê apenas uma desculpa para se aproximar de Draco e infernizar as nossas vidas também não ajudava em nada. Tentei deixar aquilo de lado, ponderei comigo mesma que estava apenas tendo uma possível crise infundada de ciúmes, repeti diversas vezes o mantra “eu preciso aprender a confiar no meu namorado”. Mas quando até mesmo Luna passa a se sentir incomodada com alguma coisa, é hora de repensar as estratégias.

O problema é que confrontá-las era tudo o que eu não podia fazer, porque era exatamente o que elas esperavam que eu fizesse. Por isso, decidi fazer o possível para continuar ignorando as duas — por mais que minha cabeça doesse de raiva, minha mão coçasse de vontade de agir e a varinha pesasse como ferro incandescente no bolso das vestes, quando elas surgiam lançando olhares lânguidos e frases sussurradas para Draco — até depois do jogo comemorativo e tudo finalmente chegaria ao fim. Encarei meu café da manhã, ovos mexidos e torradas ainda intocados no prato. O copo cheio de suco de abóbora. E meu estômago se contorceu, recusando mais uma vez a oferta. Soltei um suspiro exasperado e abaixei a cabeça nos braços, sentindo como se um Dementador tivesse sugado, ao invés da minha felicidade, toda a minha energia vital. Alguém colocou a mão no meu ombro e me levantei apenas o suficiente para ver uma cascata de cabelos loiros sentar-se ao meu lado.

— Indisposta de novo? — Luna perguntou baixinho.

— Se esse jogo não chegar logo… — gemi, terminando de endireitar o corpo. — não sei o que vai ser de mim.

— Faltam apenas dois dias.

Acho que era para soar complacente e incentivador. Mas ela mal conseguia conter a animação. Era exatamente daquela maneira que eu devia estar me sentindo, que eu queria estar me sentindo, só que não havia espaço em mim para mais nada além de cansaço e sono. Tentei sorrir, mas pelo olhar no rosto dela, o gesto pareceu preocupar Luna. Então, virei para o outro lado. E vi que Draco entrava no salão, acompanhado por Astória. Baixei a cabeça de novo, sentindo-me ainda mais derrotada. Um calafrio subiu pela minha espinha quando escutei os passos se aproximarem de mim.

— Espero que tenhamos nos estendido definitivamente, Astória. — a voz dele parecia verdadeiramente irritada. — Não quero ter que falar sobre isso de novo.

A garota bufou e mesmo de olhos fechados eu sabia que ela havia batido com o pé no chão e cruzado os braços na frente do corpo, encarando Draco — desafiando-o, como a bela menina mimada que era — antes de se virar para sair. O rapaz loiro cumprimentou Luna enquanto se sentava do meu outro lado. Senti que ele havia colocado alguma coisa na mesa, mas o desânimo foi maior que a curiosidade.

— Desculpe por isso.

A frase era para mim, eu tinha certeza. Mas respirei fundo, mantive os olhos fechados e a cabeça baixa.

— Hermione? — ele chamou triste. — Você me ouviu?

Estava ponderando se levantava a cabeça ou mesmo se queria falar com ele, quando Luna disse.

— Ela disse que só está cansada. Mas, na verdade, acho que está ficando doente.

Soube que a loirinha corvinal havia chamado, silenciosamente, a atenção dele para o meu prato ainda cheio quando Draco passou o braço pelos meus ombros e puxou-me delicadamente.

— Hermione… Ela está mesmo pálida. — constatou ao me olhar.

— Uma passada na enfermaria antes da aula não faria mal.

— “Ela” está bem aqui, ao lado de vocês. — olhei de um para o outro. — E acreditem quando “ela” diz que só está cansada.

Os dois trocaram um olhar desconfiado e Draco revirou os olhos.

— Vamos acreditar, por enquanto…

— Mas estamos de olho em você.

— Desde quando vocês completam as sentenças um do outro?! — eles fizeram menção de começar a falar ao mesmo tempo e achei melhor interromper. — Parem, estão começando a me assustar. — um embrulho à frente de Draco chamou minha atenção e percebi minha oportunidade de sair do foco da conversa. — O que é isso?

— Algo que preciso devolver ao Harry. Por falar nisso, onde ele está?

— Atrasado. Assim como Nev.

Quase como que em resposta à pergunta de Draco, uma voz conhecida ecoou no corredor. Estávamos na ponta da mesa, próximos à porta de entrada e mesmo com o burburinho de vozes e talheres no salão consegui distinguir o tom irritado de Gina. Eles surgiram na soleira, a ruiva discutia com Harry, enquanto Neville tentava apaziguar os ânimos. Ronald caminhava ao lado deles, ignorando a cena.

— Eu disse que ia pensar... pensar. Não me sinto segura voando ao lado dele. — ela se deixou cair no banco à nossa frente.

Ronald se serviu como se nada estivesse acontecendo e ficou claro que estava ignorando a discussão porque era o motivo dela.

— Gina, ele é seu irmão.

— Ele só se lembra disso quando convém.

— Essa doeu. — Neville murmurou.

— Gina, seja razoável. — Luna argumentou e esticou a mão para segurar a de Neville do outro lado da mesa. — Ele foi sorteado, como todos os outros jogadores das casas. Onde fica nossa credibilidade se o excluirmos simplesmente porque você não quer voar ao lado dele?

— Eu não me importo!

— Sério? — Harry lançou um olhar de descrença à noiva.

— Não. E é por isso que estou tão brava. — ela bufou. — Achei que podia confiar em você. — ela apontou o dedo para Draco, fazendo surgir uma ruga na testa do loiro. — Como pode colocar o nome dele no sorteio?

— Não é minha culpa. Ele é o goleiro do time da Grifinória. Eu não tive escolha. E com tanta gente concorrendo, como eu ia podia adivinhar que justamente ele seria sorteado?

— Odeio esse seu novo eu, tão honesto e razoável.

— É claro que odeia. — ele riu.

— Sabe, me pergunto onde foi parar o Draco que todos nós amávamos? — a voz de Ronald não tinha a menor inflexão, nem um mínimo sinal de emoção. — O cara mimado, egoísta e traiçoeiro, ca-

— Morreu junto com o único homem que ele respeitava até então. Foi atirado da Torre de Astronomia ao lado de Alvo Dumbledore.

Senti todo mundo na mesa prender a respiração. Gina piscou algumas vezes, tentando ter certeza de que havia escutado mesmo aquelas palavras. Essa era apenas mais uma das centenas de culpas que Draco carregava — a morte de Alvo Dumbledore. Ele sempre preferiu o silêncio quando se tratava do que aconteceu antes da guerra, das coisas que foi obrigado a fazer. Apesar de ter que assistir o sofrimento dele quieta e calada, aprendi a aceitar a escolha. Parecia-me que dizer em voz alta aumentava o tamanho da dor, escancarava a verdade e, claro, a culpa.

— Então, Harry. — ele recomeçou, quebrando o silêncio constrangedor e doloroso. — O pessoal que está trabalhando na reconstrução da mansão achou isso e eu queria te devolver. — Draco empurrou o pacote que estava sobre a mesa para o menino que sobreviveu.

— Você está reconstruindo a Mansão Malfoy? — não queria soar apavorada, decepcionada ou, mesmo, tão surpresa. Mas as palavras escaparam da minha boca sem permissão ao mesmo tempo em que lembranças nada agradáveis inundavam a minha mente. — Est-

— Ah. Meu. Merlim! — Gina interrompeu o que eu ia começar a dizer. — A Capa da Invisibilidade.

— Eu pensei que ela estivesse perdida pra sempre. — espantou-se Neville.

— Está inteirinha! — comemorou Luna.

— Eu também achei. E sim, não tem nem um rasgo. — Harry parecia estupefato. — Obrigada, Malfoy.

— Sem problemas.

Enquanto todos apreciavam a capa de Harry, eu só conseguia pensar nas palavras de Draco: O pessoal que está trabalhando na reconstrução da mansão…, ecoando na minha cabeça. Aquele lugar me dava calafrios. Estive lá apenas duas vezes, por algumas horas, e não conseguia sequer me imaginar voltando. Se Draco tinha alguma pretensão com relação a nós e o cenário dos meus piores medos e pesadelos, eu precisava falar com ele.

— Draco… — ele fixou os lindos olhos cor de tempestade nos meus e senti a angústia que crescia dentro de mim suavizar.

— Ei pessoal! — Simas se aproximou com Dino ao seu lado. Acabando de vez com as minhas chances de começar uma conversa sobre o assunto da reforma. — Acho que sabem sobre… que nós…

— Que vocês tem um caso? Não me diga que assumiram para escola toda...

Os meninos riram, enquanto Simas e Dino fechavam a cara. Revirei os olhos para a piada de Draco. Algumas coisas não iriam mudar nunca.

— Ah, que fofo… — Gina entrou na zoação.

— Tá bom, já chega. — Dino cruzou os braços na frente do corpo e se virou para sair. O breve relacionamento que ele teve com Gina foi extremamente conturbado e o fato de ela e Harry terem assumido o que sentiam apenas poucos dias depois do término não ajudou em nada.

— Desculpe, Dino. — ela disse com sinceridade. — Sabemos do que vocês estão falando, ou melhor, o que vem fazendo. Então, o que isso tem a ver com a gente?

— Bem, queríamos convidar vocês para… sabe, participar essa noite. — Simas cochichou.

— Se McGonagall descobrir… — começou Harry.

— Sério? “Se McGonagall descobrir…”? — Gina colocou as mãos na cintura e encarou o namorado. — Sinceramente ainda se preocupa com isso depois de tudo o que já fizemos? Depois de todas as fugas e regras quebradas ao longo dos últimos sete anos?

O garoto que sobreviveu apenas deu de ombros antes de se virar para o colega de casa.

— Acho que apareceremos por lá.

— Ótimo. — Simas comemorou. — Vejo vocês depois do toque de recolher.

— Depois do toque de recolher. — repeti. — Por que eu não estou surpresa? — disse quando eles se afastaram.

— Queria mesmo que eles abrissem a Sala Precisa com todos os professores ainda circulando pelo castelo? Não acha que eles iam, tipo, desconfiar? — Gina argumentou. — Além do mais, temos a capa da invisibilidade de volta.

— Desculpe te decepcionar, Gina, mas não cabemos todos debaixo da capa da invisibilidade.

— Não, não cabemos. — ela me deu seu melhor olhar convencido. — Mas você e Draco tem permissão para andar pelo castelo depois da hora, são monitores-chefe. O Krum chega hoje e Harry e eu temos que recepcionar ele, então, também estamos autorizados a ficar fora da cama. Sobram apenas Luna e Neville, mas eu duvido que eles vão se importar de ter que se espremer embaixo dela juntos.

Neville engasgou com o suco de abóboras e Harry deu batidinhas em suas costas enquanto se segurava para não rir. Já a loirinha ficou da cor dos cabelos de Gina. Segurei a mão de Luna por sob a mesa e apertei, tentando transmitir algum conforto.

— Nem todo mundo é como você e Harry. Tem gente que ainda preza pela discrição e decoro…

— Isso lá é verdade. Algumas pessoas ainda preferem os quartos. — Draco disse.

— E outros simplesmente têm vergonha na cara. — completei já rindo da incredulidade estampada no rosto dela.

Juro, nunca me vi tão perto da morte. Mas o olhar assassino de Gina fazia um contraste cômico com os olhos arregalados de Harry. E isso me fez rir ainda mais. Até Ronald se permitiu um leve sorriso, que sumiu assim que a irmã desviou os olhos na direção dele. Já Luna ficou ainda mais vermelha, cobriu o rosto com as mãos e murmurou alguma coisa que eu consegui interpretar como “não precisava pegar tão pesado”. Mas, a esta altura, minha barriga já estava doendo de tanto rir. E eu só consegui usar as últimas forças que me restavam para apoiar os braços na mesa e não cair do banco.

— Hermione, respire.

Draco me segurou pelos ombros e lançou-me seu olhar mais sério. Os lábios comprimidos em uma linha fina, a expressão composta e compenetrada. Tentei respirar fundo para me controlar, mas o único efeito que consegui foi emitir um guincho agudo — até meio assustador, eu diria — quando o ar saiu entrecortado pelas minhas narinas.

— Desculpe. — Draco disse para ninguém em especial, já quase sem conseguir se conter. E então, começou a rir também.

Notas finais
Lembrem-se, titia ama vocês!