Dramione: O Que o Futuro Nos Reserva
20 A Primeira Vez
Notas iniciais
Hermione
À noite, Rodolphus chamou Draco em sua sala e ele me trancou no quarto. Fiquei ansiosa, andando de um lado para o outro, tensa e com medo de que tudo que fiz não tivesse valido de nada. Cada minuto pareciam horas, eles estavam demorando demais. E então ouvi a porta ser destrancada. Me sentei rápido no sofá e peguei um livro qualquer, fingindo estar lendo. Draco entrou com Rodolphus, estava sério, mas nada fora do normal para ele quando estava na frente de qualquer pessoa além de mim.
Olhei para eles e fechei o livro, em silêncio, esperando por uma resposta.
— Bem-vinda ao time, Granger. — Rodolphus disse depois de um tempo me observando atentamente. — Draco e outro comensal me contaram o que você fez. — ele se aproximou e se sentou à minha frente. — Sabe, Granger, duvidei muito que você conseguiria fazer isso, matar alguém.
— Mas eu fiz. — falei baixo, olhando-o séria.
— E como se sente? — ele levantou uma sobrancelha, ainda me observando com atenção.
Suspirei e olhei para Draco. Ele suspirou e se sentou ao meu lado, parecendo desinteressado e com tédio. — Já tivemos essa conversa.
— Mas quero ouvir dela. — Rodolphus disse.
— Eu não sei bem… acho que… — suspirei, sem querer admitir aquilo para ele, mas sabendo que iria me ajudar. — Acho que gostei do que fiz, quando machucaram Draco.
— Então você está mesmo envolvida com meu sobrinho, interessante. — ele sorriu e olhou para Draco, que deu de ombros. — Acho que podemos fazer avanços com você, Granger, pode ser uma ótima comensal.
— Eu não tenho ambições assim, senhor…
— Rodolphus, me chame de Rodolphus. — ele me interrompeu. — Mesmo que não tenha, seus próprios instintos vão acabar tomando o caminho certo, você verá. Sairá conosco em todos os nossos próximos ataques, e você também, Draco.
— Como quiser, tio.
— Ótimo. Agora descansem e amanhã falaremos sobre os próximos planos. — ele sorri e se levantou, saindo do quarto.
Draco trancou a porta e voltou a se sentar no sofá ao meu lado, num silêncio que já estava me incomodando.
— Draco… — sussurrei olhando-o. Ele me olhou e suspirou.
— Eu não queria que você ou eu fôssemos em todas as missões, Hermione, mas não temos escolha.
— Eu sei.
— Vamos dormir, amanhã teremos um longo dia ouvindo os planos dele.
Draco se levantou e foi para a cama, se deitando e se cobrindo. Respirei fundo e fiz o mesmo, puxando a coberta e tentando relaxar, mas não conseguia.
— Draco… — sussurrei após alguns minutos e me virei para olhá-lo.
Ele suspirou, de costas para mim, e sussurrou com voz de sono: — Hm…?
— Olha para mim… — sussurrei.
— O que foi, Hermione? — ele suspirou e se virou, me olhando, parecendo ainda mais cansado. — Vamos dormir…
— O que você tem?
— Nada. — suspirou e fechou os olhos.
Acariciei seu rosto delicadamente e ele me olhou novamente. Pude ver no seu olhar que ele travava uma luta interna e eu só queria entendê-lo e ajudar. Estávamos juntos nessa confusão toda e tínhamos que nos ajudar.
— Me conta… — sussurrei delicadamente.
Ele fechou os olhos e demorou alguns segundos, achei que não fosse falar nada, mas então soltou num sussurro: — Ele me mandou te seduzir e fazer tudo para garantir que você nunca irá nos trair. Usar você, brincar com seus sentimentos para benefício dele e dos planos loucos dele. — ele suspirou e me olhou, segurou minha mão delicadamente, mas mantendo-a em seu rosto. — Eu nunca faria isso.
Suspirei, era a cara de Rodolphus ordenar isso. — Você não vai fazer, não precisa ficar assim… — dei um sorrisinho leve para tentear acalmá-lo.
— Se ele achar que não estou fazendo isso, vai fazer mal ao Scorp. Ele sempre me ameaça com Scorp porque sabe que é meu ponto fraco. — ele suspirou e apertou minha mão.
— Eu vou começar a agir como se estivesse me apaixonando por você então, somente na frente deles. Podemos manter mais uma mentira.
— Esse é outro problema… — ele disse com ainda mais dor no olhar. Soltou minha mão e se virou novamente, ficando em silêncio.
Suspirei e me apoiei no cotovelo, puxando seu ombro levemente até ele se virar de barriga para cima para me olhar. — Qual o problema?
— Eu não queria que fosse uma mentira, Hermione. Eu realmente estou sentindo algo por você, e isso vai ser ainda pior agora. — ele suspirou e se sentou, de costas para mim. — Eu não quero te desrespeitar, te fazer trair seu marido e família, não quero abusar da sua bondade, abusar de você, quando se sente mal e está mais sensível. Jamais iria fazer algo assim com você, Hermione, mas passar esses dias todos com você, convivendo, protegendo, cuidando, sendo cúmplices… — ele suspirou. — Isso está acabando comigo aos poucos. E fingir que está apaixonada por mim na frente dos outros.... — ele balançou a cabeça levemente. — Isso vai ser ainda pior…
— Draco… — sussurrei. Não imaginei que ele se sentisse assim, e todo esse tempo conseguiu esconder bem e guardar tudo para si mesmo.
— Não. — ele sussurrou e se levantou, indo para o sofá, se sentando e apoiando a cabeça nas mãos. — Eu não quero que tenha pena de mim, Hermione, eu...
— Me deixa falar! — interrompi. Não sabia exatamente o que falar, mas ver Draco assim me abalou de uma forma que eu não sabia explicar. Eu não o amava como ele me amava, disso eu sabia, mas também tinha sentimentos por ele, só não entendia quais ainda.
Ele ficou em silêncio, mas não me olhou. Me levantei e me aproximei dele, me sentando ao seu lado e acariciando seu cabelo macio delicadamente.
— Eu não queria te causar tanta dor, Draco, de verdade… — suspirei e tentei deixar as palavras virem, sem saber ao certo como ajudá-lo. — Me desculpa…
— Não é sua culpa… — ele sussurrou.
— Mas, de certa forma, é sim. E eu estou aproveitando o seu carinho, estou deixando que cuide de mim, sem ao menos pensar em você por um segundo. — suspirei, pensando nas noites que me ajudou a dormir após pesadelos, como me ajudou após o que fiz com aqueles bruxos e todas as vezes que esteve comigo. — Eu fui egoísta e não vou fazer isso de novo.
— Hermione, eu gosto de cuidar de você. — ele me olhou, seus olhos vermelhos do choro que ele conseguiu esconder, de alguma forma. — Eu gosto quando precisa de mim após um pesadelo, mesmo desejando que não tenha pesadelos. Gosto de tudo que preciso fazer por você, de conversar com você, dos nossos momentos juntos. — ele suspirou. — Estou sendo um tolo com tanto sentimentalismo, me desculpa.
— Não peça desculpas por demonstrar seus verdadeiros sentimentos, Draco… — dei um leve sorrisinho, enquanto secava suas lágrimas delicadamente, acariciando seu rosto ao mesmo tempo. — Eu gosto da forma que se abre comigo, faz com que eu me sinta especial.
Ele suspirou e ficamos nos olhando por alguns minutos em completo silêncio, mas não foi um silêncio constrangedor, apenas um silêncio que precisávamos para tentar nos entender. E eu realmente não conseguia me entender, nem meus sentimentos por Draco. Tudo estava confuso demais.
Mas, ainda assim, ver Draco tão frágil dessa forma mexeu comigo de uma forma inexplicável. Me aproximei um pouco mais e respirei fundo, pensando mil vezes antes de fazer o que meu corpo pedia para que eu fizesse. Mas não consegui pensar em nada que não fosse a confusão em que estávamos metidos, e nós dois, tudo que passamos desde que viemos para cá… e, depois do que vi no vilarejo, a possibilidade de não conseguirmos sair vivos disso.
— Eu sei o que estou fazendo.... — sussurrei. Ele me olhou meio confuso, mas não falou nada.
Me aproximei ainda mais e o beijei, um beijo delicado e calmo, carregado de sentimentos, mesmo sendo um tanto quanto confusos. Draco retribuiu o beijo e acariciou meu rosto. Mas logo o beijo foi ficando mais intenso, mais cheio de desejo, algo que deixamos de lado desde o último beijo, na mansão.
— Hermione... eu não quero forçar… — ele sussurrou ofegante após interromper o beijo.
Ele estava me olhando como nunca imaginei que Draco Malfoy me olharia. Desejo, cuidado, carinho, pude ver que ele realmente se importava comigo e isso bastou no momento. Eu sabia que poderia me arrepender no futuro, quando ou se saíssemos dali, mas isso pouco importava agora. Tudo que importava era nós dois nesse momento.
— Você não está forçando nada, Draco… eu quero isso… — sussurrei e me sentei em seu colo, de frente para ele, acariciando seu rosto e entrelaçando meus dedos em seu cabelo. Ele me olhava fascinado, como se um sonho estivesse se tornando realidade e eu gostava disso. — Eu quero você… — sussurrei e voltei a beijá-lo intensamente, deixando meu desejo tão exposto quanto meus sentimentos.
Ele ofegou e apertou minha cintura, retribuindo o beijo com tanto desejo e sentimentos quanto eu, talvez até mais. Revirei os olhos e soltei um gemido baixo quando ele desceu seus lábios para meu pescoço, beijando e dando chupões.
Cada beijo, cada toque de Draco me causava uma sensação inexplicavelmente incrível e gostosa, era como se eu estivesse sentindo tudo pela primeira vez… era intenso, ao mesmo tempo em que era delicado, me causava arrepios e meu corpo reagia tão bem à ele, como se fôssemos feitos para isso, um para o outro, de uma forma inexplicável, nos encaixávamos perfeitamente em todos os sentidos possíveis.
Após uma noite incrível, já bem cansados, me aconcheguei em seus braços e, pela primeira vez, dormimos juntos na mesma coberta. Pela primeira vez, dormimos nús um nos braços do outro, cansados, mas incrivelmente felizes e relaxados. Sem lembrar onde estávamos.
Pela primeira vez, dormi com alguém que não fosse Ron e não pensei nele um segundo sequer. Isso me iria me assombrar no futuro, mas ainda não sabia, nem pensava nisso…
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