Dramione - Fotografias
37 Separações
Pov. Mione
–Dois? Merlin do céu, – riu Theo bem alto – os jatos do Malfoy são certeiros.
–Você está vendo graça onde Theodore Nott? Perguntei com os dentes trincados.
Ele ergueu as mãos em sinal de rendição e segurou o riso. Eu havia acabado de acordar e estava na enfermaria do St. Mungus, falar que eu recebi bem essa noticia, seria mentira. Dois. Mais dois. Merlin, Theo tinha razão, os jatos de Draco eram certeiros.
Coloquei a cabeça entre as mãos e suspirei fundo tentando absorver tudo que estava acontecendo. Como Enzo e Sophia iam reagir a essa noticia eu não sabia, mas sabia que Draco não iria reagir nada bem, provavelmente era bom trazer ele ao St. Mungus no dia que eu fosse contar para caso ele tenha um ataque cardíaco já estivéssemos no hospital.
–Agora você vai contar para ele? Perguntou Theo.
–É claro que vou contar para ele, não tem como esconder uma gravidez para sempre Theo, se não sabe a gente fica gorda quando está grávida, principalmente na barriga – falei irritada – Mas eu ainda posso esperar mais um tempo para contar a ele.
–Um tempo?
–Eu não posso chegar nele e abrir um sorriso cara de pau e falar “ Mor, tô gravida e não é só um não é mais dois. Jato certeiro esse seu hein?” Não vou falar isso para ele.
–Só um “ eu tô gravida” já está bom Hermione – falou Theo se sentando na beirada da cama – Por que esse medo todo dele?
–Não é medo dele, eu só tenho medo do que isso vai privar a ele – falei – Eu sei que ele não precisa trabalhar, apesar de não tocarmos no assunto todo mundo sabe que ele e a mãe dele têm o dinheiro da herança dos Black e também a do pai dele, mas Draco gosta de trabalhar, não seria nada justo com ele priva-lo disso. Ser auror é o que ele gosta de ser, ele é um dos melhores Chefes dos Aurores que esse departamento já teve e apesar do cansaço eu vejo que ele gosta do que faz. Eu vejo como ele se sente culpado com Enzo e Sophia, não quero que ele se sinta culpado por causa dos novos bebês também.
–E o que você vai fazer?
–Eu vou esperar um pouco deixar as coisas se acalmarem no Departamento dos Aurores, estou de apenas um mês os primeiros quatro a barriga não cresce muito mesmo sendo gêmeos, nada que roupas um pouco mais largas não resolva.
–Primeiros quatro? Está pensando em esconder dele durante quatro meses? Ficou maluca?
–Não, não fiquei. Theo eu conheço o Draco, eu sei que ele não vai me dar as costas, mas eu quero que tudo dê certo para ele na carreira, na hora certa eu vou contar para ele se as coisas desapertarem antes, eu conto antes. Não quero que pense que estou sendo egoísta ou covarde é só que... Eu o entendo, está puxado lá e eu quero apenas ajuda-lo.
–Egoísta é a ultima coisa que você está sendo – falou Theo pensativo – Você que sabe Mione, eu vou ver se você já está liberada e vou te levar para casa a medibruxa pediu para você não aparatar. Já liguei para o Simas vim nos buscar no carro do Blás, ele esta com algumas observações da Aline nos relatórios de hoje.
Apenas acenei e ele saiu, passei a mão pela minha barriga, e pensar que ali estava dois bebezinhos bem pequenininhos já me deixava contente. Eu ia ser mãe mais uma vez e novamente a maternidade viria em dose dupla.
Pov. Draco
“-O que foi? Eu preciso desligar, Draco deve estar voltando... É claro que não vou contar para o Draco, Theo. Te vejo amanhã a tarde lá na porta as duas. Tchau.”
Por mais que eu não quisesse esse trecho da conversa não saia da minha cabeça desde o momento em que eu escutei ontem a noite. Passei a manhã quase toda revivendo essas palavras e a mentira dela ao me falar que era a Luna. Mione sempre foi uma péssima mentirosa, principalmente quando a mentira era para mim.
Havia ligado para a casa dela e a elfa que atendeu dizendo que ela havia saído uma e meia, meia horas antes do que ela havia combinado com Theo. Se eles não iam trabalhar, porque se encontrarem? Na porta de onde? Passei a mão nervoso pelos cabelos, estava sentindo uma sensação bem ruim no peito. Algo que pensei que nunca fosse sentir.
–Paola. – chamei e logo a mulher entrou pela minha sala – Eu queria que você pegasse a pastas dos investigadores da sala um.
–Da sua esposa e do Nott? Ela perguntou.
–Claro, tem outros investigadores da sala um?
–Eu só queria confirmar Sr. Malfoy.
Respirei fundo, tinha que parar de descontar minha raiva nas pessoas.
–Me desculpe, é que eu estou estressado – falei – Pegue as pastas deles para mim, por favor.
Ela saiu da sala deixando a porta aberta. Isso poderia ser a coisa mais ridícula que já fiz, só que infelizmente eu não conseguia controlar esse impulso. Hermione estava muito estranha ontem, parecia aérea, pensativa demais para o meu gosto, era muita mudança para apenas seis dias de viagem onde fiquei fora.
–O senhor quer que lhe ajude Sr. Malfoy? Perguntou Paola com as pastas.
–Eu quero que olhe essas missões dele e me diga o que acha. Falei pegando a primeira pasta.
–Para isso não precisamos ler – falou Paola – Está claro que os dois são a melhor dupla do aurores do Ministério atualmente.
–O que você quer dizer com isso Srta. Paola?
–O que eu quero dizer Draco Malfoy é que eles trabalham muito bem juntos – ela falou abrindo a pasta e apontando para um gráfico – Essa missão é a dos outros, o tempo que eles gastam, essa outra aqui – ela mostrou para outro com percentuais maiores – Esse aqui é dela com o Nott. As missões deles, mesmo não sendo grandes têm uma repercussão maior, um maior número de pessoas apreendidas e sem falhas, elas podem se comparar com as suas com ela quando eram duplas. Na verdade eles parecem ter o mesmo entrosamento que vocês tinham.
O final da frase tinha um tom de ironia que me deixou ainda mais nervoso.
–O que você quer insinuar com essas palavras?
–Não faço insinuação Sr. Malfoy, é que as pessoas já fizeram essas comparações dos dois, acho que intimamente até você já deve ter feito.
–O que eu faço ou não, não é da sua conta Srta. Paola – falei de dentes trincados – Você tem que pensar muito antes de falar alguma...
– O senhor sabe do que estou falando. Se não acredita em mim escute isso que eu gravei há alguns dias atrás.
–Escutar o que? Já chega disso, se retire da minha sala.
Ela não me ouviu, pegou a varinha e soltou a gravação.
“ -Sem brigas vocês dois, já está decidido, não vamos contar nada para o Draco, ele não precisa saber de nada, além do mais aconteceu apenas uma vez. Falou a voz de Hermione.
–Não é exatamente a primeira vez. Falou a voz de Simas
–Diretamente é sim – falou Hermione – A decisão é minha contar ou não, e eu não vou contar. Não vai acontecer de novo, vamos ser mais cuidadosos, prestar mais atenção.”
Não contar para mim, era a segunda vez que eu ouvia isso.
–Quando você pegou isso? Perguntei me levantando.
–No dia da missão do quartel, na sala de reuniões.
–E com que direito você grava a conversa dos outros? Você pode ser processada por isso Paola, agora sai da minha sala.
–Eu queria apenas ajudar.
–Me ajuda ficando bem longe daqui. Falei entredente.
–Não precisa falar assim comigo Sr. Malfoy, e não é só isso eu fiquei sabendo pela secretária deles que no dia da missão eles receberam uma carta num envelope vermelho, exatamente como aquele primeiro misterioso.
O primeiro nome que veio na minha cabeça foi Melgaço. Melgaço havia entrado em contato e ela não me avisou...
–Você está se saindo uma grande fofoqueira. Se retire da minha sala.
–Eu não tenho culpa da sua mulher está te traindo com um seu amigo, pode ficar com a gravação.
Ela recitou um feitiço transferindo para a minha varinha, saiu da sala e eu bati a porta com força. Hermione nunca me trairia, ela não é esse tipo de mulher... Ela não era esse tipo de mulher, mas ela estava muito Sozinha.
Droga!
Não era a primeira vez, não era a primeira vez, não era a primeira vez... Essa frase de Simas ficou girando na minha cabeça, ela não faria isso comigo. Ou faria? Hermione era uma mulher sedutora, linda e irresistível... Ela podia ser a perdição de qualquer homem e Theodore Nott havia caído nessa perdição.
Era a segunda vez na época da gravação... Mas será que aconteceram outras vezes? Será que o telefonema dele, que ela mentiu dizendo que era Luna, era para marcar mais uma vez? Não. Não podia ser.
A gente tinha uma história bonita de amor, nos aproximamos, formamos uma família, ganhamos dos céus dois filhos perfeitos, nos apaixonamos... Nos amamos incondicionalmente e a prova disso era tudo que passamos um com o outro durante esse tempo juntos. Eu ainda a amava, mas será que ela ainda me amava? Será que ela me amava o suficiente para não me trair?
Peguei no armário uma garrafa de Whisky de fogo e servi um copo.
Ás vezes parece que do nada aparece dois anjinhos, um do bem, que me falava tudo que Hermione tinha de bom, a mulher incrível que ela era, as qualidades... Do outro lado era o do mal, aquele capetinha minúsculo que eu poderia apelidar de Paola, me fazendo ver tudo que eu vi esses dias, a cumplicidade, a amizade deles, o abraço, a ligação, a gravação.
Por mais que eu quisesse falar que não, por mais que eu quisesse falar que as coisas não era assim ainda tinha a sementinha da duvida que Paola havia plantado e que estava apenas aumentando minhas desconfianças silenciosas e intimas que agora gritavam aos quatro ventos.
Assim que deu a hora do meu expediente sai porta a fora sem nem ao menos olhar pra a mulher atrás da mesa que me fitava curiosa. Hoje decididamente eu não ficaria até tarde no serviço, não tinha ao menos emocional para fazer isso com toda certeza.
Sai na lareira de casa e Enzo e Sophia estava terminando de se arrumar.
–Ei pensei que tinham ido para casa da mãe de vocês. Falei os cumprimentando.
–Eu estou indo leva-los agora mesmo – falou minha mãe vindo da cozinha – Hermione acabou de chegar em casa agora e ligou pedindo para leva-los.
Olhei no relógio, ela havia saído cedo e só chegado agora.
–Mãe não leve eles agora, eu preciso falar com ela. Falei sério.
–Aconteceu alguma coisa?
–É exatamente o que vou tentar descobrir. Falei saindo.
Aparatei perto do beco da casa dela e estranhei em ver o carro de Blás na porta, sabia que não era ele que estava na casa dela porque Blás havia viajado... Eu sabia bem quem era. Destranquei o portão e entrei sem fazer muito barulho. Pensei em pigarrear, avisar que estou chegando porque tinha medo do que eu poderia ver, mas não fiz nada disso.
Abri a porta da sala e pude respirar ao menos um pouco mais aliviado, mesmo isso não diminuindo o meu humor. Theo estava sentado com Simas na mesa de jantar com alguns papeis nas mãos e discutindo sobre a próxima missão com Hermione que parecia nem estar prestando muita atenção, apenas com a cabeça entre as mãos um pouco pálida.
–O que está acontecendo aqui? Perguntei entrando na sala.
–Analisando as informações que Simas trouxe da Aline – respondeu Hermione – O que faz aqui tão cedo? Geralmente você chega apenas as nove.
–Algum problema?
Eu não queria, mas simplesmente não conseguia manter o controle, não enquanto Theo estava ali, a poucos metros dela como se nada tivesse acontecendo ou acontecido.
–Draco, eu sinceramente não vejo problemas nenhum de você chegar mais cedo. Pelo contrário, eu acho maravilhoso – ela falou pacientemente – Deveria ter trazido as crianças.
A calma como ela falou me pegou desprevenido.
–Eu precisava falar com você. Falei.
–Pode deixar para depois? Eu estou tão cansada amor.
–Hermione, Fabricio Melgaço lhe mandou uma carta no dia da missão e você não me mostrou? Falei direto, eu tinha que começar por algum lugar até chegar onde eu queria.
Theo soltou um assovio e Simas se voltou para os papeis como se nem tivesse ali.
–Vocês dois podem ir, amanhã a gente ver isso. Ela falou se levantando mais séria.
–Então boa noite pra você já está ficando tarde... Começou Simas.
–Vocês ficam, pelo visto sabem sobre a carta – falei frio – Por que esconderam isso de mim? Pior, porque ocultaram essa carta do Ministério de Magia?
–Porque a carta era para mim, não para o Ministério da Magia. Simples assim. Ela falou cruzando os braços.
–Simples assim? – falei – Não é simples assim Hermione, você poderia esconder isso do Ministério, do Departamento dos Aurores menos de mim, eu sou seu namorado.
–Meu namorado que é o Chefe do Departamento de Aurores.
–Exatamente por isso você deveria ter me mostrado algo assim, você confiou nos dois para contar isso, mas eu que sou pai dos seus filhos você não quis contar? Será que pode parar de ser egoísta uma vez, será que pode parar de esconder as coisas de mim? – Perguntei sentindo minhas mãos tremerem de raiva. – Eu sou sempre o último a saber das coisas.
Ela revirou os olhos voltou a se sentar.
–Está exagerando.
–ESTOU EXAGERANDO? Você está errada, deveria ter me contado eu nem sei o que está escrito nessa carta. E vocês dois... – falei apontando para Simas e Theo – Por que não contaram nada?
–Porque a escolha é dela, não minha – justificou Theo – Acho que não cabe a mim lhe contar isso muito menos a pessoa que te contou.
–Pessoa que contou a ele? Perguntou Hermione.
–Exatamente, quem foi que te contou Draco? Apenas nós três sabíamos da carta e tenho certeza que não foi nenhum de nós – argumentou – Seja quem for que te contou, também não tinha esse direito.
–Draco quem te contou sobre a carta de Melgaço? Perguntou Mione se levantando de novo e ficando no centro da sala.
–Paola apenas comentou o que a secretária dos aurores comentou com ela. Respondi cruzando os braços.
–Está explicado, amor, Paola está apenas querendo causar intriga, ela é uma grande mentirosa e apenas quer você.
–Não seja ridícula, sabe que não é isso, ela não estava mentindo sobre a carta, talvez não esteja mentindo que você e Theo tenha um caso?
As palavras simplesmente saíram da minha boca no decorrer da raiva.
–Do que está falando Draco? Ficou maluco, eu e Theo não temos um caso.
–Cara você está viajando agora. Falou Simas com um tom arrastado e preguiçoso.
–Viajando? Escutem isso e me diz se eu estou “viajando”.
Coloquei o trecho da gravação para tocar, eles escutaram em silêncio. Assim que acabou Simas e Theo começaram a rir, mas Mione não, ela me fuzilava com os olhos.
–Isso é apenas um pedaço da conversa, sua secretária deixou apenas a parte que ela queria deixar – falou Theo – Isso realmente não é nada do que você está pensando.
–Não? Como ter certeza disso? Eu vi vocês dois abraçados no escritório, você – falei apontando para ela – Mentiu ontem que estava falando com Luna quando eu escutei você falando o nome dele. Pra que mentir com quem falou se não está acontecendo nada?
–Pra começo de conversa esse trecho é apenas uma discussão que tivemos sobre a carta. Explicou Simas.
–E eu menti sobre o telefonema exatamente por causa disso – ela falou apontando para mim – Você não acredita em mim Draco, está me acusando de ter um caso com Theo com base em que? No que a vadia da sua secretária doida por você disse? Porque sinceramente agora está soando que você realmente acredita que estou te traindo. Pior. Você realmente acredita que eu esteja te traindo com Theo, seu amigo, meu amigo.
O modo como ela falou não era alto, não era uma briga, soava mais com decepção, a voz dela estava embargada disso aliada a incredulidade.
–O que você queria que eu pensasse Hermione? Me diz? Você fica pra cima e para baixo com esses dois, principalmente com ele. Eu peguei você com ele na sua sala...
–Nos abraçando. Completou Theo.
–Que seja, mas quem me garante que era realmente só isso?
–Eu lhe garanto, não é o suficiente? – Ela perguntou me encarando séria. – Pelo visto não.
–E hoje Hermione, me fala o que você fez a tarde inteira fora de casa? Eu escutei vocês marcarem alguma coisa ontem, e hoje você simplesmente sai e passa o dia inteiro fora de casa e quando volta é com os dois. Que jeito que isso funciona? Simas é álibi de vocês? Porque não me conta porque vocês estão aqui? O que vocês estavam fazendo?
–Já está passando dos limites, cara. Repreendeu-me Theo.
–Eu estou passando dos limites? Você está passando dos limites, vocês estão passando dos limites e não conseguem me responder nada de verdade. EU TO CANSADO DISSO.
–E EU ESTOU CANSADO DE VOCÊ BANCAR O BABACA. Gritou Theo.
–E EU ESTOU CANSADA DE TUDO ISSO – gritou Hermione – É sério eu estou cansada, estou cansada de você ficar me acusando de algo que eu não fiz, estou cansada de você pedir explicações e levar elas todas para o seu lado, se não confia em mim Draco, porque estamos juntos mesmo?
–Boa pergunta, porque sinceramente eu não sei. Não quando você mente para mim Mione, me respondeu Mione, o que vocês estavam fazendo juntos hoje?
–Você quer saber? – perguntou Theo – Com certeza não é o que você está imaginando, a gente estava só...
–Não precisar responder isso Theo – cortou Hermione – Se você quer acreditar em mim Draco, primeiro vai acreditar apenas na minha palavra e minha palavra é que eu não estou te traindo. Se confiasse em mim não precisaria saber o que eu estava ou não fazendo, eu não lhe faço esses tipos de perguntas nem acusações.
–Fala sobre confiança, mas nem a carta de Melgaço me mostrou. Quem não confia em quem aqui Hermione?
–Se eu te mostrasse a carta, vocês não nos daria a próxima missão. Ela falou firme.
Eu tinha que admitir que o jeito frio e até calmo dela era diferente das outras discursões que tínhamos.
–Ótimo, sem a próxima missão. Falei por fim.
–Você não pode nos tirar da missão agora – falou Simas – Já estamos nela há dias.
– Estão fora da missão por ocultar pistas. Falei imparcial.
Simas se virou chutado a cadeira com raiva.
–Não vai nos tirar da missão por um motivo tão torpe, precisa de mais argumentos Draco – falou Hermione – A carta é minha, eu leio e deixo quem eu quiser ler. Não pode me inibir a isso.
–Está me desafiando Hermione?
–Quer saber, eu que estou cansado desse joguinho – falou Theo – Ele quer nos tirar da missão Hermione não é por porra de carta nenhuma. Ela não confia na gente, quer apenas afastar nós dois porque não confia no próprio taco, pior, não confia na mulher que está em todo momento ao lado dele. Pare de jogar a culpa dos seus problemas para cima da gente e em Melgaço, a culpa não é minha ou de Simas que você está dedicando mais tempo ao trabalho do que na sua família. A culpa também não é minha de você preferir confiar na sua secretária do que em mim que sou seu amigo ou na Hermione que mesmo você agindo feito um idiota, ainda sim tem a capacidade de ficar ao seu lado te dando apoio, apoio este que você recusa. Você quer tirar a gente da missão porque está com medo de eu pegar sua mulher, mulher essa que você não está merecendo ultimamente.
Eu fiquei cego de raiva, minha vista escureceu, minhas mãos se fecharam em punho e eu apenas dei um soco forte na direção de Theo.
–VOCÊ FICOU MALUCO? Gritou Mione.
Respirei com mais calmo deixando a visão voltar ao normal, eu não havia acertado Theo, era Simas que estava caído no chão com Hermione ajoelhada do lado dele.
–Porque você fez isso Draco? Que coisa! Quer saber, você veio aqui apenas para escutar uma confissão de traição que não existe, nada que eu falar para você hoje vai te fazer sentir melhor e isso é que mais me decepciona. Pra mim já deu, volte para a sua casa e busque um real motivo para nos tirar da missão, porque você não tem motivos reais para isso – ela falou nervosa, eu via as mãos dela tremer enquanto tentava me recuperar do meu lapso de raiva – Eu não posso continuar com você assim.
–Está querendo terminar comigo? Perguntei irônico.
–Não tem o que terminar Draco, olha o que você fez com Simas? Você simplesmente chegou aqui atrás de uma confissão que não existe, lamento te decepcionar, lamento por você me decepcionar. Pensei que em todos esses meses juntos você já me conhecesse o suficiente para nem ao menos pensar nessa possibilidade. Não existe namoro sem confiança, se desconfia de mim, você que terminou com esse namoro.
–Não jogue a culpa para cima de mim.
–E a culpa é minha então? Está vendo porque eu menti ontem sobre o telefonema? Ela fechou os olhos e se encostou na mesa.
–Hermione... Chamei preocupado ao vê-la ficar ainda mais pálida.
–Por favor Draco, já deu por hoje... Eu não estou bem e você está apenas piorando isso – ela falou respirando fundo – Pensa no nosso relacionamento se tiver um tempinho para isso, porque por hora já deu.
–Tem certeza que é isso que você quer? Perguntei com os dentes trincados.
–Não, mas é o certo a fazer. Você apenas me magoou com suas insinuações, e acabou se magoando também. Precisamos de um tempo. Acabou.
(...)
Pov. Mione.
Eu nunca me senti tão destruída por dentro, nunca me senti tão mal... Nem quando eu terminei com Rony doeu tanto como estava doendo agora. Limpei meu rosto rapidamente e respirei fundo olhando pela janela mesmo depois de alguns dias tendo passado.
Mandei no dia seguinte da discussão a carta de Melgaço. Era o certo a fazer agora.
Para a minha surpresa a próxima missão não foi cancelada, talvez por falta de argumentos. O que mais doía não era isso, o que mais doía era ele não acreditar em mim, eu voltei para o Ministério, mas nenhum de nós dois falamos nada quando nos víamos.
Ambos orgulhosos demais para falar qualquer coisa.
As crianças notaram a diferença e Graças a Merlin, Narcisa estava por aqui para explicar para eles que estávamos apenas passando por uma crise, e que todo casal passava por isso. Foi um dia pior que o outro, eu me dedicava completamente a missão, aos gêmeos, a casa nova e minha exposição enquanto tentava sem sucesso diminuir os enjoos.
Eu havia me acostumado com a ideia de ter dois bebezinhos, eu não sabia quando contar para os gêmeos e estava disposta a contar quando eu contasse para Draco o que poderia demorar um pouquinho. Por mais que eu estivesse com raiva dele, doía vê-lo abatido, com olheiras ainda maiores, parecendo sempre mais cansado. Mas todo relacionamento tinha que passar por provas, e essa era a nossa... Se não conseguíssemos superar essa, se não conseguíssemos ao menos aprender a confiar um no outro, não teria sentido nos casarmos mais para frente.
Pode parecer hipocrisia eu pensar em confiança, mas eu não contava a ele que estava gravida não era por falta de confiança, pelo contrario. Eu confiava nele, sabia que ele seria um pai incrível, como eu também sabia que ele queria estar bem mais presente e que para isso teria que se demitir do Cargo de Chefe dos Aurores que estava consumindo o tempo dele.
Eu não sabia o que fez ele nos deixar ficar com o caso do laboratório ainda, eu só sabia que sentia a falta dele.
Já havia adicionado Paola a minha lista de pessoas a acertar as contas, mas por hora estava a deixando de molho, e ela parecia perceber isso porque estava muito mais abatida que o normal.
Foram os oito dias mais longos que eu tive e então finalmente o casamento de Harry e Gina, e o aniversário de oito anos dos gêmeos. Levantei mais cedo que o comum porque estava enjoada, para variar, porque a única coisa que eu sabia fazer era isso. O sol nem tinha saído e ainda de camisola desci as escadas e preparei um bolo de morango com calda de chocolate, o preferido pelos dois.
Como era o casamento do Ministro mesmo sendo sexta feira, o ministério não funcionaria. E mesmo eu e ele estando separados, não sabem o quanto essa palavra “separados” doía, ainda sim teríamos as crianças em comum e não era mais só duas.
Estávamos tentando agir, pelo menos naquele dia a pedido de Narcisa, como agiríamos no combinado que fizemos quando ele se tornou o pai dos gêmeos. Não íamos deixar nossas diferenças ou separação, outra dorzinha aguda, atrapalhar a relação com as crianças.
Meu celular tocou com a mensagem de Draco e meu coração disparou, mesmo sabendo que era apenas para avisar que estava no portão com a mãe dele. Ele sabia que não precisava mandar mensagem já que tinha a chave mesmo assim mandou, e isso me irritou, será que ele pensava que eu tinha dormido com alguém? Pois ele que saiba que eu dormi com dois de uma vez, não é mesmo bebês?
Esses hormônios estavam acabando comigo, ri sozinha e passei o dedo no que sobrou da calda de chocolate. Diferente de todas as minhas outras refeições aquela estava realmente gostosa, escutei a porta da sala se abrir devagarzinho, mas não fui para lá. Apenas coloquei a panela no fogo para fazer mais calda, não para colocar no bolo, apenas para eu comer mesmo.
–Que sorriso é esse para preparar uma calda? Perguntou Narcisa e eu me sobressaltei assustada, estava concentrada demais em que variações comer com a minha calda e admito que elas não eram poucas.
–Tudo bem Narcisa? – falei a abraçando – Acabei de descobrir que calda de chocolate e mais gostoso do que eu pensava.
Peguei a calda pronta e a tampei para comer depois, de preferência sozinha. O que foi? Eu sou uma mulher gravida, a última coisa que eu quero é dividir minha calda de chocolate com alguém.
–Vamos, Draco está lá na sala com as coisas. Ela falou com um sorriso Malfoy no rosto.
–Vamos sim, só vou terminar de guardar as coisas. Falei pegando uma cesta e colocando os sucos, bolachas e docinhos que Pops havia deixado pronto.
Ela pegou a cesta e eu o bolo e saímos da cozinha... E lá estava ele, diferente de todos os dias de terno ou com roupas formais, estava do jeito que eu mais amava, apenas com uma calça jeans e uma camisa de mangas curtas sem medo de mostrar a marca negra que estava ali bem clarinha na sua pele alva. O cabelo bagunçado parecendo que acabou de sair de uma boa noite sexo... Será que ele saiu de uma boa noite de sexo? Perguntei-me já mudando de humor.
–Oi. Ele falou me olhando de cima a baixo, descarado de uma figa.
–Oi. Respondi tentando passar confiança.
–Bom, sem palavras atravessadas hoje. Falou Narcisa ajeitando a cesta.
Draco estava com as mãos lotadas, em uma ele segurava um monte de balões e na outra uma grande sacola com os presentes, ele colocou tudo para flutuar segurando apenas os balões enquanto até o bolo saía da minha mão e pairava no ar.
–Sem barulho. Falou Narcisa subindo as escadas na frente.
Ela sempre tinha uma elegância invejável, era rígida com as palavras quando tinha que ser, sempre se vestia perfeitamente bem como agora, enquanto eu estava de camisola. Mas apesar disso era uma excelente avó. Segui atrás dela enquanto Draco vinha mais para trás, dei uma olhadinha para trás e vi exatamente onde ele estava olhando, filho da mãe.
Eles ainda dormiam quando os minis foguetes dos Weasley começaram a estourar e acordaram assustados enquanto cantávamos os parabéns. Foi uma manhã gostosa, onde eles riram, brincaram com os brinquedos novos e comigo e o pai deles.
Eu e Draco pouco nos falamos, ambos orgulhosos demais. Mas eu não sentia apenas orgulho, eu me sentia decepcionada, por mais que eu o amasse as insinuações dele, as palavras dele ainda ficavam martelando na minha cabeça. Precisávamos de um tempo e isso era obvio.
Mentiria se eu falasse que a presença dele não me afetava, me deixava apenas pior e eu sabia que quando ele fosse embora falando apenas um tchau eu ia subir para o meu quarto, feito uma adolescente e suspirar, e como andava meu emocional ultimamente, chorar. Eu precisava apenas que ele confiasse em mim, como casaríamos e criaríamos quatro filhos se cada vez que um homem se aproximasse ele desconfiaria de mim?
Levantei-me do chão onde eu e os ursinhos de Sophia tomávamos chá com Narcisa enquanto Draco e Enzo terminavam de construir um forte, que com certeza atrapalharia a pobre da Pops a limpar aquele quarto depois. O relógio marcava quase uma hora e eu tinha que ir ver Gina que deveria estar uma pilha de nervos e ainda voltar para me arrumar e arrumar as crianças.
Eu e Draco, Luna e Neville, Rony e Lilá seriamos os padrinhos dela, consequentemente para combinar os casais, mesmo eu e ele não sendo mais um. Isso porque Lilá só ia ser madrinha porque era esposa de Rony, segundo Gina, que deixou bem claro que os dois eram padrinhos de Harry.
–Preciso me trocar para encontrar a noiva mais pilhada da história e depois volto para me arrumar. Falei.
–Eu passo as sete de carro. Falou Draco e eu apenas acenei.
Estava na hora de ajudar finalmente no casamento de Ginerva Weasley e Harry Potter. É sério, eu pensei que esses dois nunca fosse se casar.
Pov. Draco.
Acabou, acabou, acabou... Sabe o quanto aquelas palavras ficaram martelando na minha cabeça dia após dia? Por mais que eu não quisesse, por mais que tentasse deixar apenas meu lado dos Malfoy agir, ainda sim me sentia confuso com essas palavras.
Acabou para sempre? Ou acabou por hora?
Na verdade eu sabia que o famoso “tempo”, que os jovens usavam hoje em dia talvez fosse o melhor para nós.
Espumei de raiva ao ver a carta de Melgaço, saber que ele estava lá perto dela, correndo o risco de pega-la e eu ficar longe dela de novo, mesmo que por hora não tivéssemos juntos, me fez sentir mais raiva ainda. Ela deveria ter me mostrado a carta.
Me sentia completamente confuso, brigando comigo mesmo, as palavras dela, a decepção ao ver que eu estava desconfiando dela... Tudo isso. Toda aquela desconfiança ainda existia em mim, em menor quantidade, mais ainda sim existia. De certa forma Theo estava certo, eu não estava sendo bom para ela, estava sendo omisso, onipresente.
Talvez ela havia visto nele, o que um dia viu em mim. Essa possibilidade era dolorosa, Hermione não faria isso comigo, faria? Mas porque ela estava escondendo alguma coisa de mim, e onde ela estava aquele dia ela não quis me dizer.
Hipócrita. Ela falava de confiança, mas não confiava em mim.
“Ela não disse que não confiava em você seu imbecil, ela apenas disse que você teria que confiar nela sem que ela te contasse, isso é uma forma de confiança.” Gritava minha consciência, ou anjinho do bem, vai saber.
Eu não tirei a missão deles, de certa forma eu sabia que seria injusto depois deles passarem tanto tempo organizando, e de um jeito torto era como se eu lhe desse um voto de confiança mudo, porque verbalmente no Ministério, só palavras atravessadas que serviam como uma forma de defesa. Era como um cabo de guerra, ela puxava para um lado, eu para o outro... Quem ganharia?
Vê-la de camisola cedo no dia do aniversário dos gêmeos, quase me arrastou completamente para o lado dela no cabo de guerra. Ela estava linda, pior, estava mais linda ainda... Como isso é possível, eu não sei, só sei que estava. As curvas perfeitas na camisola de seda preta, os cabelos presos num rabo de cavalo bagunçado e pior... Ela estava de fio dental e para meu inferno particular vi isso enquanto ela subia as escadas. Eu queria tanto aquela mulher, queria pegar ela joga-la na cama e fazer amor com ela ate esgotar minha última gota de suor.
E foi assim a manhã inteira a vendo brincar com Sophia, trocando mínimas palavras vez ou outra até ela ir ajudar Gina e eu levar as crianças para minha casa. Depois de muito tempo eu consegui ficar um dia inteiro com os gêmeos e isso era bom, fazia muito tempo que eu não conseguia e mesmo eu tendo trazido várias pastas de serviço para trabalhar esse final de semana, não iria fazer isso, não no dia do aniversário deles, o primeiro que eu passava com os dois.
–Papai, a mamãe pintou o meu quarto essa semana – falou Sophia – Pintamos todas as paredes de rosa e lilás, sem azul. E colocamos um papel de parede encantado das princesas da Disney.
–O que é Disney? Perguntei sem saber.
–O senhor não vai querer saber, se o senhor perguntar ela vai contar a história de todas de lá. Aconselhou.
–Eu não faço isso. Reclamou Sophia cruzando os braços.
–Faz sim.
–Você também gosta da Disney, seu quarto é do Relâmpago McQueen.
Nem perguntei quem é essa pessoa para eles não começarem a brigar.
–Então vocês já compraram os moveis da casa nova? Perguntei.
–Ainda não, só colocamos os papeis de parede nos quartos e algumas coisas de decoração – respondeu Enzo – Mamãe falou que vamos esperar o senhor para comprar a mobília.
De um jeito estranho aquilo me deixou bem e mal, bem por saber que mesmo estando brigados ainda sim estava esperando por mim para terminarmos juntos a nossa casa e isso significava que ela lá no fundo tinha esperanças de conseguirmos nos resolver, e mal por não estar lá, estar sendo omisso com ela nem para comprar a mobília da casa nova. Talvez ela realmente merecesse alguém mais compromissado com ela.
No fim da tarde Pops aparatou para pegar as crianças quando Hermione chegou da Toca. Eu sabia que ia demorar bastante para eles ficarem prontos e até a minha mãe havia ido para lá para ajuda-la com os dois. Dormi um tempo descansando porque se trabalhar cansava, passar a tarde brincando com Enzo e Sophia era bem pior.
Assim que faltava meia hora para passar na casa deles, eu me vesti. Coloquei o terno dos padrinhos e a camisa ridícula vermelha que eles me obrigaram a vestir porque cada dupla vestiria uma cor, não sei de onde esses noivos tiravam essas palhaçadas e tenho certeza que era uma piada interna, ou até mesmo externa, da ruiva ter me colocado justo com a cor da Grifinória.
Peguei o carro na garagem, podíamos ir aparatando, mas as crianças ainda não podiam e pela rede de flúr estava fora de cogitação. Assim que buzinei Enzo foi o primeiro a sair, parecia a copia mirim minha com o mesmo terno, gravata preta e camisa vermelha, parecia um mini galã de novela, modéstia parte.
Depois veio minha mãe elegante no vestido verde escuro e os cabelos perfeitamente colocados num coque, ela ajeitou Enzo no banco atrás de mim e entrou.
–A gente vai chegar atrasado. Falei olhando no relógio.
–Sophia teve um problema no vestido, Hermione está concertando. Respondeu minha mãe.
Menos de dois minutos depois veio as duas mulheres da minha vida, Sophia estava linda com um vestido rosa de daminha de honra rodado. E lá estava Hermione... A noiva que me perdoe, mas não tinha como ficar mais bonita que ela.
O vestido dela não era muito elaborado para não chamar muita atenção, mas que vestido não chama atenção num corpo daquele? Ela parecia ainda mais gostosa para o meu total desespero. O corte dele era reto e liso, com um decote na frente o cabelo num coque de lado, instintivamente sai do carro enquanto ela ainda trancava o portão e abri a porta do carro para ela.
–Não precisava. Ela falou surpresa.
–Você está linda. Falei pegando na mão dela.
–Obrigado.
Ela se aproximou de mim e beijou meu rosto. Era tão estranho um beijo no rosto quando duas bocas se conheciam tão bem como as nossas se conheciam. Ela entrou no carro e eu voltei para o meu lugar ainda extasiado com a sensação de estar tão perto dela.
O casamento foi no jardim da Toca, estava tudo muito bonito e bem arrumado. Havia gente de todos os lugares lá, todos amigos dos Weasley ou até mesmo pessoas importantes do Ministério. Foi uma cerimonia muito bonita, e que me causou um pouco de inveja por não ser o meu com Hermione.
Por mais que eu não quisesse admitir, precisava dela mais do que ela precisava de mim. Eu havia me viciado nela, me tornado dependente dela. Dependente não só fisicamente, mas emocionalmente, psicologicamente... Não bastava estar perto como agora estávamos, ela tinha que me pertencer e que mesmo eu estando a milhares de quilômetros de distancia saber que ainda sim ela era minha.
Logo os noivos se beijaram, e finalmente, depois de oito anos juntos, se casaram. Dava para ver a felicidade de Harry, ele merecia aquilo mais do que todo mundo ali. Ele merecia se casar com quem mais amava, merecia o respeito que tinha porque pela primeira vez ele estava tendo uma família apenas dele e tenho certeza que ele nunca ia deixar acontecer o que aconteceu com a primeira família dele.
Os bancos logo deram lugar para as mesas e a pista de dança, os noivos ficaram apenas o necessário curtindo as férias antes de irem para a tão merecida lua de mel enquanto apenas nos divertíamos. Volta e meia eu olhava para Hermione, ela quase sempre estava com Enzo e Sophia ou rindo com alguns amigos enquanto eu fazia o mesmo que ela.
Quando nossos olhares se cruzavam ela apenas sorria e acenava com a cabeça, mesmo quando tivéssemos no mesmo grupo de pessoas conversando. Talvez fosse apenas paranoia, e talvez eu devesse realmente parar de sentir ciúmes dela, mas ainda sim eu senti.
Senti ciúmes ao vê-la rir com Rafael, dos olhares de lastima e saudades de Rony que ainda não parecia satisfeito com o seu casamento mesmo estando apaixonado pela filha. Mas senti mais ciúmes ainda em vê-la conversando com Theo animada, e dançando com Simas.
Era incrível o ciúmes que aqueles dois despertavam em mim, eu sabia que não era mais apenas por causa das acusações, e apesar de uma parte grande da minha mente falar que ela nunca seria capaz de fazer isso comigo, de me trair, a outra parte ainda me dizia que talvez ela tivesse realmente tendo um caso com Theo, ou apaixonada por Simas. Sim, até de Simas eu sentia ciúmes porque via cumplicidade ali também.
Não que eu achasse que ela estivesse com os dois, eu custava acreditar que ela pudesse estar com um. Mas porque de certa forma, e uma forma errada, eu sentia como que talvez os dois pudessem ser melhor para ela do que eu.
Simas era como Rony, atrapalhado e os dois ficaram um tempo bem maior presos, juntos. Theo, meu maior incômodo, era a copia perfeita de Hermione. Muito parecidos um com o outro, eram donos da mesma inteligência, gostavam das mesmas coisas, compartilhavam das mesmas palavras e pensamentos.
Eu e ela erámos diferentes de certa forma. Não que eu me achasse uma pessoa feia, eu não sou modesto nesse quesito e sei que sou mais bonito que os dois juntos, mas parecia realmente que eu não a merecia, e só de pensar e desconfiar que ela estava me traindo, já me tornava desmerecedor de uma mulher tão incrível como Hermione Granger.
Olhei as crianças correndo e indo brincar atrás da tenda e mesmo sem me conter novamente caminhei até onde ela dançava agora com Neville enquanto Luna dançava com Simas.
–Posso? Perguntei a ele.
–Claro. Respondeu Neville.
Ela apenas sorriu para mim e eu coloquei uma mão na cintura dela. Não falamos nada, talvez nosso orgulho um dia nos matasse para falar alguma coisa, então apenas aproveitei que estava com ela para dançar. Sem trocar uma palavra as músicas foram passando, uma, duas, três, quatro... E eu apenas não queria me soltar dela.
–Eu estou cansada – ela falou com um sorriso – Podemos ir embora?
–Claro, vamos atrás das crianças.
Ela acenou e eu chamei minha mãe para irmos. Procuramos as crianças ao redor da tenda e não as achamos em lugar nenhum, procuramos na Toca e nada. Com o passar do tempo Hermione já estava começando a ficar nervosa com tudo isso.
–O que foi? Perguntou Theo vindo até nós.
–Não estamos achando as crianças. Respondeu Hermione.
–Vou chamar Aline e Simas e vamos ajuda-los a procurar. Ele falou foi até onde Simas estava com Aline.
Eu não sabia o que era aquilo, mas sentia aquela sensação ruim. Saímos da propriedade da Toca com os outros três, alguns Weasley também nos ajudavam a procurar por eles, porque as outras crianças não tinham visto elas há algum tempo.
Um pouco depois da cerca, de longe vimos uma mulher caída no chão, Theo e Simas correram na frente com a varinha erguida enquanto eu ia com Hermione mais atrás.
–Paola? Perguntei ao chegarmos lá.
A mulher acordou, piscou algumas vezes tentando entender o que estava acontecendo e depois começou a chorar e falar palavras desconexas de uma hora para outra.
–Eu não queria eu juro que não queria, mas eu não conseguia me controlar, eu tentava me libertar e não conseguia. Me desculpem, me desculpem, eu não conseguia me libertar da maldição Império daquele homem, eu não tive mais controle e nem conseguia resistir o que ele mandava.
–Do que você está falando? Perguntou Hermione se ajoelhando ao lado dela.
–Fabricio Melgaço pegou os gêmeos...
Foi a última coisa que ela disse antes de cair inconsciente no chão, e junto dela, meu mundo também caiu.
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