Dramione - Fotografias
21 Pai
Pov. Hermione Granger
Eu mesma limpei minhas lágrimas, Narcisa olhava preocupada para mim enquanto Draco ainda estava completamente perdido. Então era isso, Enzo e Sophia eram os filhos do pior bruxo das trevas dos últimos tempos, que deixou centenas de milhares de pessoas abaladas com suas maldades e com a guerra que ele provocou.
—Isso só pode ser maluquice, você deve estar maluca – Draco se levantou – Dá para a senhora explicar isso mãe?
Narcisa juntou as mãos, e suspirou como se tivesse cansada.
—Fabricio Melgaço entregou a própria filha para Voldemort, a garota de apenas 19 anos ficou escondida numa casa em Londres e eu fui encarregada de cuidar dela durante o tempo quando você estava em Hogwarts no período da Guerra, a pobre bruxa ficou trancafiada e foi obrigada a engravidar do Lorde das Trevas para unir todos os quatro tipos sanguíneos para o fim dos dois – contou Narcisa e isso apenas me deu mais nojo e medo, se Fabricio Melgaço foi capaz de fazer isso com a própria filha seria de algo bem pior com os netos – Ela deu a luz um mês e pouco depois da guerra e sem os comensais para vigia-la havia conseguido fugir com os bebês e os entregou a um orfanato antes de morrer. Por sorte as crianças não têm mais o pai para coloca-las em risco, mas ainda tem o avô.
Eu não sabia o que fazer, eu não sabia o que falar, eu não sabia de nada.
—Ela era muito parecida com você Hermione. A filha de Fabricio Melgaço, Melissa, era muito parecida com você... Ela tinha os seus olhos castanhos e cabelos extremamente cacheados de Enzo e Sophia – falou Narcisa tocando meu rosto – Eu fiquei com ela até o quinto mês da gestação, era uma menina forte e foi por isso que eu me apeguei tanto a Enzo e Sophia, porque eu me identificava com ela. No começo, devo confessar, que foi pelo sangue nobre que ela carregava em sua veias, uma descendente de três bruxos fundadores de Hogwarts, mas depois eu passei a gostar das crianças na barriga dela porque ela queria protegê-los mesmo sendo obrigada a engravidar deles. Ela queria protegê-los do pai delas e do seu próprio pai, eu pensei em ajuda-la, mas eu temia pela vida do meu filho e assim que o Lorde das Trevas percebeu que estávamos nos aproximando muito me trouxe de volta para a mansão, geralmente eu não era mandada para as missões dos comensais por isso tinha sido mandada para lá. Só estou te contando essa parte, por que eu sei que não vai ser fácil e também sei que você vai fazer a coisa certa.
A fitei, tinha tanta coisa para ser dita entre eu e Narcisa, mas aquele não era o momento.
—Obrigada. – Foi tudo que consegui dizer.
—Não por isso, eu também quero protegê-los por Melissa e vocês – ela respondeu baixando mais a guarda – Vou ver como eles estão e vou dar um tempo para vocês dois, isso é tudo que sei e espero ter ajudado.
Escutei apenas a porta bater e olhei para Draco, os dentes trincados, os punhos cerrados, a testa encostada na parede. Senti as lágrimas voltando a escorrer pelo meu rosto, e apoie os cotovelos nos joelhos para escondê-lo.
Sophia e Enzo eram filhos dele, Voldemort. O que Harry iria dizer? O que os Weasley iriam dizer? O que todo mundo iria querer fazer com eles? Eu não tinha respostas para essas perguntas. Mas não importa o que acontecesse, não importa o que as pessoas iam querer fazer ou dizer, eles ainda eram meus.
Enzo e Sophia não eram filhos de Voldemort, eram meus filhos e pronto. Nada mais importava. Eu iria protegê-los de todos, ninguém ia sequer se aproximar deles para fazer alguma maldade porque eu nunca iria deixar. O medo de perdê-los arrancou-me um soluço e eu senti meu peito doendo e se apertando cada vez mais.
—Mione...
Duas mãos geladas tocaram nas minhas e tirando-as do meu rosto, assim que abri os olhos vi aqueles pares de olhos azuis cinzentos me encarando.
—Mione, está me ouvindo? – Draco perguntou preocupado – Precisa me dizer o que está sentindo, precisa falar comigo. Está tudo bem?
—Está tudo bem? É claro que não está tudo bem Draco, Enzo e Sophia são filhos de Voldemort... Sabe o que as pessoas vão querer fazer com eles? Sabe o que eles vão enfrentar ao irem a escola ou quando as pessoas que eles amam souberem disso? Independente de tudo Draco, pra mim os dois são meus filhos, e eu quero protegê-los de tudo isso – falei com raiva – Você não me entende, nunca vai entender porque ainda não tem filhos... Mas o dia que tiver vai saber o que é isso, o que é querer blindar os filhos para que nada aconteça com eles porque nós os amamos demais independente de tudo.
—Eu também gosto deles Mione, eu sinto o mesmo que você, não da mesma forma, mas eu sinto... Eles não têm culpa que o pai deles era um crápula, eles não tem culpa de nada e assim como você, eu também quero protegê-los de tudo e de todos... Eu de certa forma sou pai deles, não sou? – ele segurou meu queixo e eu fiquei surpresa pelas suas palavras – E como um bom pai eu vou te ajudar, nosso casamento não tem importância agora, tudo que importa são os gêmeos e eu quero proteger eles como meu pai não me protegeu, eu quero cuidar deles e quando a gente se separar eu não quero que você tire meu nome do deles porque sempre que alguém perguntar a eles quem são o pai deles, eu quero que eles digam meu nome. Quero que eles digam que são filhos de Draco Malfoy e que mesmo nós não estando juntos, mesmo que você siga outro rumo e eu também, quando pegarmos a guarda definitiva deles, ainda vamos ter os dois ligando a gente. Você vai me deixar ser o pai de Enzo e Sophia?
Eu piscava, um pouco confusa, o olhando. Meu coração acelerado martelando no peito sem parar. Tentava processar aquelas palavras, mas era impossível... Nunca, nem quando ele se ofereceu para casar comigo na Toca eu imaginaria que ele me pediria aquilo.
—Você está apenas se sentindo pressionado... – tentei argumentar.
—E se for? Qual o problema? Eu quero isso Hermione e só você pode me dar essa permissão. Enzo e Sophia vão ter um pai e não vai ser Voldemort, o pai deles vai ser eu, Hermione.
—Eu não sei o que falar Draco, eu estou confusa... Tudo que passa na minha mente agora é que eu preciso pegar Fabricio Melgaço e prendê-lo, preciso mantê-lo o mais longe possível dos dois e descobrir o que ele quer com o sangue deles.
—E eu vou te ajudar.
Respirei fundo e passei a mão pelos cabelos fechando os olhos.
—Tudo bem então, mas fale com eles antes – suspirei, era o certo a fazer. Não era minha escolha, era deles também – E a gente? Como vamos ficar depois do processo de adoção?
—A gente pode se separar como antes – se sentou, parecia tão nervoso quanto eu – posso comprar uma casa num bairro mais próximo. Depois podemos acertar todos os detalhes.
Se eu falar que não fiquei ainda mais abalada com isso, estaria mentindo. Eu sentia que Draco, Enzo e Sophia tinham uma ligação forte, mas daí ele pedir para ser pai deles, era algo que eu não esperava. A única coisa que me deixava confusa era que ele estava disposto a continuar com as crianças, mas não em dar continuidade em nosso casamento e isso me magoou um pouco. Era tanta coisa de uma vez, as descobertas da vida dos gêmeos, as verdades sobre Melgaço, o pedido e rejeição de Draco.
—Draco, eu posso te perguntar uma coisa?
Ele apenas balançou a cabeça, concordando.
—Por que você tem tanto medo de se apaixonar? Eu sei que rola química e que você sente a mesma atração por mim que sinto por você, e ter medo de se apaixonar assim a ponto de abrir mão do sexo, é... É diferente.
Ele ficou surpreso pela pergunta. Por alguns segundos ele parou para absorver a pergunta antes de me responder.
—Eu não quero me machucar e nem machucar ninguém – tocou meu rosto – Amor e paixão são coisas que acabam prejudicando as pessoas. Eu vi pessoas de todos os lados sucumbirem e não quero ser como muito bruxos por aí. Mas não é só isso Mione, eu não me confio apaixonado e nem quero que ninguém se apaixone por mim, principalmente você, eu não sou uma pessoa boa... Eu acabo machucando as pessoas e eu quero muito proteger você, quando eu me afastei de você foi porque eu me vi se apaixonando, não estava apaixonado, mas correndo o risco de me apaixonar pela pessoa que eu mais queria proteger.
“ Eu quero te ajudar, eu quero ajudar Enzo e Sophia, quero participar da vida deles, quero ser o pai deles. Mas eu não posso te machucar, não posso me apaixonar e espero que me entenda. Se lembra que cada um traz uma lembrança da Guerra? Uma ferida? A minha foi essa, eu vi pessoas lutando por amor enquanto eu lutava contra essas pessoas, eu tenho o meu lado ruim e sinto que se eu deixar esse sentimento tomar conta de mim, vou acabar despertando esse sentimento ruim, o meu lado ruim de novo. Por isso eu fiz aquele acordo, eu sinto atração por você, é irracional não posso te olhar que meu corpo inteiro reage e sinto que de alguma forma eu desperto o mesmo em você. Mas não quero que se apaixone por mim.”
—Eu te entendo, na verdade até mais do que imagina.
Na verdade eu realmente o entendia, eu tinha as minhas e pela primeira vez eu vi Draco Malfoy com outros olhos, ele não queria se apaixonar por ser um cafajeste, ele não queria se apaixonar porque sentia medo.
—Promete? – Ele me perguntou.
—Prometo o que? –ergui o olhar.
—Promete que não vai se apaixonar por mim?
Eu olhei bem para ele, como eu iria cumprir essa promessa? Eu já estava apaixonada! Estava apaixonada e somente agora quando ele me fez essa pergunta que eu me dei conta disso. Eu estava apaixonada pelo jeito dele, pelo modo como ele tratava meus filhos que agora eram nossos, pelo modo como ele me tocava e até pelas milhares de vezes que discordamos. Eu estava perdidamente apaixonada por Draco Malfoy, estava nítido... Toda aquela atração, todo aquele desejo e fogo, toda aquelas horas que tive vontade de estuporar cada mulher que olhava para ele, mesmo me controlando muito para não fazer isso.
Mas eu não podia dizer isso a ele, ele não queria que eu me apaixonasse por ele. Ele não queria se apaixonar por mim. Ele não conseguia e nem podia se apaixonar por mim. Essa era uma paixão somente da minha parte, uma paixão onde apenas uma pessoa sofre, e essa pessoa era eu. Eu não queria que ele sofresse sabendo que esta me fazendo sofrer.
—Eu prometo. – Falei sem olhar para ele, não queria olhar nos olhos dele e sucumbir.
—Ótimo, também prometo não me apaixonar por você – ele falou se levantando também – Agora tudo precisamos é levar a gravação para Harry, e temos que arrumar um jeito de contarmos para ele sobre Enzo e Sophia. Já vou te avisando Hermione, se ele pensar em fazer alguma coisa com nossos filhos eu vou acabar com seu melhor amigo.
Nossos filhos! Se fosse em outra ocasião eu poderia até ficar feliz com aquelas palavras.
—Harry é uma pessoa muito boa, nunca faria isso com Enzo e Sophia – falei – Eu vou pedir para Harry e Rony irem ate lá em casa, eu vou falar com eles primeiro e depois dependendo da reação dele eu conto para os Weasley, Luna e Neville.
—E Lilá?
—Não confio nela o suficiente para isso.
—Entendo, eu acho que está na hora de irmos. Quer almoçar?
—Não, estou sem fome. Vamos apenas nos despedir da sua mãe e vamos para casa.
Levantei-me e ele passou os braços na minha cintura limpando minhas lágrimas com as pontas dos dedos enquanto eu focava em qualquer parte do seu corpo menos os olhos.
—Vai dar tudo certo. – beijou minha testa.
Saímos da sala e lá estavam eles, tinham acabado de comer conversando com avó deles prontos para irmos, olharam para mim preocupados e eu apenas sorri.
—Está tudo bem mamãe? – Enzo franziu a testa.
—Claro que sim meu amor, mamãe só está um pouco gripada. – Menti, ele não pareceu acreditar.
—A gente já vai embora? – Perguntou Sophia.
—Temos que ir meu amor, vovó Molly está doida para ver vocês – falei e Narcisa fez uma careta discreta, provavelmente ciúmes – Ela quer que vocês vão jantar lá, Ted e Victoria vão estar lá.
—A senhora vai nos ver vovó? – Enzo se virou para Narcisa.
Ela olhou para mim e eu apenas a incentivei com um aceno de cabeça.
—Claro Enzo, e vocês vão vir me visitar – Narcisa abriu um grande sorriso – Vou arrumar a documentação necessária para que libere uma das lareiras assim eu posso ficar com vocês mais vezes.
—Isso vai ser demais. – Comemorou o garoto.
—Bom, antes de irmos eu quero falar com vocês dois – falou Draco se sentando na poltrona e os chamando para se sentarem no colo dele, me encostei na parede – Eu andei conversando com a mãe de vocês... E, er... Bom, eu não sei como falar isso direito – ele tentou nervoso e eu apenas sorri para ele os observando mais distante – Eu estava pensando, só pensando que se vocês quisessem... Bom, não precisam se sentir pressionados...
Sophia riu.
—Fala logo tio Draco.
—Bom, vocês sabem que eu e a mãe de vocês estamos juntos apenas para ela conseguir a guarda de vocês não sabem? – ele enrolou e os dois assentiram, impacientes – Vamos seguir o plano original, vamos nos separar na hora certa, mas... Bom, eu não queria me afastar de vocês... Bom... Er...
—Bom... Er... – Enzo repetiu, nos fazendo rir.
—Bom... Er... Eu queria que continuassem com meu nome, e ... Sei lá...
Juro por Merlin, eu nunca o vi tão nervoso e estava me segurando para não me acabar de rir da reação dele.
—O senhor quer que continuemos com o seu sobrenome Malfoy? – perguntou Enzo e os olhos dele brilharam quando Draco afirmou com a cabeça, ele adorava o sobrenome Malfoy – Eu vou adorar.
—Que bom, por que... Porque eu queria que vocês fossem realmente um Malfoy...
Sophia franziu a testa, antes de entender e arregalar os olhos, adivinhando.
—O senhor quer que a gente seja seus filhos?
—Isso! – Draco respirou, aliviado – Caramba Sophia, você é a copia da sua mãe.
Os olhos dela brilharam mais ainda com o elogio.
—Então é isso que eu quero – continuou – Que vocês sejam meus filhos, meus filhos de verdade como são da Hermione... E aí vocês querem?
Pov. Draco Malfoy
Eu queria aquilo, eu queria protegê-los. Eu queria que nada nem ninguém os machucassem, e queria que ninguém os magoassem por ser filhos de Voldemort. Era exatamente como Mione dizia, eu queria blinda-los e não deixar ninguém chegar perto deles que não seja para fazê-los sorrir.
Nunca me senti assim, era algo diferente de todas as coisas que eu já tinha sentido na vida. Eu sentia que tinha essa ligação forte com eles desde o começo, sempre teve alguma coisa ali e apenas aumentou mais depois que passei a conviver com eles. Só que não era só isso, era muito mais.
Quando eu soube do segredo deles, era como se tudo aumentasse de tamanho, e como se nada que eu tinha escutado ali realmente importava. E daí que eles eram filhos de sangue de Voldemort? Não tinha importância, porque quando os professores da escola ou os amiguinhos deles perguntassem quem era o pai deles, eles diriam meu nome e sobrenome com orgulho, porque era isso que eu era, eu era o pai deles. Bom, pelo menos eu queria ser, o resto dependia deles.
—Não precisam se sentir pressionados. – Acrescentei assim que terminei de fazer a pergunta.
Eles se olharam um pouco surpresos e depois olharam para a mãe deles que apenas deu de ombros.
—Tudo bem, eu vou...
Fui interrompido por dois abraços ao mesmo tempo, um no meu pescoço e um afundando o rosto no meu peito. Se aquilo não fosse um sim, eu realmente não sabia o que era.
—É um sim?
—É claro. – Falou Enzo que apertava meu pescoço enquanto eu passava um braço pelas costas dele.
Era bom aquilo, agora eu sabia por que Hermione gostava tanto de ser abraçada por eles. Eles me soltaram e eu sorri para eles, mas Sophia me chamou a atenção, ela sorria, mas lágrimas saiam do seu rosto.
—O que aconteceu? –perguntei preocupado, meu peito se apertou em vê-la chorando – Fala para mim o que aconteceu?
Ela limpou as lágrimas e Enzo sorriu.
—Ela só está feliz, é que garotas são choronas. – Ele disse levando um leve empurrão da irmã.
—Eu não sou chorona.
—É claro que não é – limpei suas lágrimas com as pontas do dedo – Por isso que eu quero saber o que está acontecendo.
—É que eu estou feliz, porque agora a gente tem tudo – ela falou colocando a cabeça no meu ombro – A gente não tinha ninguém, só a Sra. Figg, agora a gente tem tudo. Temos um monte de tios, três vovós, dois vovôs, padrinhos e madrinhas, temos uma família de verdade.
Aquelas palavras foram bem fundo, eu não conseguia imaginar o que eles sentiram e passaram esse tempo todo.
—Tudo bem gatinha, agora está tudo bem.
Olhei para Mione que apenas piscou para mim, sinal que eu estava fazendo um bom trabalho.
—Ela está certa, eu também estou feliz de ter uma família tão grande e cheia de tios e vovós. – Concordou Enzo.
—Então se acostumem porque a vó Narcisa vai estragar muito vocês – minha mãe se pronunciou – Vou fazer com vocês o que o pai de Draco não deixou fazer por ele.
Minha mãe parecia tão feliz que nem parecia a Malfoy preconceituosa de anos atrás.
—Está tudo muito lindo, tudo muito bom, mas eu tenho que fazer muita coisa ainda – Mione bateu as mãos – Enzo e Sophia, vamos despedir de todo mundo?
Os dois abraçaram Maria e minha mãe que não queria solta-los de forma nenhuma. Eu não sei como, mas aquela mansão que estávamos saindo não se parecia nem um pouco com a que chegamos no dia anterior. Parecia mais alegre como nunca tinha sido antes.
—Vai com cuidado Draco – falou minha mãe enquanto nos despedíamos – Use alguns feitiços de proteção nos pneus, essa estrada deve estar muito escorregadia.
—Tá bom mãe – beijei sua bochecha – Acha que Mione realmente já não fez isso?
Ela também riu.
—Tenta tomar cuidado para não magoa-la Draco, Hermione é uma pessoa muito especial, tente não machuca-la. Ela gosta de você...
—Mãe! A gente já conversou sobre essas coisas, já esta tudo resolvido, apenas esse ano juntos sem paixão nem nada que eu possa fazer que um dia possa machuca-la.
—Sem paixão?
—É uma coisa nossa dona Narcisa, não se preocupe. A senhora está muito boazinha – Brinquei e ela fechou o semblante séria – não estou te reconhecendo.
—Eu sou boa quando necessário garoto, agora trate te ir indo logo e não deixar seus filhos e sua esposa cozinhando dentro do carro. E trate de me mandar cartas com mais frequências.
—Essa é a velha Narcisa que eu conheço.
Entramos no carro e tanto Sophia quanto Enzo estavam calados demais, Hermione estava com a cabeça para trás da mesma forma que o dia anterior, as pernas encolhidas e os olhos fechado. Tudo estava sendo bem mais difícil para ela, imagina se apaixonar por duas crianças, ter elas com filhos e depois de cobrir que o verdadeiro pai delas é o pior bruxo de todos os tempo? Talvez somente eu a entendesse, porque eu sentia a mesma coisa que ela, talvez não do mesmo tamanho, mas ainda sim doía pensar que aquelas duas crianças no banco de trás eram ( não são mais) filhas de Voldemort.
—Aconteceu alguma coisa mamãe? – Perguntou Enzo se inclinando e quebrando o silêncio, enquanto eu dirigia pelas estradas escorregadias.
—Mais ou menos Enzo, mas vai ficar tudo bem. Não se preocupe.
—Mas a senhora está triste assim por causa da gente... – Falou Sophia.
Eu parei o carro e eu e ela trocamos um olhar preocupado e surpreso. Hermione tirou o cinto e se virou para trás.
—Claro que não. Eu nunca ficaria triste por causa de vocês.
—Mamãe, a gente pode ser criança, mas sabe das coisas – falou Enzo me olhando — a gente viu a carta da vovó Narcisa aquele dia, na mesa. Ela falou que sabia algo sobre nós e porque aquele homem que a senhora me falou está atrás da gente, e se a senhora está desse jeito e o tio Draco esta preocupado com a gente, então deve ser bem ruim...
Gente esses meninos eram filhos da Hermione Granger, não tinha explicação.
—Primeiro... – disse Mione dando um sorriso fraco – Estão sem assistir bob esponja essa semana por olhar a carta que não era para vocês – eles concordaram com a cabeça – Segundo, sim era sobre vocês, mas não tem importância... Vocês não precisam se importar com isso, apenas quando estiverem mais grandinhos que vamos ter essa conversa.
—Tudo bem – concordou Sophia – Mas eu tenho medo de saber mamãe, é tão ruim assim que o tio Draco está sendo obrigado a ficar com a gente também...
—De onde você tirou isso? – perguntei surpreso, os olhos dela estavam marejados de lágrimas, então não era só por causa da felicidade que ela chorava antes – É claro que não princesa, eu fiz porque eu quero fazer, porque eu quero vocês.
—O senhor ama a gente tio Draco? – Enzo perguntou temeroso.
Todos dentro do carro se viraram para mim, inclusive Mione. Eu olhei para eles, eu sabia a resposta.
—Claro que amo – respondi tentando me manter firme, eu não estava nem um pouco acostumado com nenhum tipo de declaração afetiva – Pensei que estava tudo resolvido sobre nosso combinado de mais cedo, eu vou ser o pai de vocês e pronto. Agora escutem a mãe de vocês e esqueçam isso, quando tiverem idade suficiente vão saber a verdade, por agora tudo que precisam saber é que eu e Hermione somos seus pais.
Os dois afirmaram com um enorme sorriso e recomecei a dirigir.
—O senhor vai ensinar a gente a voar? – Perguntou Enzo mudando de assunto.
—E a tocar – Completou Sophia.
—Vamos ver se até lá vocês vão estar merecendo e parando de fuçar nas coisa alheias – repreendeu Mione.
Os dois fizeram careta. É sério, aqueles dois eram as pessoas mais perigosas que eu conhecia no mundo, tinham a capacidade de nos deixar mal e de fazer todas as vontades deles, olhei para Mione que fingiu não ver a carranca dos dois e olhou pelo vidro do carro.
—Mas se comportarem eu os ensino a voar – me vi falando – e a mãe de vocês ensina a tocar.
—Draco... – Riu Hermione.
—O que foi? Você viu a cara que eles fez?
Ela riu mais ainda.
—Tem muito que aprender ainda – brincou bagunçando meu cabelo – Acostume-se com as armas deles se não eles vão te ter nas mãos.
Eles riram baixo lá atrás.
—Que Drog... Foi mal – falei meio perdido – Do que estão rindo?
—Nada pai. – Eles falaram juntos.
Espera! Eu escutei direito? Parei o carro e olhei para Mione que também olhava para trás assustada sem cinto de novo e dessa vez tirei o meu também para olha-los.
Eles nos olharam assustados.
—Fizemos alguma coisa errado? – Perguntou Sophia.
—Foi sem querer – Desculpou-se Enzo.
—Não... Er, não falaram nada errado – falei mais perdido ainda – Falaram?
Perguntei para Mione que negou com a cabeça e disparou a rir.
—O que foi?
—Você está parecendo um bobo Draco – ela disse se segurando – E claro que vocês não falaram nada de errado, é que o pai de vocês é um bobão e babão. Agora vamos, porque eu quero chegar em casa hoje.
Eles suspiraram e sorriram de lado. Gente eles estavam me imitando, esse sorriso sarcástico era meu.
Dei partida no carro e fiquei em silêncio. Eles tinham me chamado de pai! Era tão estranho ouvir alguém me chamando assim, era tão estranho ser responsável por alguém assim... Dei o mesmo sorriso que eles imitaram, era tão irônico isso. A felicidade apenas por uma única palavra que para muitos podiam passar despercebido, mas parecia ser tão especial quando dito para a gente. Eu entedia Mione mais ainda, parecia que meu peito se encheu de algo que estava vazio e se aqueceu mesmo estando no frio do inverno
—O senhor vai me levar amanhã para experimentar o terno do casamento do padrinho, pai? – Perguntou Enzo.
A boca dele pareceu se encher ao falar essa palavra e de novo senti aquele mesmo sentimento estranho.
—Er... Se não puder, eu o levo. Tenho que levar Sophia também. – Ofereceu-se Mione vendo que demorei a responder.
—Não, eu vou leva-lo e posso levar Sophia também – falei com o mesmo sorriso bobo nos lábios – E depois eu posso leva-los e deixa-los na Toca, estamos de folga esses dias.
Ela piscou para mim. E eu voltei a ficar absorto na estrada, tinha acontecido tão rápido de uma hora para outra que quando me vi estava completamente perdido nos gêmeos. Aquele sentimento novo, inocente e forte crescendo.
Eu não era muito de acreditar em destino, mas talvez, só talvez, o destino que fez questão de providenciar aquilo. Se esse negócio de destino realmente existisse eu tinha apenas que agradecê-lo, porque de alguma forma ele conseguiu me mandar Enzo e Sophia, e por mais estranho e repentino que fosse, eu sentia como se eles realmente me pertencessem.
Não importava o que os outros fossem dizer, naquele momento eu apenas escutava os gêmeos no banco de trás tagarelar e volta e meia me chamarem de pai, o sentimento que eles colocavam naquelas palavras era tanto que sempre que eu escutava essa palavra, meu coração se aquecia.
E daí se eu não prestava? E daí se era repentino? Tudo que importava naquele momento era que eu era o pai deles, e pra mim e para eles, era o que importava. Eu era o pai de Enzo e Sophia Granger Malfoy.
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