Dramione - Fotografias

34 O Chefe do Departamento dos Aurores


Notas iniciais
Bom esse é o inicio da ultima fase da história que vai ter algumas reviravoltas, ela terá 8 capitulos e o epilogo ;)

Pov. Mione

Mandar Melgaço ir a merda, para a puta que o pariu, começar um revolução... Tudo isso era fácil. Difícil mesmo era convencer Draco que eu continuaria sendo auror. Mas, assim como ele era cabeça dura, eu era teimosa.

Fiquei afastada até o final do mês de março e mesmo a medibruxa querendo me dar mais alguns dias de dispensa eu recusei veemente. Onde já se viu? Um mês parada! Isso é tão absurdo que chega a irritante.

Nossa decisão mais difícil era o que fazer com Enzo e Sophia, sobre a escola. Eles tinham ficado durante muito tempo afastados e apesar da gente querer colocar sempre ao redor dos nossos filhos uma barreira que o impeça de acontecer qualquer coisa ruim, ainda sim não podíamos priva-los de ter uma vida normal.

Fabricio Melgaço estava a solta, isso realmente era um grande problema e por mais que tentássemos localizarmos ele, era impossível. Só que nem por isso tínhamos o direito de fazer com que a vida das crianças fossem apenas dentro de casa, eles precisavam fazer amizade, precisavam viver a vida normalmente.

Então os deixamos voltar para a escola.

Não que eles ficassem sozinhos. Longe disso. A escola estava sobre máxima proteção, eles nunca ficavam sozinhos e a parte boa era que Cho, Fléur e Neville sempre estavam por lá para nos dar mais segurança. Uma hora ou outra Melgaço viria atrás deles, mas para mim, isso estava fora de cogitação. Se dependesse de mim e de Draco ele nunca encostaria nenhum dedo dele nos gêmeos.

Meus “traumas” ainda me assombravam, não era toda noite, mas boa parte delas eu havia tido pesadelos com os corredores da cela. Havia diminuído bastante com as seções de terapias, mas ainda sim... Me tiravam algumas horas de sono.

Eu pouco falei com Theo, ele estava passando por testes intensos no Departamento junto com Aline, para se tornarem aurores. E Simas continuava trabalhando na nossa equipe, ele gostava das ruas... Principalmente depois de ficar tanto tempo enfurnado numa cela não saindo nunca.

Aos poucos minha rotina ia tentando voltar ao normal e eu contava com a ajuda de Draco pra isso, já que ele sempre estava ao meu lado. Ele era o que chamamos de Porto Seguro, aquele que mantinha meus pés no chão, que me ajudava cada vez que eu tinha uma pequena recaída em relação aos meus sonhos.

Eu não precisa dizer em palavras o que estava acontecendo, ele sabia.

Como eu podia amar tanto assim alguém? Essa resposta eu não sabia... A única coisa que eu sabia era que o amava. Eu amava quando ele apenas segurava minha mão sem necessidade alguma disso, amava quando ele me prensava na parede e me deixava de pernas bambas... Eu amava ser a namorada dele.

No dia 30 de abril saiu a guarda definitiva das crianças. Se eu fiquei feliz? Eu era a pessoa mais feliz do mundo.

Enzo e Sophia eram o melhor de mim, era minha melhor escolha e minha vida se resumia a eles. Independente de Voldemort, Alice, Fabricio Melgaço... Eles eram a única coisa que eu podia dizer que eram meus realmente, e via nos olhos de Draco que ele sentia a mesma coisa.

Ele era o pai mais feliz do mundo, e eu a mãe.

Era engraçado vê-lo perdido com as perguntas delas, as horas que tomávamos café da manhã juntos antes de revezarmos em leva-los a escola. Era cada momento desse que me fazia ter certeza que Merlin não podia escolher homem melhor para ser pai deles. Porque para mim, Enzo e Sophia nunca foram filhos de Voldemort, e sim de Draco Malfoy.

–Então vocês vão se separar para se casar de novo? Perguntou Enzo quando Draco tentava, fracassadamente, explicar o motivo que ele em poucos dias se mudaria para a casa alugada a menos de duas quadras daqui de casa.

–Exatamente, vocês entenderam agora? Perguntou mais animado.

Enzo e Sophia negaram com a cabeça e ele se afundou no sofá.

–Será que você podia tentar? Ele perguntou frustrado.

–Mas você disse que queria explicar para eles, que é o namorado que toma essas iniciativas e tal. Brinquei dando de ombros.

Enzo e Sophia começaram a rir e ele me lançou um olhar furioso.

–Tá bom – falei erguendo as mãos em sinal de rendição, desci do sofá e sentei de pernas cruzadas no chão perto dos dois pequenos – Vocês lembram o que falamos meses atrás, quando avisamos que iriamos casar de mentirinha para podermos ficar com vocês?

Os dois assentiram.

–Vocês sabem que aquilo que fizemos era uma mentira, não sabem? – eles assentiram de novo – E o que ensinamos a vocês durante esse tempo juntos?

–Que mentir é feio. Respondeu Enzo prontamente.

–Exatamente! O que o pai de vocês quer dizer é que queremos fazer as coisas do jeito certo, acabarmos de vez com aquela mentira.

–Então vocês querem fazer as coisas certas? Perguntou Enzo.

Eu acenei confirmando.

–E para fazer as coisas certas, vocês tem que começar sem mentiras? – Perguntou Sophia e eu concordei – Então papai está fazendo isso, porque é seu namorado. E vocês querem começar do começo pra vocês depois se casarem que nem na historia da cinderela.

–Que nem na história da cinderela, sem mentiras, sem fachada... Falei beijando o rosto dela.

–Então você pode namorar a mamãe. Mas... Vai ter que fazer com ela que nem o príncipe fez com a cinderela. Falou Sophia sorridente.

–Quem é cinderela? Perguntou Draco e nós duas rimos.

–O senhor não vai querer saber. Respondeu Enzo revirando os olhos

Draco bagunçou os cabelos dele e o jogou no ombro ambos rindo.

–Hora de dormir, aí você vai me falando um pouco dessa Cinderela. Draco falou para Enzo.

Assim que saiu a anulação do casamento, vinte dias após a adoção, Draco se mudou para a casa que ele havia alugado há apenas duas quadras de distancia, não era tão grande quanto a nossa, mas tinha um jardim médio com três quartos, um para ele, outro para as crianças e um para Narcisa que ficaria com ele por um tempo.

Nenhum dos nossos amigos acharam estranho nossa relação, alguns achavam engraçado falando que a gente fazia as coisas ao contrario, mas todos simplesmente apoiaram a nossa decisão.

O meu serviço de auror aos poucos foi voltando ao normal, aos poucos Draco foi cedendo, já que eu mesmo não ia ceder de forma alguma. Nossas missões continuavam basicamente em Melgaço.

Seis duplas de investigadores cuidavam das missões “normais” do Ministério, mas nós dois, Walisson e Nathanel, Jeovane e Natalia, Miguel e Dino cuidávamos apenas de tudo que pudesse ligar a Melgaço. Nas primeiras semanas o numero de contrabando havia caído mais da metade, tanto dos artigos não legais aos produtos ilícitos que eram as drogas por causa da queda da Ilha. Mas aos poucos podíamos ver que ele estava se reerguendo num ritmo ainda maior.

Era comum ver nossas quatro duplas na sala de reunião formando novas bases de investigação, Draco era o líder, não havia como negar. No começo ele bem que tentou me envolver o mínimo possível, mas na verdade ele sabia que assim como ele, eu queria continuar me dedicando ao máximo a essa investigação, mesmo que ele sempre, sempre mesmo, me excluía das missões de campo onde ele não estava.

Harry estava esgotado, as investigações sobre Melgaço, as investigações das outras duplas, o casamento remarcado com Gina, a guarda de Ted, e as especulações sobre ele ser o mais indicado a ser o novo Ministro da Magia com apenas 25 anos estavam o esgotando e Draco o ajudava cada vez mais durante esses dias em relação ao Departamento de aurores. Estava claro que a relação dos dois havia crescido no meu período distante, e eu gostava disso.

Com o inicio do mês de junho, Draco e as crianças fomos a um parque perto do nosso bairro, as crianças passaram o dia inteiro brincando e a noite fomos para a casa dele onde Narcisa havia mandado preparar um jantar para nós.

Se eu falasse que não estava gostando dessa vida de namorados, eu estaria mentindo. Eu simplesmente estava adorando isso... Eram passeios, cinemas, jantares no nosso restaurante preferido e lanchonetes, reunião com os amigos na casa dele ou no apartamento de Harry e até mesmo vez ou outra íamos em alguma festa com nossos amigos mais próximos enquanto as crianças ficavam com Narcisa ou iam para festas do pijama com Ted e Victoria.

Enzo e Sophia estavam adorando essa vida de terem duas casas, nunca andavam sozinhos, mas sempre que podiam fazia Pops aparatar com eles na casa do pai. Para eles era festa terem duas casas, o dobro de brinquedos, o dobro de atenção e ainda saiam com a gente nos fins de semanas. Eles gostavam dessa fase tanto quanto nós estávamos gostando.

Pela primeira vez eu realmente estava namorando, não era como quando eu estava com Rony, era melhor, único e exclusivamente bom porque tudo parecia novo com Draco. Era como se eu realmente me sentisse uma adolescente ao lado dele, descobrindo como é amar, como é namorar.

–Vão dormir aqui hoje? Ele perguntou enquanto jantávamos.

Apenas acenei com a cabeça. Não posávamos todos os dias juntos, havíamos entrado num consenso porque se não ei ser a mesma coisa de morarmos juntos. Um dos motivos de eu tentar fazer isso era a volta dos meus pesadelos...

Nos últimos dias eu estava tendo muitos problemas para dormir novamente... Apesar de ter se passado três meses que eu havia saído daquele inferno, as coisas não estavam mais tão normais assim comigo. Eu havia tendo vários pesadelos quase todas as noites. Era como se a cada vez que chegávamos perto de Melgaço eu me lembrasse de tudo que eu passei naquele lugar, principalmente nos últimos dias que fiquei por lá.

Geralmente era quando eu me aproximava depois de certas coisas, como por exemplo, Azkaban. Eu nunca fui uma pessoa medrosa, mas desde o dia que eu havia visitado a prisão bruxa para interrogar François, há cinco dias, eu vinha tendo sonhos com a noite que eu havia sido torturada.

–Você ficou calada o jantar inteiro – falou Draco após colocarmos as crianças para dormirem – Aconteceu alguma coisa?

Apenas neguei e o beijei me ajeitando em seus braços, que era o lugar que eu mais me sentia segura. Eu gostava de estar ali, eu gostava de estar nos braços dele e ele sabia disso. Superar aqueles dias na cela estava sendo mais difícil do que imaginei, eu não conseguia conversar direito com ninguém, nem mesmo com Adriana que me ajudou muito durante um tempo, ate eu ficar atolada demais para ter tempo para as seções de terapia.

Não era a área dela, mas ela me ajudava no que podia, mesmo eu dificultando tudo ela conseguiu me ajudar a ficar um bom tempo sem ter os pesadelos. Eu não conseguia falar com ninguém, o máximo que eu contava era o superficial porque quando eu aprofundava mais lá dentro, era como se eu me sentisse lá... Como se eu me sentisse encarcerada de novo.

A noite, mesmo nos braços de Draco, eu ainda sim sonhei com a noite em que Lucio Malfoy me torturou... Parecia tão real, que eu me sentia realmente ali de novo, mas a cena sempre ficava pior... Uma hora era o Lucio e de repente mudava, era Melgaço que estava com a varinha na mão, mas não era apontada para mim, era apontada para os gêmeos e Draco. Pior do que ser torturada, era ver as três pessoas que você mais ama passar por isso.

–Hermione... Mione... Acorda meu amor.

Levantei-me de uma vez, a luz do abajur ligada e Draco ao meu lado me olhando assustado, passei a mão na minha testa suada e ao olhar para ele de novo o abracei com força.

– O que está acontecendo, Mione? – ele perguntou apertando minha cintura – Você estava tremendo, se retorcendo.

–Foi só um sonho ruim. Respondi afundando meu rosto em seu pescoço.

–Sonho ruim? – ele falou me afastando e colocando as duas mãos no meu rosto – Ei! Olha para mim...

Ergui meu olhar para ele e os olhos cinzas pareciam tão ternos me encarando dessa forma.

–Eu pensei que já tinha passado esses seus pesadelos. Faz quanto tempo que você está os tendo de novo?

–Desde o dia que fomos a Azkaban. Respondi.

–Você deveria ter me contado. Falou sério.

–Eu sei.

Ele se deitou e me puxou para deitar no seu peito.

–Você devia voltar a falar com a Adriana, mesmo ela não sendo especialista nisso ela pode te ajuda de novo.

–Eu não sei...

–Olha Hermione, eu sei que você é teimosa demais para me escutar, mas dessa vez você vai me escutar – falou sério – Faça isso por mim.

Apenas maneei a cabeça concordando. Eu devo ter cochilado, porque quando acordei a cama estava vazia e Draco parecia estar na cozinha apressando as crianças para irem a escola. Ele os levou e eu fui direto para casa me arrumar para ir para o Ministério, de lá eu liguei para Adriana que pediu para eu ir ao escritório dela antes de ir para casa.

–Você vai demorar? Draco perguntou na porta entrada da lareira, suas mãos estavam na minha cintura me puxando para ele.

–Draco eles estão olhando. Falei escondendo um sorriso.

–Deixem olhar – ele falou mordendo meu lábio inferior me fazendo arfar – Eu vou levar as crianças para casa, amanhã sai o resultado para o novo Ministro e o renuncio de Kingsley, ele está muito cansado, para continuar. Harry está uma pilha de nervos, acho bom você ir ficar com ele essa noite, Gina está na concentração dos Cannons essa noite e ele está sozinho com o Ted.

–Ele não pediu para que isso acontecesse, mas ele é o Harry Potter – falei sentida pelo meu amigo – Ele nunca vai negar a oportunidade de ajudar as pessoas, e eu tenho certeza que ele vai ganhar e ser o Ministro da Magia.

–Tem certeza que quer ir sozinha? – eu confirmei – Tudo bem então, te amo. Me liga assim que chegar na casa de Harry e se não for posar lá, me avisa.

Despedi dele com um beijo nada convencional para nosso ambiente de trabalho e entrei na lareira para ir ao escritório de Adriana. Não tive que esperar muito, ela estava apenas com um casal e assim que terminou pediu para eu entrar.

Apesar de não ser responsabilidade dela, Adriana era uma pessoa muito especial, tinha o dom de escutar e ajudar, e muita das vezes ela deixava de ser a terapeuta Adriana Tavares, para ser apenas minha amiga conselheira.

–Bom, eu não posso te dar um diagnostico, mas eu andei me aprofundando nesse assunto Herms, ele é tão instável que vareia de caso para caso – ela falou séria quando terminei de contar – Só eu acho que nem tudo tem haver com a maldição que você recebeu repetidas vezes, e sim com tudo que você passou enquanto esteve lá dentro. Você parece muito receosa em me falar as coisas, tanto para mim, quanto para todo mundo... Os seus temores, seus traumas são muito maiores do que apenas a maldição, eles vem do período que você ficou trancafiada, as provações tanto física como comer apenas uma vez por dia, quanto as emocionais de ficar frente a frente com o homem que quer destruir sua família.

–O que você quer dizer com isso? Perguntei.

–O que eu quero dizer é que você é uma mulher que sempre curtiu a liberdade que mesmo depois que adotou Enzo e Sophia se provou com aventuras, inclusive seu romance com Draco é uma grande aventura boa e que se Merlin quiser vai dar certo. Mas você ficou um período muito grande presa, onde seu psicológico dia após dia ficava sendo testado, você está abalada. É claro que a maldição cruciatus tem sua parcela de culpa e apenas agrava isso.

A fitei por alguns segundos pensativa, era verdade. Eu me sentia bloqueada em falar com outras pessoas sobre o que aconteceu lá, apenas o que era necessário, nada a mais. Eu sentia que isso magoava Draco, e isso era o que mais me doía, eu havia conseguido falar com Theo, Simas e Walisson no hospital, mas porque de certa forma eles sabiam o que eu passei.

Eu tinha medo.

Medo de ele me achar fraca, medo de nunca conseguir ser eu mesma e por isso eu tentava ao máximo fingir que nada havia acontecido. Eu evitava tocar nesse assunto quando sentia que não era necessário, e sempre me sentia incomodada quando alguém tentava me fazer falar sobre isso, porque aqueles dias que eu passei lá, eu queria esquecer. Esquecer que fiquei 36 dias longe de Enzo e Sophia, que fiquei longe de Draco, que chorei, que desisti, que fui torturada... Eu queria apenas esquecer de tudo isso, mas não conseguia.

–Eu quero me encontrar com você duas vezes por mês, Hermione – ela falou anotando numa prancheta – Apenas paras podermos conversar, não precisa ser aqui, estou fazendo isso por ser sua amiga, Rafael falou que faz tempo que vocês não conversam direito e que você parece ter desistido da sua exposição.

–Eu apenas não tive tempo de continuar a fotografar. Falei sincera.

–Então você vai voltar – ela falou e eu fiz uma careta – Se não aceitar como um conselho, posso passar como uma sugestão de terapia... Você adora fotografar, isso te faz se sentir livre minha e acho que você precisa sentir esse tipo de liberdade de novo. Não estou dizendo para deixar seus filhos de lado – ela falou quando eu ia contestar isso – Estou dizendo para voltar a ser a aventureira, não para viajar, para ousar mais, fotografar... Voltar a fazer seu hobby, porque antes de você ser auror, mãe, namorada, você era uma fotografa.

Apenas concordei com ela, ela sempre parecia estar certa. Estava na hora de tirar da aposentadoria minhas câmaras fotográficas.

Pov. Draco.

O átrio do Ministério da Magia estava mais lotado do que nunca, pessoas falando ao mesmo tempo, outras ansiosas demais assim que acabou o plebiscito. Kingsley estava em cima do palco, muito mais magro do que antes, parecia muito fraco. Ninguém realmente sabia o que ele tinha, mas não se parecia com nada com o velho Kingsley que conhecíamos.

Enquanto ele falava eu olhava ao redor procurando Hermione, ela havia posado na casa de Harry e não tinha a visto desde a consulta de ontem.

–Procurando por alguma mulher Sr. Malfoy? Perguntou uma voz sensualmente ao meu ouvido.

–Estou sim, é uma morena muito gostosa. Você a viu por aí? – Perguntei me virando para ela – Acho que já achei essa morena.

Passei meus braços pela cintura dela e a coloquei na minha frente a abraçando por trás para escutarmos o final do pronunciamento de Kingsley.

–Como foi ontem com a Adriana? Perguntei baixo.

–Você estava certo, foi muito bom para mim mesmo. Depois entramos em detalhes. Assim que acabar aqui vamos para casa, eu pedi para Pops comprar algumas coisas para eu fazer o almoço, as crianças vão estudar apenas meio período hoje, sua mãe se encarregou de busca-los.

–Tudo bem então. Mas e o Harry? Como ele está?

Ela sorriu de lado fraternalmente como sempre falava dele, eu sabia que não era o sonho dele ser Ministro, na verdade ele nunca pensou em ser. Mas ele era o Harry Potter, e se as pessoas estavam confiando nele, ele não iria fazer nada para decepciona-las. Ele tinha um coração bom de mais para fazer isso, foi realmente uma pena não termos sido amigos quando jovens, eu teria aprendido muito com ele e talvez não tivesse passado por tudo que passei e ido para o lado errado.

–Ele está bem, o resultado já saiu, acabei de vir de lá. Ele ganhou, Gina acabou de chegar aqui com o Rony e estão lá atrás com ele. Acho que ele vai ser o melhor Ministro da Magia de todos, eu acredito muito nele.

–Você votou nele? Perguntei.

–Sim, apesar de lamentar o aumento de responsabilidade ele vai ser o melhor para nós – ela falou se virando para mim – Mesmo com o passar do tempo, depois da Guerra as coisas ainda estão obsoletas demais. Acho que Harry vai mudar muita coisa, ele odeia hipocrisia e cá entre nós, o Ministério da Magia está cheio de hipócritas.

Apenas beijei sua testa e ela se virou de novo para olhar para frente. O discurso de Kingsley acabou e os conselheiros do Ministério começaram seus discursos idiotas e como a Mione havia dito, hipócritas. Havia apenas dois candidatos, Harry e o vice Ministro de Kingsley, as qualidades deles foram pesadas, mas todos ali já sabíamos que os votos já tinham sido contatos e que aquilo era só para eles mostrarem o quão tudo era certo demais.

–... E é com muito orgulho que o Ministério da Magia da Grã Bretanha apresenta o novo Ministro da Magia, Harry Tiago Potter... Anunciou o conselheiro chefe.

As palmas e até mesmo gritos foram ouvidos por todo o átrio, Harry subiu ao palco um pouco envergonhado ajeitando seu óculo, mas com muita postura tentando parecer mais sério sem muito sucesso, ele sorriu para nós e os Weasley que estavam próximos.

O discurso dele foi bom, e eu sabia que tinha um dedo da Mione nele. Após todo a burocracia e tudo mais, ele desceu para cumprimentar todo mundo, não demorou muito para ele chegar até nós.

–Sr. Importante demais agora. Brincou Mione.

–Eu pedi para não me chamar assim –ele falou a abraçando – Obrigada pelo discurso, eu não sabia o que dizer.

Não falei que foi ela.

–Por nada.

–Parabéns Ministro. Falei sorrindo de canto e ele fez uma cara feia.

–Eu não vou me acostumar com isso nunca. – Falou apertando minha mão – Vocês vão ao jantar?

–Claro, já liguei para o restaurante e mandei reserva-lo apenas para o Ministério.

–Alguém já te disse que você é a melhor irmã do mundo? Ele perguntou aliviado.

–Hoje não, mas... Não se preocupe está tudo ajeitado. A tarde eu termino de resolver tudo com a Gina.

–Muito Obrigada mesmo, eu não conseguiria organizar isso.

Logo a atenção do novo Ministro foi solicitada, Gina passou por nós revirando os olhos entediada, nos fazendo rir e se posicionou ao lado de Harry onde algumas funcionarias do Ministério recebiam a atenção dele.

–Vamos embora, por favor. Pediu Mione.

–Vamos sim.

Não demoramos muito para chegar em casa, mas o gêmeos já estavam com a minha mãe e Mione cozinha fazer comida com Pops. Como estava quase chegando o verão o clima estava esquentando, os gêmeos aproveitavam isso para banhar de piscina e brincar de bola.

–Mas porque a gente tem que ir para ficar com a avó Molly, pai? Perguntou Enzo.

–Porque a mamãe e o papai tem que ir a um jantar muito importante hoje, e é o tipo de jantar que não se leva crianças.

Ele bufou irritado e saiu da piscina cruzando os braços.

–Mas é tão injusto. Criança também come!

Tentei esconder o riso.

–Enzo, vocês não podem ir. Vocês só vão passar um dia com a avó de vocês, Victoria e Ted vão estar lá.

Um sorriso se abriu no rosto dele, o que me deixou desconfiado.

–Então se Victoria está lá, não tem problema. Respondeu Enzo sorridente.

–Você gosta dela? Perguntou orgulhoso.

–Ela é a minha namora. Ele respondeu sapeca.

–Esse é meu garoto! – respondi rindo alto – Vocês já se beijaram?

–Draco!

Olhei para trás e tentei esconder a satisfação de saber que meu filho tinha uma namorada com apenas sete anos, já que a cara de Mione não era nada boa.

–O que foi? Perguntei.

–Não é assim que se fala com uma criança, Draco. – ela falou e se abaixou para ficar da altura de Enzo – Meu amor, vocês são apenas crianças, tudo bem? Não se preocupe com isso de beijar ou não, quando você tiver mais velho você se preocupa com isso.

–Eu a pedi em namoro, e peguei na mão dela.

É sério! Esse garoto é meu herói.

–Muito bem campeão. Falei estendendo a mão para ele bater.

Ela lançou um olhar feio pra mim, mas depois um sorriso bem malvado surgiu no rosto de Mione me fazendo parar de rir.

–O que foi? Perguntei, eu conhecia aqueles sorrisos dela.

–Nada – ela respondeu se levantando – O almoço está pronto. Mas antes, Sophia você já contou pro seu pai?

Eu não sei por que, mas não estava gostando nada desse assunto. Sophia arregalou os olhos para a mãe dela e depois caminhou até mim completamente sem graça olhando o chão.

–O que você tem que contar para mim? Perguntei ríspido.

–Draco! Repreendeu-me Mione.

–O que? Agora vocês duas tem segredinhos? – perguntei e revirei os olhos quando o olhar repreensivo continuou — O que você tem que falar para mim, princesa?

Ela me abraçou e escondeu o rosto no meu peito.

–Sophia não precisa ter vergonha do seu pai, ele ficou orgulhoso de Enzo. Provocou-me Mione com um sorriso sádico.

No fundo, lá naquele fundo bem obscuro, eu sabia o que era, mas tentava negar com todas as minhas forças. Ás vezes é melhor ficar na ignorância.

–EubeijeioTed. Ela falou muito rápido.

–Não entendi princesa, fala devagar. Pedi.

Ela suspirou fundo e se afastou de mim indo para perto da mãe dela.

–Eu beijei o Ted.

–Como é que é? Perguntei.

–Oras Draco, você não é surdo. Disse Mione.

–Eu não acredito nisso Sophia Granger! Falei com raiva.

Como assim aquele tarado esquisito beijou minha filha? Ela é uma criança, mal tem sete anos de idade! A pior coisa para um pai ouvir é isso... Eu sentia meu sangue ferver enquanto tentava assimilar aquilo.

–Eu vou esfolar aquele desgraçado. – falei me levantando e pegando minha varinha – Onde já se viu, beijar minha filha! Aquele...

–DRACO. – gritou Mione – Meça suas palavras perto das crianças.

Olhei para Enzo que parecia gostar disso tanto quanto eu, enquanto Sophia estava chorosa atrás dela.

–Desculpe. – falei ríspido – Mas que eu vou pegar esse moleque.

–Por qual motivo? – perguntou Mione cruzando os braços – Ele é apenas uma criança.

–Uma criança? Mione aquele menino esquisito beijou minha filha, a minha princesinha! Você quer que eu deixe por isso mesmo? Se o excelentíssimo Ministro da Magia não segura o garanhão dele, eu vou dar um jeito dele guardar os documentos dele longe da minha princesinha.

–Você já viu o tanto que isso está soando patético? – ela perguntou sorrindo de lado – Primeiro, Harry educou Ted muito bem. Segundo, você está sendo hipócrita, ele tem a mesma idade de Enzo, e você acabou de elogiar seu filho...

–Mas é diferente. Falei cruzando os braços.

–Diferente por que, Draco? Eles são crianças.

–É diferente e pronto. Eu não tenho que explicar porque é diferente – falei com raiva – Aquele moleque beijou minha princesinha, Mione.

–Terceiro, ela beijou ele, não é mesmo Sophia?

–É verdade papai, ele é meu namorado.

Meu mundo girou e eu cai sentado na cadeira de descanso. Ela beijou ele? Namorado? Isso é a coisa mais injusta do mundo, nunca parei para pensar nesses detalhes, mas para mim eu pensei que tinha que me preparar para isso apenas quando Sophia tivesse uns 30 anos no mínimo.

–Ele não é seu namorado. Falei por fim.

–É sim papai, a gente lancha junto todos os dias, anda de mãos dadas e ele me deu até uma flor.

–Que gracinha meu amor. Falou Mione sorridente.

–Gracinha uma ova! Você não tem namorado Sophia, esta me escutando?

Sophia começou a chorar e apesar de eu não gostar nenhum pouco disso, me mantive firme.

–Ele é seu namorado sim meu amor, pode subir para tomar um banho e almoçar, eu vou cuidar do seu pai. Vai com ela, Enzo.

Enzo passou furioso por mim e Sophia foi andando mais devagar atrás.

–Você vai pedir desculpas para a sua filha. Mione falou extremamente brava.

–Não vou pedir desculpas nada, ela tem sete anos Mione, não tem namorado.

–Draco Malfoy, aos sete anos enquanto a maioria dos meninos estão construindo fortes e brincando de carrinho, meninas estão brincando de casinha e tendo namorados de brincadeira. Todas meninas de cinco a sete anos tem namorado.

–Que coisa mais imbecil de se falar.

–Não e imbecil, é apenas verdade. Você está confundindo as coisas, Enzo falou que pediu Victoria em namoro e você o chamou de campeão, Sophia falou que beijou Ted e você a destratou com um bárbaro além de xingar o pobre garoto na frente dela.

–Ele não era pobre garoto quando estava engolindo a língua dela.

–Que absurdo Draco! Você tem noção do que está falando? Eles nem se beijaram de verdade, foi apenas um selinho, um encostar de lábios, para eles isso é beijar. Você está levando para um lado completamente diferente, eles tem apenas sete anos, eles nem sabem ainda de onde vêm os bebês...

–E acho melhor continuar sem saber.

Eu não sei o que ela achou de engraçado, mas ela riu. Eu não via graça em nada disso, é claro que fiquei aliviado por eles chamarem selinho de beijo, mas... Mas ela ainda sim não tinha idade para pensar em garotos tão cedo.

–Isso é culpa sua – acusei com raiva – Você e a televisão trouxa, colocando sua filha para assistir aquele filme Meu amor...

–Meu primeiro Amor.

–Esse mesmo, a menina se inspira e quer fazer aquela pornografia. SOPHIA... SOPHIA... – chamei e um minuto depois ela saiu ainda chorosa – Você está proibida de assistir filmes trouxas.

–Mas papai...

–Está proibida! Repeti firme.

Ela apenas balançou a cabeça e voltou chorando para dentro.

–Eu não acredito que você fez isso. Ela não está proibida de assistir televisão trouxa! E não me interrompa Draco Black Malfoy – ela falou apontando a varinha para mim quando ameacei falar – Você acabou de magoar sua filha e ganhar o troféu de babaca do ano, é só um namorado. Para ele namorar não tem nada haver com sexo, e nem beijo de verdade, apenas sair de mãos dadas na hora do recreio, dividir o lanche, é como se fossem apenas amigos exclusivos... E não me venha colocar maldade nas atitudes da sua filha, porque você acabou de magoar ela, Sophia é uma garota ótima e ainda te contou o que fez, não é porque com onze anos você traçava suas primas que Ted vai fazer o mesmo que ela.

–Não vai mesmo, eu acabo com ele antes.

–Você vai pedir desculpas para ela.

–Não vou não, ninguém mandou ela arrumar um namorado antes dos 30.

A raiva de Mione vacilou e ela sorriu, abaixou a varinha e caminhou até mim.

–Você só está com ciúmes, tenta não agir assim com ela.

Ela me deu um beijo lento e se afastou, ajeitou a roupa como se me provocasse e caminhou piscando para mim. Merlin! Se Sophia aprendesse a seduzir como a mãe, eu estarei ferrado.

–A quanto tempo você sabe disso? Perguntei tentando focar.

–Uma semana.

–Uma semana? Uma semana. Hermione Granger você e sua filha mentiram para mim durante, uma semana?

–Vocês não acha que está exagerando, não? Já tá chato esse assunto.

Não, eu não estava exagerando. Eu sabia exatamente o que os garotos faziam, eu já fui um. Passei por ela a passos largos e entrei dentro de casa, Sophia estava no sofá e minha mãe arrumava o cabelo dela. O almoço foi completamente silencioso, pelo menos da minha parte, após o almoço fui para minha casa sozinho, estava cansado das indiretas de Hermione para eu pedir desculpas para Sophia.

Isso era tão injusto! Eu não sabia que com os filhos despertavam esses tipos de sentimentos, mesmo sabendo que era algo infantil eu tinha medo de perder a Sophia, justo agora que eu tinha a encontrado. Ela era a minha garotinha, a doce e inteligente Sophia, a garota que acreditava em contos de fadas e que para ela eu era o príncipe da mãe...

Era muito mais fácil ver Enzo como um garotão, do que ver ela com um namorado, affs. Essa palavra parece tão bonita entre mim e Hermione, mas quando era com Sophia e Ted, parecia tão odiável.

Devo ter pegado no sono no meio da tarde porque acordei apenas com as batidas na porta.

–Draco, você vai se atrasar para o jantar. Falou Narcisa.

–São que horas mãe? Perguntei esfregando o rosto.

–São quase sete, Mione e as crianças estão se arrumando, eu vou com elas para a Toca fazer companhia para a Sra. Weasley.

–Meia hora e a gente vai para a casa dela, dá tempo de se arrumar? Perguntei.

–Claro que sim, mas eu preciso falar com você bem rápido – ela falou entrando no quarto – Você precisa falar com sua filha, o que você falou para ela foi injusto, Sophia está achando que te magoou quando nós dois sabemos que ela nem tem capacidade de fazer isso.

–Vai ficar do lado da Hermione? Perguntei.

–Não tem lado Draco, não percebeu isso ainda? Não estou intercedendo pela Hermione, estou intercedendo pela minha neta, então espero que levante-se dessa cama, se arrume e vá a casa dos seus filhos para falar com sua filha.

–Mas...

–Não tem mais nem menos Draco Malfoy, lave seu orgulho no chuveiro e vá pedir desculpas para a sua filha, até Enzo está sentido pela irmã. Aquilo que você fez foi extremamente desnecessário.

A porta se fechou num baque surdo, bom aquela era a Narcisa Malfoy que eu conheço, com ela não tinha nem mais nem menos, e para ela falar comigo daquele jeito ela devia estar realmente preocupada com Sophia.

Eu ainda sentia raiva, mas não de Sophia. Eu apenas me sentia traído pela Mione, esconder algo assim de mim durante uma semana foi o estopim do absurdo. Tomei um banho rápido, iriamos aparatar as 20 hrs então, mas eu precisava falar com Sophia antes.

Peguei uma calça jeans azul escuro e uma camisa verde bem escuro colocando apenas o casaco por cima, arrumei o cabelo rapidamente. Não era necessário nada muito formal, não quando tinha um bando de Weasley lá e provavelmente iam transformar aquele lugar num verdadeira festa tudo, menos entediante.

Desci as escadas e minha mãe já me esperava com um sobretudo preto e um coque perfeito extremamente séria, fomos andando mesmo até a casa que era de certa só dela agora. Não tínhamos planos de morarmos lá depois que nos casarmos. Eu e Mione já havíamos comprado um terreno bem grande num lugar bem mais reservado, era no mesmo vilarejo da Toca, apenas alguns quilômetros de lá no vilarejo de Ottery St. Catchpole. Todos os nossos amigos pareciam adquirir bens naquela região, a casa de Harry e Gina também era Ottery St. Catchpole, entre a que estávamos construindo e a Toca, cerca de cinco quilômetros da Toca.

Tínhamos feito um projeto realmente bem grande por isso sabíamos que ia demorar, com um quarto para cada uma das crianças, que logo virariam aborrecentes e iam querer seus próprios quartos, um quarto escuro maior para Hermione, uma suíte mais espaçosa para nós, área de lazer e piscina com um enorme jardim, além de mais quartos... Uma pequena mansão que ela fazia questão de pagar metade, porque na cabeça da mula teimosa, era o certo a se fazer.

Quando chegamos as crianças estavam na sala esperando minha mãe para leva-los para a Toca, Sophia me lançou um olhar tão culpado que me cortou o coração...

–Vem cá princesa. Falei ao cumprimenta-los.

–Me desculpa papai. Ela falou olhando para o chão.

–Você não tem que pedir desculpa de nada – falei puxando ela para se sentar no meu colo – Eu não deveria ter falado daquele jeito com você, é que... Bom... Eu...

–O senhor ficou com ciúmes. Ela completou com um meio sorriso.

–É isso mesmo. Eu fiquei com ciúmes – falei sem graça e ela me abraçou, estava parecendo uma verdadeira princesa usando um vestido rodado amarelo com um laço na cintura enquanto seus cabelos estavam ainda mais cacheados – Olha Sophia, você é muito pequenininha para namorar, mas... Eu não devia ter falado daquele jeito com você, é que é difícil ver que minha princesa gosta mais de outro garoto do que de mim...

–Eu não gosto mais dele do que de você papai, eu amo mais o senhor.

Gente, como ficar bravo com uma menina assim?

–Eu também amo você minha princesinha – falei derretido – Eu entendo agora que você e Ted apenas são namorados de mentirinha, e é bom continuar assim por muito tempo, tudo bem?

Ela sacudiu a cabeça.

–Promete que não vai arrumar um namorado de verdade até completar 30 anos? Perguntei.

Ela soltou uma risada gostosa.

–15 anos. Ela falou.

–28. Falei.

–20.

–25. Falei firme.

Ela sorriu balançando a cabeça e me deu um beijo bem demorado na minha bochecha.

–25. – ela falou sorridente – Eu vou namorar só com 25 anos, por você papai.

Por que ela não podia ter 7 anos para sempre Merlin? Coitada da minha filha. Eu não sabia se ficava com dó dela por achar que ia namorar só com 25 anos, ou de mim que realmente tinha esperanças que isso acontecesse.

–Agora vai. Sua vó Molly deve estar esperando vocês para jantar.

–Eu posso pegar na mão do Ted, papai?

1,2,3,4,5,6,7,8,9,10. Respira.

–Pode. Falei suspirando fundo.

–Eu não gosto que as outras meninas da escola fiquem perto dele. Eu posso continuar sendo namorada de mentirinha dele, papai?

1.2.3.4.5.6.7.8.9.10.11.12.13.14.15.16.17.18.19.20.21.22.23.24.25...25...25...25...25...25...25...25...25...25...

–De mentirinha pode. Falei com dificuldade, longos segundos depois.

–Que nem no filme Meu Primeiro Amor.

Ela cantarolou tão inocentemente, mas aquilo me deu tanta raiva que eu só podia culpar uma pessoa por minha filha está com essas ideias malucas, a idiota da mãe dela.

Minha mãe voltou da cozinha com Enzo e pegou o pó de flur quando entrou na lareira com os dois.

–Enzo corre aqui rapidinho.

O garoto saiu desconfiado e veio até mim.

–Eu fiz alguma coisa errada?

– Não. É só um pedido – falei me sentindo patético – Cuida da sua irmã, não a deixe sozinha com Ted nenhum minuto, entendeu?

–Mas isso não é errado papai? Ele perguntou.

–Você quer que sua irmã tenha um namorado de verdade, que vai ficar andando com ela para cima e para baixo? Quer que nós dois não sejamos os únicos homens na vida dela?

Ele olhou para ela na lareira nos esperando com minha mãe e negou com a cabeça com raiva.

–Não.

–Ótimo! Então vigia ela, não confio no Ted.

–Ele não vai ficar sozinho com a minha irmã. Enzo falou determinado.

–Isso aí garotão. Vai lá, que sua mãe deve está quase descendo.

Ele piscou para mim sem nem ao menos disfarçar nada, tão sutil feito um coice de hipogrifo e desapareceu pela lareira junto das duas. Bom, eu confiava na Sophia, sabia que ela era apenas uma criança influenciada pela televisão com filmes que a mãe dela a obriga ver. Bufei de raiva.

–Hermione, já estamos atrasados. Falei olhando no relógio, faltava dez para as oito.

–Já estou quase pronta.

Para ela parecia ser tão fácil ver a filha com um namorado de mentirinha, mas para mim era tão... Tão difícil. Se estava assim agora, imagina quando ela tivesse mais velha, quem sabe com uns 25 anos... Eu com certeza não iria ter o apoio da mãe dela já que a traíra achava lindo a filha de sete anos ter um namoradinho. Eu só tinha uma pergunta, lindo onde? Lindo é ela achar que eu sou o príncipe encantado da mãe dela, não que Ted Lupin é seu príncipe encantado. AFFS. Odeio minha vida.

–Vamos Sr. Ciumento? Chamou Mione atrás de mim, eu nem havia escutado ela descer as escadas.

–Ciumento por sua causa que fica colocando...

Parei de falar assim que me virei para ela, estava tão absurdamente linda que chegava a ser injusto para outras mulheres estarem no mesmo lugar que ela. Ela usava um vestido azul marinho brilhoso com uma alça só que modelava sua cintura com um salto preto muito alto e sensual, seu cabelo estava jogado totalmente para o lado e seus lábios estavam vermelhos... Minha completa perdição. Distraidamente olhei no relógio. Merda! Não daria tempo de fazer nada.

–Gostou do que está vendo? Ela perguntou dando uma volta extremamente sexy e me encarando em seguida com uma sobrancelha erguida.

–Muito – respondi automaticamente – Não acha que está, sei lá, um pouco frio para usar algo curto hoje.

Ela deu uma risada gostosa, como a da Sophia. Agora eu sabia onde a menina estava se espelhando.

–Está muito ciumento hoje, Sr. Malfoy. Primeiro de Sophia, depois de mim – ela falou bem próxima aos meus lábios – Vejo que sua raiva passou, pediu desculpas para Sophia pelo pouco que eu ouvi.

–E você está me devendo desculpas por mentir para mim sobre Sophia e por colocar abobrinha na cabeça da minha filha com esse negocio de namorados.

–Qual é Draco? Relaxa, é apenas coisa de criança. Você ainda está com raiva de mim por causa disso?

–Estou. Agora vamos logo, não tem mais nenhuma inocente aqui para assistir a pornografia do Meu Primeiro Amor. Falei irônico.

Ela riu ainda mais, mas passou o braço pelo meu. Caminhamos em silêncio até uma rua vazia e aparatamos no Beco Diagonal que estava quase vazio a não ser pelas pessoas que chegavam ao local.

O restaurante estava fechado apenas para aquele jantar, devia ter no máximo umas 100 pessoas o que era pouco para uma comemoração desse tipo. Harry nos cumprimentou e dava para ver o quanto ele já estava cansado, devia estar sendo um dia grande para ele.

Nossa mesa era com o Theo, Blás, Susana, Rafael, Simas, Aline, Adriana, Hugo, Dino e Walisson. Preferimos nos espalhar entre nossos amigos, dava para ver que a novata, Aline, se sentia meio incomodada assim com Theo. Mione deve ter pensado bem nisso, e de certa forma eu gostava disso nela, as mesas estavam todas bem distribuídas de forma que o jantar não fosse monótono em nenhuma mesa.

Era engraçado ver Jorge na mesa de alguns conselheiros que riam das piadas dele. Rafael não me incomodava muito, ainda mais depois do dia que ele a salvou praticamente, é claro que eu sempre mantinha um olho aberto e outro fechado com ele, mas ainda sim, o troglodita não era um troglodita tão ruim assim.

–Você está linda Hermione. Falou o troglodita.

Retirem o que eu disse, ele ainda sim era ruim.

Apenas apertei a mão dele passando a outra pela de Hermione e a puxando para nosso lugar. A mesa era muito mais sofisticada do que a ultima vez que eu tinha vindo aqui, era muito grande e espaçosa de forma que todos nós, doze pessoas, ficássemos confortáveis.

O jantar foi maravilhoso, pouco nos falamos enquanto comíamos, mas isso não foi nada desagradável. Após o jantar e da sobremesa os garçons serviram os drinques e uma musica ambiente tocava, eu não prestava muita atenção, estava mais preocupado com o que poderia estar acontecendo na Toca e se Enzo estava mesmo vigiando a irmã.

–... Eu pensei em começar pelo parque central de Londres para desenferrujar. Escutei o final da conversa de Mione.

–Isso é ótimo, eu posso te ajudar, na sexta as três, pode ser? Falou Rafael.

–Claro, vai ser bom.

–O que vai ser bom? Perguntei virando a dose de Whisky.

–Fotografar, eu recomendei que ela voltasse. Falou Adriana.

–Recomendou? Perguntei me virando para Mione.

–O que foi? – ela perguntou baixando o copo que levava a boca – Eu ia te contar, mas você estava ocupado demais tendo ciúmes da sua filha de sete anos.

–É sério! – riu Blás alto – Então quer dizer que nossa pequena Sophia está dando trabalho?

–Não enche Blás. Falei irritado.

–Qual é Draco! Eu vi sua filha ela é linda, e se ela puxar a Hermione... Você tá ferrado. Provocou Theo.

–Theo está certo. Concordou o babaca do Blás.

Era impressão minha ou eles estavam chamando minha mulher de bonita? Nem me dei ao trabalho para responder e eles nem esperaram por minha resposta. Apenas franzi a testa e encostei na cadeira de mal humor, hoje não estava sendo um bom dia, eu apenas escutava eles conversarem entre si. Aline havia entrado no nosso grupo de auror a convite da Hermione e era a parceira de rua de Simas e Jean Carlos, enquanto a Theo ia se tornar o novo investigador da dupla que ficasse sem algum auror, já que mais cedo ou mais tarde Harry tinha que nomear um novo Chefe dos Aurores, minhas fichas estavam todas em Nathanael... O cara era fera no que fazia, e tinha 10 anos de experiência apenas como investigador, fora os anos que ele trabalhou no apoio e nas ruas.

Mas nada daquilo me fazia se sentir melhor, eu não tinha gostado nada do fato de Mione não ter me contado que Adriana havia pedido para ela voltar a fotografar. Esse era o tipo de coisa que eu ia gostar de ouvir, eu sabia o quanto estava sendo difícil para ela e sabia o quanto ela era boa no que fazia, ainda mais quando o assunto envolvia fotografias.

Senti a mão dela na minha coxa chamando minha enquanto os outros conversavam alto por causa da musica.

–Draco, amor, eu não te falei porque não tive tempo – ela falou perto do meu ouvido – Eu ia te contar, você sabe que sim, mas... Não tivemos tempo, e eu queria falar pessoalmente com você.

–Não gosto quando você esconde as coisas de mim.

–Me desculpa, não pensei que se importasse tanto assim. Ela falou virando meu rosto para olha-la.

–Eu me importo. Falei ríspido.

–Não vai me desculpar agora, não é? Ela perguntou erguendo uma sobrancelha.

–Não dá, hoje foi um dia difícil. Eu briguei com a Sophia, você me escondeu algo, duas vezes... Não sei se merece que eu te desculpe agora. Falei escondendo um sorriso.

–Tudo bem então.

Ela beijou meu pescoço e se virou para conversar com outros, eu não conseguia ficar com raiva dela por muito tempo, ainda mais olhando para ela tão bonita daquele jeito. O pescoço do meu lado alvo, já que seu cabelo estava na outra direção, os lábios carnudos que ela umedecia vez ou outra com um pouco de bebida. Ela era sexy e eu a amava, não dava para ficar com raiva dela por muito tempo.

Logo Harry foi chamado ao centro para fazermos um brinde a ele e todos se levantaram, de forma rápida passei minha mão pela cintura dela e a puxei para mim fazendo-a rir. O discurso foi bem mais leve e de certa forma engraçada, Harry começou chamando chefe por chefe dos Departamentos conforme mandava o figurino e apertava a mãos deles entregando novamente os estigmas. Era algo simbólico, que com a reforma Ministerial teríamos que fazer, quando ele entregava para o velho tarado do Departamento das criaturas magicas eu me desliguei um pouco e virei Mione para mim.

–Eu não estou mais com raiva de você – falei lhe dando um selinho – Mas se tiver escondendo alguma coisa de mim é melhor me falar logo Hermione. Não quero ser o ultimo a saber das coisas.

–Tem mais duas coisas, mas eu não posso te contar agora.

Afastei-a alguns centímetros de mim e a encarei sério.

–Eu odeio que me escondam algo Hermione Granger, acho melhor você me contar agora.

Ela revirou os olhos e suspirou fundo.

–Theo vai ser meu novo parceiro de investigadores. Falou de uma vez.

–Como assim? Eu sou seu parceiro.

–Não vai ser mais. Respondeu com um sorriso radiante.

–Mas que merda é essa que você está...

Não tive tempo de continuar, as pessoas haviam aberto espaço de nós e nos olhava batendo palmas.

–Draco Malfoy, vem até aqui – falou Harry como se tivesse me chamado antes, soltei a cintura de Hermione e caminhei até ele sem entender – Palmas para Draco Black Malfoy, o novo Chefe do Departamento de Aurores...