Dramione - Fotografias
11 Apenas um papel
Notas iniciais
Pov. Hermione Granger.
Os raios da manhã de sábado finalmente entraram pela janela da minha sala. Eu havia acordado muito cedo, na verdade, se eu tivesse dormido duas horas era muito durante a noite. O meu mundo tinha caído, eu não era boa o suficiente para ter Enzo e Sophia. Bom, eles não achavam que eu era boa o suficiente para isso.
Já era a terceira mala de roupa que eu fechava, tudo utilizando o método trouxa para demorar o máximo possível e fazer o tempo passar. O que me deixava furiosa era o fato de que por um detalhe eles me tiraram aquilo que me mantinha em pé no chão. Os gêmeos eram minha válvula de escape, minha força e fraqueza e eu já os amava demais para continuar ali sem eles.
Subi as escadas para pegar mais uma mala e terminei de ajeitar minhas fotografias, agora sem os dois o que me restava eram elas. Cansada peguei a varinha e deixei a mala descer sozinha e se juntar as outras, sentei-me no alto da escada e coloquei a cabeça entre as mãos tentando pensar melhor. Nada ia tirar aquela dor do meu peito, eu os queria tanto, eu já era a mãe deles. Será que era tão difícil assim para os conselheiros e o chefe do conselho aceitar?
A campainha tocou tirando-me de todas as minhas lamentações. Dessa vez devia ser Gina, já que ela e Harry se revezavam em esmurrar a minha porta na esperança que eu abrisse, o que desde a hora que sai do Ministério, não aconteceu. Eu precisava daquele tempo para pensar e pensei, a decisão estava tomada. O único e exclusivo motivo de voltar para Londres e para esse mundo mágico eram Enzo e Sophia, sem eles não tinha mais sentido ficar aqui. Eu odiava esse lugar e todas as lembranças ruins que me traziam e se eu voltei foi por causa deles, foi por eles que eu engoli todos os meus medos e covardias e voltei. Ding dong.
—Eu não me matei – gritei, seguindo para a porta – Pelo menos não ainda Gina...
Parei de falar assim que abri a porta, não era Gina, era outro ruivo. Rony. Ele me deu aquele habitual sorriso grande, estava tão bonito, na verdade ele era bonito.
—Oi para você também. – Cumprimentou-me.
—Me desculpe Rony. Eu achei que era a Gina, de novo – falei sem graça – Sem querer ser grossa, mas o que você está fazendo aqui?
—Vim te buscar.
—Buscar pra que criatura de Merlin? – Perguntei sem entender.
—Qual é Mione? Não vai me dizer que esqueceu, Merlin dos céus. Gina vai te matar – ele falou me assustando – Hoje é o almoço de comemoração da Gina na Toca. Droga Mione! Não me diga que se esqueceu.
—Caramba Rony, eu sou a pior amiga do mundo. Eu me esqueci.
Ele deu um sorriso de lado e encostou-se na parede.
—Então se arruma que ainda dá tempo de ir. O almoço na Toca é depois das três, ainda são doze horas, dá tempo de irmos e se formos bem rápido nem falo para ela que você esqueceu – ele falou divertido – Vai ser ótimo, todos os nossos amigos vão estar lá e mais tarde vamos fazer uma festinha. Meus pais vão levar as crianças para o aniversário de alguém que eu não conheço e a Toca vai estar liberada. Muita bebida e gente bonita, mais bonita ainda se você for.
—Olha Rony, eu não vou ser uma boa companhia.
Eu realmente não iria ser uma boa companhia. Por mais que eu amasse Gina, e estava contente por ela, não queria ir a lugar nenhum. A única coisa que eu queria naquele momento era arrumar minhas coisas e partir o mais rápido possível para bem longe dali, Japão ou quem sabe Brasil.
—Você não está bem Mione.
Não era uma pergunta, mas ela me abalou.
—Não, eu não estou.
As mãos dele circularam minha cintura e eu afundei o rosto no seu peito. Era tudo tão injusto! Minha cabeça doía, eu tinha lutado tanto para conquistar tudo da maneira correta, nada na minha vida foi me entregue de mão beijada e agora me via de mãos atadas.
—Eu sinto tanto meu anjo, eu realmente queria muito estar ao seu lado. Não quero te ver triste Mione, por favor. Você era a melhor pessoa do mundo para ficar com eles – confortou-me Rony – Agora, olhe para mim. Levanta a sua cabeça e vamos comigo para a Toca onde vai estar cheio das pessoas que mais te amam no mundo e vamos beber muito hoje. Eu não vou te deixar sozinha nem um minuto. E se você não chegar lá comigo Gina vai me matar, literalmente.
Sorri. Ela provavelmente faria isso mesmo com ele.
—Eu não vou ser a pessoa mais amável e agradável do mundo Rony, e eu não quero arrumar problemas com Lilá.
—Esquece a Lilá hoje, eu já mandei ela pra casa da mãe. Eu não aguentava mais ser chamado de Won Won. Eca, eu precisava de uma tarde sem ela.
Fechei a cara para ele. Ninguém mandou engravidar a menina, Ronald Weasley.
—Não me olha assim Mione, eu sei que estou errado – adiantou-se Rony – Mas pensa assim... Hoje você está precisando mais de mim e eu hoje sou só teu. Vou ser o seu melhor amigo de novo, eu ficarei ao seu lado e não vou me soltar de você. Nesse momento não é ela que precisa de mim, é você gatinha, hoje eu sou só seu... Do jeito que você quiser.
Ri do meu amigo, só Rony para me fazer se sentir tão bem.
—Eu só vou tomar um banho rápido, daqui a poucos minutos estou pronta. Pode entrar.
Abri mais a porta para ele, e fui até uma das malas que fiz por último.
—Mas que Droga é essa Hermione Granger? – Perguntou Rony.
Suspirei fundo e me levantei virando para ele.
—Você não vai a lugar nenhum, você prometeu que íamos cansar de você. Que não iria embora dessa vez. Você não pode ir...
—Não adianta Rony – o interrompi séria – Eu vou e ninguém vai me impedir. Vocês me conhecem o suficiente para saberem que não adianta tentarem me fazer mudar de ideia.
Rony quase mordeu a própria língua pensando no que falar, mas ele me conhecia bem. Sentou-se emburrado deixando-me mal por ter sido grossa com ele. Subi as escadas e tomei um banho extremamente rápido e vestindo-me mais rápido ainda, calçando apenas uma rasteira de couro sintético preta com marrom, já que eu odiava couro original.
—Vamos?
Assim que me viu o ruivo trocou a carranca por um sorriso malicioso.
—Gostou? – Perguntei dando uma volta.
O ruivo balançou a cabeça feito um bobo enfeitiçado, afirmando.
—Você está linda. Não quer esperar mais um pouco? Me levar para o seu quarto e me fazer seu escravo?
—Cala a boca Rony. Vamos, se não Gina vai nos matar já passou da hora do almoço. – Falei puxando-o para fora e aparatando.
...
Pov. Draco Malfoy.
Já devia ter uns quarenta minutos que Zabini estava se arrumando. Eu levei metade do tempo que ele para vestir a polo manga longa azul claro e a calça de sarja preta, isso porque eu tinha decidido de última hora ir a Toca. Eu devia isso a ruiva, no começo ela foi uma das primeiras pessoas junto com Harry que me aceitaram de verdade.
Fora que Hermione não tinha voltado para trabalhar na quinta e nem foi na sexta, o que era realmente muito estranho. Ela não era o tipo de pessoa que faltava de serviço e eu realmente estava preocupado com ela.
Ignora-la durante esse último mês foi bem mais difícil do que pensei. Tive que me focar em várias coisas para me esquecer dela, e não foi nada fácil já que ela era o tipo de mulher que pode encantar qualquer homem facilmente. Eu a ignorava, mas isso não quer dizer que eu não a observava.
Eu a via no começo tentar descobrir o que estava acontecendo comigo, e a vi desistir. Aos poucos ela foi percebendo que na verdade eu não queria era me aproximar dela e respeitou meu espaço.
Tudo que eu precisava era isso, espaço. E ele me foi bastante útil para pensar melhor em tudo na minha vida, principalmente meu lema “ Nunca me apaixonar”. De todas as minhas regras malucas que eu tentava impor a mim mesmo, essa era a única que eu cumpria. Os maiores homens do mundo sucumbiram por paixão, e eu não estava nem um pouco a fim de entrar nessa lista.
—Merlin, até que enfim a mocinha terminou de se maquiar – falei para Blás que descia as escadas – Já são quase duas horas cara.
—Não enche tá bom. Já tem horas que eu estou ligando para a vaca da Susana e ela não atende nenhum telefonema e nem responde minhas cartas.
Tá aí mais um motivo da minha promessa interna. Blásio Zabini era a prova concreta que se apaixonar machucava, e ele já tinha machucado muito Susana assim como ela também o machucou.
Saímos da proteção e aparatamos do lado de fora da proteção da Toca ao mesmo tempo de Simas e Dino.
—E aí? Joia? – Cumprimentou Harry.
—Joia. – Respondi, abraçando-o com meio abraço.
—Espero que tenha muita bebida nessa joça – Disse Blás com a carranca fechada.
—Na mesinha da esquerda – respondeu Harry – Carlinhos está com algumas garrafas junto com Percy e Fred.
Meu amigo passou voando pelos outros e foi direto para onde Harry falou.
—Susana. – Falamos rindo juntos.
Segui para a mesma mesinha, de todos os Weasley meu preferido era Carlinhos. Apesar de gostar de Rony e Gina era com o segundo mais velho que eu me identificava, sentei ao lado de Blás que já virava um copo. Penélope e Percy conversavam com Gui enquanto meus olhos vagavam pelo jardim dos Weasley atrás de certos cabelos castanhos, o que não era muito difícil já que a maioria ali era ruivo e loiro.
Tínhamos chegado bem na hora e logo Fléur e Gina saíram com as primeiras travessas de comida e seguiram para seus respectivos companheiros para esperarem o resto da comida. Pensei em perguntar sobre Hermione, mas preferi esperar um pouco, talvez perguntar para Harry na hora da festa a noite caso ela não aparecesse.
Só que não precisei fazer muito planos, pois logo a vi. Merlin só podia estar de brincadeira com a minha cara! Ela estava ainda mais linda do que a última vez que a vi há dois dias.
Ela vinha lá de dentro segurando uma travessa de vidro ao lado de Rony. Estava perfeita! Meus olhos percorreram pelo corpo dela e ali mesmo me senti excitado. Ela usava um short jeans desfiado e rasgado com um cropped curto que ia até o meio da sua cintura. E que cintura era aquela? Espera, ela sempre teve aquela tatuagem de uma pena ali?
Sacudi minha cabeça tentando afastar aqueles pensamentos impróprios e me ajeitei tentando disfarçar a minha excitação.
—E aí Draco – me cumprimentou Rony – Sumiu cara.
—Estou trabalhando demais – brinquei tocando a mão dele com o popular “soquinho” – Você também sumiu, faz um tempão que você não sai com a turma.
—Faz mesmo, depois eu mando uma carta marcando um dia pra gente sair.
—Ou você pode apenas ligar de um celular – sugeriu Hermione saindo de trás dele. Merlin, de perto ela estava ainda mais gostosa – Boa tarde Malfoy.
—Boa tarde Granger.
Puta que pariu! Não dava para não olhar para ela. O que eu mais gostava nela era isso, mesmo usando roupas curtas ela nunca era vulgar, tinha estilo e conseguia ser sempre sexy usando moletons rasgados. Desviei minha atenção para o copo e tomei um verdadeiro gole enquanto Rony se sentou e ela encostou na cadeira dele.
—Mione você ainda vai me matar de desejo. – Brincou Carlinhos.
Ela deu seu sorriso mais sexy. Ela só podia estar de brincadeira?!
—Quem sabe Carlinhos, Rony agora é comprometido e eu gosto dos Weasley. – Ela entrou na dele fazendo todos, menos eu, rir.
—Ainda bem que sou o último Weasley solteiro.
Meu humor piorou, tomei mais uma dose caprichada de Whisky e não olhei para o meu ex-Weasley preferido.
—E essa tatuagem Mione? Eu não sabia que você tinha tatuagens. – Perguntou Zabini e eu encarei meu melhor amigo.
Então quer dizer que o estrupício estava olhando?
—Então... Eu sempre tive, adoro tatuagens pequenas e essa é minha maior – ela respondeu e ergueu um pouco a blusa mostrando uma pena muito sensual que começava na cintura da direita e se desfazia em pássaros mais para cima das costelas – Faz uns quinze dias que eu fiz, e não me arrependo. As outras são antigas, faz tempo que eu não fazia nenhuma.
—Sexy. – a voz de Carlinhos saiu rouca.
Alguém cala a boca desse Weasley idiota? Carlinhos nunca tinha sido inconveniente antes e agora estava soltando o verbo e dando em cima dela descaradamente. Eu já via que não iria ser nada fácil aquele dia ainda mais porque a idiota da Hermione Granger estava extremamente atraente e Rony não desgrudava dela por nem um minuto.
—Vocês dois estão ficando de novo? – Perguntou Percy e quase o beijei ele pela pergunta que eu estava me coçando para fazer.
—Claro que não, Rony é um homem comprometido agora. – ela respondeu com um sorriso maldoso.
—Então cadê a Lilá? – Perguntou Blás.
—Me livrei dela hoje, não aguento mais cara. Só escuto Won Won o dia inteiro. Estou com saudades de nossas festas.
Blás riu.
—Tá fazendo falta, Won Won. Estamos vivendo de poucas cortesias sem o goleiro dos Cannons. – o provoquei sendo sincero.
Almoçamos muito tarde, já era quase quatro horas e a comida estava como sempre, deliciosa. Eu gostava da Sra. Weasley, gostava do modo como ela tratava todos os amigos dos seus filhos, o que agora me incluía também, ela nos tratava como se também fossemos seus filhos e não tinha um banquete que ela preparava nos quais não erámos convidados.
Passamos o resto da tarde jogando conversa fora e até jogamos uma partida de quadribol. Quando a Sra. Weasley recolheu as crianças, inclusive a menor de três anos de Percy e Penélope para irem a uma festa de aniversario, Gina e Jorge desaparataram e aparataram dez minutos depois com muita bebida, petiscos e mais convidados da nossa época em Hogwarts e até mesmo os jogadores do Cannons.
Mesmo com o barulho alto e grande quantidade de pessoas, eu não conseguia tirar os olhos de Hermione. Ela dançava com Rony – que ainda não desgrudava dela, – Harry, Gina, Luna e Neville quase no meio do jardim perto dos jogadores dos Cannons.
Já no copo “ perdi as contas” eu resolvi dançar também no grupinho que Blás rodeava Susana, apertei a cintura de Ana na tentativa de me esquecer um pouco dos cabelos castanhos e funcionou no começo. Até eu começar a comparar as duas meninas. Ana Abbott era bonita, mas não se comparava a Hermione, ela até que tentava dançar sensualmente para mim, mas quando eu olhei para a morena do outro lado dançando juntos com os amigos, eu não podia achar mais nada sensual.
Eu as comparava porque Hermione não precisa fazer o mínimo esforço para ficar sexy enquanto a que dançava comigo literalmente se esfregava em mim.
Eu desisto!
Peguei uma garrafa em cima da mesa e segui para onde eles estavam sem nem dar explicação a Ana. Fui bem recebido no grupo por Rony que pegou minha garrafa e encheu o copo dele. Hermione fingiu que nem me viu, e eu a entendia. Ela tinha todos os motivos para ficar com raiva de mim já que eu simplesmente a ignorei e pelo pouco que eu a conhecia, ela odiava ser ignorada.
A música trocou e Rony subiu em cima da mesa para dançar junto com o apanhador do Cannons. Aproveitei a deixa e me aproximei dela que ria do amigo. Aproximei-me dela e passei uma das mãos pela sua cintura puxando-a para perto de mim e ela riu com suas costas em meu peito.
Ela nem tinha começado a dançar e já me deixou maluco, mordi o lóbulo da sua orelha nem me importando se alguém estivesse ou não vendo. Quando dei por mim, ela já tinha se afastado e se virado, olhando-me confusa.
—Aceita? – Perguntei oferecendo o copo.
—Claro.
Levei o copo na direção dela, mas ela pegou foi a garrafa e virou no bico cerca de uns três copos sem parar fazendo todos no jardim gritar. Ela não me devolveu a garrafa e eu não pedi de volta. A música de final de festas começou a tocar, aquelas lentas, que davam a oportunidade das esposas dançarem com os maridos e dos solteiros garantir a noite depois da festa. Mas eu não queria convida-la para dançar por isso, eu queria senti-la perto de mim novamente, sentir o cheiro dela.
Estendi a mão para ela que ficou resistente em aceitar. Peguei a garrafa, coloquei na mesa e a puxei para perto de mim. A reação do meu corpo era instantânea, era como se tivesse passando ondas de choques, dei um giro nela e a puxei de novo.
Ela passou as mãos pelo meu pescoço e encostou a cabeça no meu peito ficando assim até o final da música naquela posição. Quando a música parou ela continuou encostada ali, escutei um suspiro ou um soluço, não consegui identificar de primeira.
—Está tudo bem Hermione? – Perguntei beijando o topo de sua cabeça.
Ela negou com a cabeça.
—Me tira daqui. – pediu.
Eu não entendi, apenas obedeci. Passei um braço atrás dos joelhos dela e outro pelas suas costas pegando-a no colo, Rony que dançava sozinho em cima da mesa desceu correndo e abriu a porta da sala da Toca para entrarmos. Não vi como, mas quando cheguei na sala, Harry já estava do meu lado com Rony e Gina.
—Ei, está tudo bem? – Perguntei colocando-a deitada no sofá.
Ela não respondeu
—Vem cá Mione. – Chamou Rony se sentando na ponta do sofá.
Ela se levantou e se deitou no colo dele escondendo o rosto em seu peito enquanto ele acariciava os cabelos dela.
—Aconteceu alguma coisa? – Perguntei – Ela esta passando mal?
Gina sacudiu a cabeça negativamente e sentou do outro lado dela acariciando suas costas.
—Eu vou pegar sua bolsa Mione, vou te levar para casa... – Falou Harry preocupado.
—Lareira interditada para não entrarmos. – Interrompeu Gina.
Como assim a lareira da casa dela esta interditada? Alguma coisa estava muito errada ali. Por que raios Hermione impediria seus melhores amigos de entrar na casa dela?
—Ei não ficar assim meu amor – falou Rony – Desculpa insistir para você vir aqui...
Um soluço? Eu não tinha certeza do que ouvi, mas com certeza foi alguma coisa parecida.
—Olha Hermione, a gente vai pensar em alguma coisa. A gente vai te ajudar. – Falou Gina.
Mione afastou o rosto do peito de Rony e se sentou direito encostando apenas a cabeça no ombro dele. Ela estava chorando! Mesmo com os olhos fechados eu pude ver as lágrimas escorrendo pelo rosto dela e caindo no ombro do ruivo e aquilo me causou uma angústia nunca sentida antes.
—O que está acontecendo? – perguntei – Aconteceu alguma coisa que eu não sei?
—O processo de adoção de Mione foi negado. – Respondeu Harry.
Eu devia imaginar que a única coisa que conseguiria desestabilizar ela seria os pirralhos, ela os amava e eu já imaginava a barra que ela estava passando nesse momento.
—Olha Mi, o que você fizer sabe que vamos estar do seu lado. – Falou Gina segurando na mão dela.
—Acho difícil a gente ficar do lado dela se ela vai embora. – Rony contou.
Escutei apenas o tapa no braço dele que Hermione deu e Harry ficou extremamente vermelho se levantando da poltrona.
—Você não vai para lugar nenhum Mione – ele falou alto, nunca tinha o visto gritar assim antes – Já chega! Você prometeu que ia ficar e agora vai embora? Que Droga Mione! Foram quase sete anos aguentando ficar longe de você, te vendo apenas com visita. Você não pode fazer isso de novo.
—Mas eu preciso Harry, nunca quis voltar a morar aqui e só voltei por causa de Enzo e Sophia. Eu prometo...
Você não promete nada – interrompeu Harry – Os dois primeiros anos foram até tranquilos, você vinha nos feriados, mas depois que você e Rony terminaram a gente te via, o que? Uma vez no ano? Duas no máximo? Da última vez você ficou quase um ano longe da gente. Não posso deixar você fazer isso de novo.
—Harry, você tem que entender meu lado...
—Harry está certo Mione, você não pode simplesmente sumir das nossas vidas de novo como fez durante todo esse tempo – Gina falou chorosa – Eu senti falta da minha melhor amiga, sentimos sua falta.
—Pelo menos vamos saber para onde você está pensando em ir? – Perguntou Rony com a voz grave.
—Japão ou Brasil.
—Nada perto. Só continentes e oceanos separando a gente. – Bufou Rony.
—Eu prometo voltar mais vezes, no máximo oito meses, é pouco tempo. Eu dou uma passadinha aqui, vou vender meu apartamento, mas posso ficar no sua quitinete Gina, quando eu for vir.
Oito meses, pouco tempo? De onde ela tirava essas pérolas? Mesmo não querendo eu senti um vazio por dentro.
–Por que você não vai poder adota-los? – Perguntei.
—Eles acham que não darei conta de fazer isso sozinha, quero dizer cuidar dos dois. Acham que eu preciso ser casada, a lei bruxa é um pouco mais rígida que a dos trouxas, para uma criança eles acham que até posso conseguir, mas duas não e o caso deles é muito delicado precisam de uma proteção maior. – ela respondeu – Para ficar com as duas eu tinha que me casar ou ser casada, caso contrário teria que tentar a adoção de um dos dois, e isso eu não posso fazer. Não quero separa-los.
Bem que eu tentava entender, mas não fazia sentido. Eu era testemunha ocular que Hermione Granger seria uma excelente mãe para os pirralhos ameaçados. Fora que ninguém melhor que ela para proteger os dois do tal misterioso Fabricio Melgaço. Ela protegeu Harry Potter do maior bruxo das Trevas, duas crianças era mole.
—Espera! – Gritou Gina me assustando.
—O que foi? – Perguntou Hermione.
—O que a senhora Figg falou sobre você adotar? Aquele conselho maluco? – Perguntou a ruiva quase quicando no sofá.
Hermione fechou a cara e eu a olhei intrigado sem entender, odiava ficar por fora das coisas como estava agora.
—Que eu poderia me casar. – Ela respondeu fazendo uma careta.
—É isso. – Gritou Gina.
—Isso o que? Me casar? Eu sou o tipo solteirona convicta se lembra, Ginerva? Fora que nem noivo eu tenho.
Gina ficou um pouco deprimida e se sentou.
—Que ideia ela te deu realmente? – Perguntou Rony.
—Ela falou que o processo de adoção era apenas de um ano e pouco, eu precisava de alguém para ficar comigo somente durante esse período. Eu podia fingir uma fachada, o importante era eu estar casada no papel para que ficasse igual, duas crianças dois pais, e depois quando o processo for arquivado e eu ter a guarda definitiva nós poderíamos nos divorciar e eu ficar com as duas crianças como separada.
—Não é muito tempo. – Disse Gina pensativa.
—É, mas eu não tenho nem namorado, quem dirá noivo. Nem todo mundo está disposto a se casar de uma hora para outra, e meu prazo é curto Gina.
Outra lágrima escorreu do rosto de Mione e Gina a abraçou.
—Me desculpa Mi, eu não queria te fazer sofrer mais ainda. Eu sei como você ama aqueles dois. – Desculpou-se a ruiva.
Eu olhava tudo do lado de fora tentando processar as informações que vinham a jato.
—Não! Chega! Eu vou ligar agora para o meu empresário e manda-lo cancelar essa droga de casamento e ir para o quinto dos infernos – Rony falou se levantando de uma vez – Eu não posso te ver assim Mione, você ama Sophia e Enzo, eles têm que ficar com você. Não posso me casar com Lilá por uma mentira quando eu poderia casar com você e te deixar feliz.
—Eu não posso deixar você fazer isso por mim, você não pode jogar tudo para o alto por minha causa Rony. – Respondeu Mione.
—Eu não posso é ficar de braços cruzados fazendo a coisa errada quando tudo que você está tentando fazer é o certo.
—Você não vai jogar sua carreira fora por mim. Você vai casar com a Lilá e criarem juntos o filho de vocês, além de ser o melhor goleiro do mundo na Copa Mundial de Quadribol do ano que vem.
Rony quase mordeu a própria língua tentando argumentar, mas eu entendia o lado dele e também sabia que ele não podia jogar a carreira dele para o alto. Além de ter que ser bom em quadribol, várias coisas contavam. Mesmo depois da Guerra o mundo bruxo era feito de aparências, algo que não mudou com o tempo. Coloquei uma dose para cada um, inclusive Mione, que parecia evitar olhar para mim.
—Podemos arrumar algum amigo – falou Gina – Er... Harry pode se casar com você... Só um ano né? Eu... Eu posso esperar.
O casal trocou um olhar e Gina incentivou Harry.
—Eu posso fazer isso por você Mione, apenas um ano. Tudo que não queremos é que você vá embora de novo. – concordou Harry.
Mione sorriu, mas dava para ver que não era de felicidade.
—Eu agradeço muito vocês dois por isso, mas não posso fazer isso com vocês. Vocês se amam muito, já esperaram tempo demais e finalmente vão se casar e construir a família de vocês junto do Ted, eu fico muito feliz pela amizade de vocês.
Mione se levantou e Harry a abraçou. Pude ver naquele abraço toda a irmandade e amor que sentiam um pelo outro. Não esperava algo diferente de Harry Potter, se sacrificar por um tempo apenas para fazer a irmã de coração feliz. Eu já sabia que a amizade deles era forte só não sabia que era tanto assim. Tentei me manter neutro na sala, mas era difícil, pois apenas via as lágrimas escorrendo do rosto de Mione e correndo pela camisa de Harry que a abraçava enquanto Gina já chorava.
—Eu vou sentir sua falta, volta quando tiver pronta pra gente. – Harry acariciou as costas da amiga.
Ela soluçou concordando.
—Não vou sumir.
—Temos que pensar em alguém – Gina soluçou nervosa – Você merece adotar aqueles dois Mione. Vamos pensar em alguém.
—Carlinhos? – Sugeriu Harry.
—Fala a palavra casamento para ele, que ele corre de volta para a Romênia. – Respondeu Rony.
—Er... Dino?
—Acho difícil. – Respondeu Gina.
—Simas? – Sugeriu Harry de novo.
—Mione merece coisa melhor. – Reclamou Rony.
—Er... Córmaco McLaggen?
—Já chega com isso Harry – reclamou Mione – Parem de me oferecer noivos, ainda mais McLaggen.
Os quatro riram de alguma coisa que eu não fazia ideia do que era, estava odiando tudo aquilo e eu só escutava porque estava preocupado com ela.
—Eu não vou tê-los comigo, eu... Eu acho melhor desistir...
—Espera. – Gina gritou de novo assustando todos.
—Dá para parar com isso. – Pedi limpando a bebida que acabei derrubando.
—Eu sei, o Rafael... Tenho certeza que ele vai aceitar na hora Mione... Ele gosta de você, é carinhoso e te ofereceu ajuda. Um ano casado vai ser apenas mais uma aventura para ele, para os dois na verdade.
—Ele só volta daqui uns dias – respondeu Mione – mas... Eu acho que você está certa Gina, ele é um bom amigo acho que me ajudaria a esse ponto... Ele não tem medo de arriscar e tenho certeza que me ajudaria. Eu só preciso ver se dá tempo para recorrer...
Meu mundo girou. Se Mione ligasse para Rafael, o troglodita herói aceitaria na hora a proposta dela, ele era o tipo bonzinho de homem e faria qualquer coisa para não deixa-la infeliz, e casar com Hermione Granger não seria nenhum sacrifício para nenhum homem. Ela era linda, inteligente, aventureira e extremamente sensual... A mulher perfeita que o aventureiro de quinta não recusaria. Tenho certeza que nem Carlinhos, que temia casamento, era capaz de resisti-la e toparia ficar um ano com a morena. Minhas opções eram todas ruins. Ou ela ia embora, ou ela se casava com o perfeitinho.
Merda Draco Malfoy, quando sua vida se tornou uma bosta? Eu já sei, quando Hermione entrou nela.
—Liga para ele Mione. Já são dez horas aqui, lá deve ser meia noite. Tem gente que liga muito mais tarde para os amigos, não tem? – Perguntou Gina.
Hermione pegou o telefone e se levantou colocando na orelha. De onde eu estava escutei o telefone de Rafael cair na caixa de mensagem e ela retornar mais uns cinquenta vezes seguidas, que para o meu alivio estava dando todas fora de área.
—Eu não consigo falar com ele, deve ter perdido o celular, sempre faz isso. – Ela falou estressada jogando o telefone na mesa e se sentando no sofá.
—Sabe onde ele está? – Perguntou Rony, que parecia gostar tanto quanto eu dessa história, ó que apoiaria qualquer coisa para deixa-la bem.
—Eu não sei, tenho que perguntar a alguns amigos deles...
O telefone dela tocou e todos prenderam a respiração com o barulho. Alguma coisa queimou em mim, a olhei indo até a mesa. Ela tinha curvas tão desejadas e perfeitas que me parecia tão errado deixa-la se casar com um troglodita como Rafael, o álcool já tinha subido para a cabeça e me deixado um pouco tonto.
Não sei em certo o que deu em mim, quando vi já tinha me levantado e segurado o braço de Mione com força, sem medo de machuca-la. Peguei o celular dela, abri e fechei, encerrando a chamada.
—OLHA O QUE VOCÊ FEZ? – ela gritou irritada e começou a me dar tapas – SEU IDIOTA, PREPOTENTE, PANACA...
—Para com isso sua maluca – afastei-me dela – pra que tudo isso? Pra que correr atrás de um idiota que tá tão longe? Não é pra tanto Granger.
—ELE É MINHA ÚNICA CHANCE DE TER MEUS FILHOS, VOCÊ NÃO ENTENDE? – gritou.
—É por causa de um papel besta de casamento que você não pode ter os pirralhos com você?
—É ÓBVIO.
—Então pronto, é apenas um papel? Eu assino esse papel, é só um ano não é mesmo? Um ano passa rápido.
Todos na sala pareceram não entender nada e Hermione me olhou assustada. Na verdade nem eu estava me entendendo. Era sempre assim, era só eu chegar perto dela que perdia toda a noção do certo e errado.
—Você está dizendo, que vai se casar comigo para eu poder adotar Enzo e Sophia?
Revirei os olhos e cruzei os braços com raiva.
—É brilhante. – Falou Harry atônito.
—Mas porque você está fazendo isso por mim? Até ontem você nem falava mais comigo – Questionou Mione.
—Não, enche. Não quer os pirralhos? Então tenha os pirralhos, como eu te disse eu sei assinar meu nome. – peguei meu casaco – Passo amanhã na sua casa para conversarmos Granger.
Sai da Toca extremamente confuso e deixando quatro pessoas mais confusas ainda.
—O que foi isso? – Escutei Hermione perguntar.
—Acho que você vai se casar com Draco Malfoy. – Respondeu Harry sem acreditar nas próprias palavras.
E pra falar a verdade nem eu acreditava no que tinha acabado de fazer.
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