Dramione - Fotografias
24 A missão - Eu te amo
Notas iniciais
A Missão
Pov. Hermione Granger
Depois do sexo maravilhoso que começou nos fundos da casa dos Weasley e foi parar na minha varanda, as coisas passaram mais rápido. Eu não o evitava mais, e nem conseguia, Draco Malfoy era irresistível e todas as noites me deixava de pernas bambas após colocarmos a crianças para dormir. Ele tinha as melhores artimanhas, me deixava sempre extasiada e perigosamente mais excitada durante todo o dia esperando pela noite, as sensações com ele era sempre diferente, nunca uma noite de sexo com Draco era mesma coisa.
Em casa não ficávamos mais resistentes ou distantes, aos poucos fomos nos aproximando um do outro. Criando mais intimidade e de certa forma, eu o sentia sempre mais próximo de mim sem toda aquela faixada de antes, como se ele realmente gostasse daquela aproximação tanto quanto eu. Sempre nos sentávamos mais próximos no sofá, brincávamos, conversávamos e riamos e as crianças adoravam isso e nos olhavam encantados.
Mas era perigoso demais.
Eu me via cada vez mais apaixonada por ele, pelo jeito que ele me olhava, me fazendo se sentir o tempo todo desejada, pelo modo como ele falava comigo quando estávamos transando, aquelas besteiras que sempre me deixavam mais excitada, e o modo como ele tratava Enzo e Sophia, sempre cuidadoso e atencioso com os dois. Ele continuava o mesmo Malfoy, mas de uma forma diferente. Uma forma ainda mais apaixonante.
Era domingo á noite, eu tinha ficado boa parte do fim da tarde em casa terminando a missão com Harry enquanto Draco tinha levado as crianças ao jogo dos Cannons. Este estava puto da vida por não contar a ele sobre a missão mesmo depois de aumentarmos o prazo para informarmos os outros participantes. Ele tinha usado todas as armas desde chantagem emocional por se sentir traído, já que ele e não Harry era meu parceiro, até chantagem sexual que não funcionou muito, já que ele que acabou voltando atrás menos de cinco minutos depois de me deixar daquele jeito.
Os escutamos chegando e Draco mandando as crianças banharem, mas nenhum deles nos interrompeu, não enquanto resolvíamos o assunto tão sério que nos trazia mais problemas ainda.
A questão de tanto trabalho era a antecipação da vinda de Fabricio Melgaço, o homem que viria apenas no meio do mês de fevereiro adiantou sua vinda para aquele mês mesmo, dia 30 de janeiro e faltava apenas 22 dias para a chegada dele na Grã Bretanha. Augustus, o informante, tinha nos passado o nome do Hotel que ele ira se hospedar e não seria em Londres. O homem luxuoso iria se hospedar em Berkshire, no hotel Cliveden. Era um Palácio hotel trouxa famoso onde pessoas muito importantes se hospedavam, inclusive alguns bruxos. Não sabíamos a mudança repentina dos planos dele, mas Harry estava comandando um treino entre os aurores que participariam da missão, e isso incluía Draco, eu e até mesmo ele, que participaria pessoalmente também.
—Amanhã as dez? – Perguntou Harry assim que o levei até o portão.
—Claro, eu só vou levar os gêmeos na escola com Draco. Vão começar amanhã.
—Ted vai voltar amanhã também – riu Harry – Ele vai ficar comigo por um tempo, a Sra. Tonks precisa de descanso, nos vemos lá na porta, então?
—Bom que vamos juntos para o Ministério, o carro a gente vai deixar no estacionamento da escola. Já até paguei a primeira mensalidade. – Contei empolgada.
Nos despedimos e eu entrei na sala, as crianças não estavam lá nem Draco. Os escutei na cozinha atentando a coitada da Pops com suas milhares de perguntas que sempre faziam. Subi as escadas e tomei um banho demorado de banheira, eu merecia muito aquilo e me permiti demorar muito tempo. Vesti uma camisola preta de seda e desci as escadas para jantar, todos já estavam de roupa de dormir. Tínhamos pego o costume de jantarmos sempre assim quando estávamos sozinhos.
—Até que enfim – Draco beijou minha testa, sim ele fazia isso agora, e os gêmeos adoravam isso, para eles estávamos começando um romance e mesmo eu podando as asinhas deles, ainda sim ficavam em festa quando o pai deles fazia isso – Espero que depois do esclarecimento da missão as coisas se resolvam.
Eu ri, depois da revelação seria bem pior. Muito treino e reuniões enormes.
Jantamos na mesa da cozinha mesmo e a comida estava uma delicia, Pops havia caprichado. Quando terminamos fomos assistir televisão, eu me sentia cansada, tinha trabalhado o final de semana inteiro e Draco estava acabando muito comigo nos últimos dias, melhor dizer noites.
—Você está péssima. – Falou Draco se sentando ao meu lado no sofá.
Sophia estava sentada no sofá menor, que ele estava sentado antes, sem nem piscar assistindo um filme da Barbie enquanto Enzo brincava de carrinho no tapete.
—Eu vou ter que tirar férias depois da missão.
—Eu vou te dar uma folga hoje – ele falou com um sorriso malicioso – Vem cá, deixa eu te ajudar a descansar...
Pegando minhas pernas, as colocou no sofá e começou a massagear meus pés. Afundei-me ainda mais sentindo meus pés e meu corpo inteiro relaxar, ele era muito bom, era como se toda a tensão e cansaço do meu corpo estivessem nos meus pés.
—Ai, isso é maravilhoso. – gemi quase num sussurro
—Eu sabia que era isso que você estava precisando – disse convencido – Aprendi isso com uma japinha que fiquei.
Fiz uma careta, ele tinha que tocar nas ex piranhas dele.
—Onde você ficou com ela papai? – Perguntou Sophia inocente e ele se engasgou me fazendo rir.
Draco pediu ajuda para mim, mas eu não ia ajuda-lo. Era sempre eu que o tirava das enrascadas que os gêmeos o colocavam com suas perguntas nada sutis e diretas.
—Responde sua filha Draco. – Falei e ele apertou meu pé com mais força.
—Eu fiquei devendo dinheiro para ela – ele falou se enrascando – Das aulas de massagem.
—Isso é mentira papai? – Perguntou Enzo fazendo uma careta desconfiada – O senhor ficou nervoso, por que o senhor mentiu para a Sophia?
—É o melhor que pode fazer Draco? – o desafiei.
—Er... Claro que não estou mentindo... E que...
—Ele está mentindo porque vocês são muito novos para entender certas gírias – falei por fim, ele estava dando um nó nas cabeças inteligentes dos nossos filhos com essa mentira idiota – “Ficar” na língua adulta é namorar, ele namorou a asiática que ensinou ele a fazer massagem – tá eu menti um pouquinho, mas não podia dizer as crianças que o pai delas apenas transou com a japonesa – Tem coisas que os adultos falam que são diferentes.
—Então a senhora e o papai, estão “ficando”. – Enzo falou fazendo aspas com os dedos, uma mania que pegou de mim e Harry.
Eu ri e Draco me lançou aquele olhar “ Eles tem sete anos mesmo?” que sempre me lançava quando um dos dois faziam esses tipos de perguntas.
—Eu e o pai de vocês não estamos namorando – respondi e me incomodei um pouco com essa pergunta, porque o sentimento meu não era recíproco – Estamos apenas nos dando bem, convivendo bem. Já falamos sobre isso, vocês sabem que vamos nos separar quando o prazo acabar.
—Mas não custa ter esperança. – Sophia deu de ombros, suspirando.
Não custava, eu mesmo ainda tinha.
—Não é pra ter esperanças Sophia, isso só piora a situação. – tentei parecer firme enquanto Draco voltava a massagear meu pé.
Quando já estava na hora, os dois subiram para o quarto para dormirem empolgados para começarem a estudar logo. Draco realmente meu deu uma folga naquela noite, ele ficou calado depois da conversa com os gêmeos e eu tentei não imaginar o porquê disso.
Levantamos muito cedo no dia seguinte e eu tive que fotografar os dois de uniformes, usavam vermelho, azul e branco e estavam tão lindos e empolgados que até dava uma dor no peito de deixa-los na escola. Draco fez questão de ir também dessa vez, no resto da semana iriamos nos revezar entre ele levar e eu buscar, ou vice versa.
Os dois ficaram afobados no começo e com medo, mas assim que Victoria chegou com Fléur, que seria professora deles, eles relaxaram e entraram na escola.
—Tem certeza que eles vão ficar bem aqui? – Perguntou Draco parado no mesmo lugar.
—Claro que tenho, que ideia é essa Draco?
—Eles podiam ficar em casa, estudarem em casa. Podemos pagar uma professora particular... – comecei a rir e ele parou me fitando dessa vez – O que foi?
—Deixa de ser bobo Draco, você só está sendo um pai babão.
—Eu só estou preocupado com eles, não posso? – perguntou nervoso.
—Claro que pode, e fica lindo assim. – Falei beijando o queixo dele que estremeceu.
—Mione, não faz essas coisas comigo em lugares públicos. Eu estou a perigo.
—A gente só ficou ontem sem fazer Draco. – fingi ficar indignada.
—Mas é muita coisa, estamos acostumados a fazer todos os dias. – Ele apertou minha cintura e escutamos alguém pigarrear atrás de nós.
—Acho que estou atrapalhando algo. – Harry escondeu o sorriso.
Tinha que ser ele mesmo.
—Não estava acontecendo nada. – Falei para Harry quando Draco foi colocar o carro no estacionamento.
—Nada?
—Nada. – Repeti revirando os olhos.
—“Estamos acostumados a fazer todos os dias”. – Repetiu a frase de Draco rindo.
—Deu para escutar conversa dos outros agora, Chefe? – Perguntei.
—Coisa que vocês estavam falando baixo.
Fingi não escuta-lo e aparatamos na entrada secreta para o Ministério. Repassamos alguns casos antigos para os aurores das ruas e quando deram dez horas caminhamos para a sala de reuniões.
A mesa era enorme, numa ponta Harry, na outra Kingsley. Entre eles, trinta aurores, cujo eu e Draco estávamos sentados mais próximos a Harry e seguidos pelas outras três duplas de investigadores aurores.
Harry começou a detalhar a missão contando as novas informações que tinha chegado a nós dois enquanto Draco escutava tudo com atenção junto as outros. Teríamos que investigar Melgaço primeiro, antes de prendê-lo porque primeiramente precisávamos saber qual o plano deles com os gêmeos e de provas para mantê-lo na cadeia ou até mesmo sentencia-lo a pena de morte. Nos infiltraríamos no hotel durante a semana que ele estaria por lá e tentaríamos o máximo possível descobrir o que ele queria, entraríamos com cinco infiltrados próximos a ele, dois como capangas, um casal e uma pessoa para seduzi-lo e baixar a guarda de Melgaço para que possamos investiga-lo mais afundo.
—... Então é isso, teremos que nos dividir para fazer o serviço. Dois capangas de confiança dele vão chegar um dia antes dele, dia 29, e eu quero você, você, você e você – Harry apontou para quatro guardas de Azkaban e anotou num papel – Vocês vão pegar os dois capangas de Melgaço ainda no aeroporto, Nathanael e Dino vão liderar a missão e depois quero vocês dois na guarita comigo.
Eles afirmaram com a cabeça.
—Eu quero Walisson e Simas preparados fisicamente e quero também que estudem com Augustus como são os dois capangas dele porque vocês irão tomar o lugar deles durante esses seis dias no hotel, vamos preparar um grande estoque de poção Polissuco para que nada possa dar errado, se preparem. – pediu Harry – Natalia e Jeovane vocês são o casal contrabandista que ele vai ter uma das reuniões, já estamos com aurores na cola deles e no momento certo vamos pega-los para vocês trocarem de lugar usando a poção Polissuco também, vão ficar instalados no primeiro andar. O resto vão se hospedar como casais, grupo de amigos e alguns vão ficar na espreita para nada dar errado, eu vou ficar junto com esse grupo. Vamos ficar sempre de guarda erguida, prontos para atacar ou defender os nossos.
—E nós vamos ficar onde? Perguntou Draco sobre mim e ele.
—Você vai ficar comigo, junto com Miguel, Jean Carlos, Dino e Nathanael. – Harry respondeu e marcou o nome deles e de mais dois para ficar na espreita – Outra parte do plano é nos infiltrarmos ainda mais, e é por isso que vamos ter aurores espalhados como hospedes e dois como funcionários, para protegermos as pessoas que vão se infiltrar no núcleo de Melgaço.
—Enquanto Mione? – Perguntou Draco meio desconfiado e eu gelei – Ela vai se disfarçar de hóspede?
—Ela vai ser uma hóspede, mas não vai se disfarçar. Hermione vai seduzir Fabricio Melgaço para obter informações.
Pov. Draco Malfoy
Eu só podia estar tendo uma alucinação e ter ouvido errado.
—Como é que é? – Perguntei.
—Isso mesmo que você ouviu, Hermione vai ser a informante. – Repetiu Harry.
Era impressão minha ou o melhor amigo dela estava tentando joga-la na boca dos leões?
—Não vai não – me levantei – Sabe o que esse homem vão fazer com ela se descobrir? Viu a maldade que ele fez com a própria filha, imagina o que vai fazer com ela quando descobri que ela está espionando para nós?
—Eu vou sim – ela teimou sem nem se levantar – Não vão descobrir, e se descobrir vamos ter pessoas prontas para me ajudar no mesmo momento.
—E se não chegarmos a tempo? Eu não vou deixar isso acontecer de forma alguma, pode arrumar outra mulher para isso, você tem duas crianças para cuidar em casa e se alguma coisa acontecer com você?
—Nada vai acontecer comigo Draco! Deixa de ser dramático, está tudo certo.
—Você não vai merda nenhum...
—Senhor Malfoy – a voz autoritária de Kingsley me fez calar – Sente-se e ouça a missão, a Sra. Malfoy é adulta e já escolheu participar da missão. Se continuar atrapalhando a reunião serei obrigado a te suspender do Ministério da Magia até que a missão seja finalizada pelo Chefe dos Aurores e as pessoas que ele designou os cargos.
Eu queria mandar o Ministro á merda, mas fazer isso ia apenas piorar a minha situação. Engoli meu orgulho e guardei minha raiva pra descontar nela mais tarde.
—Olha Draco, eu não tenho alternativa – falou Harry deixando a máscara de Chefe cair, ele realmente não queria coloca-la em perigo e pude ver nos olhos dele isso – Mas infelizmente Hermione é nossa melhor opção de chegarmos perto dele, a que tem mais chances de seduzi-lo. Qualquer outra pessoa estar lá e se aproximar dele seria suspeito. Mas ela vai ficar bem. Por isso estou indo pessoalmente nessa missão, para garantir que nada de errado aconteça com ela.
Não esbocei nenhuma expressão, apenas cruzei os braços.
—Podíamos nos disfarçar de capangas para protegê-la mais de perto, mas temos ligações maiores com ela e ficará mais difícil nos mantermos neutros, só que vamos estar lá caso ela precise – Harry falou se afundando na própria cadeira cansado – Já temos o disfarce e o álibi perfeito para colocarmos ela perto de Fabricio Melgaço e no Hotel. Iremos nos instalar lá um dia antes da chegada de Melgaço.
—E como a Hermione vai se disfarçar? – Walisson perguntou.
—Ela não irá se disfarçar, ela vai como hospede. De certa forma Hermione é famosa, marcamos o ensaio dela e saíra dois dias antes de irmos para o hotel, assim ela terá um álibi de estar ali. A revista publicará que Hermione Granger estará de passagem novamente pela Inglaterra e se hospedará no Hotel Cliveden para um baile beneficente que acontecerá no hotel para arrecadar fundos para a ONU. Melgaço não vai poder desconfiar, ele mesmo está usando o baile como motivo para vir para cá e fazer suas reuniões durante a semana, fora que ela é famosa e vai chegar antes dele. Enquanto aos outros hospedes vão chegando aos poucos no decorrer na semana que antecede a missão. Por isso evitamos que ela seja fotografada ao lado de Draco, por isso sempre mantemos a discrição dos aurores, para esses tipos de missões. No passado era fácil identificar aurores na rua, hoje evitamos esse tipo de publicidade e exposição.
“Poucas pessoas sabem que ela é auror e tenho certeza que essas não vão dizer. O conselho de adoção já foi notificado que a notícia alegara que ela ainda é solteira, e temos tudo organizado para a infiltrarmos na missão. Vamos dar um jeito dele se aproximar dela, para ele não desconfiar que ela está atrás de algo. Se ela se aproximar vai ser suspeito porque ele sabe que erámos amigos no passado, está tudo muito bem pensado e organizado.”
É sério que ele achava mesmo que eu ia cair naquele papo? Eu não queria saber, eu não a queria nem a dois metros de distância dele.
Harry prolongou ainda mais a reunião e todos nós almoçamos ali sala, todos menos eu, porque não estava com a mínima fome.
Eu não conseguia me conformar com aquilo, olhei pra ela que parecia pensativa demais e mal mexeu na comida também. Eles voltaram a debater a missão e eu apenas me calei de braços cruzados escutando cada parte daquele plano absurdo. Até Harry repassar a parte dela, as atitudes, as informações que eles precisavam que ela conseguisse do homem.
—Minha mãe vem buscar os gêmeos quatro dias antes e leva-los pra a França – respondeu Mione a pergunta de Harry sobre como ela faria com os gêmeos – Já arrumei um grupo de aurores pra protegê-los durante esse tempo.
—Ótimo, assim eles vão estar bem longe daqui quando Melgaço chegar. Bom, por hoje é só – falou Harry – Durante esses dias vamos intensificar os treinamentos de todos os envolvidos, não quero ninguém despreparado.
Nem o deixei terminar, me levantei e bati a porta atrás de mim. Pra que eles queriam que eu ficasse? Ela já tinha resolvido mesmo as coisas. Ela já tinha decidido tudo, exatamente tudo, sem nem ao menos se preocupar com a minha opinião.
Sai do Ministério e aparatei perto da escola das crianças, peguei o carro e os esperei durante alguns minutos. Os dois foram o caminho inteiro empolgados, falando sobre o primeiro dia de aula enquanto eu apenas os escutava observando a estrada.
Entrei na garagem de casa e peguei Enzo no colo para ele me narrar como tinha sido a aula de Herbologia com Neville. Na sala, Mione estava parada com os braços cruzados perto da escada, Sophia correu para ela e começou a contar tudo que tinha acontecido e ela escutava com atenção sentada num degrau e arrumando o cabelo da garota que mostrava as lições.
—Eu queria falar um pouco com o pai de vocês – ela falou assim que Enzo mostrou o dele – Fiquem aqui com Pops e podem começar a fazer o dever de casa, está bem?
Os dois acenaram.
—Você pode me acompanhar Draco? – Ela perguntou séria e eu olhei para os dois que ficaram tensos.
Concordei com a cabeça e a segui indo para o escritório, eu sentia tanta raiva dela e ela parecia perceber isso já que nos levou lá onde havia feitiços permanentes de isolamento de som.
Ela abriu a porta e eu entrei trombando nela.
—Você sabe o quanto foi idiota na frente do Ministro da Magia e do nosso chefe, não sabe? –Ela cruzou os braços.
—Eu fui idiota? Tem certeza que eu fui o idiota Hermione Malfoy? – perguntei entre dentes – Que ideia maluca é essa? EU NÃO QUERO QUE VOCÊ VÁ NESSA MISSÃO, NÃO DESSE JEITO.
—Eu vou e já está decidido. Que droga Draco! Será que você não entende a gravidade dessa situação?
—E é por isso mesmo que eu não quero que você vá. Você é tão idiota, TÃO BURRA QUE NÃO ENTENDE ISSO.
—EU NÃO SOU BURRA –ela gritou – É O MEU TRABALHO.
—DEIXA DE SER IDIOTA, VOCÊ SABE QUE PODE RECUSAR. PARE DE SER TEIMOSA.
Eu sentia uma vontade enorme de tranca-la naquela sala e deixa-la presa até ela deixar de ser teimosa e desistir da droga da missão, eu queria gritar com ela até ela entender a burrice e enrascada que estava se metendo. Eu sabia que não era o certo a fazer, nunca senti tanta possessão com uma mulher, essa vontade louca de protegê-la a ponto de tomar medidas drásticas para isso.
Ela respirou fundo, mas eu não.
—Se você gritar comigo mais uma vez, eu vou te estuporar aqui – ela falou bem devagar com fúria nos olhos e a varinha apontada para mim – Não sou suas putas para ficar gritando comigo.
—Mais é mais burra que elas. – Retruquei me sentando.
Ela me olhou indignada, mas nem consegui me arrepender.
—Eu vou fazer isso independente do que fale Draco. – Suspirou abaixando a varinha.
—É mesmo? Enquanto a Enzo e Sophia? O que acha que vou falar para eles quando o avô deles matar a mãe? Responda-me Hermione. Porque se o Fabricio Melgaço quer usar os próprios netos para algo maligno, entregou sua própria filha a Voldemort e matou as próprias esposas o que ele vai fazer com alguém como você? Ainda mais quando souber que você é uma traidora, que vai se aproveitar dele.
—Enzo e Sophia não vão ficar sem mim Draco. Deixa de ser dramático. Não vai me acontecer nada! Para de dizer isso.
—Quem me garante isso? – Perguntei entre os dentes.
—Você vai estar lá com o Harry, o hotel vai estar cheio de aurores e eu não sou uma pessoa frágil de porcelana, tenta ser mais otimista.
Eu odiava ficar fora do controle, por que pelo menos uma vez ela não podia me escutar?
—Tem certeza que você vai? – Perguntei firme.
—Eu tenho que ir, sou a melhor chance e estou fazendo isso por Enzo e Sophia. Você melhor do que ninguém devia me entender.
—Mas não entendo. Quer saber Hermione GRANGER? Se você quiser ir vai, pode ir e boa sorte para você. Eu vou nessa maldita missão, mas que fique bem claro que não me responsabilizo por você. Se algo acontecer com você eu não vou me sentir culpado – menti, eu sabia que se algo acontecesse com ela nunca iria me perdoar – Vai lá bancar a heroína, gosta de holofotes não é mesmo? A grande Hermione Jane Granger. – ri irônico – Eu vou fazer meu trabalho como auror e como o pai de Enzo e Sophia. Enquanto a você... Pra mim tanto faz agora, eu pedi pra não se arriscar, mas você escolheu... E nem mesmo se importou comigo.
—Você sabe que não é assim... – falou num sussurro.
—Não é assim? Eu me preocupo com você, mas você não se importa com isso né? O que vale é o seu gosto por aventura – falei entre dentes – Tudo bem GRANGER, não vou mais me preocupar com você, você não fez o mesmo comigo aceitando se arriscar dessa forma.
Apesar de não sabe o porquê, o medo de algo acontecer com ela me deixava irracional. Sentia-me de mãos atadas, ela atou a minhas mãos. Passei por ela e abri a porta.
—Não faz assim Draco, a gente ainda não terminou de conversar...
—Eu terminei Granger.
Eu te amo
Pov. Hermione Granger
Draco não falava mais comigo, ele não olhava mais para mim e nem ao menos dormia no mesmo quarto comigo depois que soube da missão. Desde aquele dia ele dormia no quarto dos empregados perto da cozinha, eu tentei falar com ele, mas ele estava irredutível. Sinceramente eu não esperava tudo aquilo dele, não fazia sentido para mim...
Enzo e Sophia estranharam nossa distância, tanto fisicamente quando emocionalmente. Eu tentei falar com ele, procurei, perguntei, mas desisti.
Será que ele não entendia que eu era a melhor chance de descobrir o que Melgaço queria com as crianças? Será que ele não entendia que eu também estava fazendo isso por ele? Não, ele não entendia.
Ele não entendia, e eu sofria.
Eu gostava dele, mais do que podia imaginar e a distância apenas piorou a situação. Pior não foi isso, pior foi ver ele com outra. Aquilo sim machucou mais do que devia. Ele já tinha colocado as crianças na cama, sem perceber estávamos revezando para isso, a campainha tocou e lá estava a vulgar Paola.
Não sei que horas ele voltou, nem fiquei acordada para ver. Não me permiti martirizar dessa vez. Nem na terapia ele foi no dia quinze, tive que enfrentar Adriana sozinha.
—E você está bem com a ausência do seu marido Hermione? – Perguntou Adriana durante a seção naquele dia.
—Estou – menti – Ele é cabeça dura Adriana, não entende que estou trabalhando, melhor do que ninguém ele deveria saber disso. Você sabe por que estamos fazendo isso, sabe por que a guarda dos gêmeos foi concedida com tanta pressa pelo Ministério e pelo Conselho de adoção, e se estou fazendo tudo isso é por causa dos nossos filhos e por causa dele também.
—E você já pensou em falar isso para ele?
Me senti ainda mais cansada do que nunca.
—Eu disse para ele que é por causa dos dois, só que ele não entende. Pra ele tudo que importa é a opinião dele, que eu tinha que ter falado para ele antes. Affs, ele é apenas um egoísta.
—Será mesmo, Hermione? Talvez, só talvez, ele pela primeira vez realmente não tivesse sendo egoísta. Talvez tudo que ele está sentindo, tudo que ele está fazendo, essa atitude, essa raiva é porque ele preferia que fosse ele a se arriscar do que você. Talvez a atitude dele não seja egoísmo, mas sim outro sentimento que talvez, só talvez, ele ainda não tenha percebido. Ele gosta de você, isso é obvio, alguma coisa ele sente. E esse gostar dele é demonstrado dessa forma, demonstrado em forma de proteção, assim como ele quer proteger os filhos de vocês ele quer te proteger.
Eu nunca tinha me sentido tão confusa como naquele momento com Adriana, ela me fez questionar coisas que eu não sabia que poderia questionar. Será mesmo que tinha a remota possibilidade de Draco sentir por mim o que sinto por ele?
—E o que eu faço? – Perguntei cansada.
—Não faz, dê tempo ao tempo... Uma hora ele vai perceber que é errado o que está fazendo com você, e você vai descobrir porque ele está fazendo isso. No momento, ele precisa aprender sozinho, não é você nem ninguém que vai poder responder para ele. Dê esse tempo a ele.
Eu tentei segui o conselho dela, dividi meu tempo em dois, Enzo e Sophia sempre que eu estava em casa e nos treinos junto com os aurores no Ministério. Ele também participava de todos, não faltava nenhum e era um dos melhores. Mas nem lá falava comigo, e depois de ver Paola, eu nem me importei mais com o seu silêncio.
Se eu estava apaixonada? Sim eu estava. Se eu me sentia excitada sempre que o via? Muito. Mas eu tenho meu orgulho próprio.
Eu já estava me concentrando para a missão há algum tempo, tinha que me manter focada e alerta. Sabíamos o quanto Melgaço era perigoso e esperto, não seria nada fácil.
O dia da missão só se aproximava cada vez mais. Faltando cinco dias para a missão. Meu coração estava do tamanho de um grão de arroz, enquanto eu arrumava as malas dos gêmeos. Eu não queria ficar tanto tempo longe deles, mas era arriscado demais deixa-los aqui. A escola tinha os liberado durante as duas semanas que ficariam longe e minha mãe iria busca-los no Ministério e os levaria pela chave de portal para a casa dela na França.
No último dia dos gêmeos, jantamos juntos. Draco numa ponta e eu na outra, nem me incomodava mais em olha-lo, apenas curti as duas criaturinhas que estavam animadas em finalmente conhecer os avos trouxas e nem desconfiavam que na verdade eu e o pai delas estávamos indo para uma missão contra o avô de sangue delas.
Minha mãe quase esmagou as crianças quando os viu pela primeira vez, depois da minha vez de matar saudades dela, ela saiu com o Harry para conversar sobre os aurores, já que ela era trouxa, e nos dar um tempo a sós com as crianças. Draco estava visivelmente abalado com isso, quase tanto quanto eu.
—Mas papai, eu queria que o senhor fosse. Por favor. – Pediu Sophia.
—Eu não posso princesa! – ele se sentou na poltrona colocando-a em seu colo – Vai ser bom para vocês conhecerem seus avos, você não queria isso? – ela afirmou com a cabeça – Só duas semanas, vai passar bem rápido.
—Mas eu vou morrer de saudades de você e da mamãe. – Ela falou chorosa para ele.
—E nós vamos morrer de saudades de vocês. Que isso princesa? É apenas duas semanas e moça bonita não chora.
Ela fungou limpando as lágrimas e afundou a cabeça no ombro dele. Enzo parecia sério, eu sabia que ele estava com medo e que queria que fossemos, mas estava sendo orgulhoso demais para falar e desviou os olhos quando viu a irmã chorando.
—Já podemos ir – falou Harry com dois aurores para busca-los e leva-los até a sala com a chave de portal – A avó de vocês já estão esperando.
Sophia desceu dos braços do Draco e correu para os meus me apertando num abraço firme, meu coração se apertava de deixa-los ir. Enzo abraçou o pai dele, me abraçou tímido e foi andando junto com os dois homens. Pelo menos, Sophia eu sabia o que ela sentia e que iria ficar bem, mas Enzo me preocupava e de certa forma o senti adulto demais...
—Mãeeee...
Um garoto de cabelos castanhos virou correndo o corredor com um auror atrás dele.
—Eu vou sentir saudades da senhora mãe – ele falou chorando e eu o peguei no colo – Por que a gente tem que ir? Deixe a gente ficar com você.
—Ei, é só um tempinho, a mamãe vai morrer de saudades de você.
—E se a senhora não quiser mais a gente? E se a gente nunca mais ver a senhora?
As palavras dele me gelaram e eu o apertei mais ainda.
—Não tem nem a mínima possibilidade de não querermos vocês.
Ele fungou e olhei nos seus olhos claros e molhados.
—Eu amo você. – Ele falou passando a mão no rosto.
—Também amo você. – Falei me segurando e sentindo as lágrimas se formando em meus olhos.
— Amo você também papai. – Ele olhou para o Draco.
—Também te amo garotão. – Draco bagunçou o cabelo dele.
O desci dos meus braços com dificuldade e o auror o levou. Draco se afastou assim que coloquei Enzo no chão e Harry me abraçou, retribui mesmo querendo que fosse o loiro a fazer isso.
—Vai ficar tudo bem – meu melhor amigo me abraçou – Vai para casa, amanhã você treina.
—Pode deixar, eu estou bem. Preciso treinar.
Treinamos a manhã inteira, até mesmo Harry participou dos treinos e das simulações. Já não estávamos mais completos como antes, alguns aurores já estavam estabelecidos no hotel trouxa como parte do disfarce para não levantar surpresa quando de uma só vez um monte de gente se hospedasse.
Sem Enzo e Sophia a casa estava silênciosa. Ele não posou em casa, nem naquele dia nem no seguinte, tinha escutado ele dizer que posaria na casa de Zabini quando pediu para Pops arrumar algumas peças de roupa.
Poucas coisas me afetavam, Draco Malfoy era uma dessas poucas. No penúltimo dia antes da missão ele apareceu em casa bem cedo, só teríamos aquele e o dia seguinte e ele arrumou as coisas dele já deixando tudo preparado.
Fui na frente e ele logo atrás para a nossa sala no Ministério.
Ajeitei a papelada na minha mesa e me permiti olhar para ele na outra, parecia nem se importar com a minha presença. TOC TOC.
—Pode entrar. – Falei.
—Sra. Malfoy, chegou para a senhora – falou a secretária me entregando a revista da Teen, merda! Eu tinha me esquecido que o ensaio saia hoje – E essas são as correspondências, chegou durante a manhã inteira.
Ela me mostrou uma grande pilha de cartas e institivamente olhei meu celular, abarrotado de ligações dos meus amigos, só a Gina e Rony tinha ligado trinta e três vezes. Gemi e a secretária riu.
—Quer que eu mande para a sua casa? – Ela perguntou.
—Por favor. – Pedi desesperada.
Como eu ia ler tudo aquilo? Pior, como eu ia responder tudo aquilo?
—Não vai querer ver a revista agora? – neguei com a cabeça e pela primeira vez senti os olhares de Draco em mim – Devo confessar que comprei uma, a senhora estava magnifica. Deve ter uma fila de pessoas querendo que autografe a seção de fotos, e se puder, pode autografar a minha?
A mulher ficou vermelha e eu mais ainda. Odiava isso, sempre busquei o anonimato e agora era o centro das atenções.
—Depois passo na sua mesa.
—Tem alguns aurores querendo te ver, sabe, pedir autografo. Posso deixa-los entrar?
Nem respondi, a voz seca e firme de Draco fez o serviço por si só.
—Não quero um bando de marmanjos na minha sala Sra. Martins – ele falou cortante – Aqui é um local de trabalho, não uma porta de estabelecimento qualquer.
—Claro. – Ela respondeu sem graça e eu lancei um olhar furioso para ele que nem me olhou – Desculpe qualquer coisa.
A mulher saiu da sala sem graça e eu peguei minha bolsa e meu sobretudo para sair também, não estava com paciência com ele.
O último treino foi puxado, já estávamos em um número bem reduzido, a missão já estava entrando em prática. Kingsley tinha conseguido equipamentos trouxas de comunicação e câmaras de segurança tinham sido instaladas. Melgaço iria ficar no último andar e eu também. O resto estava no andar de baixo, próximo o bastante para chegarem rápido.
Todos foram dispensados não era nem duas horas e eu segui cansada para casa, teria que aproveitar meus últimos dias de sossego e teria que ser da melhor forma possível. Cheguei em casa e troquei de roupa, vesti meu baby-doll preto, prendi meu cabelo num rabo de cavalo desleixado e segui para a cozinha procurar algo para comer, Pops uma hora dessas já estava na casa dos meus pais e só de imaginar a cara do meu pai olhando a elfa me fazia rir.
Eu não havia almoçado, mas estava com preguiça de preparar alguma coisa demorada para comer, peguei o pote inteiro de sorvete e fui para a sala. Foi difícil escolher um filme no meio de tantos infantis achei um que eu havia comprado, mas não assistido ainda. A campainha tocou e eu fui atender, e lá estava ele, Rafael todo lindo sorrindo para mim.
—Que bom te ver – o abracei.
—Eu tinha que dar os parabéns pessoalmente para a supermodelo Granger.
—Nem me fala, pra falar a verdade eu nem vi essa revista – falei revirando os olhos e trancando o portão – Mas já que o senhor está muito engraçadinho, prepare suas mãos fortes para me ajudar a responder as cartas que recebi.
—São muitas? – fez numa careta.
—O bastante para exercitar seus dedos.
Peguei a pilha de cartas, e assim que me sentei no chão, outra coruja entrou trazendo mais duas. Gemi de raiva e ele riu. Pela primeira vez vi a revista, devo confessar que eu estava linda. Graças a Merlin de todo o ensaio apenas duas eu estava de lingerie, as outras eram das roupas que eu usava no dia a dia e em festas na minha época de irresponsável, alguns meses atrás.
—Esse cara aqui está perguntando se tem uma chance – riu Rafael me mostrando uma carta de um homem que citou a linhagem de sangue dele inteira – Ele disse que tem uma mansão na Irlanda e que adora cachorros, sua cara Mione.
Dei um tapa na cabeça dele que apenas escreveu “ Vai te catar” e assinou meu nome. Era uma carta pior que outra ali, havia muitas de felicitações e elogios, mas havia uma quantidade enorme de admiradores que eu usava a mesma frase que ele ou para os mais doces apenas, “Desculpe-me, mas não estou interessada no momento”.
Demorou quase uma hora para respondermos tudo que estava ali, o relógio já marcava quatro e meia da tarde quando Rafael apenas com um aceno de varinha dele colocou tudo nos envelopes e se esticou no chão cansado.
—Nunca mais venho na sua casa depois de ensaio fotográfico. Ele falou dando uma colherada no sorvete congelando-o de volta, ele era ótimo com feitiços básicos do dia a dia.
—Eu não tinha muitas escolhas.
—A missão misteriosa é depois de amanhã? – perguntou.
Apenas afirmei com a cabeça.
—Sabe que foi por isso que voltei antes da África né? – ele perguntou e eu afirmei – Não gostei da sua voz quando nos falamos esses dias para trás, quer conversar?
Neguei com a cabeça.
—Pense então, se decidir falar eu vou te ouvir – ele falou se levantando e pegando o filme que eu tinha separado antes dele chegar – Como se fosse a primeira vez?
—Comprei há algum tempo, nunca assisti. Parece ser uma comédia romântica.
Ele ligou o aparelho e colocou o filme para assistirmos. Desci as almofadas para o carpete felpudo e nos sentamos no chão para assistir o filme, eu gostava de Rafael e me sentia a vontade perto dele, apesar de tudo que já tínhamos feito eu conseguia ser apenas amiga dele e ele conseguia ser apenas meu amigo.
O filme rodou e prestamos muita atenção, era engraçado e de certa forma me deixou deprimida. O mocinho engraçado sempre reconquistando a garota todos os dias. Mesmo ela não se lembrando dele quando acordava, ele sempre, sempre dava um jeito dela se apaixonar...
Ele a amava... E mesmo inconscientemente ela o amava, mesmo sem saber quem ele era, todos os dias ela se apaixonava por ele.
Apesar das cenas engraçadas eu senti o desespero dele, eu senti e entendi o amor dele, e mesmo rindo grande parte do filme senti algumas lágrimas escorreram em meio as risadas, eu nunca fui assim, chorar por um filme. Estava chorando porque além da graça tinha ali aquela paixão besta que eu sentia por Draco.
—Você está chorando e rindo ao mesmo tempo – Rafael falou limpando minhas lágrimas e rindo também – Nunca te vi fazer isso. Está tudo bem?
Apenas afirmei com a cabeça.
O filme acabou com o casal num barco viajando com a família deles, a garota havia acordado mais uma vez não se lembrando do dia anterior, mas o homem que a amava fez questão de fazê-la se apaixonar de novo contando apenas a história dos dois numa cena engraçada no vídeo cacete. Ri e limpei as poucas lágrimas que escorriam pelo meu rosto.
—Esse filme é ótimo.
—Ótimo mesmo. Devo confessar que Adriana me fez assistir ele com ela no cinema, Hugo conseguiu escapar, mas eu não. – Ele falou com um sorriso de canto e seus olhos percorreram a casa silênciosa onde o único barulho vinha dos créditos que passavam na televisão aliada a uma música romântica com toque animado – Cadê o Draco, Mione?
—Não sei – respondi me recompondo – Ele não está aqui.
Ele me fitou por alguns segundos.
—Vocês brigaram?
—Ele não quer que eu faça o que vou fazer na minha missão – respondi sem olha-lo – Ele ficou com raiva de mim e agora nem dirige mais a palavra a mim. Está sendo um verdadeiro imbecil comigo.
—E é por isso que o dia que nos falamos sua voz estava terrível?
Concordei com a cabeça.
—O que está acontecendo com você, Mione?
Suspirei fundo e senti como se tivesse em minhas costas duas mil toneladas.
—Eu estou apaixonada por ele Rafael – confessei, ele era a primeira pessoa que eu contava isso – Estou perdidamente apaixonada por aquele idiota.
—Quer conversar?
Eu apenas concordei e ele não me olhou surpreso, apenas sorriu e assim que ele abriu a boca para me perguntar mais alguma coisa, escutamos a porta da sala se abrir. Draco entrou e parou de uma vez quando nos viu.
—Boa noite Draco. – Cumprimentou Rafael se levantando.
Rafael estendeu a mão para ele que apenas apertou, Draco olhou para mim e o olhar dele me queimou, como tivesse milhares de acusações que eu não estava nem um pouco de ouvir.
—Vamos subir para conversarmos.
Rafael ficou sem graça e subiu atrás de mim pegando os sapatos que ele tinha colocado no canto, abri a porta e ele entrou. Sentei-me na cama e ele se sentou ao meu lado, não me preocupei em fazer feitiço para não sair som, o quarto ainda permanecia com eles por causa das nossas noitadas passadas antes de todo esse gelo.
—O que está acontecendo Mione?
—Eu gosto dele Rafael, é tão errado isso. – Falei com raiva.
—Errado por quê? Qual o problema de gostar de alguém Mione? Você nunca teve medo dessas coisas.
—É tudo tão errado! Eu não podia estar apaixonada por ele, eu prometi a ele que isso não ia acontecer, prometi que nunca ia me apaixonar por ele e aqui estou eu. Quebrei a promessa no mesmo momento, eu não posso fazer isso com ele.
—Ele também está apaixonado por você.
—Não está! E é isso que doí, a gente gosta tanto de uma pessoa que não gosta da gente que chega a ser ridículo. Eu estou me tornando fraca com esse sentimento, eu me apaixonei por ele e nem percebi. De uma hora para a outra tudo que eu queria era que ele estivesse comigo, que ele sentisse a mesma coisa, que formássemos uma família de verdade com Enzo e Sophia. Mas doí tanto saber que ele não me quer, que tudo que ele quer de mim e tudo que eu vou ter, bom tudo que eu tinha dele, era sexo. Inteiramente sexo. Tudo por causa da maldita Guerra, parece que esse passado infernal nunca vai me deixar em paz, Rafael. Eu com os meus traumas, ele com os deles e eu nem posso culpa-lo. Quem não tem traumas? – perguntei passando as mãos pelos meus cabelos com raiva – Ele acha que se apaixonar iria trazer a ele todas as lembranças ruins, que ele pode voltar a ser uma pessoa ruim... Ele não quer me ver magoada e nem machucada, e pediu para mim não fazer o mesmo com ele, mas como posso cumprir isso, se eu quebrei a tanto tempo?
Rafael me puxou para o peito dele e nos deitamos na cama, o peso dele era maior do que o de Draco e isso afundou um pouco o colchão.
—Olha Mione, ele gosta de você. Ele não sabe, mas ele gosta de você garota. Se não gostasse não ficaria tão preocupado contigo, não ficaria tão preocupado em te machucar. Alguma coisa ele sente por você e uma hora ele vai descobrir isso.
—Só não espero que seja tarde, porque eu gosto muito dele. Acho que nunca senti isso antes, nunca ninguém me atingiu tanto quanto ele está me atingindo agora.
—Você o ama? – Ele me perguntou.
Eu não tinha resposta para aquela pergunta e Rafael tirou uma mecha de cabelo do meu rosto e beijou minha testa.
—Você o ama. – respondeu sua própria pergunta, e eu apenas sacudi a cabeça.
—Como faz pra isso passar? – Perguntei séria.
—Uma hora vai passar.
Ele não falou mais nada durante longos minutos, e eu apenas fitava o teto tentando pensar com clareza. Aquela dorzinha incomodando o peito, aquela vontade de descer as escadas e confronta-lo, de saber para que tudo aquilo. Por que ele não falava comigo por um motivo tão torpe, se ele não gostava de mim, por que raios ele tinha que fazer esse escarcéu todo?
—Quer jantar fora? – Rafael perguntou e eu apenas concordei com a cabeça – Vai se arrumar que eu te espero.
Levantei-me e peguei uma roupa no closet, tomei um banho demorado e me troquei ali já que Rafael estava no quarto. Eu não estava animada para sair, mas não queria ficar presa aqui em casa sozinha e chorando minha magoas quando eu podia estar num restaurante trouxa comendo uma comida muito boa.
Sai do banheiro já pronta e apenas calcei o salto e coloquei os acessórios. Fui até o closet e peguei algumas roupas e coloquei na minha bolsa de contas, assim que terminasse o jantar eu não tinha planos de voltar para cá. Preferia mil vezes passar minhas últimas noites na quitinete apertada de Gina do que ficar aqui em casa sozinha ou com Draco me ignorando. Assim que terminei escutei batidas na porta, Rafael parecia cochilar na cama e eu que tive que abrir.
—Preciso falar com você. – Draco disse depois de vários dias sem falar comigo.
Pov. Draco Malfoy
Ela não tinha me escutado. Era de se esperar, era teimosa demais para desistir apenas por um pedido meu. Durante todos esses dias eu fugi feito um covarde dela, ela não se importou com o meu lado não levou em conta meu pedido, queria ir para a forca sem ao menos se importar em me deixar para trás.
Nunca me senti tão infeliz na vida. A distância que eu mesmo impus me machucou e depois que ela enfim desistiu de me procurar, machucou mais ainda. Eu sentia falta dela, dos beijos, do cheiro, do sexo, até mesmo das nossas discursões... Mas aqueles sintomas todos eram drásticos demais, eu tinha que me afastar, porque se algo acontecesse com ela eu não ia conseguir aguentar.
Eu tinha que me acostumar a ficar longe, mas isso era o mais difícil. Nenhuma mulher me interessava e sempre que a via me sentia perigosamente excitado. Tentei sair com Paola, não adiantou. Nem cheguei a toca-la, não senti a mínima vontade, ela era bonita... e não era como a Mione.
A missão se aproximava, meu coração se apertava. Assim que terminamos o último treino fui para a casa de Zabini, ele não estava lá e aproveitei para ficar sozinho, tentar pensar com clareza. Sem sucesso.
Cheguei em casa por volta das seis e meia e o resto do meu bom humor se foi, ele já tinha sido desgastado quando os homens do Ministério ficou a secando e vê-la com Rafael não ajudou nada isso.
Eles estavam sentados no chão e ela apenas de baby-doll, os sapatos deles no canto do sofá e muito próximos, meus olhos ficaram vermelhos de fúria. Mal o cumprimentei e ela subiu com ele, o corpo ainda mais perfeito subindo as escadas com ele atrás. A xinguei internamente, se aquelas almofadas no chão da sala não significasse uma transa, chamar ele para o quarto era.
Droga! Eu não devia me importar assim. Eu não devia sentir essa vontade louca de estupora-lo apenas por transar com ela. Não erámos nada! Não erámos nada de nada!
Sentei-me no sofá, peguei uma garrafa de Whisky e apoiei a cabeça entre as mãos, os minutos foram se passando e nada de nenhum deles descerem. Dez... Vinte... Trinta... E nada deles.
Aquilo estava me dando uma raiva imensa, passei os olhos pela mesinha e lá estavam as pilhas de cartas e a revista. Eu não tinha visto antes, nem me dei ao trabalho de olhar porque eu sabia que ia ser bem pior manter minha sanidade mental e corporal sobre controle durante o dia vendo-a naquela revista.
Ela estava ainda mais linda! A matéria enchendo-a de elogios e com as informações implantadas por Harry para a maldita missão, onde eu teria apenas que olhar e ela se arriscar.
Passei por uma dela de lingerie preta e outra vermelha, simplesmente perfeita. Não dava para acreditar que eu um dia toquei naquela mulher tão perfeita. Quarenta minutos e nada deles.
Foleei mais umas páginas com as roupas dela de festas, vestidos, shorts, jeans apertado... Ela era linda! Linda e estava com o troglodita lá em cima.
Aquilo me deu náuseas, joguei a revista no chão, assim como todas aquelas cartas idiotas ali. Uma hora.
A garrafa já estava por mais que meio, havia dentro de mim uma briga interna onde eu não sabia o que fazer, Uma hora e vinte minutos.
Chega! Já deu. Subi as escadas correndo e a porta estava trancada, bati duas vezes e ela atendeu. Estava com outras roupas, um jeans rasgado e apertado com uma blusa de alcinhas de onça, o cabelo jogado para o lado e um batom vermelho. Simplesmente linda... Mas minha admiração parou ao olhar para o cara deitado na cama. Rafael. O sangue ferveu e eu respirei fundo para não surtar.
—Preciso falar com você – Falei depois de dezenove dias, treze horas e vinte minutos sem falar com ela.
Ela me olhou confusa, e eu olhei para o homem na cama dela.
—Vou deixa-los a sós. – Falou o troglodita.
Ele meio que se despertou para a situação, calçou os sapatos e se levantou da cama.
—Me espere lá embaixo – pediu Mione – Daqui a pouco a gente vai.
O homem concordou com a cabeça e passou por mim, entrei no quarto e fechei a porta olhando com nojo para o lugar onde aquele idiota estava deitado.
—Olha Draco, eu estou sem tempo – ela me deu as costas olhando no espelho – O que você quer dizer que não pôde ser ditos nesses dias que ficou sem falar comigo?
Eu não sabia o que falar, na verdade eu nem sabia por que estava aqui. Eu só queria tirar o troglodita de perto dela.
—Será que dá para você falar? – ela pediu parando a quase cinco metros de mim – Se não vai falar...
Ela passou por mim e eu segurei seu braço a impedindo.
—Você vai sair com ele? – Perguntei.
—Vou. – respondeu se soltando.
—Mas já não transaram? Pra que sair? – falei sem pensar – É só continuar aqui dando para ele.
—Quem disse que a gente transou? – retrucou com raiva – Deixa de ser idiota Malfoy.
—Não transou, uma hora e vinte minutos, ele deitado na cama, você de baby-doll. Não se contentou com a sala, tinha que subir para o nosso quarto?
—Espera um minuto. Você estava contando o tempo que passei com ele aqui no quarto? Você é maluco?
—Eu só queria um pouco de respeito Granger. Enquanto eu morar aqui, você me deve isso pelo menos aqui. Se quer ficar com o troglodita, vá para a casa dele, não transe na casa onde mora nossos filhos.
—EU. NÃO. TRASEI. COM. ELE.
Ela falou lentamente com o dedo em riste apontado para minha cara.
—A não? E o que fizeram aqui? Tricotaram? – Perguntei e ela me olhou dando dois passos pra trás com raiva para aumentar nossa distância – Falaram das fotos sensuais da revista?
—Não é dá sua conta – cruzou os braços.
—Então transaram – a imitei cruzando os meus.
—Claro que não! Eu não sou como você seu idiota.
—É pior!
—Você não sabe de nada.
A voz dela saiu entrecortada e ela se virou de costas para mim. Sua respiração ficou um pouco mais descompassada e meu peito gelou.
—Me desculpa, eu só perdi a paciência...
Passei a mão pelos cabelos nervoso e toquei seu ombro e a virei para mim, algumas lágrimas escorrendo pelo rosto dela, nunca me odiei tanto.
—Você está chorando? Mione... Ei Mione – falei desesperado – Olha pra mim, por favor.
Toquei o queixo dela e ergui seu rosto.
—Olha pra mim, me desculpa eu estava sendo um idiota.
Ela deu um passo para trás e abriu os olhos o enxugando. Os ergueu para mim e trancou o maxilar com raiva.
—Você é um idiota...
—Eu falei sem pens...
—Agora você vai me escutar – ela falou levantando a voz e eu apenas acenei para ela continuar – Você é a pessoa mais idiota que conheço mesmo. Pra que tudo isso, Draco? Pra que ficar nesse joguinho de não se importar num segundo e em outra dar uma crise histérica me acusando de coisas que não sabe. Na verdade você não sabe de nada. NADA! Você não sabe que eu fiquei me martirizando esses dias por ficar longe de você, você não sabe que ver você com Paola me machucou mais do que pensa e mais do que eu queria. Você nunca sabe de nada porque é um tolo, idiota e cego. Você não sabe que eu me importo com você, que eu estou fazendo tudo isso por você também. E que eu nunca transaria com Rafael aqui em casa e nenhum outro lugar, por que é com você que eu quero transar. Mas você não sabe de nada disso, não é? Você não se importa com tudo isso né? Por que pra você tudo que é importante e manter essa fachada de cafajeste enquanto na verdade você morre de medo de se apaixonar. Mas quer saber Draco, eu não tenho medo de me apaixonar, eu não tenho medo mais do meu passado, e não sou de me arrepender pelas coisas que faço, mas me arrependo só de ter feito aquela maldita promessa e descumpri-la.
Ela parou de falar com os dentes trincados, eu via a mão dela tremer e tentava processar tudo aquilo.
—O que você quer dizer Mione? – franzi o cenho.
Ela sorriu de lado com raiva e saiu pela porta descendo as escadas.
—O que você quer dizer Mione? – repeti do alto da escada.
—Que eu estou apaixonada por você seu idiota.
A porta fez um baque estrondoso ao se fechar e eu fiquei estático ali em cima. Ela estava apaixonada por mim... Ela estava apaixonada por mim. Aquelas palavras não faziam sentido.
Olhei para o sofá e Rafael estava parado lá em pé, ele também tinha escutado, mas ao contrário de mim ele não estava confuso nem parecia surpreso.
—O que ela disse? – Perguntei para ele, aquilo só podia ser fruto da minha imaginação.
—Ela disse que te ama – ele respondeu com um meio sorriso – E eu se fosse você ia atrás dela, se não vai perdê-la para sempre, só vou te dar essa chance colega se você não cuidar dela, eu cuido.
Eu não respondi, senti a adrenalina correr pelo meu corpo e nem sabia o que dizer. Abri a porta e quase arranquei o portão agradecendo pelas ruas estar movimentada com pessoas que fugiam da chuva fina que se iniciava. A procurei para o lado do Beco, e a vi andando muito rápido para a rua sem saída do bairro, que usávamos para aparatar.
Eu corri, corri como há muito tempo eu não fazia enquanto as gotas da chuva me molhavam, mas eu não me importava. Tudo que importava era que ela me amava e eu ia perdê-la. Eu corri... Senti meu coração querer sair do peito, eu não ia conseguir perdê-la, eu não ia conseguir sobreviver se não olhasse naqueles lindos olhos castanhos e tivesse certeza do que ela tinha me dito.
—Mione. – Gritei assim que cheguei na entrada do Beco.
—Me deixa em paz Draco.
Ela não se virou e seguiu andando com as roupas levemente molhadas.
—Não vai, me espera por favor. – Pedi.
Ela se virou pra mim e eu vi as lágrimas no rosto dela se fundindo com a água da chuva, dei mais cinco passos e me aproximei dela tocando seu rosto.
—Me de um motivo para esperar. – Ela pediu com raiva enxugando o rosto e tirando a minha mão.
Eu sorri, estava tão na cara que apenas eu não percebi. Eu tinha mil motivos para pedir ela para ficar, mas apenas um importava naquele momento...
—Por que eu te amo. Eu te amo Hermione. – Falei extinguindo o espaço entre nós e selando nossos lábios num beijo urgente como se minha vida dependesse disso, e acredite, realmente dependia.
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