Dramione - Fix You
5 Capítulo 5 - Amnesia
Notas iniciais
Os dias passaram monótonos e sem emoção depois desse episódio. O primeiro treino dos garotos, que foi no sábado, foi um fiasco; Ron perdeu muitas bolas e Harry ficou furioso com ele, pois depois de tanto jogar quadribol nas férias ele não havia pegado o jeito. As aulas se intensificaram e meu ritmo acelerou mais ainda. Não estava sendo fácil conciliar tudo ao mesmo tempo : estudos, ansiedade, Ron e os olhares extremamente irritantes de Parkinson e Greengrass. O motivo pelo qual elas me encaravam furiosamente? Não sei, não mesmo.
Ao longo desses dias não esbarrei com Malfoy pelos corredores, e nem o vi em ocasiões como o café da manhã ou o jantar. Ele não poderia ter sumido assim, ou poderia, talvez estivesse com algum tipo de distúrbio que causa fome fora de hora. Nem me importei com isso, afinal,não tinha porque ficar encontrando ele a todo minuto.
***
Mais um sábado sem planos que não sejam estudar. Gina tem me dado muito incentivo nessa parte, costuma pegar algum livro de Romance trouxa (que por acaso, eu apresentei a ela) e me acompanhar nas horas que fico com a cara enterrada nos livros.
— Ei, meninas – Harry disse se sentando em uma cadeira vaga ao nosso lado – Slug vai dar uma festa hoje, e como de costume, não iremos faltar – ele disse tentando ler o nome do livro que Gina estava lendo – O lado bom da vida? – ele perguntou a ela franzindo o cenho.
— É um livro muito interessante, obrigada – ela disse virando a página.
— Precisamos mesmo ir? – eu perguntei na esperança de receber um “não Mione, não precisamos ir”.
— É nosso último ano, não teremos mais o clube do Slug daqui uns dias – ele disse querendo ser convincente.
— Não é um bom motivo – eu disse o fitando.
— Ah Mione, anda logo – ele disse revirando os olhos.
— Tá, tudo bem, só pra você não chorar – eu disse e ele riu.
Harry ficou ali por mais alguns minutos especulando sobre o livro que Gina estava lendo, logo depois de muitas perguntas, ele deu um beijo na namorada e saiu para avisar Ron sobre a festa.
— Acha que vai ser legal? – Gina disse sem tirar os olhos do livro.
— Quase nunca é legal – eu disse e ela sorriu torto.
Ficamos na biblioteca por mais algumas horas, na verdade até o almoço. Fomos para o salão principal e não encontramos Ron e nem Harry, o que nos deixou desconfiadas.
— Talvez estejam discutindo sobre quadribol, ou talvez tentando se matar – Gina disse se servindo de frango e batatas e eu apenas ri e concordei.
Almoçamos e Gina me convenceu a não estudar a tarde toda. Fomos para a torre da grifinória e ela ficou provando alguns vestidos que tinha, e por mais que eu falasse que todos estavam perfeitos, ela insistia em dizer que não.
— Não temos como sair pra comprar um novo, Gina – eu disse já me aborrecendo
— E se me emprestar um dos seus? – ela disse como se já esperasse que eu oferecesse.
— Não ando com tantos vestidos no malão – franzi a testa – Só uns três, talvez.
— Não precisarei mais que três – ela sorria animada.
— E o que eu vou usar? – perguntei indignada.
— Você disse que amou o verde – ela apontou para um vestido em cima da cama, e realmente eu havia amado – Pode ir com ele então.
— Não acho que seja... – recebi um olhar ameaçador da ruiva – Tá, tudo bem, eu vou com o verde – fingi uma cara horrorizada e ela esboçou um sorriso largo novamente.
Depois de decidir a roupa, chegou a vez dos sapatos, passamos o resto da tarde decidindo isso, o que eu não costumava fazer, ficar escolhendo roupas. Não havíamos percebido que já estava escurecendo, quando nos demos em conta disso, corremos para o banheiro para tomar banho.
Nos arrumamos e fomos esperar Harry e Ron na sala comunal. Esperamos por uns 25 minutos e finalmente alguém apareceu.
— Ron não vai – Harry disse terminando de descer o degrau das escadas.
— O que? Por que? – perguntei assustada.
— Não está se sentindo muito bem. Apenas um mal estar – Harry disse tranquilamente.
— Ah... vou ficar por aqui então caso ele preci...- fui interrompida impiedosamente.
— Ele disse pra você ir Mione, que ele vai ficar bem – Harry disse passando um braço pela cintura da namorada.
— Acho melhor não, vou fi... – ele passou o braço livre pela minha cintura e me arrastou para fora pelo buraco do retrato.
Harry me arrastou por alguns corredores ignorando meus protestos. Quando passamos pela 3ª escada eu pedi que me soltasse, e assim ele o fez, e eu sabia que se eu voltasse ele iria me buscar, então decidi acompanhá-los.
Chegamos a sala de Slughorn e já havia bastante gente, já que cada membro podia levar alguns acompanhantes. Entramos e fizemos o habitual, procuramos cadeiras.
Estávamos sentados conversando até que senti sede. Fui até uma mesa que havia ao canto e servi um pouco de cerveja amanteigada, a tanto tempo eu não tomava aquele néctar dos deuses. Servi e quando me virei alguém esbarrou no copo, o que fez com que o líquido voasse em mim.
— Mas que droga, olha o que você fez – olhei para cima e encarei os olhos cinzas que me olhavam atentamente.
— Foi sem querer, Granger – a voz grave de Draco Malfoy invadiu meus tímpanos.
— Tinha que ser – sorri e peguei um guardanapo para tentar me secar – O que está olhando? – o encarei séria.
— Nada – ele disse como se estivesse esperando algo.
Me sequei um pouco e servi outro copo, dessa vez tomei para garantir que não iria acontecer outro acidente. Uma música trouxa começou a tocar e decidi ir até o meu lugar novamente. Me virei e ele ainda estava lá.
— Desembucha, o que você quer, Malfoy? – eu disse exasperada.
— Zabini apostou que eu não te chamaria pra dançar – ele disse sério.
— Pois espero que esteja acostumado a perder – eu disse e dei as costas a ele.
— Não estou, e não vou perder dez galeões – ele disse e segurou meu braço – Anda, Granger, está com medo? – ele continuou sério.
— Me deixa em paz, eu te dou dez galeões pra isso – eu disse tirando meu braço de sua mão.
— Não é pelo dinheiro, é pela honra – ele disse botando as mãos nos bolsos.
— Honra? Achei que ia perder isso se dançasse com uma sangue ruim – eu disse e sorri de lado.
— Apostas são apostas – ele franziu a testa.
— Essa você vai ter que perder – sorri e fui saindo – Se me der licença, eu não te conheço – disse já de costas e voltei ao meu lugar.
Fiquei ali por mais alguns minutos e decidi ir ver como Ron estava, já que já havia feito a boa vizinhança com Gina e Harry.
Ao chegar na torre da Grifinória, subi direto para o dormitório dos meninos, ao chegar lá em cima, vi Ron deitado na cama e tremendo. Corri até ele e coloquei a mão em sua testa.
— Ai meu Deus, você está ardendo em febre – eu já estava gelada do susto – Temos que ir ver Madame Pomfrey.
Depois de muito esforço, consegui apoiar o braço de Ron em meu ombro e descer pela escada com ele. Quando estava na sala comunal Neville entrou pelo retrato, logo percebeu o que estava acontecendo e correu para me ajudar. O levamos até a enfermaria e logo Madame Pomfrey controlou a febre, fiquei a noite toda por lá.
***
Acordei ao ouvir alguns grunhidos, de pronto me ajeitei na cadeira e vi que Ron estava acordando.
— Ei, tudo bem, estou aqui – eu disse segurando uma de suas mãos.
— Mamãe – ele dizia ainda de olhos fechados.
— Não Ron, é a Mione – eu disse sorrindo por causa de sua confusão.
Rapidamente ele abriu os olhos e tirou a mão da minha, o que me fez ficar confusa. Ele se sentou na cama e parecia assustado.
— Por que estava segurando minha mão? – ele perguntou engolindo saliva.
— Ron, sou sua namorada, é normal que eu seg...- ele me interrompeu ferozmente.
— Namorada? Nós somos melhores amigos, Mione – ele vociferou e a indignação era evidente em sua voz.
— Ron, o que é isso? Está brincando comigo? – eu indaguei.
— Ei, você acordou – Madame Pomfrey entrou apressada – Por que não me chamou, querida? – ela disse colocando as mãos na testa de Ron.
Não consegui dizer nada, na verdade, não estava entendendo nada e por isso não consegui dizer algo. Levantei-me e minha boca abriu em um O e logo se fechou, sai e fui até a porta da enfermaria. Fiquei parada ali por uns 5 minutos e Madame Pomfrey apareceu.
— Está tudo bem? – ela disse parando ao meu lado – o ruivo não para de perguntar por que passou a noite aqui.
— Ele não se lembra que estamos namorando – eu disse com a voz embargada.
— Ah, querida – ela tocou suavemente no meu braço – Ele teve uma febre muito forte, pode ser que isso tenha afetado algo, mas tenho certeza, ele vai se lembrar – ela dizia com penar na voz.
— Quando? – eu perguntei já com os olhos marejados.
— Pode ser daqui a alguns dias, mas também pode levar meses – as lágrimas escorreram livremente por meu rosto – Não chore, ele vai se lembrar, isso eu te garanto.
Ela me deu um abraço e voltou para dentro, e eu fiquei ali, sem ação, completamente arrasada. Meu namorado esqueceu que é meu namorado, como isso pode ser possível.
Sequei as lágrimas e voltei lá para dentro, pelo menos ele ainda se lembrava que éramos melhores amigos antes de tudo.
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