Notas iniciais
:3

Draco Malfoy suspirou com sua irritaçã se afastando das grandes janelas de seu próprio escritório na mansão Malfoy. O local era iluminado pelas chamas crepitante da lareira que o aquecia do frio daquela noite gélida de outono. A tempestade caía furiosamente do lado de fora juntamente com seus estrondosos trovões e lances rápidos de relâmpagos.

Ele se serviu um pouco de whisky de fogo antes de sentar-se na poltrona se sentido completamente entediado. Que maravilha.

Draco nunca se importou em ficar sozinho, ele sempre foi filho único e portanto era normal ficar a maior parte do tempo solitário lendo livros. Não foi diferente na época de Hogwarts, mesmo tendo a companhia de Goyle e Crabbe ele não os considerava amigos de verdade, os dois agiam mais como lacaios e guardas-costas do que amigos. Era vergonhoso admitir até para si mesmo que já sentira inveja da amizade que o "Trio de ouro" mantinham na época, sempre juntos e rindo para lá e para cá. Draco ainda não tinha experimentado a sensação de ter amizades saudáveis, e ver a amizade sendo construida solidamente entre os três o deixava estupidamente irritado. Irritado com a droga da regra que foi estabelecida para ele muito antes de por os pés em Hogwarts.

A culpa não foi totalmente dele, sua educação preconceituosa onde a amizade que sua familia aceitava era apenas entre pessoas de prestígios e de puro-sangue foi uma mal influência em sua vida pessoal. O preconceito de sangue na família Malfoy era dada como normal por muitas gerações. Draco se lembra de ter feito Hermione Granger oscilar em sua frente quando a chamou de algo que na época parecia o certo a se dizer, seu pai tinha ficado feliz em saber o que ele tinha dito para a menina nascida trouxa.

Lucius não foi um bom pai, forçava ideias e comportamentos que ele deveria seguir a risca. Draco sempre tentou agradar o pai que apenas queria transforma-lo em uma cópia de si mesmo.

Quando pensava nesses assuntos ele tinha a certeza que nunca iria ensinar coisas desse tipo se tiver filhos um dia, seria um pai melhor que Lucius Malfoy. Educar o filho para ser uma pessoa melhor e gentil mesmo que ele próprio não tivesse praticado atos de gentileza quando jovem.

O som de um miado o fez sair da linha de seus devaneios. Draco olhou em volta e então enxergou o gato alaranjado e peludo sair de um canto escuro e se aproximar preguiçosamente, esticando as pernas em uma forma de espreguiçar-se. Draco apertou os lábios antes de estreitar os olhos com desconfiança. Ele não simpatizava muito com aquele gato, sempre aparecendo do nada e quando menos se esperava. O gato também não parecia gostar muito de Draco.

"Ele não não é maligno, você que não
consegue ser gentil com ele...como sempre."

Ele sorriu com a lembrança, como se aquela discussão boba tivesse acabado de acontecer e ele até mesmo podia escutar aquela voz feminina se divertir com a situação.

Bebendo mais um pouco de seu whisky ele ignorou quando o gato se deitou perto de seus pés e fechou os olhos enquanto se alinhava no carpete. Querendo ou não aquela bola de pelos era o bicho de estimação preferido de sua esposa.

Esposa...

Logo depois do fim da guerra, sua família foi julgada e teve sua devida sentença. Lucius Malfoy foi preso em Azkaban e passou alguns anos até ser libertado. Narcissa foi inocentada juntamente com Draco por ter ajudado o Menino-que-sobreviveu. Potter e Granger testemunharam a seu favor, mesmo quando ele não o merecesse.

Draco voltou para terminar seus estudos em Hogwarts, sob muitos olhares de reprovação de vários bruxos.
Sendo um dos poucos sonserinos que decidiu retornar ele ainda era visto como um traidor por alguns, já outros o temiam e o evitavam pelo fato de ter sido um Comensal Da Morte. Ele realmente não ligava, provavelmente não iria mais ver ninguém depois de se formar, não pretendia manter contato.

Hermione Granger também havia retornado — lógico que ela voltaria, ele não tinha dúvidas, sendo que a garota amava estudar e ficar enfiada naquele lugar. Ele percebeu que ela também parecia deslocada, sem seus melhores amigos por perto e sempre rodeada de "fãs" da heroína de guerra, isso parecia a sufocar de alguma forma.

Uma vez eles fizeram dupla em uma das aulas de poções, Draco não foi desagradável com ela, não fazia sentido em ser. Ela parecia não ligar muito para os olhares de alguns alunos e cochichos sobre ela estar sentada ao lado de um "inimigo".

Foi um pouco desconcertante, não houve uma só palavra trocada entre eles, chegava a ser entediante. Aparentemente Hermione pensava a mesma coisa pois ela mesma iniciou uma conversa para a surpresa dele. Foi um comentário simples sobre a aula. Granger não parecia esperar nenhum retorno dele, e quando ele lhe disse algo ela o retrucou mal percebendo a rapidez. Então, para a estranheza de todos e inclusive para eles próprios, a conversa se seguiu e apenas terminou por causa do professor que estava chamando a atenção dois por não estarem tão concentrados na aula como ele gostaria.

Hermione tinha ficado sem jeito pelo ocorrido, parecia que ela queria se enterrar viva por ter tido a primeira "quase advertência" e todos estavam olhando para ela. Draco se atreveu a sorrir um pouco pela reação de Hermione .

— Isso não teve graça, Malfoy. — Ela sussurrou com aborrecimento.

Draco não se lembra bem de como aquela amizade improvisada e improvável começou. Quando percebeu Granger era a única pessoa com quem ele passava horas á fio conversando nas horas vagas, nunca faltou assunto pois Granger gostava de argumentar e ele também, a teimosia de ambos era do mesmo nível, sempre foi.

Se Lucius soubesse que o filho mantinha amizade com uma nascida trouxa, com Hermione Granger, ele não iria ficar muito contente, mas Draco decidiu que não se importava com que seu pai iria pensar.

Hermione era inteligente e perspicaz. Talvez essa amizade peculiar não durasse tanto, talvez no final ele apenas se lembraria da única amizade significativa em sua vida que durou por apenas um ano.

A porta se abriu de uma forma nada sutil. Draco se endireitou em sua poltrona rapidamente olhando atentamente para a pessoa que invadira seu escritório. Hermione Malfoy(née Granger) tinha as mãos desmanchando o penteado de forma irritadiça e frenética, sua expressão de armagura era um sinal de perigo. Irritação e exasperação emanava da mulher em grandes ondas.
Hermione tirou o casaco pesado e o perdurou em um gancho, seus resmungos e resmungos eram bastantes audíveis e vez ou outra palavrões escapavam de sua boca.

Indagar o porquê era algo que já passou pelos pensamentos de muitas bruxos e até mesmo Draco.
Aquela amizade estranha e secreta se transformou em algo. Aquelas conversas intermináveis só o fez admirar mais a bruxa que Hermione era. Admitir que ele sempre teve uma leve queda por ela foi bastante corajoso de sua parte. Pelo menos ele foi corajoso o suficiente em se inclinar pela primeira vez e beijar a garota mesmo sabendo que poderia ter um nariz quebrado ou ter uma azaraçao terrível assim que se afastasse de seus lábios rosados.

Hermione se aproximou dele e arrancou o copo de sua mão tomando o resto do whisky de fogo de uma só vez. Ela fez uma careta sentindo a ardência em sua garganta.

— Deixa eu adivinhar... Isso tem haver com o trabalho? — Draco perguntou com seu tom calmo e controlado.

— Foi terrível. Terrível. — Ela cruzou os braços e se aproximou da lareira — Eu tento... Você vai ver, Draco, eu vou mudar essas leis obsoletas que só fazem os bruxos de puro-sangue e as famílias de elite terem vantagens no mundo mágico. Existe bruxos nascidos — Trouxas melhores que muitos bruxos de sangue-puro... Eles merecem seu devido reconhecimento.

Ele não duvidava nem um pouco da obstinação e astúcia que Hermione tinha dentro de si. Uma grifinoria corajosa com sede de justiça e mudança. Ela mesma fez com que todos os elfos da família Malfoy fossem libertados, e aqueles que se recusaram a deixar a família agora recebiam por seus serviços. Narcissa tinha ficado receosa e apesar de ser uma pessoa muito mais tolerante e ter aceitado o casamento do filho, ela ainda era muito habituada com as regras tradicionais que as famílias passavam de geração a geração. Hermione com muita paciência e muitos argumentos conseguiu convencer a sogra — e vencer uma aposta pessoal com o Draco. Lucius ainda reclamava pelos cantos mas o homem parecia cansado e degastado demais para tentar alguma tática de persuasão. Os anos em que passou em Azkaban não foi os melhores então ele só queria aproveitar o luxo que a mansão oferecia.

— Eu estou irritada. — Ela disse depois de um breve discurso sobre a falta de empatia de muitas pessoas dentro do Ministério. — Eu vou dar o meu melhor para mudar essas estupidas leis... — disse ela gesticulando brevemente — Eu sei como é sofrer por causa do preconceito por ser uma nascida trouxa...

Oh, ele foi uma das pessoas que fez com que a infância dela fosse desagradável por causa de um ridículo preconceito de sangue. Isso o deixava envergonhado e profundamente arrependido.

Draco não teve tempo o suficiente para conseguir formular algum comentário quando Hermione se virou para encarar os olhos cinzentos dele.
Seu olhar se estreitou percorrendo a figura de Draco, como se estivesse percebendo alguma coisa errada, era impressionante o jeito que ela conseguia o ler facilmente e não precisar ser uma legilimens.

— O que foi? — Ela perguntou sem muita enrolação.

— Nada.

Ela inclinou a cabeça pensativa. Mesmo que ele fosse uma pessoa fria para muitos, ela o conhecia; cada expressões e gestos mesmo que fossem sutis.

Hermione tinha percebido o olhar vazio e pensativo dele assim que se virou por não ter tido um retorno, ela provavelmente atrapalhou algum tipo de monólogo interno dele.

— Malfoy...

Ele parecia desconfortável. Hermione não parecia querer mudar de assunto. Ela era Hermione, ele não esperava que ela deixasse passar alguma coisa que lhe causava curiosidade.

— Você ainda está aqui comigo. — Ele disse por fim soando um pouco envergonhado com o que acabara de dizer.

Hermione apertou os lábios e com um suspiro ela caminhou até ele. Sentou-se de lado em seu colo passando os braços em seus ombros.
Draco era difícil e não deixava transparecer a insegurança que as vezes o rondava, mas ela sabia que ele ainda não se sentia merecedor dos sentimentos que ela lhe oferecia. A verdade é que nem sempre foram bons amigos na época de Hogwarts, mas ela o perdoou, deixou o passado no passado e ele deveria fazer o mesmo.

Todos sempre criaram uma expectativa de um relacionamento entre o Rony e ela, a pressão de todos em cima de algo que nem mesmo foi para frente era muito incômodo e desagradável. Como se ela fosse obrigada a namorar o amigo. Rony também compartilhava os mesmo pensamento sobre o assunto.
Então as conversas com o Malfoy passaram a ser mais que simples conversas e em algum ponto ele passou a ser seu confidente secreto. Ela mesma sentiu a negação de ter algum tipo de sentimentos por ele, escolheu ignorar a sensação de bater de asas todas as vezes que se encontravam pelos corredores ou biblioteca. Mas ela parou de ignorar no momento em que sentiu as bochechas quentes e o coração acelerando quando Draco se inclinou para roubar um beijo demorado e ardente. Ela o retribuiu. Era loucura mas ela não se importava.

— Por que eu ainda estou casada com você? Uhmmm...Deve ser por causa da magnífica e preciosa biblioteca da mansão. Veja, me sinto em Hogwarts todas as vezes que entro nela. — Ela disse o abraçando e descansado o queixo na no topo da cabeça de cabelos platinado do marido. Ele se inclinou e encostou o rosto entre o pescoço e o ombro dela, serpenteando os braços em sua cintura delicada.

— Bem.... Sim, talvez seja isso. — Ele ironizou e ela riu antes de dar um leve tapa em sua cabeça.

— Não seja idiota.- Ela se afastou o forçando a encara-la. Ela parecia bastante séria, do jeito que ficava quando ele falava algo que a tivesse ferido. — Você sabe que nunca me deu motivos para gostar de você nos meus anos em Hogwarts, certo?

Ele balançou a cabeça levemente, era verdade de qualquer jeito. Ela fez uma longa pausa observando o olhar azul cinzento que esperava a continuação de uma conversa ou uma discussão terrível.

— As coisas desagradáveis que você fez no passado não vão sumir...É um fato e ninguém pode mudar. — Ela ponderou por um instante — Mas sabe? eu te perdoei.

— Foi uma decisão sábia?

— Sim... — Ela o respondeu com sinceridade — Eu te dei uma segunda chance, eu pude ver além daquela casca dura que existia ao seu redor. Você fez escolhas erradas, seguiu um caminho tortuoso mas isso está no passado.

— Eu sempre fiz péssimas escolhas... — Ele deu de ombros.

— Você acha que eu sou uma escolha ruim?

Draco se mexeu na poltrona, suas mãos descansando na cintura de Granger enquanto a mesma esperava atentamente uma resposta. Ela, sem sombras de dúvidas, foi uma ótima escolha. Ela poderia ter ficado com o Rony ou outra pessoa que iria encher seus dias com romance e jantares a luz de velas com rosas vermelhas para todos os lados, mas ela estava ali, sempre voltava para o seu lado. Hermione havia lhe escolhido como merecedor de seu afeto profundo.

Draco sabia que não era muito bom em expressar seu lado romântico e afetuoso mas ele a amava, ele amava o jeito obstinado e impertinente dela, a irritante teimosia e a forma adorável dos sorrisos que ela lhe dava todas as manhãs . Ele a amava.

— Não. Você não é.

— Odiar ou amar uma pessoa não são opções que podemos escolher, isso apenas acontece... — ela pôs as mãos nas bochechas dele para ele continuar a encara-la — E se você fizer uma pergunta dessas outra vez eu irei considerar como uma ofensa. Eu te amo e é isso que você precisa saber, questionar os porquês é algo rude e idiota. E esse caso está encerrado, então não seja ranzinza.

— Eu não sou ranzinza, Granger. — Ele bufou.

— É Malfoy agora. — Ela riu.

— Você sempre será Granger sabe-tudo para mim.

— Doninha. — Ela cantarolou rindo para logo em seguida inclinar-se e beija-lo.

Beijar Hermione nunca seria entediante. Ela era a pessoa que havia consertado os pedaços de sua alma, e ele havia lhe entregado seu coração. Ele era grato por ela ter enxergado algo nele, ter o feito amadurecer e ter o perdoado por ter sido um ignorante infernal em sua juventude.

— Eu tinha planejado estudar mais sobre as leis.... — Hermione murmurou seguindo os beijos para o pescoço pálido de Draco.

— Mas...? — Ele perguntou levantado as sobrancelhas.

— Acho que mudei meus planos. Isso pode lhe envolver. Eu preciso me desestressar. — suas palavras transbordava malícia.

Ela o se segurou nos ombros largos quando ele a ergueu em seus braços quando se levantou da poltrona. Hermione balançou os pés levemente antes de beija-lo rapidamente nos lábios. Seus olhos travessos e nada inocentes se ergueram para ver o rosto suavemente corado do homem que lhe segurava.

— Hermione, isso não terminará tão cedo, fique sabendo disso.

Ela riu novamente quando ele a segurou com mais força enquanto se movimentava para sair do escritório com a intenção de levá-la para o quarto deles.

— Isso será interessante. — Hermione disse mordendo os lábios com antecipação.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!