Dramione - A Sugestão
3 Capítulo 3 - O Baile
Notas iniciais
Saí da biblioteca para almoçar e encontrei os meninos, eles tinham passado a manhã jogando xadrez e comentando sobre a vergonha de ter que ir no baile (segundo os relatos deles). Harry estava preocupado com a segunda prova também, mas quando olhou para frente e viu Cho, eu e Rony ficamos esquecidos.
Eu ainda desconfiava que Harry acabaria sofrendo com aquela paixão, mas deixei só para mim. Rony também não falava nada sobre isso. Nós dois sabíamos que esse tipo de assunto não era do tipo que se deseja falar durante o almoço.
—Então, Mione, terminou o dever? — perguntou Rony
—Sim, – e dei um tapinha na minha cabeça sorrindo – eu tinha esquecido algumas coisas sobre as Maldições, li no segundo ano e já tinha esquecido.
—Hermione, eu não tenho palavras para descrever o que eu penso sobre esse seu "mimimi" agora – disse Rony.
—Rony, eu se fosse você escolheria melhor as palavras, já que você quer o tema de Mione emprestado – disse Harry que tinha voltado parcialmente para a conversa.
—Ah, então você quer minha lição? — eu disse – Sonha, Ronald, você precisa estudar, vocês dois, Harry não é porque você está no torneio que não vai abrir os livros.
—Eeei, eu não disse nada – defendeu-se Harry, que agora estava completamente prestando atenção em mim e Rony.
—Por que ser tão má? — Perguntou Rony.
—Ronald, eu já disse mais de trezentas vezes, você ainda vai me agradecer por isso.
—Duvido – falou Rony baixinho emburrado.
Terminamos de almoçar e decidimos ir para a cabana de Hagrid.
Chegando lá, Hagrid disse que estava ocupado e que voltássemos outra hora. E fechou a porta na nossa cara.
Nós ficamos confusos, Hagrid nunca havia negado uma visita nossa. Com as sobrancelhas franzidas e sem entender nada voltamos para Torre da Grifinória e ficamos conversando, sentados nos sofás, observávamos a correria que persistia. Os meninos voltaram a jogar xadrez e falar sobre quadribol, em algum ponto eu adormeci, com a cabeça sobre a mão que sustentava o queixo.
Harry me acordou cutucando-me gentilmente.
—Mione, são 8 horas, o baile começa às 10. Você não quer ir se arrumar?
Espreguicei-me.
—É uma boa ideia. Até.
—Até — ambos disseram.
Pelas costas ouvi eles murmurando sem ter certeza que iria mesmo.
O quarto que eu achava que não tinha como ficar pior do que estava de manhã, agora estava uma zona de guerra, com muito mais choro e gritos. Minha sorte foi que, aparentemente, todas haviam tomado banho, as meninas estavam arrumando os cabelos em penteados elaborados, iniciando ou terminando a maquiagem e discutindo sobre os mais variados temas.
Tomei banho tranquilamente, sequei os cabelos e coloquei um robe também. Iniciei a arrumar meus cabelos, deixei um cacho solto e o restante do cabelo prendi. Fiz uma maquiagem pouco pesada e sem pressa. Quando fui colocar o vestido o quarto já estava vazio, já devia ser tarde, vesti o vestido e os sapatos e terminei colocando as joias.
Mirei-me no espelho, o resultado foi impressionante. Agradeço minha mãe pela insistência sobre aprender maquiagem e penteados. Sem ela eu não teria chance nenhuma hoje.
Respirei profundamente e ri para minha imagem no espelho.
"Hoje vai ser diferente, hoje eu deixo os livros e as preocupações de lado e vou divertir-me".
E assim fiz, desci as escadas e notei os olhares maravilhados, os invejosos. Viktor esperava-me no fim da escada. Eu desci o último degrau e inspirei, estava com tanto medo de tropeçar que nem tinha notado a falta de ar.
A noite estava ótima, diverti-me muito, fui apresentada aos outros estudantes do Instituto Durmstrang. Vi a cara horrorizada de Harry ao descobrir que teria que dançar. Ri de histórias engraçadas que Viktor contava. A comida estava deliciosa. Tudo estava maravilhoso. Apesar de Rony e Harry – depois de perguntar para Minerva se podia retirar-se, morrendo de medo que tivesse outra apresentação — não curtirem muito o evento e terem ido para cama bem cedo para os padrões que foram estabelecidos naquele baile de cedo e tarde.
Eu estava exausta quando Viktor beijou minha bochecha e disse boa noite. Nós tínhamos sido os últimos a sair. Haviam muitas escadas e havia muita dor. Tirei os sapatos e decidi carregá-los. Quando ia pisar no primeiro degrau, uma voz falou:
—Onde você pensa que vai? — um menino saiu das sombras e parou na minha frente.
Era Malfoy. Ela estava suado também, usava apenas uma camisa branca para fora da calça e com os botões iniciais fora de suas casas, o cabelo estava bagunçado, o gel que tinha ajeitado os fios anteriormente foi-se com o passar da noite.
Mordi o lábio.
Desejei que não tivesse feito isso no momento que vi os olhos de Malfoy irem para minha boca.
—Hã, vou dormir.
—Mas não vai mesmo. Você vem comigo – ele disse e ofereceu o braço.
—Não, Malfoy, eu vou para o meu quarto.
—Com medo, Granger? — Ele disse sorrindo e eu fiquei tentada a arrancar aquele sorriso.
—Nem um pouco, onde você quer ir?
—Enrosque seu braço e vai descobrir.
—Eu sei andar, Malfoy.
—Eu insisto – disse ele erguendo o braço mais uma vez. — Se não aceitar, vamos ficar aqui a noite inteira, porque eu não vou deixar você subir.
—Que seja – eu disse e enrosquei o braço.
Ele sorria, os lábios quase encostavam nos olhos. Ele me guiou para fora do castelo, fiquei sem os sapatos. Fomos até a beira do lago, havia uma árvore na frente que refletia nas águas. Quando chegamos na frente da árvore, Mallfoy soltou meu braço. Eu estava um tanto nervosa com aquilo, se alguém aparecesse isso renderia uma punição? E o que diriam?
"O que eu estou fazendo aqui?"
Quando Draco tirou a varinha de um bolso e uma música suave e lenta começou a tocar, ele colocou as mãos em minha cintura e puxou-me para bem perto, minhas preocupações aumentaram. Coloquei os braços ao redor do pescoço dele e começamos a mover-nos com a música.
—O que nós estamos fazendo? — perguntei, eu estava muito confusa.
—Dançando — ele respondeu.
—Não. Como nós estamos dançando, nós nos odiamos, lembra? — eu disse meio desesperada.
—Eu nunca odiei você, — ele disse sério — você me odeia?
Eu não respondi. Se eu odiava ele? Não. Com certeza não. Mas ele me tirava do sério, ele fazia coisas que me enfureciam e eu me perdia nele toda vez que o via.
—Você me odeia? — ele perguntou de novo, senti alguns músculos ficarem tensos.
Olhei dentro dos olhos dele. Não me importaria de olhar eles o dia inteiro.
—Não. Eu não te odeio, mas tem dias que realmente eu quero te enforcar – disse isso e coloquei levemente as mãos ao redor do pescoço dele como se fosse asfixiá-lo.
Ele riu e eu sorri.
—Você também não é muito fácil, sua irritante sabe tudo. E você tem uma mão pesada quando quer.
Eu ri.
—O olho está melhor? Já não está roxo.
—É, sorte minha que a validade do roxo expirou antes do baile.
Soltei-me dele e sentei embaixo da árvore, estava cansada. Ele sentou do meu lado e colocou o casaco ao redor dos meus ombros quando percebeu eu tremer. A música havia parado de tocar.
—Sabe que eu adoro vir aqui? Desenhar esse lugar é sempre um desafio – ele disse.
—Você desenha? — eu perguntei surpresa.
Ele assentiu.
—Esse lugar sempre está diferente. As árvores têm menos ou mais folhas, o que reflete no lago nunca é a mesma imagem...
—Seria muito óbvio se eu dissesse que venho aqui para estudar? — eu olhei para ele sorrindo.
—Seria – ele respondeu sorrindo.
—Esse Malfoy eu não conhecia, – eu disse – por quê?
Ele perdeu um pouco do sorriso, mas ele não desapareceu completamente da sua face.
—Eu não vou mentir e dizer que não gosto de provocar as pessoas, Hermione. Eu gosto da sensação de poder que eu tenho sobre as pessoas, elas têm medo, elas me admiram de algum modo – ele riu-se – eu sou Sonserino, afinal de contas.
Um silêncio recaiu e não era tão incômodo. A vista ajudava, era muito bonita.
—Eu ainda não sei o que está acontecendo aqui – eu falei.
—O que está acontecendo é que você está linda esta noite, Granger, eu também estou, mas, o ponto é que eu vou beijar você.
—Você o quê? — eu tirei os olhos do lago e olhei para ele, e naquele momento eu sabia que ele esperava aquilo, quando eu virei o rosto, ele colocou uma mão na minha bochecha e tocou meus lábios com os dele.
Eu fechei os olhos e coloquei minha mão por cima da dele. Correspondi o beijo e fiquei feliz por aquilo.
Quando nos soltamos estávamos ambos sorrindo. Ele levantou e falou com um sorrindo maroto:
—Vamos, Granger, vamos nos odiar – e estendeu a mão para eu levantar.
Voltamos para o castelo e ele "esqueceu" o casaco comigo, ele deu um beijo de boa noite na minha testa e saiu. Segui para a Torre da Grifinória, já era quase dia, mas eu não me importava, ninguém acordaria antes do meio dia.
Entrei no quarto e fiquei repassando tudo que havia acontecido enquanto desfazia o penteado que já caia para um lado, cheio de fios soltos. Fui até o banheiro e tomei um banho para tirar toda maquiagem de uma vez e o suor.
Eu não acreditava em nada do que havia acontecido. Era surreal demais.
Quando terminei o banho e deitei na cama eu sorria. O casaco de Draco estava bem guardado dentro da fronha do meu travesseiro. Ninguém veria e eu podia sentir o cheiro dele pelo tempo que quisesse.
Dormi tendo um sonho muito bom com um certo loiro.
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