Notas iniciais
Boa leitura! ;)

...

– HERMIONE! – ouvi um grito enquanto limpava a chaminé. Vem bomba. Me levantei e tirei a poeira do vestido já gasto, subindo correndo as escadas e batendo na porta de Astória, que logo abriu. – Onde está meu vestido verde?! – ela perguntou irritada.

– Mandei Molly lavar, como você pediu. – falei, respirando fundo ao vê-la tomando fôlego para começar a falar.

– Eu não pedi esse vestido! Eu disse o azul! – ela disse e bufei. – Não bufe! Eu vou contar para a mamãe! – ela disse, saindo do quarto em seguida.

– HERMIONE! – Pansy me gritou e respirei fundo, saindo do quarto e indo até o da frente, batendo na porta. Ela logo abriu. – Você já pegou meus sapatos com o Potter? – perguntou.

– Ele virá aqui trazer. – avisei e ela revirou os olhos, batendo a porta na minha cara. – Obrigada Hermione. Não quer um dos meus quinhentos pares pra você trocar ao menos uma vez esses malditos sapatos que te dão inúmeros calos?! – murmurei, indo a caminho da escada.

– HERMIONE! – estremeci ao ouvir a voz rouca e aguda. Desci correndo e fui até o escritório, batendo três vezes exatas. – Entre. – disse e engoli em seco, abrindo a porta e entrando de cabeça baixa.

– Sim, senhora. – disse e ergui a cabeça lentamente, vendo Dolores na minha frente.

– Vá agora até a cidade e compre um novo vestido verde para Astória. Aproveite e traga pão também. – ela mandou e me jogou o dinheiro.

– Sim, madrasta. – falei de cabeça baixa, virando e indo em direção à porta.

– E... dê um jeito nesse cabelo. Está deplorável. – ela disse e assenti, saindo do escritório.

Saí da casa, caminhando a caminho da cidade. Dois passarinhos azuis me rodearam e sorri para eles, continuando meu caminho. Olhei a paisagem ao meu redor, suspirando em seguida. Vi o mar ao longe, com dois navios chegando.

– As velas reais... – murmurei, parando no lugar. – Draco voltou?! – me perguntei. Poderia haver uma única chance dele se lembrar... – Não seja tola, Hermione. Já se fazem dez anos. – revirei os olhos, continuando meu caminho.

Logo cheguei ao vilarejo. Logo atrás dele, o castelo. Com suas torres enormes, e toda sua imponência pomposa. Fui até a loja das meninas e assim que entrei, os olhares foram direcionados a mim. Fui até Luna, que parecia entediada.

– Olá! – falei e ela sorriu largamente.

– Mione! Como você está?! – perguntou, me abraçando. – Deixe–me adivinhar, Astória e seus vestidos. – assenti.

– Aquele mesmo modelo, verde. – pedi e ela me guiou até os modelos.

– Nova coleção. O pior é que Severo é bom desenhista, mesmo sendo todo nojento com todas as coisas. – ela tirou um vestido maravilhoso no tom verde–água do cabide. – Vista. Vocês usam o mesmo número. – ela disse e suspirei.

Entrei no provador e vesti o vestido, olhando no espelho. Perfeito. Saí do mesmo, mostrando para Luna.

– Acho que vou levar esse mesmo. – falei e ela sorriu, assentindo.

– Ficou maravilhoso. – ela disse e assenti.

– Pena que não é pra mim. – ri levemente, entrando novamente e tirando o vestido, vestindo o meu. Saí do provador e fui até o caixa com Luna, vendo a senhora Parkinson, a dona da loja. A entreguei o vestido e ela me examinou de cima a baixo.

– Você tem dinheiro para pagar isso? – ela perguntou arrogante. Coloquei a sacola de dinheiro em cima da bancada, erguendo a sobrancelha petulante. Ela então sorriu. – São noventa e cinco galeões. – disse e coloquei o dinheiro sobre a mesa. Ela então me entregou o vestido. – Volte sempre! – acenou e revirei os olhos, indo até a porta com Luna.

– Daqui uns dias volto aí. Aparece lá no rio num sábado. Gina vai gostar de vê-la. – falei e ela sorriu.

– Talvez nesse eu vá. – ela disse e saí da loja, seguindo para a padaria. Entrei e vi a cabeleira ruiva de Rony andando de um lado para o outro.

– Olá Ron! – falei sorrindo e seu sorriso se abriu a me ver.

– Hermione! – ele me abraçou. – Como está? – perguntou, voltando para a cozinha.

– Bem. E você? – perguntei, encostando no batente.

– O de sempre. Muito trabalho. Collin faltou de novo. – ele disse meio irritado. – E Neville está esquecendo tudo, como sempre. E sempre que vem faz besteira. – ele reclamou e ri.

– Se não fizesse não seria o Neville. – eu disse e ele riu.

– Claro, claro. – disse alegre.

– Então, você sabe se o príncipe e o rei chegam hoje? – perguntei e ele parou de repente, me olhando.

– Hermione, não vá falar com eles de novo. Lucio já te colocou para fora uma vez por suas roupas, não cause essa vergonha a si mesma novamente. – ele pediu, vindo até mim.

– Eu não farei nada, Ron. Não se preocupe. O pior é que Draco nem soube que eu estive lá. Com certeza ele mudaria alguma coisa. – falei e ele suspirou.

– Você não o vê há muito tempo. Não sabe como ele está, se está como a mãe ou como o pai. Não faça nenhuma besteira. – ele pediu e suspirei.

– Já disse que não farei nada. – falei, já irritada. Ele ergueu a sobrancelha e respirei fundo. – Desculpe. – pedi e ele assentiu, voltando a fazer as coisas.

– Acho que eles voltaram sim. Draco chegou à idade adulta. Com certeza se casará em breve. – ele disse e cerrei os lábios. Ele então me entregou a sacola com os pães.

– Hm... – murmurei e ele suspirou.

– Hermione, você acha, ao menos um pouco que seja, que Draco se lembra de você? Se lembra de quando era criança, como você se lembra? – perguntou. – Seja sincera. – pediu.

– Eu não sei, Ron. Acho que... Se eu me lembro, porque ele não lembraria? – perguntei e suspirei em seguida.

...

No castelo

– Ah vamos, papai! Apenas uma vez! – pedi pela enésima vez. – Faz anos! Eu preciso vê–la só mais uma vez! – pedi e ele bufou.

– Não, não e não, Draco! Esqueça! – ele disse e respirei fundo. Então ele virou para mim. – E não pense em fugir do castelo para vê–la. – ele disse e sorri, saindo correndo. – DRACO! – ele me gritou, mas já estava longe.

Corri para o estábulo e subi no cavalo negro, saindo em disparada para fora. Assim que me viram, os portões foram abertos e eu saí no campo. Fui cavalgando em direção à tão memorável casa. Eu ia muito rápido. Tão rápido que não consegui parar a tempo quando vi uma mulher na minha frente, quase passando por cima dela.

– HEY! – ela reclamou. – Não olha por onde anda não?! – disse e desci do cavalo.

– Você está bem? – perguntei e ela limpou a roupa.

– Estou ótima! Só um cavalo idiota veio pra cima de mim! – ela disse e sorri de canto. – Não sorria, seu prepotente! – falou irritadinha.

– Desculpe se a madame se machucou, mas ninguém mandou entrar na frente do meu cavalo. – falei e ela bufou, dando as costas e saindo andando. – Hey! Espera! – chamei, segurando seu braço.

– Me solta, seu metidinho prepotente! – ela mandou, tentando tirar minha mão do braço dela.

– Diga-me seu nome e a soltarei! – disse e ela respirou fundo. Parece até aquela baixinha marrenta...

– Se não me soltar eu vou gritar! – ela disse e gargalhei. Nisso, ela conseguiu se soltar e saiu correndo.

– HEY! VOLTA AQUI! – gritei, mas ela já estava longe. Subi novamente no cavalo, saindo em disparada para onde ficava a casa.

Quando cheguei, desci do cavalo e bati na porta. Ouvi uma gritaria do lado de dentro e logo uma senhora bem arrumada abriu a porta. Assim que me viu, seus olhos se arregalaram e ela se curvou.

– Majestade! Que surpresa agradável! – ela disse e assenti. – Entre! Entre! A que devo a honra de sua visita? – perguntou e entramos na casa.

– Eu gostaria de saber se Hermione está aí? – perguntei e ela fez uma careta.

– Ah, Hermione... Ela saiu. Foi comprar um vestido novo. Mais um para sua coleção! Não sei onde essas coisas irão parar um dia! – ela disse parecendo chateada. – Agora é tudo para ela, nem se importa conosco, a própria família...

– Estranho. Ela não era assim antigamente. – falei para mim mesmo.

– Antigamente? – ela perguntou confusa. Balancei a cabeça.

– Esquece. Bem, eu volto depois então. Diga a ela que eu estive aqui. – pedi, me levantando.

– Pode deixar. – ela disse com um sorriso forçado e me levou até a porta. Fui até o cavalo, montando e indo para o rio.

...

Assim que cheguei em casa, fui abordada por Dolores, que tinha a cara fechada e os braços cruzados.

– Pode começar a falar, mocinha. – ela mandou e fiquei bem confusa. – Desde quando você e o príncipe se conhecem? – perguntou e arregalei os olhos.

– N–nós não...

– Ele esteve aí hoje! Você não sabe a vergonha que eu passei! – falou e fiquei cada vez mais confusa.

– Draco esteve aí?! – perguntei pasma.

– AHÁ! – ela disse e respirei fundo. Droga, Hermione!

– Desculpe, madame, mas acho que a senhora o confundiu com outra pessoa. Eu não conheço o príncipe e nem nunca vou conhecer. Agora se me der licença, terminarei minhas tarefas e irei para o lago. – fiz uma pequena reverência e saí daquela sala, subindo as escadas e indo para o quarto de Astória. Bati três vezes.

– Entre! – ela disse e abri a porta lentamente, entrando no quarto.

– Com licença, Astória. Trouxe um novo vestido único de Severo. – falei e os olhos dela brilharam. A entreguei. – Com licença. – e saí do quarto.

Voltei para baixo e terminei de limpar a lareira, indo ao banheiro e me lavando. Vesti outro vestido e saí de casa, indo em direção ao rio. Ao chegar lá, vi o homem que me atropelou com o cavalo. Avistei Gina quase ao lado dele e corri até lá.

– Gina! – a chamei e ela me olhou, correndo até mim que nem uma desesperada.

– Meu Deus, Hermione! O príncipe! Ele está ali! – ela disse e arregalei os olhos, olhando em volta.

– Onde?! – perguntei e ela riu, virando minha cabeça para o loiro que me atropelou. – Aquele?! – perguntei pasma. – Aquele ali é Draco Malfoy?! – perguntei e ela assentiu.

– Vai falar com ele! Ver se ele se lembra de você! – ela mandou e neguei.

– Dolores está possessa. Ele esteve lá em casa hoje, não posso voltar a falar com ele. Isso só vai me complicar. – falei e ela bufou.

– DRACO! – ela o gritou e ele olhou exatamente na nossa direção. Sorriu de canto e Gina me empurrou. – Vai lá! – mandou entredentes, mas nem precisou insistir muito, ele se levantou e veio caminhando vistoso até nós. Então parou à minha frente.

– Senhoritas. – cumprimentou e olhei Gina com raiva. Ela apenas riu.

– Príncipe Malfoy. – ela cumprimentou.

– HERMIOOONE! – ouvi um grito de Astória e ele ergueu a sobrancelha.

– Hermione? – perguntou confuso e olhei para Gina pedindo socorro, mas ela apenas ria. – Hermione Granger?! – perguntou e comecei a gaguejar.

– Eu... Eu... Eu...

– HERMIONE! VENHA JÁ PARA CASA! – outro grito e olhei para trás, em seguida para Draco.

– Eu... Preciso ir. – e saí correndo para casa. Parei em meio às árvores e olhei ele, que falava com Gina. Respirei fundo. Eu não posso falar com ele. De jeito nenhum.

...

– MAMÃÃÃÃÃÃÃÃE! – acordei com um grito e caí da cama. Me levantei esfregando a testa e desci as escadas, chegando na sala e vendo Astória lendo uma carta. Espera... O selo real?! – Como comemoração da chegada do príncipe à idade adulta, o rei Lucius fará um baile para o príncipe escolher uma dama para ser sua noiva amanhã à noite. Todas as damas da cidade estarão convidadas. – ela leu e bocejei.

– Não podia ler isso mais tarde não? – perguntei coçando os olhos.

– Isso é magnífico! – Dolores disse e revirei os olhos, subindo novamente e indo ao banheiro.

Me lavei e me vesti, descendo as escadas e indo para a cozinha. Vi Molly conversando com os gêmeos e sorri.

– Bom dia, pessoal. – falei e eles sorriram ao me ver.

– Bom dia, Hermione! – eles me abraçaram um de cada vez. – Como está? – Fred perguntou enquanto eu abraçava Molly.

– Com sono, mas bem. – falei e eles riram. – Ouviram a carta? – perguntei.

– Na verdade acordamos do mesmo jeito lá em casa hoje. Só que era Gina quem gritava. – Jorge disse e rimos. – Nós viemos aqui avisar que Gina te espera no lago hoje. – ele disse.

– Ok. Diga a ela que daqui a pouco estarei lá. – falei e eles concordaram.

– Tchau mamãe. Tchau Hermione. – e saíram. Peguei uma maçã e saí da cozinha, sendo abordada quando ia sair de casa.

– Nada disso! Você irá conosco hoje na cidade escolher um vestido para suas irmãs. – Dolores disse e ergui a sobrancelha.

– E eu não vou? – perguntei cruzando os braços.

– Hermione, Hermione, Hermione... – ela passou o braço pelo meu ombro, me puxando para perto dela e me guiando até o escritório. – Esse baile é apenas para damas... bonitas, que teriam alguma chance com o príncipe. Você acha que o príncipe teria olhos para você? Com esse cabelo – ela pegou no meu cabelo, o puxando. –, essas roupas – ergueu um pouco a saia do meu vestido. – e essa postura. – acertou minhas costas e me empurrou. – É claro que não. Então para que você iria? Para me fazer passar vergonha? – perguntou e respirei fundo, pensando bem.

– Não. É melhor mesmo eu não ir. – falei e ela sorriu.

...

– O QUE?! E você simplesmente aceitou?! – Gina perguntou pasma e assenti, dando de ombros.

– Eu não queria mesmo ir, Gina. Acho esses bailes completamente desnecessários. E pouco me importa se Draco vai ou não escolher uma das minhas irmãs para casar enquanto eu estarei em casa. – falei com certo rancor.

– Você não entende! Ele está fazendo isso para te encontrar! Ele quer se casar com você! – ela disse e revirei os olhos.

– Ele nem se lembra de mim, Gina! – falei, me sentando num tronco caído. – E Dolores me mataria se soubesse! – completei.

– Lembra sim porque eu falei com ele! – ela disse e revirei os olhos. – Vamos, Hermione! Eu te empresto um vestido! E vai ser um baile de máscaras! Dolores não irá te reconhecer! – ela insistiu.

– Esquece, Weasley! – mandei e ela respirou fundo, se sentando ao meu lado. Ficamos um tempo em silêncio, até que...

– Você poderia beijar ele de novo... – ela disse e soquei seu ombro. – Desculpe, desculpe. – murmurou e riu. Acabei por rir junto.

...

– UM BAILE?! – gritei estupefato. – E eu me lembro muito bem de dizer que não me casaria sem ser com a pessoa certa! – completei, atacando papai. Ele se defendeu com a espada, me atacando, mas consegui o desarmar. A espada voou e parou espetada na madeira.

– Deixe–me adivinhar, a sangue–ruim Granger. – ele disse, pegando o jarro de água e colocando em dois copos.

– Já disse pra não chamá–la assim. – disse entredentes, bebendo a água. – E se for ela? Qual o problema? – perguntei e ele revirou os olhos.

– Draco, por Deus! Esqueça essa menina de uma vez por todas! Ela deve ser apenas mais uma aproveitadora! – ele disse e sentei na cadeira.

– Hermione não era assim. Ela era sincera. Diferente daquela Astória que você tanto gosta. – falei e ele revirou os olhos novamente.

– Astória é a mulher certa para você. Afinal, foi criada por Dolores desde pequena para se comportar como uma verdadeira rainha. – ele disse e bufei.

– Ok, papai. Ok. Façamos o seguinte então. Se eu ver Astória na minha frente e sentir, o mínimo que seja, o que eu sinto por Hermione, eu me caso com ela. Mas se não, eu caso com Hermione. – falei e ele sorriu.

– Veremos, filho, se sua tão amada Hermione virá nesse baile. – ele disse e pegou outra espada, me atacando. Mas defendi rapidamente.

– Cuidado com suas palavras, coroa. – pisquei e voltamos a lutar.

...

– Hermione! – Dolores me gritou da sala e bufei, me levantando e indo para a sala. Vi as três prontas, todas deslumbrantes em seus novos vestidos. – Eu mudei de ideia. Você poderá ir ao baile. – ela disse e arregalei os olhos, assim como Astória.

– O que?! Você só pode estar louca, mamãe! – ela disse com sua voz aguda e rouca. Fiz careta.

– Calada, Astória! – Dolores mandou. – Isso, depois de cumprir todas as tarefas dessa lista. – ela me entregou a folha e olhei, abrindo em seguida. A lista caiu até meus pés. As meninas riram. – Quando acabar, poderá ir ao seu tão querido baile. – ela sorriu e saiu. Astória foi em seguida e Pansy me olhou.

– Você consegue, Hermione. Já fez coisas piores em menos tempo. – ela disse sorrindo e sorri de volta. Pansy não era lá tão má quanto as outras duas.

– Bom baile para você, Pan. – acenei.

– PANSY! – Dolores gritou lá de fora e ela sorriu, saindo em seguida.

...

Me olhei no espelho, ajeitando os cabelos mais uma vez. Dumbledore estava ao meu lado, rindo do meu nervosismo.

– Garoto, você já está ótimo! Não precisa se aprontar mais para Hermione. Se ela gosta de você como diz que ela gosta, ela vai te achar perfeito, não acha? – ele disse e o olhei.

– Ah Alvo, eu estou nervoso. Depois de tanto tempo sem nos vermos, como será que ela irá reagir se eu pedir sua mão? – perguntei e ele sorriu.

– Ela irá ficar encantada, lisongeada, e irá aceitar. – ele disse e sorri. – Eu nunca vi esses olhos brilhando tanto, sabia?! – ele disse e ri.

– Ela faz isso comigo, tio. Desde pequenos. Eu a amo de verdade. – desabafei e ele sorriu.

– Então vai fundo com essa festa e não fique nervoso na hora de pedi–la! – ele disse e sorri, assentindo.

...

Enfim, terminei de separar os vários vestidos de Astória. Agora falta só os sapatos, as maquiagens e passarei para as coisas de Dolores. Respirei fundo, completamente cansada. Já fiz tantas coisas que acredito que Draco agora já está pedindo a mão de Astória. Escutei um barulho lá em baixo e estranhei. Só eu estava em casa. Saí do quarto e desci as escadas lentamente, saindo na sala e vendo vários brilhos diferentes entrando pela lareira. Esses brilhos foram se juntando aos poucos e vi duas pernas se formando, logo o vestido branco, os braços, o pescoço e então o rosto. Então ela desceu para o chão.

– Nossa, você mora muito longe! – ela reclamou e então pigarreou, sorrindo em seguida. – Olá Hermione! – acenou.

– Você é?... – ela pareceu se lembrar.

– Sou Bellatrix, sua fada madrinha. – ela disse fazendo uma pequena reverência. – E estou aqui para levá–la para o baile. – disse e ergui a sobrancelha.

– Como? Com que roupas? Sapatos? Transporte? – perguntei e ela revirou os olhos.

– Você pergunta demais! Só deixe a magia acontecer... Bibidi-bobodi-bu. – ela disse.

E, num movimento de varinha, um brilho começou a surgir dos meus pés, passando para meu vestido e subindo lentamente. Logo senti ele ficando mais pesado e meu tronco sendo mais apertado. Então o brilho subiu para meu cabelo, sumindo em seguida. Olhei para meu corpo e um lindo vestido branco se encontrava em mim. Fui correndo para o espelho e ao me ver, arregalei os olhos. Eu estava incrível. Olhei meu pé e um sapatinho de cristal se encontrava nele.

– E o transporte? – perguntei e ela foi indo para fora. A segui e ela pronunciou as mesmas palavras, só que desta vez apontando para uma abóbora. Essa foi crescendo e crescendo e ganhando um tom prateado. Logo rodas surgiram e uma carruagem magnífica parou à minha frente. – Uau! – disse pasma. Dois coelhos passavam por ali foram crescendo e crescendo até que ganharam a forma de dois cavalos. Então um ratinho que passava acabou virando o cocheiro. Subi na carruagem e olhei pela janela.

– Mas lembre–se, o feitiço acaba exatamente à meia–noite. Esteja em casa até lá. – ela avisou.

– E minhas tarefas? – perguntei.

– Pode deixar que eu dou um jeito. – ela piscou. – Ah, sua máscara. – ela me entregou a máscara cheia de detalhes e coloquei. – Boa sorte! – e a carruagem saiu andando.

...

Estava conversando com Astória e já estava cansado. Ela só falava de si mesma e de como sua irmã era nada comparado à ela. E eu só me perguntava onde estava Hermione. De cinco em cinco minutos eu olhava Dumbledore, que ria de mim como se eu fosse a piada da noite. Perguntei à Astória onde Hermione estava, e ela disse que viajando. Fiquei realmente frustrado, mas de nada posso fazer. Apenas aturar mais esse baile.

Então do nada todo o baile parou. Olhei para o mesmo lugar que os outros olhavam e fiquei deslumbrado. Os cabelos eram castanhos. Caídos em cachos por seus ombros. O vestido branco, com vários detalhes. Deixei Astória falando sozinha e fui caminhando lentamente até ela, como se algo me puxasse. Sua roupa era tão simples, mas tão linda... Ela era linda... Parei ao pé da escada, a vendo descer lentamente. Quando chegou no fim da escada, a estendi a mão. Ela pegou hesitante, olhando todos à sua volta. Então terminou de descer e a guiei até o meio da pista. Uma valsa começou e começamos a dançar.

...

Estou dançando com Draco. Na frente de todos. AI MEUS FEELINGS! O pai dele tá nos olhando. Assim como todos. Dolores... Ai senhor. Me ajuda!

– Porque está tão nervosa, senhorita? – ele perguntou baixo. Me arrepiei toda.

– Não era para eu estar aqui. – falei baixo. Então a música acabou e o olhei. – Podemos sair daqui? – perguntei e ele concordou, me estendendo a mão. Segurei e saímos do salão, indo para o jardim. Olhei em volta com um sorriso. Eu adorava brincar aqui quando criança. Fomos andando até o deque. Que estava todo enfeitado.

– Por qual motivo não era para estar aqui? – ele perguntou e paramos em frente um ao outro. Peguei uma violeta atrás dele, olhando a mesma e suspirando.

– Para começar, minha família me odeia. Eu sou a empregada deles, mesmo com tantos outros. Ela acredita que eu não tenha educação e beleza o suficiente para estar aqui. – fui sincera, abaixando e deixando a flor na água. Me levantei e o olhei. Ele estava bem perto.

– Não acho que ela tenha dito a verdade. Você é a moça mais bela da noite. – ele disse e sorri tímida, sentindo minhas bochechas esquentarem.

– Você é um enganador. – falei e ele riu. – Obrigado, senhor. – disse e ele sorriu, levando a mão ao meu rosto.

Seu polegar passou em minha bochecha e olhei em seus olhos. Muito perto. Ele ergueu meu rosto e seu braço rodeou minha cintura, me aproximando dele lentamente. Então ouvi a primeira badalada e me afastei rapidamente, olhando para a torre do relógio. Meia–noite em ponto.

– O que foi? – ele perguntou preocupado.

– Eu preciso ir. Me desculpe, Draco. – falei e saí correndo.

– HEY! Espere! Me diga ao menos o seu nome! – ele veio atrás de mim, mas eu já estava bem na frente.

Sem querer, tropecei e meu sapato saiu do meu pé. Voltei para pegar, mas ele poderia me alcançar. Então deixei lá mesmo e continuei correndo. Entrei na carruagem e ela foi rapidamente a caminho de casa. Assim que cheguei, a carruagem desapareceu e voltou a ser uma abóbora. O brilho voltou ao vestido e logo o mesmo virou o mesmo que eu usava antes. Entrei em casa e vi o local inteiro brilhando. Me joguei no sofá e respirei fundo, fechando os olhos e lembrando dos de Draco. Então a porta foi aberta quase no mesmo momento e Astória entrou reclamando, Pansy atrás dela com cara de cansada e Dolores irritada.

– Ela nem era tão bonita! – Astória continou reclamando, subindo as escadas.

– O que aconteceu? – perguntei com um sorriso de canto, vendo Dolores examinando tudo.

– Pelo visto fez tudo o que mandei. Ótimo. – ela disse e subiu as escadas, atrás de Astória.

– Uma moça magnífica entrou na festa e atraiu a atenção direta do príncipe. Ele deixou Astória falando sozinha e foi falar com a menina. – Pansy disse e sentou no sofá, suspirando. – Dava pra sentir de longe o amor daqueles dois. – outro suspiro. Então ela sentou, me olhando. – Eu conheci um rapaz hoje. Ele era lindo. Era ruivo, tinha sardas e olhos azuis lindos... – ergui a sobrancelha. Ruivo? Olhos azuis? Aqui na cidade?!

– Eu o conheço. Se quiser, os apresento. – falei e os olhos dela brilharam.

– Faria isso por mim? – perguntou e concordei. Ela então me abraçou. – Obrigado! Muito, muito obrigado! – disse e sorri.

– Que isso, Pansy. Tudo bem. – me levantei. – Eu vou tomar um banho e irei para a cama. Boa noite. – falei.

– Boa noite, Hermione. – ela sorriu apaixonada e subi as escadas.

...

– Ela estava numa roupa linda! Os cabelos eram castanhos e cacheados como os seus, e ela e o príncipe se apaixonaram quase que automaticamente! Foi tão lindo... – Gina continuava falando, e mesmo sendo de mim, estava cansada.

– Eu sei, Gina, eu sei. Eu estava lá. – murmurei e ela arregalou os olhos. Então respirei fundo, me sentando direito e a olhando. – Eu era a garota, Ginny. – falei e ela gritou, se levantando e começando a pular.

– AI MEU DEUS! ERA VOCÊ! ERA VOCÊ! – ela começou a gritar e me levantei, tampando sua boca.

– Shiu! Não quero ser morta por todas as mulheres do reino. – falei e ela respirou fundo, me olhando.

– Ele está louco atrás de você! O sapato que você deixou cair, ele está vestindo em todas as mulheres, em cada casa, pra encontrar você! – ela disse e fiquei pasma. – Ele já esteve lá em casa, mas eu disse a ele verdadeiramente que não era eu. Na verdade, eu fiquei a noite toda com o Harry... Ele é tão... Perfeito! – ri dela. – Mas você ainda tem chance! A minha casa não é muito longe da sua, ele já deve estar chegando lá! – ela disse e suspirei.

– Não posso, Gina. Se descobrirem... Estarei frita! – falei e ela bufou, batendo na minha cara. – Hey! – repreendi.

– Hermione, já chega! Você é apaixonada por ele por não sei quanto tempo, e ele também é por você! Esqueça as meninas, esqueça Dolores, foque no Draco. Vocês se amam! Agora vá pra casa e agarre seu homem, mulher! – ela disse e ri, correndo junto com ela para casa.

Cheguei em casa e ainda não tinha ninguém lá. Apenas as pessoas costumeiras. Gina foi falar com Molly e eu subi as escadas, indo para meu quarto e me olhando no espelho. Como?...

– HERMIONE! – Dolores me gritou e saí do quarto, indo em direção ao grito. Sótão. Subi as escadas e a vi com cara de nojo, olhando para dentro. – Pegue aquela caixa lá dentro. E depois limpe isso! Está cheio de teias de aranha. – ela disse e assenti, entrando no quarto. Então ela bateu a porta e olhei, a vendo com um sorriso maldoso pela janelinha da porta. – Você nos traiu, Hermione. – ela disse, mostrando o sapatinho. Então o jogou para dentro, o fazendo quebrar em vários pedacinhos. – Ele nunca vai saber que era você. E se casará com Astória. – ela deu uma risada maléfica e sumiu. Corri para a porta, tentando abrir, mas estava trancada. Bati com as costas na porta, escorregando até o chão e abraçando minhas pernas. Droga!

...

Procurei Hermione por todo o canto, mas não a encontrei. Vi Dolores com um sorriso estranho, colocando uma chave dentro da gaveta. Então sorriu para Astória, que sorriu de volta, assentindo. Tem algo errado. Pensei bastante, até que cheguei à conclusão. Ela sabe quem é a moça e prendeu Hermione! Corri para fora da casa, vendo a carruagem do príncipe ao longe. Preciso soltá–la. Vi os gêmeos ao longe e corri até eles.

– Fred! Jorge! Preciso de ajuda! – falei e contei o plano à eles, que toparam no mesmo momento.

Voltamos para a casa e vi o governador conversando com Dolores. Subi a escada com Jorge, enquanto Fred ia pegar a chave. Subimos até o sótão e bati na porta. Logo vi o rosto de Hermione.

– Gina! Dolores sabe! E me prendeu aqui. – ela disse e assenti.

– Nós sabemos. E vamos te ajudar. – falei e ela sorriu. Então Fred chegou, segurando uma bola de pelos douradas numa mão e a chave na outra.

– Bichento! – Hermione repreendeu e o gato miou.

– Esse Fedorento aqui me arranhou todo! – Fred reclamou e me entregou a chave. Abri a porta e Hermione saiu, me abraçando em seguida e abraçando os outros dois.

– Muito obrigado! – falou e descemos as escadas correndo. Então parei Hermione ao ouvir as últimas palavras pronunciadas.

– Não, não há mais nenhuma moça na casa. – ouvi a voz de Dolores.

...

– Não, não há mais nenhuma moça na casa. – ouvi a voz de Dolores. – Minha enteada está de viagem, e só volta na próxima semana. – ela completou.

– É mentira! – Gina saiu na minha frente e todos a olharam. Saí logo atrás dela e o olhar de Draco caiu sobre mim, assim como um sorriso surgiu em seu rosto.

– Então há sim outra dama na casa. – o governador disse, vindo até mim e me sentando na cadeira. Todos se juntaram à minha volta e ele se ajoelhou aos meus pés, tirando meu sapato e vestindo meu sapatinho. Então o brilho se acendeu novamente, e eu me levantei, olhando Draco. – Serviu! – o governador comemorou e fui até Draco, com um sorriso de canto.

– Você é uma enganadora. – ele piscou para mim e sorri, o abraçando. – Estava com saudades, Hermione. – ele me girou no lugar e o olhei. – Eu amo você. – disse baixo e minhas bochechas esquentaram.

– Eu também. – falei e ouvi um grito animado e um de raiva quando nossos lábios se juntaram e ele me ergueu no ar.

...

A música começou a tocar assim que entrei com Gina em minha cola. Draco me esperava no altar e Dumbledore ao seu lado sorria como sempre. Então vários pontinhos brilhantes apareceram e parei no mesmo lugar, rindo. Todos ficaram confusos, mas a confusão virou espando quando Bellatrix apareceu.

– Ah meu Merlin, qual o problema de vocês de morarem tão longe assim da floresta?! – ela reclamou e rimos. – Oh Hermione, está tão linda! – ela se aproximou de mim. – Só falta um pouco mais de... – então ela balançou a varinha e da mesma forma que antes, o sapatinho de cristal surgiu em meus pés, e o vestido foi mudando aos poucos e detalhes do antigo foram surgindo. O véu foi surgindo de minha tiara e descendo pelos meus ombros. – Bem melhor! – ela piscou e voou para perto de Lucius, que tinha a expressão nula.

Continuei meu caminho com um sorriso maior ainda. Os olhos de Draco brilharam. Então, quando pegamos na mão um do outro, um brilho nos rodeou, me levando rapidamente para perto dele. Olhamos para Miverva, que apontava para Lucius, que parecia estar ficando irritado. Caímos na gargalhada, nos voltando para Dumbledore. Depois de nos dar a benção, trocamos as alianças e na hora do beijo...

– Parem o casamento! – Astória entrou gritando. – Hermione, sua traidora, vai mesmo fazer isso com sua irmã?! Com a mãe que te criou? – ela perguntou e quando eu fui dizer alguma coisa, Lucius Malfoy se levantou.

– Guardas! Leve–a daqui, junto com sua mãe e a irmã! – ele disse e arregalei os olhos.

– Espere! – ergui a mão e Draco me olhou confuso. – Pansy, venha até aqui. – chamei e ela veio lentamente, parando de cabeça baixada. – Você será minha dama de companhia. – pisquei para ela e olhei Lucius, assentindo.

– Podem levar. – ele disse e as duas começaram a gritar escandalosas. Pansy estava estupefata.

– Hermione, tem certeza? – ela perguntou e assenti. Ela então fez uma pequena reverência. – Me sinto lisongeada. – sorri e olhei para Rony. Ela seguiu meu olhar e assim que se viram, ele veio até ela, a estendendo a mão. Eles foram para os bancos juntos e olhei Draco.

– Eu sabia que você não tinha mudado. – ele disse e sorri. – Onde estávamos? – e juntou nossos lábios lentamente, num beijo completamente mágico.

...

Três meses depois...

Hermione se mudou para o castelo, e Rony para a casa de Pansy. Os dois acabaram noivos e de casamento marcado. Astória e Dolores foram presas por invasão ao castelo. Gina se declarou para Harry e os dois estão juntos. Lucius finalmente aceitou Hermione e agora podem ser chamados de... colegas? Hermione e Draco estão cada vez mais felizes. E assim viveram, felizes para sempre...

Notas finais
Espero que tenham gostado!!
Kisses! :*
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!