Drama Total: Floresta dos Mistérios

Capítulo 15 — uma final eXtra mística!

A lua brilhava intensamente sobre a vasta e esquecida reserva florestal, um lugar tão isolado que nem parecia estar no mapa. Porque, na verdade, não estava.

A câmera dá um zoom numa estrada deserta e sinuosa, descendo a colina, onde um ônibus surrado, com pneus que cantavam a cada curva, avançava de forma errática. Um grupo de nove campistas saía da mansão no topo da colina e entrava no ônibus.

Diante de um portão enferrujado, uma placa desgastada ainda balançava precariamente, exibindo os dizeres:

“Parque Florestal Tipikanizaw — Entrada Proibida (Sério!)”

Sob ela, Chris McLean surge com um sorriso mais afiado do que nunca. Ao fundo, um estagiário varre folhas com cara de poucos amigos... até ser interrompido por um olho voador travesso que rouba seus utensílios e desaparece.

ESTAGIÁRIO: Ugh... eu não recebo o suficiente pra lidar com isso!

A câmera foca em Chris McLean, radiante.

CHRIS: Bem-vindos, meus queridos telespectadores, à grande final de Drama Total: Floresta dos Mistérios! Mas antes, que tal recapitular a semi-final? Tivemos um desafio alienígena radical, porque, claro, monstros e fantasmas já estavam ficando batidos. E nossos finalistas tentaram, e falharam espetacularmente, em manter a calma. Willow continuou sendo uma lenhadora durona e foi quem enviou a mensagem de paz para o além, garantindo imunidade! Ah, e o Cyrus! Depois de tanto infernizar a Willow, acabaram virando aliados de verdade. Mas uma pena pra ele: Molly e Nacho estavam mais inseparáveis que nunca! O rei das anotações inúteis finalmente caiu! E da forma mais humilhante possível. Voto empatado! Sorteio de pedras! E adivinha quem puxou a pedra da morte? Pois é, nosso querido mini-Einstein nem pôde ser eliminado por mérito. Perdeu na sorte! Trágico? Sim. Hilário? Com certeza! — Falou entre risos. — Agora, com três competidores e um milhão de dólares na linha... é cada um por si!

Ele se aproxima da câmera.

CHRIS: E você? Vai torcer pra quem? É... time Molly?

Imagens da trajetória de Molly tomam a tela.

CHRIS: Molly entrou como uma bolinha saltitante de arco-íris e teorias da conspiração, pronta pra fazer amizade até com o musgo da floresta. Apesar dos surtos de fofura e dos ataques de pânico ocasionais, ela foi deslizando pelo jogo, conquistando aliados mais preparados que ela mesma e, surpreendentemente, sem ser devorada por nenhuma criatura mágica no processo. Agora, a um passo do milhão... será que sua energia positiva vai ser o bastante pra vencer?

Cenas da trajetória de Willow passam na tela.

CHRIS: Willow chegou de cara fechada, pronta pra derrubar árvores e egos. Com humor seco e uma habilidade sobrenatural de liderar sem parecer que se importa, atravessou desafio após desafio sem perder a compostura... ou quase. Conquistou mais corações do que queria e rejeitou qualquer romance pra focar no jogo. Ela tem o maior número de vitórias. Mas será que consegue passar pelo último desafio? Ou vai ser cortada bem na linha de chegada?

Cenas de Nacho aparecem na tela.

CHRIS: E aí temos o Nacho! O bom moço, o amigão, o raio de sol que provavelmente pediu desculpa pra cada inseto que pisou. Mesmo mais perdido que cego em tiroteio em metade dos desafios, chegou até aqui com gentileza, teimosia... e mais sorte do que qualquer um merecia. Será que o universo vai continuar sorrindo pra ele? Ou vai mandar um raio na hora H?

A imagem volta para Chris, com seu sorriso característico.

CHRIS: Eu não sei. Mas sei que vai ser divertido de assistir! Três campistas restam... mas só um campeão!

Ele se aproxima da câmera com um sorriso ainda maior.

CHRIS: Quem leva a competição hoje?

*Abertura*

A lua gibosa minguante iluminava a velha cabine de guarda florestal que agora servia de lar para o Top 3. Já passava da meia-noite, mas o sono era a última coisa na mente deles.

Sentados no chão de madeira gasta, formavam um triângulo improvisado, rindo e trocando histórias numa festa do pijama espontânea.

WILLOW: E esse foi o terceiro pretendente que meu pai fez borrar as calças só esse ano! — Ela contou, jogando o corpo pra trás de tanto rir.

MOLLY: Nossa, seu pai é bem… durão! — Arregalou os olhos, impressionada.

WILLOW: Você nem sabe! — Riu, depois fez uma careta e bateu na testa. — Meu Deus, o cara saiu correndo de medo e eu esqueci de terminar com ele… deve ser por isso que ainda me manda mensagem toda semana.

Molly soltou uma risada, mas parou ao notar que ela estava falando sério.

WILLOW: Tudo bem, já fiz isso antes. Hm… com o Jason P., com o Ahmed e com a Nina M. Essa última não curtiu nada meu ghosting. — Deu de ombros.

Nacho, que só ouvia até então, aproveitou para entrar na conversa.

NACHO: Então você sai com meninos e meninas, Willow?

WILLOW: É, algo do tipo. — Coçou o pescoço, um pouco desconfortável. — Meu pai pega mais no pé dos garotos, claro.

NACHO: Hah! Acho que isso não aconteceria comigo. — Ele deu uma risada alta. — Minha abuelita só quer que eu arranje uma esposa e saia logo de casa.

Riu, mas logo o olhar suavizou.

NACHO: Se bem que... eu já tenho minha escolhida.

MOLLY: Oh? Você namora? E nunca me contou, seu garanhão! — Ela empurrou o ombro dele, brincando.

NACHO: Não exatamente! — Riu, corando. — Mas tem uma garota na minha cidade… Melanie. Quero muito conhecer ela melhor quando voltar pra casa.

O jeito apaixonado dele fez Molly sorrir ainda mais.

MOLLY: Que fofo! Não sei quem é essa Melanie, mas aposto que ela vai se dar super bem! Você é o cara mais adorável do mundo. Quem perderia a chance de namorar você?

Nacho ficou vermelho e soltou uma risada desajeitada.

NACHO: Ah, deixa disso… — Coçou a nuca, tentando disfarçar a vergonha. — E você, Molly? Tem algum crush na escola?

MOLLY: Nah! — Fez um som de peido com a boca. — Não quero saber disso. Acho que tô meio desiludida com o amor.

Willow a olhou, genuinamente chocada.

WILLOW: Você?! Desiludida do amor? Mas você ama shippar os outros!

MOLLY: É... os outros. — Deu de ombros. — Desde que meus pais começaram a brigar todo dia... meio que perdi a fé nisso.

O clima, antes leve, ficou mais tenso.

NACHO: Então... seus pais são divorciados? — Ele perguntou com cuidado.

MOLLY: Não. — Ela abaixou o olhar. — Mas deveriam ser. Mamãe vive estressada, trabalha demais, e acaba brigando com o papai. E ele... ele é um bom homem, não se enganem, mas não sabe se impor. Nem agir como um marido deveria. Eu entendo os dois. Só... é complicado.

Por um tempo, ninguém disse nada. Só ficaram ali, ouvindo os sons da floresta. Depois, como num pacto silencioso, voltaram a rir de outras histórias, retomando o bom humor. As horas passaram cheias de risadas, confissões e olhares. A última madrugada deles no jogo.

*CONFESSIONÁRIO ON*

WILLOW: Última madrugada... última noite aqui. — Sorri de canto, pensativa. — Eu não sou muito de sentimentalismo, mas... foi especial. A gente riu, falou besteira, contou histórias vergonhosas... parecia que, por um momento, não estávamos competindo. Só três pessoas dividindo a mesma fogueira antes da guerra final. Metaforicamente falando, claro. Acho que se tentássemos acender uma fogueira dentro da cabine, ela pegaria fogo. — Ela ajeita o chapéu, ficando séria. — Mas agora o dia amanheceu. E é cada um por si. Só pode haver um vencedor. Eu não entrei nessa pra fazer amigos, embora tenha feito, entrei pra ganhar. E é isso que eu vou fazer.

— — —

MOLLY: Eu tô... — Coloca a mão no peito, como se ainda estivesse processando. — Um turbilhão de sentimentos! Essa noite foi tão gostosa... parecia aquelas festas do pijama que eu fiz com Minyoung e Gretchen! — Sorri, nostálgica. — Conhecer melhor o Nacho, ouvir a Willow sendo toda “bad girl” sem querer... Foi perfeito. E agora? Agora dá um medinho. Último dia. Última chance. — Respira fundo, emocionada. — Não importa o que aconteça, eu tô tão orgulhosa de ter chegado até aqui! Tão feliz! Mas, claro... — Ela ri. — Se eu puder ganhar também, melhor ainda, né?

— — —

NACHO: Mano... — Coça a cabeça, meio sem saber por onde ir. — Essa noite foi uma loucura. Eu nem pensei na competição. — Dá um sorriso bobo. — Foi... bom. De verdade. — Cruza os braços, pensativo. — Mas agora... é a final. Só vai sobrar um. E eu tô nervoso, claro. Nunca achei que ia chegar tão longe. — Sorri, meio tímido. — Não importa o que aconteça, eu ganhei muito mais do que um prêmio aqui. Amizade, coragem... E, se der sorte, um milhão de dólares também! Minha abuelita vai ficar orgulhosa! — Ele pisca para a câmera, brincando.

*CONFESSIONÁRIO OFF*

A manhã chegou mais rápido do que qualquer um gostaria. A luz dourada filtrava pelas janelas da cabine quando um ruído ecoou pelos alto-falantes da floresta.

CHRIS: Bom dia, Top 3! Arrastem seus traseiros até a cantina! Café da manhã especial esperando por vocês!

Molly, Willow e Nacho trocaram olhares sonolentos, mas curiosos. Puxaram jaquetas, botas e seguiram pela trilha ainda úmida do orvalho.

Ao empurrarem as portas da cantina, pararam no meio do caminho. A visão era surreal: panquecas douradas, ovos mexidos perfeitos, bacon crocante, frutas frescas, sucos brilhando em jarras de vidro... parecia cena de comercial de hotel cinco estrelas.

Chef Hatchet os observava de braços cruzados, resmungando.

CHEF: Não se acostumem. Isso é prêmio por serem finalistas... — Bufou. — Ou, melhor ainda, prêmio pra mim, porque finalmente não precisei cozinhar porcaria nenhuma hoje.

Molly arregalou os olhos, maravilhada. Willow riu, desconfiada.

MOLLY: Meu Deus! Eu tô sonhando?

NACHO: Se isso for sonho, não me acorda, não! — Ele já atacava a mesa, enchendo o prato.

Willow pegou uma fruta, inspecionando como se fosse armadilha.

WILLOW: Se isso for sabotagem, é muito bem feita.

Apesar da desconfiança inicial, logo os três comiam como se o mundo fosse acabar em poucas horas.

Não demorou até Chris McLean aparecer com seu sorriso maroto.

CHRIS: Olha só, todos alimentados e felizes. — Bateu palmas uma vez. — Aproveitem, porque a moleza acabou.

Os três largaram os talheres.

CHRIS: Hoje é o dia mais importante da temporada! Só um de vocês vai sair daqui com o milhão... mas antes, é claro, temos uma provinha final. Algo épico. Memorável. Que vai mexer com suas mentes e corações.

Willow cruzou os braços. Nacho parou de mastigar no meio da mordida. Molly quase derrubou o suco.

CHRIS: Terminam o café e me encontram no novo “teatro” da floresta. — Ele piscou e saiu assoviando.

***

Algum tempo depois, o trio caminhava pela trilha até encontrar uma clareira transformada em palco improvisado. No centro, três cadeiras separadas, uma para cada finalista. Ao lado, uma roleta gigante girava lentamente.

Mais à frente, uma arquibancada de madeira havia sido montada em três seções, cada uma com a foto de um dos finalistas.

MOLLY: Isso é… tão grandioso. Até pra gente.

WILLOW: Se eu tivesse que apostar, esse desafio final vai ser pior do que parece.

NACHO: E olha que já parece ruim.

Foi quando ouviram passos atrás deles. Virando-se, observaram, surpresos, os ex-participantes eliminados surgindo pela trilha, ainda usando roupas típicas de suas eliminações: Cyrus, Tommy, Gretchen, Serena, Seth, Minyoung, McConnor, Xerife Harper e Toby.

Cada ex-campista se dirigia à arquibancada e, sem hesitar, escolhia a seção de seu finalista favorito.

Chris surgiu de repente no palco, gesticulando animado.

CHRIS: Senhores e senhoras, apresento o júri oficial de Drama Total: Floresta dos Mistérios!

Ele apontou com o polegar para os ex-participantes se acomodando. Alguns acenavam de forma sarcástica, outros apenas observavam em silêncio.

CHRIS: Eles assistiram tudo. Sofreram tudo. E hoje... decidem quem merece vencer.

Molly engoliu em seco. Willow cerrou os punhos. Nacho ajeitou o boné, tentando esconder o nervosismo.

CHRIS: Por ora, vamos ver quem eles decidiram apoiar!

A câmera deu um zoom nas arquibancadas. Na seção de Molly estavam Gretchen, Minyoung e Seth. As meninas acenavam para a amiga, enquanto Seth ajeitava seu terno novo.

Na área de Willow, Tommy e Cyrus sentavam lado a lado, trocando olhares desconfortáveis, enquanto Xerife Harper mantinha os braços cruzados, expressão fechada.

Na arquibancada de Nacho, McConnor se espreguiçava como num domingo preguiçoso, Toby tirava fotos compulsivamente, e Serena ajeitava o cabelo, preocupada só com a iluminação.

NACHO: Oh? Valeu, Toby, Serena e McConnor! Eu… tô surpreso que vocês escolheram me apoiar! — Coçou a nuca, sem jeito.

TOBY: Bem, pra ser sincero... só sentei aqui porque tem a melhor visão do palco! — Ele ajeitou a Polaroid pra mais uma foto.

MCCONNOR: Eu não ligo pra nenhum de vocês. — Resmungou. — Mas estou contratualmente obrigado a escolher alguém.

SERENA: Eu… só quis sentar aqui. É onde a câmera pega meu melhor ângulo. Foi mal.

NACHO: Oh! — Soltou uma risada curta. — Entendi...

*CONFESSIONÁRIO ON*

NACHO: Ok, então... ninguém me apoiou porque gosta mesmo de mim. — Coçou a cabeça, rindo sem graça. — Mas quer saber? Tudo bem! Eu cheguei até aqui sem ser o mais popular. E ainda posso vencer só com meu jeito. Se fui eu mesmo até agora... é assim que eu quero cruzar a linha de chegada.

*CONFESSIONÁRIO OFF*

Chris McLean reapareceu no palco, agora com um microfone dourado que brilhava sob a luz dos refletores improvisados.

CHRIS: Bem-vindos ao momento que todos estavam esperando… e que os nossos finalistas provavelmente vão odiar! — Disse com um sorriso malicioso, piscando para a câmera enquanto a roleta girava lentamente ao vento. — É hora do último desafio da temporada: o meu novo game show favorito... Consequência ou Consequência Mística!

Molly, Willow e Nacho trocaram olhares tensos, sem a menor ideia do que vinha pela frente.

CHRIS: Funciona assim, meus bichinhos: eu giro essa belezura aqui, — Ele apontou para a roleta atrás de si. — E ela escolhe qual tortura mística vocês vão encarar. Todos os três têm que completar. Sem exceções. Se todo mundo passar... giramos de novo. Se alguém desistir...

Ele fez uma pausa dramática, pousando a mão no peito como se estivesse num palco shakespeariano.

CHRIS: Buh-bye. Terceiro lugar. Vira jurado. Perde o milhão. E ainda vai ter que aplaudir quem continuar. Triste, né?

Willow cruzou os braços. Molly ajeitou o cabelo, tentando disfarçar o nervosismo. Nacho apertou o boné contra a cabeça, querendo parecer tranquilo, embora a perna tremesse num ritmo alarmante.

CHRIS: E só pra reforçar: nada de desafiozinho estilo feira de ciências. Isso aqui é Drama Total: Floresta dos Mistérios! Estamos falando de magia, maldições, invocações… e talvez um demônio ou dois com mau humor crônico.

Na arquibancada, os ex-participantes se remexeram nas cadeiras com expressões mistas de curiosidade e pena.

CHRIS: Vamos ao que interessa!

Ele girou a roleta com força. O disco disparou, os painéis brilhando com nomes como “Banho de Lava Mística”, “Roubar o relógio da Bruxa Perebenta”, “Domar o Bebê Goblin” e “Beijo do Sapo Vampiro”.

Enquanto a roleta rodava, Chris esfregava as mãos, vibrando como uma criança maligna.

CHRIS: Ahhh, eu sinto o cheiro do desespero no ar… melhor que café da manhã.

O ponteiro foi desacelerando, clicando alto a cada passo até parar com um estalo seco.

CHRIS: E o primeiro desafio é… Duelo com o Minotauro!

Os finalistas suspiraram aliviados por um breve momento.

NACHO: Ei, tranquilo. Lembram daquele minotauro do labirinto? Ele era de boa! Quase me deu um abraço!

Chris caiu na risada.

CHRIS: Ah, claro, Nacho. Você tá falando do Yogator. Gente fina, vegetariano, terapeuta nas horas vagas. Mas esse aqui é outro nível. Conheçam... o irmão dele: Destructor Testosteror IV! — Ele fez soar uma buzina de touro enquanto apontava dramaticamente para o ringue.

Os olhos do trio se arregalaram ao ver a criatura musculosa no centro de um ringue de cordas douradas recém-montado. O minotauro bufava, olhos vermelhos e um colar de caveiras cintilantes no pescoço.

CHRIS: O desafio é simples: aguentem um minuto dentro do ringue com o Destructor. É três contra um, então nada de desculpas. Só... tentem não virar purê de gente, tá?

Chris sorriu.

Destructor Testosteror IV bufava no centro da arena, batendo os cascos e girando o pescoço. Os olhos vermelhos brilhavam. Molly foi a primeira a se mover.

MOLLY: Uh, olá, senhor Destructor! Prazer em conhecê-lo! Que tal só... não me matar?

Ela tentou correr ao redor dele, pegando impulso nas cordas, mas foi facilmente interceptada por um movimento lateral da criatura. Caiu de lado, resmungando.

MOLLY: Ok, ele é mais rápido do que parece! — Passou a mão na cabeça.

WILLOW: Molly, não seja estúpida! A gente não precisa lutar com ele. É só enrolar. Temos que durar um minuto!

Willow correu até a lateral do ringue e puxou um pedaço solto de madeira do cercado. Nacho fez o mesmo com um tronco jogado no chão. Voltaram juntos para o centro.

WILLOW: Afasta, Minotauro! Eu não quero problemas! — Balançou a madeira com firmeza.

Os dois se posicionaram em lados opostos, fazendo barulho com os bastões improvisados. O minotauro girava o corpo, cada vez mais irritado. Molly se levantou e começou a pular num pé só.

WILLOW: Molly! O que você tá fazendo?

MOLLY: Contribuindo! Movimento imprevisível! Distração!

Na arquibancada, os ex-campistas observavam com atenção.

GRETCHEN: Cara… ainda bem que eu tô aqui, segura e salva.

Minyoung lançou um olhar fulminante.

GRETCHEN: Quer dizer… VAI MOLLY! Acaba com ele!

Cyrus, por outro lado, anotava furiosamente no diário, evitando olhar a confusão.

De volta à arena, Destructor deu um coice nas cordas, fazendo o ringue inteiro estremecer. Willow quase caiu, mas se manteve firme.

WILLOW: Quanto tempo falta?! — Gritou, ofegante.

CHRIS: Uns trinta segundos!

O minotauro avançou contra Molly, que rolou pelo chão. Nacho pulou nas costas dele por um segundo antes de ser arremessado como um saco de batatas. Não aceitando a dor, Nacho assobiou alto, chamando a atenção do minotauro.

NACHO: Ei, touro bombado! Tenta me pegar! — Ele começou a correr em ziguezague pelo ringue, desviando das investidas.

Molly e Willow se entreolharam e aproveitaram a distração para atacar com os bastões.

Nacho tropeçou de propósito perto das cordas, fazendo o minotauro se chocar contra elas

CHRIS: Isso! Mais violência! O público adora quando os ossos quase saem do lugar! — Comentou, rindo.

O sino tocou com um som metálico desafinado. Todos desabaram no chão, cobertos de poeira e folhas. Destructor soltou um último bufar orgulhoso antes de sair do ringue, escoltado por dois estagiários visivelmente apavorados.

CHRIS: Uau! Ainda com todos os dentes? Que luxo! — Ele se virou para a câmera. — Um round inteiro de violência moderadamente controlada e ninguém desmaiou? Impressionante. Isso significa que a roleta continua!

A câmera deu um zoom dramático na roleta, que voltou a girar.

***

A roleta rangeu antes de parar em um painel verde-claro cintilante. Chris se aproximou devagar, lendo com prazer maldoso.

CHRIS: Hmmm... “Dança com os Espíritos do Pântano”. Que encantador.

Molly se ajeitou, animada.

MOLLY: Dança? Isso eu sei fazer.

WILLOW: O que exatamente significa “com os espíritos”?

CHRIS: Vocês descobrem já, já.

O chão tremeu. Uma névoa espessa começou a se espalhar, engolindo os pés dos finalistas. O ar ficou denso e úmido. Um murmúrio estranho preencheu o silêncio. Vultos translúcidos surgiram entre as árvores.

Eram dançarinos espectrais com roupas do século XVIII, carrancudos e gemendo.

Sem aviso, uma melodia começou a tocar, como se soprada pelo vento. Soava entre uma valsa lenta e uma canção de ninar desafinada.

Os espíritos se posicionaram ao redor dos três, estendendo mãos finas e esbranquiçadas. Molly, sem hesitar, pegou a mão de um deles. Willow respirou fundo e fez o mesmo. Nacho levou um segundo a mais, hesitando, até que um espírito praticamente o encostou.

NACHO: Isso é tão estranho...

WILLOW: Só segue o ritmo. Eles parecem sensíveis. — Murmurou.

CHRIS: E você está certa, Willow! Tem que dançar por um minuto com esses parceiros fantasmagóricos, e se errar um passo… bleh! — Imita o som de uma buzina. — Tá fora!

Sem alternativas, o Top 3 começou a girar lentamente, acompanhando os movimentos suaves e precisos dos espíritos. Não era difícil, mas o desafio era manter a calma. O toque das criaturas gelava até os ossos, e o som ao redor distorcia a cada giro.

A dança durou pouco mais de um minuto. Quando a música cessou, os espíritos pararam, encararam os campistas por um instante, sem expressão e se dissiparam como fumaça ao vento.

Silêncio. Molly ainda estava com as mãos no ar, sorrindo sem perceber.

NACHO: A gente passou?

CHRIS: Passaram. — Disse com aborrecimento. — Infelizmente, ninguém foi amaldiçoado... acho. Bom trabalho, campistas.

Chris girou a roleta de novo, rindo baixinho. O disco rodou com estalos e luzes piscando em tons estranhos. Quando o ponteiro parou, houve uma pausa desconfortável.

CHRIS: Ah, essa é uma das minhas favoritas… “Encarar o Goblin dos Pesadelos”.

WILLOW: ‘Goblin dos pesadelos?’ Que nome amigável. — Cruzou os braços, irônica.

CHRIS: E é mesmo! Pra esse desafio, sigam por aquele túnel de musgo até a clareira. A câmera vai acompanhar vocês. E, ah, só um lembrete: não olhem nos olhos dele por muito tempo. A menos que queiram encarar seus piores pesadelos. Literalmente.

MOLLY: Tipo... ver sua própria morte?

CHRIS: Nah, isso seria fácil demais. Vai ser bem pior.

Molly bufou, mas sorriu, nervosa.

***

O trio seguiu por um corredor estreito de árvores cobertas por teias finas. No final, chegaram à clareira: um campo envolto em silêncio absoluto, exceto por um grunhido baixo vindo de uma criatura encolhida sobre uma pedra.

Era pequena. Coberta por couro acinzentado, a criatura tinha olhos verdes e enormes que pareciam pulsar. Encara-os com olhar quase amigável. Até sorrir. Um sorriso cheio de dentes afiados.

A voz do apresentador ecoou pelo sistema de alto-falantes.


CHRIS: Pra passar, cada um precisa olhar nos olhos dele por cinco segundos. Só cinco. E sobreviver à visão que ele mostrar. Divirtam-se!

Ninguém se moveu. Até Willow dar um passo à frente.

WILLOW: Eu vou primeiro. Melhor acabar com isso logo.

Ela se ajoelhou lentamente diante do goblin e o encarou. Quando seus olhos se encontraram, a clareira desapareceu.

Estava numa estrada de terra escura e úmida. Chovia. À frente, a silhueta de sua mãe, frágil, sentada numa cadeira de balanço.

MÃE DE WILLOW: Você era tão bonita. Seu cabelo… uau, eu sempre tinha inveja do seu cabelo, Willow. Mas não mais. Você não é a mulher que eu criei pra ser.

Willow correu até ela, mas antes que pudesse tocá-la, ouviu um disparo. Um estampido seco. A mulher caiu em seus braços, sangue escorrendo pela boca.

Mesmo morta, a figura da mãe se movia. Olhos brancos. O sangue descia num fio contínuo.

MÃE DE WILLOW: Eu me decepcionei com você. Você se tornou tudo que eu odiava. Se desviou. Não está com Deus no coração. Foi por isso que eu sumi. Não aguentaria viver com alguém como você.

Willow gritou, mas nenhum som saiu.

Ela voltou à clareira arfando, olhos arregalados, e caiu de joelhos.

Molly correu até ela, mas Willow levantou uma mão.

WILLOW: Eu tô bem. — Sussurrou, ofegante.

Ela se levantou, cambaleante, e se apoiou numa árvore. Molly engoliu seco. Então, sem dizer nada, se aproximou do goblin.

Os olhos verdes a fixaram.

Ela estava na cozinha de casa. Mas o tempo estava distorcido. O relógio derretia na parede. A mãe servia café com sangue. O pai cortava pão com um facão. Sorriam. Sorrisos largos e falsos.

As luzes se apagaram. Voltaram. A mãe tentava enforcar o pai com o fio da torradeira. O pai usava o cinto. Se revezavam. Um tentando matar o outro. Num ciclo eterno.

PAI: A gente nunca vai se separar, Molly. Você sabe disso.

MÃE: Mas vamos te arrastar com a gente pro inferno.

Riram. Cordas surgiram nas mãos deles.


PAI: Você arruinou nosso amor, Molly. Seu nascimento destruiu nosso casamento!

MÃE: Então vamos arruinar você. A culpa é sua!

As cordas se enrolaram em seu pescoço. Eles puxaram, rindo.

Molly gritou e tropeçou de volta à clareira, caindo de costas. Chorava, sem esconder.

MOLLY: Eles nunca me deixaram em paz… — Soluçava com dor.

Nacho hesitou, mas foi forçado a se aproximar.

As árvores sumiram. O chão virou metal. Ele estava num centro de detenção. Sons abafados. Sirenes piscando. Tiros ao fundo. Um guarda empurrava alguém no chão. Nacho correu.

Era sua abuelita. Com o rosto machucado. Os olhos fundos.

ABUELITA: Eu tentei, Nacho. Te protegi. E por isso… vão me matar.

O guarda virou o rosto. Não tinha rosto. Apenas uma placa metálica com a palavra “ILEGAL” gravada em sangue.

GUARDA: Você não importa, Nacho. Vai perder sua família. Ninguém te ama. E é o que você merece.

Ele golpeou.

A cabeça da avó girou, decepada.

ABUELITA: Cuida de ti mesmo, mijo. Porque ninguém mais vai cuidar de você.

Ela deu o último suspiro. A cela se fechou. Com ele dentro.

Nacho voltou à clareira de pé, olhos fixos. Como se nada tivesse acontecido. Mas o boné tremia em suas mãos.

O goblin deu um passo atrás, satisfeito. E sumiu entre as raízes. O silêncio reinou.

*CONFESSIONÁRIO ON*

WILLOW: Aquilo não era minha mãe. Eu sei que não era. Mas o que ela disse... era exatamente o que eu sempre temi ouvir. — Ela fecha os olhos. — Às vezes, eu me pergunto se eu fui... longe demais. E seu eu devia me negar… para deixar a memória dela feliz? — Uma lágrima começa a cair.

— — —

MOLLY: Eu sempre achei que, se eu sorrisse o suficiente e fosse uma filha boa o bastante, meus pais iam parar de brigar. — Ela morde os lábios, tentando conter as lágrimas. — Mas eles só... devem me odiar. Eu vi as fotos. Eles eram mais felizes antes de mim. Eu sei disso… — Ela chacoalhou a cabeça, tentando dispersar esses pensamentos. — Que tristeza…

— — —

NACHO: Minha abuelita… ela… eu preciso dela! — Ele apertou o boné contra o peito. — A minha maior promessa era voltar pra casa com o milhão, para ela! Se eu não conseguir fazer isso… porque eu vim aqui?

*CONFESSIONÁRIO OFF*

O silêncio era absoluto. Até os animais da floresta não davam um pio. Molly fungava baixinho, Willow encarava o chão com as mãos trêmulas e Nacho ainda segurava o boné contra o peito

Chris, pela primeira vez na temporada, pareceu hesitar de verdade. Passou a mão pela nuca, desconfortável.

CHRIS: É... bom. Esse desafio realmente quebrou o clima, hein? — Tentou brincar, mas a voz saiu falha. — Vamos… vamos aliviar um pouco?

A câmera o seguiu enquanto ele se afastava dos finalistas com pressa.

CHRIS: Roda a roleta, Chef. Rápido. Antes que eu comece a refletir sobre minhas decisões de vida. — Sua voz soou ao fundo.

Como zumbis, Molly, Willow e Nacho voltaram. A roleta girou. Depois de novo. E de novo.

Desafios foram vencidos em sequência. A roleta girou mais de uma dúzia de vezes. Eles passaram por todos. Sem erros.

Na arquibancada, ex-campistas bocejavam. McConnor roncava. Gretchen cochichava com Minyoung sobre quanto tempo aquilo ainda ia durar. Até Chris, recostado em seu banquinho com um espresso, parecia entediado até a roleta parar.

CHRIS: Ooooh! Essa é boa. Essa é... especial.

Um estagiário entrou no palco carregando, com toda a pompa, uma tesoura dourada gigante. Era grotesca, com lâminas angulares e manchas de ferrugem.

MOLLY: Uhm… é uma tesoura?

CHRIS: Não qualquer tesoura, Molly querida! Essa belezura é mágica. Quando corta algo... esse algo desaparece. Pra sempre.

Willow empalideceu.

WILLOW: Não… você tá brincando.

CHRIS: Brincando? Com isso? — Ele ergueu a tesoura, que brilhou com um chiado sinistro. — Pra continuar no jogo... vocês precisam cortar o cabelo. Todo ele.

Um silêncio mortal caiu no palco. Da arquibancada, um grito escandalizado:

SERENA: O quê?! Isso é... cruel!

CHRIS: Obrigado, Serena. É cruel, sim, mas necessário.

Willow levou a mão ao cabelo ruivo, os dedos hesitando entre os fios lisos. Molly olhou para ela, depois para Chris, depois para a tesoura.

CHRIS: Então? Quem vai primeiro? A tesoura tá afiada e o tempo corre…

Do chão, uma cadeira surgiu de repente, rangendo. Era uma mistura de cadeira de barbeiro e peça de museu mal conservada. Chris bateu duas vezes no encosto.

CHRIS: Vamos lá, primeiro voluntário. Quem tem coragem?

Molly, sem dizer nada, se levantou. Pálida, caminhou até a cadeira e sentou. Respirou fundo.

CHRIS: Espero que goste da vida careca!

A plateia silenciou. Gretchen e Minyoung observavam. Seth parecia desconfortável. Chris começou a cortar o cabelo de Molly com cuidado, mas sem poupar o drama.

O som era seco. Fio após fio caía no palco. Mechas maiores escorregavam pelo colo dela. Molly mantinha as mãos firmes nos joelhos, calada.

Em poucos minutos, o corte terminou. O cabelo agora era apenas um monte de fios espalhados. Molly passou a mão pela cabeça, encarando o chão.

CHRIS: Uma carequinha mágica... com estilo! Como se sente?

MOLLY: Surpreendentemente... leve. E careca!

Na arquibancada, Gretchen assobiou e Minyoung bateu palmas.

Nacho deu de ombros, tirou o boné e mostrou o que já era óbvio pra quem prestava atenção: ele mal tinha cabelo. Serena cobriu a boca, rindo.

Ele sentou na cadeira e Chris terminou o serviço em segundos. Só alguns fiapos caíram no chão.

CHRIS: Bom, isso foi anticlimático.

NACHO: Culpa da genética. Já fez metade do trabalho por você.

A plateia riu.

Willow continuava imóvel. Braços cruzados, encarava a tesoura nas mãos de Chris.

CHRIS: E aí, Willow? Vai se juntar à irmandade dos carecas?

Ela olhou para Molly e Nacho. Depois para o chão. Depois para o reflexo num pedaço de metal. Seu cabelo ruivo, liso, longo... ainda intacto.

WILLOW: Não sei...

Na plateia, Cyrus se levantou num pulo.

CYRUS: O quê? Willow, por favor…

TOMMY: Willow, é só cabelo!

Isso não confortou a ruiva.

WILLOW: E você ainda ia gostar de mim se eu fosse careca?!

Sem argumentar, Tommy apenas se sentou novamente.

Chris levantou a tesoura com as duas mãos.

CHRIS: Última chance, Willow. Vai cortar ou não?

Ela não respondeu. Observou a cadeira no centro do palco. Molly e Nacho estavam sentados nas laterais, ainda se adaptando às cabeças raspadas. Molly esfregava a nuca, desconfortável. Nacho já colocava o boné de volta, tranquilo.

Willow olhou para a plateia. Cyrus a encarava sério. Tommy parecia em choque. Até Harper mantinha o olhar duro, braços cruzados.

CHRIS: Vamos lá. Como o Tommy disse, é só cabelo.

Willow deu um passo à frente. Parou.

WILLOW: Eu quero ganhar. — A voz saiu baixa. — Entrei aqui pra isso.

Chris esperou.

Ela levantou uma mecha. Passou os dedos devagar pelos fios. Respirou fundo.

WILLOW: Aguentei tudo nessa temporada. Frio, fome, medo, gente insuportável, desafios estúpidos… Mas isso aqui? — Olhou de novo pro cabelo. — Isso é meu. É o que restou. Não posso abrir mão disso se no fim o Júri nem votar em mim… preciso sair com um pingo de identidade.

Chris abriu um meio sorriso.

CHRIS: Então é um não?

Willow hesitou por mais alguns segundos.

WILLOW: É um não.

Chris ergueu a voz, teatral como sempre.

CHRIS: E com isso, Willow está oficialmente eliminada! Terceiro lugar da temporada!

Molly engoliu em seco, visivelmente abalada. Nacho ajeitou o boné no automático, sem tirar os olhos da amiga. Na arquibancada, um burburinho começou a se formar, as reações se espalhando entre os ex-campistas.

Willow soltou o ar com força pela boca, cruzou os braços e desceu do palco em silêncio. Passou direto por Cyrus, ignorando o olhar preocupado, e se sentou ao lado de Tommy, que a recebeu em silêncio. O olhar dela estava firme, mas a tensão nos ombros revelava o peso da escolha que havia feito.

CHRIS: Uau, por essa eu realmente não esperava! Willow é oficialmente a última integrante do Júri desta temporada! O que significa que temos nossa final decidida: Nacho e Molly no top 2!

Molly apertou os olhos, tentando conter as lágrimas. Nacho manteve o sorriso, mas agora mais contido, talvez processando o peso daquele momento.

No banco do júri, Gretchen bateu palmas discretas, já com os olhos brilhando. McConnor cruzou os braços com uma expressão indecifrável. Serena ajeitou o cabelo, atenta. Willow olhava fixamente para Molly. Então, ela se encolheu no banco. Tentava conter as lágrimas, virando o rosto. Tommy e Cyrus se aproximaram, preocupados, mas ela os afastou com um gesto contido.

WILLOW: Por favor… só me deixem no meu canto. — A voz saiu baixa, quase um sussurro.

A câmera voltou a focar em Chris, já sorrindo como se nada sério tivesse acontecido.

CHRIS: Bem, cada segundo é uma nova reviravolta, pessoal! Mas voltando ao que interessa: Nacho e Molly estão oficialmente na grande final! Quem vai sair daqui com o título de campeão? Quem vai levar o prêmio? Descubra já, já, depois de uma breve pausa para os nossos patrocinadores! Fique ligado! Ainda tem muita coisa pra acontecer aqui, no Drama Total: Floresta dos Mistérios!

*Intervalo*

Após o intervalo, a câmera focou em Nacho e Molly na velha cabine dos guardas florestais. Eles abriram os armários rangentes e reviraram seus pertences. A hora de fazer as malas havia chegado.

Enquanto organizava sua coleção de miçangas, Molly soltou um suspiro alto.

MOLLY: Eu não posso acreditar que é isso. Acabou. — Sua voz saiu trêmula enquanto apertava uma das miçangas com força entre os dedos.

Nacho interrompeu o embalo das malas e se aproximou com um olhar compreensivo.

NACHO: Sabe, não devemos ficar tristes. Vamos ficar felizes que nós dois conseguimos chegar ao Top 2! Como amigos! — Ele sorriu.

Molly também abriu um sorriso.

MOLLY: É verdade, que loucura! Sabe, eu meio que pensei que a gente iria até o final, umas semanas atrás. Podem rebobinar a fita. Mas agora que aconteceu, é ainda melhor!

Nacho pousou a mão no ombro dela.

MOLLY: Nacho?

NACHO: Hm?

MOLLY: Me promete uma coisa?

NACHO: O que foi, Molly?

MOLLY: Promete que… não importa o que aconteça hoje à noite, a gente ainda vai ser amigo fora daqui?

Nacho não respondeu com palavras. Apenas puxou a garota para um abraço apertado.

Logo depois, os dois terminaram de arrumar suas coisas e puxaram as malas trilha abaixo até o Altar dos Sacrifícios Antigos, o palco da última Cerimônia da Fogueira da temporada.

*CONFESSIONÁRIO ON*

MOLLY: Eu entrei aqui achando que Drama Total seria um tipo de acampamento divertido com fantasmas e criaturas mágicas e talvez uma competiçãozinha no meio. Mas não era só isso. Foi intenso, assustador e... real. — Ela arregalou os olhos para enfatizar. — Eu fiz amizades de verdade. Me aproximei de pessoas que eu nunca pensaria que iriam gostar de mim, tipo a Gretchen, o Nacho, a Minyoung... até a Serena. E agora eu tô aqui. No Top 2. Eu. Aquela garota que trouxe glitter e diários de sonhos. — Ela riu com a própria cafonice. — Acho que eu mostrei que dá pra ser positiva sem ser boba. E que você pode amar coisas fofas e ainda assim enfrentar uma floresta maldita, tipo, sem medo! Quer dizer, com um pouco de medo! — Riu frouxamente. — Eu não sei se eu vou ganhar. Mas se ganhar, quero que saibam que joguei com o coração. E que o prêmio não mudaria quem eu sou, mas daria um baita empurrão pra eu continuar fazendo o que acredito. E se perder... bem, eu ainda saio com amigos incríveis, histórias malucas e... algumas cicatrizes. Reais. Tipo, físicas. Da planta carnívora. Mas, sério. Eu nunca vou esquecer isso. Nunca. — Ela encarou a câmera, solene.

— — —

NACHO: Quando entrei nesse programa, eu só queria ficar longe de casa por um tempo, numa aventura. Ver o que isso poderia trazer para mim. Não era sobre vencer, nem competir. — Ele admitiu, com as mãos no colo. — Mas aí eu fui ficando. Episódio após episódio. Fui me adaptando, rindo, tropeçando, literalmente, e conhecendo pessoas incríveis. A Molly, Cyrus, até a Willow. — Ele listou, tentando não se esquecer de ninguém. — E agora eu tô aqui. No Top 2. Eu nunca pensei que fosse possível. Sinceramente, eu não joguei com estratégia. Eu só tentei ser alguém em quem os outros pudessem confiar. Talvez tenha sido sorte. Talvez só ninguém me viu como ameaça. Mas... eu cheguei no fim. E se o Júri achar que eu mereço vencer por ter sido leal, tranquilo e companheiro; ótimo! Mas se não for o suficiente, tudo bem também. — Ele sorriu contente. — Eu tô em paz. Eu tô feliz. E se eu pudesse mudar alguma coisa... não mudaria nada. Talvez menos armadilhas no episódio do labirinto. Mas o resto... valeu tudo.

*CONFESSIONÁRIO OFF*

A configuração do local estava diferente para a ocasião. A fogueira e a luz do luar iluminavam os rostos dos presentes. Pilares de pedra, que sempre estavam lá, pareciam decorados com guirlandas de luzes. Chris McLean e Chef Hatchet estavam de pé, observando Nacho e Molly, que se sentavam em tocos de madeira.

Do outro lado da fogueira, estava o grupo dos dez participantes eliminados, o Júri, sentados num banco longo. Willow, a mais recém-chegada, abaixou a cabeça ao ver os finalistas.

Chris, satisfeito ao ver todos presentes, iniciou.

CHRIS: Bem-vindos, finalistas e Júri. Molly e Nacho, parabéns por chegarem até aqui. Vocês conseguiram o que os outros dez tentaram e não conseguiram. Agora, o poder está nas mãos do Júri. Os participantes que vocês eliminaram diretamente ou indiretamente decidirão o campeão desta temporada.

A tensão aumentou.

CHRIS: Molly e Nacho, vocês poderão fazer um discurso rápido explicando sua estratégia e por que devem vencer. Depois, alguns membros do Júri farão perguntas. Após isso, cada jurado votará, eu contarei os votos e pronto! Um de vocês ganhará um milhão e será o vencedor do Drama Total. Entendido?

Os dois concordaram com a cabeça.

CHRIS: Ótimo. Vamos começar com os discursos. Nacho, que tal você começar?

Nacho se levantou, ajeitou o boné e limpou a garganta, visivelmente nervoso.

NACHO: Tá... Ok... Olá, pessoal. É meio estranho estar aqui na frente de vocês agora, né? Especialmente porque a maioria de vocês... bom, foi eliminada em algum ponto por minha causa. Ou não por minha causa, mas... vocês entenderam.

Ele riu sem graça, e Cyrus arqueou uma sobrancelha.

NACHO: Eu não sei se eu sou o tipo de pessoa que normalmente vence esse programa. Eu nunca fui o mais forte, o mais esperto, o mais engraçado... e, com certeza, não fui o mais estratégico. Eu... só fui eu mesmo. Desde o começo. — Ele passou os olhos pelo Júri. Tommy o encarava com expressão neutra. Gretchen sorria. — Mas quero dizer, eu tentei ouvir, ajudar, ser confiável. Me mantive longe de brigas, fiz o que eu podia nos desafios, e... bom, eu sobrevivi. Às vezes, literalmente. Às vezes porque alguém se ferrou mais que eu.

Algumas risadinhas discretas vieram do banco do Júri.

NACHO: Eu não fiz alianças malucas nem jogadas mirabolantes. Mas eu estive lá por todos. E acho que tem algum valor nisso. De ser alguém em quem se pode confiar. De não ter pisado em ninguém pra chegar aqui. — Ele respirou fundo. — Eu sei que, comparado com a Molly, talvez meu jogo pareça simples. Mas foi honesto. E eu não mudaria nada, mesmo se pudesse.

Ele voltou a se sentar. Molly deu um sorriso de apoio e então se levantou, ajeitando o suéter antes de encarar o Júri.

MOLLY: Oi, gente. É... Ai, isso é mais difícil do que parece, né?

Ela deu uma risadinha, olhou pro chão e depois pra frente de novo.

MOLLY: Eu entrei aqui achando que seria uma temporada de monstros, magia e segredos... e foi. Mas também foi sobre pessoas. Sobre nós. — Minyoung assentiu levemente. — Desde o começo, eu fui eu mesma. E ser eu mesma nem sempre foi fácil. Às vezes parecia que o mundo gritava que eu era infantil, ou boba, ou... sei lá, ingênua.

Serena cruzou os braços. Gretchen manteve o olhar firme, apoiando ela.

MOLLY: Mas eu continuei acreditando no que eu acredito. Fui leal aos meus amigos. Me mantive firme mesmo quando me chamavam de esquisita. Eu não precisei manipular ninguém nem fazer grandes jogadas. Eu só fui... constante. — Ela parou, engoliu seco. — Eu me doei pro jogo e pras pessoas. Me machuquei, me frustrei, ri muito e, no fim, tentei fazer o certo. Sempre. Mesmo quando não era fácil.

Ela olhou para Willow, que desviou o olhar.

MOLLY: Se eu ganhar, não vai ser só por mim. Vai ser por todo mundo que já foi subestimado. E por todo mundo que acredita que dá pra jogar limpo e ainda vencer.

Ela respirou fundo e voltou a se sentar. Um breve silêncio caiu. Chris sorriu com sarcasmo.

CHRIS: Bonitinhos, sentimentais e honestos. Ugh. — Seu nojo era visível. — Mas enfim. Júri, agora é com vocês. Façam suas perguntas. Sejam justos, sarcásticos ou sádicos. Eu não ligo. Quem quer começar?

Minyoung levantou a mão com calma.

MINYOUNG: Minha pergunta vai para Molly. Se você pudesse mudar uma decisão que tomou no jogo, qual seria?

MOLLY: Hmm... boa pergunta. Eu não estava esperando essa pergunta hoje! Hm… bem… Eu acho que teria confiado mais em mim mesma desde sempre. Eu nunca pensei que eu iria bem nesses desafios malucos, mas eu até venci um! Se eu tivesse entendido isso mais cedo, talvez tivesse aproveitado mais ainda.

Minyoung sorriu e se recostou.

Em seguida, McConnor levantou a voz do fundo do banco.

MCCONNOR: Beleza, minha vez. Isso é pra vocês dois. Por que cargas d’água alguém deveria votar em quem não fez nenhum movimento estratégico? Tipo, Molly, você só... existiu! E Nacho, foi ainda pior! Você teve a chance de se juntar à única aliança que faria sentido e ignorou. Resultado? Eu fui chutado pela segunda vez e vocês só sobreviveram no caos. Me convençam de que isso foi jogo e não pura sorte.

Nacho hesitou.

NACHO: Olha... McConnor, eu te respeito. Mas... eu não recusei a aliança masculina por orgulho. Foi porque você queria um grupo que só protegesse homens. E isso não me pareceu certo. A Molly e a Willow eram boas garotas. Eu queria jogar com todo mundo, não só com quem você. Pode não ter sido estratégico no papel, mas foi o que eu achei certo.

MOLLY: E sobre mim... eu sei que meu jogo parece passivo, mas eu me mantive firme em tudo. Criei conexões, ajudei nas provas e sobrevivi sem precisar manipular. Isso é estratégia. Só é mais silenciosa. Quer dizer, eu raspei meu cabelo inteiro para continuar no jogo! Isso não demonstra que eu joguei?

McConnor cruzou os braços, visivelmente insatisfeito.

Xerife Harper pigarreou.

HARPER: Como a autoridade mais respeitada desta Reserva Florestal, eu queria saber de liderança. Vocês dois se acham líderes? Citem um momento em que tentaram liderar alguma coisa aqui e qual foi o resultado.

Molly encarou a fogueira por um segundo.

MOLLY: Se você se lembrar, no primeiro desafio, eu tentei organizar meu time. Queria ajudar, ser aquela que dá direção... mas saiu tudo errado. A gente se perdeu, brigou e foi um desastre. E fomos atacados por gnomos. Muitos gnomos! Foi ali que eu percebi que... talvez liderar, pra mim, signifique apoiar, não comandar. Prefiro ser aquela que fortalece quem tá à frente, não quem dá as ordens.

Harper franziu o cenho. Nacho coçou a cabeça.

NACHO: Eu não sei se liderei... Acho que só em momentos pequenos. Tipo, tentar manter a calma quando todo mundo tava surtando. Não sou um líder tradicional. Mas acho que ajudei o grupo a seguir em frente. Isso foi uma boa resposta?

Harper soltou um “hmph” e não disse mais nada. Serena ajeitou os cabelos e se levantou.

SERENA: Boa noite, estimados finalistas e companheiros do Júri. Bem, antes de mais nada... eu queria pedir desculpas. No início, eu fui... insuportável com vocês dois. Joguei estereótipos na cara de vocês por terem um... menor poder aquisitivo. Eu melhorei, mas ainda me envergonho disso. — Ela tossiu e fez uma pausa. — Minha pergunta é… eu nunca me abri para conhecer vocês de verdade. Então, eu peço que cada um conte algo sobre si que ninguém aqui saiba. Algo real. Não jogo. Sobre vocês.

Nacho pensou um instante.

NACHO: Eu... odeio o meu aniversário. Tem a ver com meu pai. Foi nesse dia que ele foi assassinado. Meu tio foi deportado. Nunca mais vi ele. Todo ano, eu lembro disso. Eu não falo disso porque... ninguém quer ver o lado triste de quem sorri o tempo todo. — Ele pigarreou. — Mas… meu aniversário desse ano não foi tão ruim.

Ele sorriu para Molly que começou a responder por sua vez. Molly hesitou, os olhos fixos na fogueira por um instante. Depois, falou devagar.

MOLLY: Quando eu tinha sete anos... teve um dia em que meus pais pareciam felizes. Tipo, de verdade. Eles sempre brigaram muito, mas naquela noite... estavam rindo, cozinhando juntos, dançando na cozinha. E eu lembro de pensar: "É assim que deveria ser." — Ela mordeu o lábio, segurando a emoção. — Mas aí... eu fui lá e interrompi tudo. Só pra mostrar um desenho idiota que eu tinha feito. Um negócio sem importância. Meu pai explodiu comigo. E a briga voltou mais feia do que nunca. Na minha cabeça de criança, eu... achei que tinha estragado tudo. Que era minha culpa eles não darem certo.

Silêncio ao redor. Molly respirou fundo.

MOLLY: Eu sei que não faz sentido. Mas até hoje, cada vez que alguém briga perto de mim, eu sinto que fui eu. Então... eu tento consertar. Tento animar, unir, aliviar o clima. Tento ser “boa o bastante” pra ninguém se odiar. E aqui, pela primeira vez, eu consegui isso de verdade. Por isso isso tudo significou tanto pra mim.

Serena parecia ligeiramente emocionada. Ela agradeceu e se sentou.

Willow pigarreou, com o olhar voltado para o chão. Sua voz saiu mais baixa do que o normal.

WILLOW: Quando eu perdi o desafio mais cedo... eu não sabia se tinha falhado ou só sido azarada. Ainda não sei. Então me pego pensando... vocês acham que merecem estar aqui mais do que eu?

Molly arregalou os olhos por um momento, claramente desconfortável com a ideia.

MOLLY: Willow... eu nunca pensei assim. Você foi uma das pessoas mais completas que já passou por isso aqui. Forte, rápida, sensata… Mas o jogo não premia só quem é mais preparado. Ele premia quem aguenta, quem se adapta, quem sobrevive aos altos e baixos. E minha jornada... me empurrou até aqui.

Ela hesitou, mas terminou com sinceridade.

MOLLY: Mas nunca foi sobre merecer mais. Foi sobre fazer o melhor com o que dava.

Nacho a acompanhou com um aceno, se dirigindo a Willow com respeito.

NACHO: Se eu aprendi alguma coisa com você, foi que nem todo líder grita. Às vezes, você só era... firme. Eu não sei se mereço mais do que você. Mas sei que aprendi com você. E pra mim, isso já conta muito.

Willow sorriu de leve, meio sem graça, mas seus ombros relaxaram um pouco. McConnor revirou os olhos.

Logo depois, Cyrus se inclinou para a frente, apoiando os cotovelos nos joelhos.

CYRUS: Molly, no início você dizia que acreditava fielmente que tinha alguma coisa mágica acontecendo aqui... que esse lugar tinha energia, que nada era só coincidência. — Ele ergueu uma sobrancelha, com curiosidade genuína. — Em tempo, eu também aprendi isso. Minha pergunta é se você ainda sente isso agora que está no fim? Ou mudou de ideia?

Molly franziu a testa, pensativa. Quando respondeu, sua voz estava firme, mas com um brilho contido.

MOLLY: Eu acho que ainda acredito, sim. Mas não do jeito que eu pensava antes. A floresta, os desafios, tudo isso foi assustador, às vezes até bizarro... — Ela deu uma risada nervosa. — Mas a parte mágica de verdade foram as conexões. As pessoas entraram diferentes e saíram... diferentes de novo. A forma como a gente caiu, levantou, se arrependeu, perdoou. É aí que a mágica tava.

TOMMY: Isso foi tão cafona. — Ele sussurrou.

Cyrus deu um meio sorriso e assentiu, satisfeito com a resposta.

Chris McLean, o apresentador, bateu palmas e chamou a atenção.

CHRIS: Então tá bom, é isso. — Ele se virou para o banco do Júri. — Vocês sabem o que fazer. Cada um deve ir até a cabine de votação e escolher um vencedor. Quem receber mais votos será o campeão oficial de Drama Total: Floresta dos Mistérios. O voto de vocês pode mudar a vida desses dois pra sempre, então levem a sério.

Um por um, os jurados entraram na cabaninha e registraram seus votos.

*CABINE DE VOTAÇÃO ON*

GRETCHEN: Esse voto é tão especial pra mim. — Sua voz estava mais rouca que o normal, tomada pela emoção. No papel, lia-se “Molly” em letras garrafais. — Você é uma das garotas mais legais que eu conheci e eu estarei feliz de te ver milionária! — Ela sorriu largamente.

TOBY: Extra, extra! Meu voto vai para… Nacho! Não sei explicar, mas sua honestidade é tão pura. Eu adoraria fazer um documentário sobre sua vida! — Ele exibiu o papel com orgulho.

CYRUS: Hm… isso é tão difícil… os dois jogaram bem, cada um no seu estilo. Mas eu não me perdoaria se não votasse no finalista mais estratégico. — Ele hesitou, depois escreveu um “M” no papel.

TOMMY: Foi mal, mas eu ainda me lembro das noites mal dormidas, garotinha. — E com certo desdém, escreveu “Nacho”.

HARPER: Hm. Eu admiro sua força de vontade, e raspar o cabelo foi corajoso. Embora eu não precise disso! — Ela tirou o chapéu, revelando o cabelo curto. — Ainda assim, meu voto é seu, Molly.

MCCONNOR: Posso escolher “nenhuma das opções”? — Bufando, ele rabiscou o nome de Nacho com má vontade.

*CABINE DE VOTAÇÃO OFF*

Chris leu os votos com atenção. Ao lado dele, Chef Hatchet segurava uma maleta com um milhão de dólares.

CHRIS: Vamos lá. — Ele quebrou o silêncio. — Os votos foram computados. Quando eu anunciar, um de vocês será o campeão de Drama Total: Floresta dos Mistérios!

Molly passava a mão pela careca, nervosa. Nacho puxava o tecido da bermuda e balançava o joelho. Gretchen tentava espiar entre os dedos que cobriam os olhos. Toby já segurava a Polaroid, pronto para o clique final.

CHRIS: Eu tenho o resultado. Atenção!

Os finalistas engoliram em seco. Os olhos do Júri estavam fixos no apresentador.

CHRIS: Com sete votos contra três, quem leva um milhão de dólares e o título de vencedor é…

Ele fez uma pausa dramática.

CHRIS: …a Molly! Parabéns!

A maioria do Júri explodiu em comemoração, principalmente Minyoung e Gretchen. McConnor mal conseguiu fingir entusiasmo, aplaudindo com palmas lentas e desdenhosas. Willow cruzou os braços e soltou um assobio.

WILLOW: Uma campeã careca com coração de ouro... É, podia ser pior.

Tommy, ao lado, riu baixinho.

TOMMY: Podia ser você?

Willow revirou os olhos.

WILLOW: Cala a boca. — E depois riu, com o humor seco.

Molly caiu em prantos na hora. Minyoung e Gretchen correram do banco do Júri para abraçá-la.

MOLLY: Eu não acredito! Eu realmente venci… — Ela chorava entre as palavras.

Nacho aplaudiu, genuinamente, mas com visível decepção. Levantou-se e também ofereceu um abraço, que Molly aceitou sem hesitar.

Por algum motivo, Toby também tentou entrar no abraço coletivo.

***

Pouco depois, Chris entregou a maleta com o dinheiro para Molly.

CHRIS: Aqui está, seu prêmio! Só não gasta tudo em adesivos e purpurina!

MOLLY: Não vou prometer nada! — Ela vibrava, agarrando a mala como um urso de pelúcia.

Gretchen e Minyoung estavam quase tão felizes quanto ela.

GRETCHEN: E agora, o que você vai fazer com esse dinheirão, amiga?

MOLLY: Não sei… mas com certeza vai ter glitter no meio!

Ela riu alto, sendo abraçada de novo pelas duas.

Enquanto isso, o apresentador Chris McLean atravessava os pilares de pedra e conferia o relógio de pulso. Seu rosto congelou. Ele correu de volta até os campistas, com a voz meio nervosa.

CHRIS: Uh… pessoal?

Todos se viraram, atentos.

CHRIS: “Parabéns, Molly” e tudo mais, mas eu meio que esqueci de mencionar uma coisinha...

SETH: De novo? A temporada acabou e você ainda tem segredos?

CHRIS: Então... eu não percebi o quanto ficou tarde. E meio que aluguei a Floresta de Tipikanizaw por só 30 dias. À meia-noite os donos aparecem pra cobrar.

CYRUS: E são que horas?

CHRIS: Uhm... onze e cinquenta e cinco?

Um grunhido coletivo ecoou.

SERENA: Gente, calma. Minha família é dona dessa terra. Não importa qual primo distante esteja no nome do contrato, eu ainda tenho autoridade. Com qual Von Nordwesten você negociou, Chris?

Chris deu uma risada sem graça.

CHRIS: Então... eu não fechei com uma pessoa, exatamente. Os donos mesmo são os espíritos da floresta. Meio que prometi que eles podiam erradicar quem ainda estivesse aqui depois da meia-noite.

Um grito coletivo de “VOCÊ FEZ O QUÊ?!” explodiu.

CHRIS: Por isso a gente precisa sair daqui. Tipo... agora! — Ele vasculhou os bolsos e jogou as chaves para Chef Hatchet. — Chef, liga o ônibus!

Sem hesitar, Chef disparou em direção ao Ônibus dos Perdedores. Os campistas correram atrás, se empurrando para entrar. Alguns estagiários se agarraram nas laterais.

A tempo, o motor roncou e o ônibus arrancou pela estrada, cantando pneu.

A câmera focou em Chris, sentado ao lado de um Chef visivelmente nervoso.

CHRIS: Bem... esse foi um final eletrizante! — Ele tentou se recompor. — Temos uma vencedora e vários perdedores! Como sempre: quem gostou, bate palmas. Quem não gostou... paciência! Por hoje, eu sou Chris McLean e esse foi Drama Total: Floresta dos Mistérios! — Ele olhou desesperado para Chef Hatchet. — Pisa fundo, Chef!

O ônibus acelerou ainda mais. Os créditos subiram na tela.

***

A cena pós-créditos começa no meio da Floresta de Tipikanizaw, agora tomada por uma névoa branca. No centro dela, duas figuras espectrais emergem.

Um triângulo amarelo com um olho no centro, cartola e gravata pretas. Ao lado, um axolote rosa semi-transparente. As entidades dominadoras da floresta: Asunetopih e L’toloxa.

ASUNETOPIH: Não acredito! Eu apostei dez almas com o Adrameleque que eles iam passar da meia-noite. — O triângulo amarelo girou no ar, indignado. — Perder pra um bando de adolescentes histéricos e um apresentador de reality?! Humilhante.

L’TOLOXA: Eles quase ficaram. Você devia ter incluído uma cláusula de efeito retroativo. — Comentou, flutuando em espiral, entediado.

ASUNETOPIH: Vou admitir, eu quase vou sentir saudades desses pivetes. Eles fugiram da floresta, mas não dos próprios fantasmas. — Gargalhou com gosto. — A ruivinha vai se perguntar por muito tempo se a mãe a perdoaria. O sorridente vai voltar pra casa com auto-depreciação e um vazio. E a vencedora... ah, a vencedora ainda vai ouvir os pais discutindo atrás da porta do quarto.

L’TOLOXA: Isso é o que torna tudo divertido. Ainda assim, eles deram sorte em conseguir fugir.

ASUNETOPIH: Tudo bem. Podem levar anos, décadas ou séculos. Outros humanos vão aparecer aqui. Eles sempre aparecem. A ganância humana é cíclica. Realidade, dinheiro, fama... sempre os mesmos gatilhos.

A câmera os seguiu enquanto a névoa se espalhava ainda mais.

L’TOLOXA: E quando aparecerem... estaremos esperando. Como sempre.

Ele virou-se abruptamente para o público. Ou melhor, para quem estiver lendo.

ASUNETOPIH: E da próxima vez... talvez sejamos nós contando a história.

A risada dele distorceu o ar ao redor em glitch.

H̸̢̋́A̸͙̜̘͙͌͗͝H̸̼̯̳̐͠A̴͈̠̥͔͒͛͘͝H̴̖̻́̾͂Ā̴̛̖͍̟̰̿͒

*FIM*


Notas finais
Obrigado por acompanhar e ler esta fic. Dados, trivias e informações da temporada: [Em breve] E a próxima, a sétima, temporada da minha saga de fanfics de Drama Total está por vir! Ainda não passei do piloto mas com sorte começo a postar ainda este ano. Até lá! Prontos para correr?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!