Drama Total: Floresta dos Mistérios
6 o labiriNto do caos
Drama Total: Floresta dos Mistérios
Capítulo 6 — o labiriNto do caos
Chris McLean estava em sua sala de monitoramento, vendo as gravações com um sorriso. Ele encara a câmera e inicia a recapitulação.
CHRIS: No último episódio de Drama Total: Floresta dos Mistérios, o relacionamento entre nossos campistas estava evoluindo! Serena, ainda se questionando após a noite na mansão, decidiu demitir Seth como seu assistente, o que deixou o rapaz desesperado. Tommy e Willow se aproximaram ainda mais e um encontro foi prometido entre eles. Mas antes de um encontro, eles tem um desafio! Os campistas fizeram um estudo de campo com a fauna da floresta, conhecendo criaturas clássicas de conto de fadas, bem mais… perversas na vida real! E eu adoro! — Ele riu. — No final, o desafio foi para nada, já que eu surpreendi eles com uma troca de equipes! Surpresa! — E gargalhou mais. — Minyoung, anda atormentada por seus sonhos. Será que eles significam algo? E se significam, ela consegue decifrá-los? Ou a floresta fala uma língua difícil demais? — Seu tom era conspiratório. — E por fim, será que Willow e Tommy vão conseguir seu encontro, agora em equipes separadas? E o que Cyrus acha disso? Talvez uma dessas perguntas seja respondida neste episódio! Restam nove campistas, quem será eliminado hoje?
*Abertura*
De volta ao acampamento. Os campistas andavam pelos corredores das cabines, arrastando malas, trocando olhares desconfiados e tentando fingir que estavam ok com a troca.
Na antiga cabine dos Arbustos, Molly e Gretchen pareciam despreocupadas. Estavam mais empolgadas em continuar juntas do que preocupadas com o que viria a seguir.
GRETCHEN: Tô tão feliz que ficamos na mesma equipe. — Ela relaxou os ombros. — Amigas de cabine pra sempre.
Elas entrelaçaram as mãos com exagero. As pulseiras de Molly tilintavam, como sempre.
MOLLY: Minhas pulseiras claramente funcionaram! — Sorriu. — Agora a gente só precisa fazer os novatos se sentirem bem-vindos.
GRETCHEN: A Minyoung parece gente boa. Um pouco tímida, talvez. — Ela fez uma pausa e mudou o tom. — Agora... o Tommy.
MOLLY: É. — Coçou o queixo. — Ele vai dar trabalho.
*CONFESSIONÁRIO ON*
GRETCHEN: Hoje tivemos uma troca de equipes. Meio do nada, né? Típico do Chris. — Ela ergue uma sobrancelha. — Mas tô feliz que Molly e eu continuamos juntas. Acho que trabalhamos bem como um time. — Sua expressão muda um pouco. — Agora, com quatro membros contra cinco no outro time, não podemos dar bobeira. Perder outro desafio? Fora de cogitação. Ainda faltam muitos dias de jogo, a gente precisa começar a ganhar.
*CONFESSIONÁRIO OFF*
Na outra cabine, Tommy descia os degraus rangentes com esforço, equilibrando malas pesadas. Willow, ao vê-lo, deu uma risadinha discreta.
WILLOW: Ei, precisa de ajuda?
TOMMY: Huh? Eu… — Ele ajeitou as costas e tentou parecer mais relaxado do que estava. — Tô tranquilo. Só preciso malhar mais, sabe? — Ele deu um sorriso forçado.
Willow balançou a cabeça, rindo, e se aproximou.
WILLOW: Uma pena a gente se separar. Nossa equipe estava mandando muito bem.
TOMMY: Sem dúvida. Mas o que mais chateia... é não estar mais com você. — Ele deu um passo pra frente, ficando mais perto do que devia. — A gente nem teve nosso encontro ainda...
WILLOW: O encontro de amigos, né? Podemos fazer isso depois.
TOMMY: É. Claro. Encontro. — Ele repetiu a palavra, se inclinando aos poucos. — Mas... talvez você possa me dar alguma coisa pra lembrar até lá...
Ele fechou os olhos e se aproximou. Mas, quando abriu de novo, estava sozinho. Willow já estava no alto da escada, ajudando Minyoung a entrar com uma mala enorme.
TOMMY: Huh? O quê?
Willow já estava ajudando Minyoung, que tentava arrastar uma mala gigante pela porta.
WILLOW: Minyoung, cuidado, isso parece pesado! Deixa que eu te ajudo.
MINYOUNG: Ah, obrigada, Willow!
Tommy suspirou, derrotado, e deixou-se cair sentado sobre as malas, apoiando os cotovelos nos joelhos.
*CONFESSIONÁRIO ON*
TOMMY: Ok, não foi minha melhor ideia. Talvez tenha sido meio... precipitado. Mas, sério, eu só queria mostrar que gosto de estar perto da Willow. — Ele dá de ombros, tentando parecer relaxado. — Só que agora ela provavelmente acha que eu sou um completo babaca. — Ele suspira e esfrega o rosto com as mãos. — E pra melhorar tudo, agora estou numa equipe só de garotas. Não me entendam mal, Gretchen e Molly parecem... caricatas, mas também meio intensas. E a Minyoung, ela é da minha equipe, mas é tão quieta que eu nem sei como começar uma conversa. Isso vai ser complicado.
*CONFESSIONÁRIO OFF*
Tommy e Minyoung chegaram à nova cabine, analisando o ambiente com olhares cautelosos.
TOMMY: Bem, parece… exatamente igual à outra cabine. Talvez com um leve upgrade. — Ele brincou, acendendo a luz. — Vocês têm eletricidade pelo menos.
GRETCHEN: É, crédito ao McConnor. Consertou antes de ser chutado. Acho que finalmente fez algo útil. — Ela deu de ombros.
Minyoung carregava suas malas escada acima, mas Molly correu para ajudá-la com um sorriso radiante, logo seguida por Gretchen.
TOMMY: Ninguém vai me ajudar com as minhas malas? — Ele perguntou, mais por hábito do que por necessidade, mas claramente se sentindo ignorado.
MOLLY: Oh, foi mal, Tommy. É que você é um… homem crescido.
TOMMY: Hm, justo. — Ele soltou as malas com um baque na cama mais próxima. — Eu só estava brincando, de qualquer forma.
Molly riu, mas parecia desconfortável, enquanto Minyoung ajeitava os óculos sem jeito.
*CONFESSIONÁRIO ON*
MINYOUNG: Bom, nova equipe, novas possibilidades, certo? Molly e Gretchen são… animadas. Muito animadas. Elas já me fizeram umas mil perguntas sobre minha vida! — Ela ajusta os óculos e sorri timidamente. — Mas são muito gentis. Acho que temos mais em comum do que eu esperava. Agora, Tommy… bem, ele parece um pouco deslocado, mas eu não sei se consigo ajudar. É minha chance de fazer amizades, então preciso focar nisso.
*CONFESSIONÁRIO OFF*
Molly, Gretchen e Minyoung rapidamente se integraram, conversando sobre interesses em comum enquanto arrumavam o quarto. Molly falava sobre sua coleção de adesivos, e Gretchen contava histórias de furtar livros de romance proibidos de sua mãe em um tom exageradamente heróico. Minyoung riu mais do que esperava, sentindo-se cada vez mais confortável.
Tommy observava tudo em silêncio. Depois de alguns minutos, deitou na cama com um suspiro longo e puxou o travesseiro sobre a cabeça. As risadas do outro lado da cabine continuavam.
***
A cantina ainda estava mergulhada em um silêncio pegajoso de manhã cedo. O Chef Hatchet mexia uma panela fumegante com a expressão de quem odiava cada segundo da própria existência.
A porta rangeu. Os Arbustos Enigmáticos entraram, liderados por Molly, saltitante como sempre. Gretchen e Minyoung vinham logo atrás, bocejando. Tommy arrastava os pés com a energia negativa.
TOMMY: Café. Preciso de café. Agora.
Ele seguiu direto até a bancada, agarrou a cafeteira e despejou café no copo até quase transbordar. Chef Hatchet parou de mexer a panela e o encarou com as sobrancelhas erguidas.
CHEF HATCHET: Isso é pra todos, garotinho. Sua mãe não te ensinou a compartilhar?
Tommy ignorou completamente, virou-se e foi sentar. Do outro lado, Cyrus observava com um meio sorriso.
CYRUS: Uau, Tommy. Estilo novo? Zumbi moderno?
Tommy só resmungou e afundou a cara no café.
Enquanto isso, Minyoung, Gretchen e Molly já engatavam conversa.
MOLLY: Então, qual seu grupo coreano favorito, Minyoung? Não me diga que é o Boyz Town.
MINYOUNG: Eles não são ruins… mas prefiro Neon Vybe.
As três berraram.
GRETCHEN: Neon Vybe! A gente vai ser muito amigas.
Começaram a cantar o refrão da música mais famosa do grupo, batendo palmas no ritmo. Tommy encolheu mais na cadeira.
*CONFESSIONÁRIO ON*
MOLLY: Essa manhã foi perfeita! Minyoung tá se soltando, Gretchen tá feliz, e o Tommy… bom, ele não tá atrapalhando. Então, tudo ótimo! — Ela sorriu, balançando as pulseiras.
*CONFESSIONÁRIO OFF*
Do outro lado da cantina, os Pinheiros Questionadores lidavam com suas tigelas de mingau. Willow estava casualmente cortando um pedaço de pão duro quando Serena se aproximou com sua tigela e sentou ao lado dela, hesitante.
SERENA: Willow, olha… eu sei que você não tem muita paciência comigo. — Ela começou, sem aviso.
Willow ergueu uma sobrancelha, mas não respondeu.
SERENA: Eu só queria dizer que… eu tenho pensado muito desde aquela noite na mansão. Sabe, sobre o que a minha família fez. Sobre o impacto nas pessoas, como sua família. E lenhadores, no geral.
Willow parou por um instante, olhando para Serena.
WILLOW: É, eu lembro disso.
Serena mexeu o mingau com a colher, visivelmente nervosa.
SERENA: Não é desculpa, mas... não é como se eu tivesse concordado com aquilo. Eu nem sabia de metade das coisas!
Willow cruzou os braços, analisando Serena.
WILLOW: Tá, e agora que você sabe?
Serena levantou o olhar, os ombros tensos, relaxando um pouco.
SERENA: Agora, eu quero fazer diferente. Eu sou uma mulher completamente diferente de... cinco dias atrás! — Ela tentou um sorriso, claramente nervosa. — Quero melhorar, ser alguém com quem você possa contar. E a equipe também! Não apenas uma riquinha inútil e exploradora.
Willow respirou fundo, relaxando um pouco.
WILLOW: Bom, se você quer mesmo mudar, pode começar hoje. Vou contar com você.
Serena assentiu, um sorriso mais genuíno surgindo em seu rosto.
NACHO: E aqui entre nós, Serena, todo mundo tem algo pra melhorar. Você tá no caminho certo.
Serena olhou para ele, agradecida. Cyrus entrou na conversa.
CYRUS: Espera, Serena, isso quer dizer que você… não quer mais desistir? Sem ofensas, eu pensei que se a gente perdesse, eu só ia… votar em você.
SERENA: Não diria isso, exatamente. Eu não me importaria de sair dessa floresta! — Ela riu desajeitada. — Mas eu acho que posso ver as coisas de outro jeito.
*CONFESSIONÁRIO ON*
SERENA: Ok, eu quero mudar, de verdade. Ser uma pessoa melhor, trabalhar em equipe, essas coisas. Mas... essa floresta? Ainda é um pesadelo. Dez dias já é muito! Não é como se mais um ou dois fossem me matar, mas, sendo bem sincera, se eu for eliminada, pelo menos volto pra um lugar com água quente e sem insetos. Então, sabe… tanto faz! — Ela deu um sorriso ligeiramente conformado.
*CONFESSIONÁRIO OFF*
De volta à outra mesa, o trio feminino seguia cantando, agora com coreografia improvisada. Tommy tomou um gole de café com a expressão de quem considerava se enterrar vivo.
TOMMY: Pelo menos não tem como piorar. — Ele resmungou.
***
A porta da cabine se abriu com força. Gretchen, Minyoung e Molly entraram maquiadas demais para aquele horário. Unhas postiças, glitter e entusiasmo demais.
Tommy está sentado em sua cama, olhos arregalados de incredulidade.
MOLLY: Agora é a sua vez, Tommy! Canta com a gente! — Pulando.
TOMMY: Passo. — Ele respondeu, olhando em volta como se estivesse preso.
GRETCHEN: Você é muito sem graça, sabia?
Ele se jogou na cama e cobriu o rosto com o travesseiro enquanto o trio fazia um karaokê sem microfone.
*CONFESSIONÁRIO ON*
TOMMY: Eu achava que ser separado da Willow era o pior que poderia acontecer. Estava errado. Muito errado. Essas garotas… é impossível! — Ele gesticula amplamente. — Eu preciso fazer algo. Isso tem que parar!
*CONFESSIONÁRIO OFF*
Enquanto as meninas cantavam uma ponte melódica qualquer, Tommy abriu a porta dos fundos da cabine e escapou. Do lado de fora, encontrou um saco de dormir num armário e caminhou até o limite da clareira.
TOMMY: Finalmente… paz e sossego. — Ele sussurrou.
Antes de conseguir fechar os olhos, um glutão, um animal selvagem peludo e raivoso, aparece do nada e morde sua canela.
TOMMY: AAH! QUE ISSO?!
Ele se debateu, caiu na lama e viu o bicho sumir correndo. Imundo, coberto de folhas e humilhação, encarou a cabine ao longe.
TOMMY: Ainda é melhor que ficar lá dentro.
Ele fechou os olhos e tentou dormir.
***
Na manhã seguinte, Tommy caminhou lentamente até a cantina, os olhos semicerrados enquanto equilibrava uma xícara de café forte.
Após terminar o primeiro gole, ele olhou para a mesa dos Pinheiros e respirou fundo, decidido a falar com Willow sobre o “encontro de amigos” que parecia nunca acontecer.
TOMMY: Certo, é agora. Sem distrações. — Murmurou.
Ele dá um passo.
O alto-falante chia.
CHRIS: Atenção, campistas! Encontro na clareira próxima à entrada da Reserva Florestal em cinco minutos! Sem atrasos! — Sua voz soou pelo sistema de comunicação.
Willow já estava saindo pelas portas antes que Tommy conseguisse dizer algo. Ele fez uma careta e voltou a se afundar na xícara de café.
*CONFESSIONÁRIO ON*
TOMMY: Isso foi estranho. Parece que a Willow está me evitando. Mas… ela não faria isso, certo? Somos amigos. Quer dizer, claro que eu queria que fôssemos mais, mas… enfim! Deve ser coisa da minha cabeça. Ela só está focada no jogo. Willow é competitiva desse jeito. — Ele deu um sorriso esperançoso.
*CONFESSIONÁRIO OFF*
Os campistas se reuniram na clareira, onde Chris os esperava com um sorriso. Atrás dele, um labirinto gigante com paredes de plantas e corredores que pareciam infinitos se estendia pelo campo. No centro, uma plataforma elevada com duas bandeiras, uma verde e outra laranja, que balançavam ao vento.
CHRIS: Bom dia, meus peões! Animados para o desafio de hoje?
Os campistas se entreolharam, alguns desconfiados.
CHRIS: Como vocês podem ver, temos um clássico desafio de labirinto! Desta vez, é em equipes!
Os murmúrios aumentaram.
CHRIS: Relaxem, vai ser fácil… ou não. Ao entrar no labirinto, cada equipe seguirá um caminho. O objetivo é chegar ao centro, onde vocês devem erguer a bandeira da sua equipe. Só tem um detalhe: todo mundo tem que chegar. Se faltar um, a equipe perde. Não adianta deixar ninguém para trás!
O clima pesa.
CHRIS: Agora, o que torna isso divertido, para mim, claro, são os obstáculos. Tem armadilhas clássicas e… ah, e armadilhas do tipo… místico!
Os campistas ficaram boquiabertos.
MOLLY: Místico? Tipo… unicórnios de novo?
CHRIS: Seria repetitivo, não acha? Vou deixar vocês descobrirem por conta própria. Agora, ao trabalho! Vale invencibilidade, dessa vez pra valer!
Ao som do apito de Chris, os campistas correram até a entrada do labirinto. E sem pensar muito, os Pinheiros tomaram o caminho da direita e os Arbustos foram pela esquerda.
***
Os Pinheiros Questionadores avançavam com cuidado pelo labirinto. As paredes de folhas densas abafavam a luz, e o cheiro de terra molhada tornava tudo mais claustrofóbico. Cyrus vinha colado ao caderninho, rabiscando com um entusiasmo sinistro.
SERENA: Espero que dessa vez não tenha fantasma nenhum. — Revirando os olhos. — Sem querer ofender, mas já deu.
NACHO: Ou bonecas possuídas! — Se intrometeu.
SETH: Bonecas… o quê? — Arqueia a sobrancelha.
NACHO: Ah, é! Vocês não estavam lá. Eu, Toby e Minyoung—
Ele ia continuar, mas parou seco diante de uma bifurcação. Willow se aproximou e analisou ao redor. Então fez um muxoxo.
WILLOW: E agora? Nada de marcas… esse lugar é um pesadelo de navegação. Nenhum dos meus truques de lenhadora funcionam!
CYRUS: Estatística. Direita. Funciona em 87% dos casos.
SETH: E os outros 13%?
CYRUS: Ficamos presos pra sempre ou encontramos um monstro. — Deu de ombros, mais tranquilo que o comum.
Antes que alguém pudesse argumentar, Nacho tentou usar um galho como bússola improvisada. Tropeçou numa pedra e, com o impacto, derrubou parte da parede de folhas, revelando um buraco no chão.
SERENA: Ótimo. Agora até o chão quer nos matar. — Comentou com ironia.
O grupo seguiu mesmo assim. Vinhas que enroscavam tornozelos, espinhos nas paredes, pedras escorregadias. Seth quase foi pro chão duas vezes.
WILLOW: Continuem. — Em tom firme. — Aposto que o Chris ainda vai se superar.
Ela estava certa.
Um rugido rasgou o ar. Do fundo das sombras, emergiu um cérbero, o lendário cão de três cabeças. Três pares de olhos vermelhos, presas pingando baba, rosnados em perfeita harmonia.
SERENA: Um cachorro de três cabeças. — Boquiaberta. — Ele contratou um cachorro de três cabeças.
CYRUS: Isso é um cérbero! — Fascinado. — Eles sempre guardam algo importante. Estamos perto!
O cérbero avançou. O latido fez Nacho derrubar sua “bússola”.
SERENA: Só pra deixar claro: eu definitivamente não quero continuar! — Ela deu uns passos pra trás. — É tarde demais pra desistir?
WILLOW: Ninguém vai desistir. — Se posiciona com o galho na frente do grupo.
Enquanto isso, Seth tenta outra opção.
SETH: Aqui, pega! — Arremessa uma pedra.
A pedra acerta a cabeça do meio. O cérbero rosna ainda mais alto e cospe o projétil longe.
SERENA: Isso, vamos negociar com o bicho! E um batom? — Tira da bolsa. — É importado! — Joga no chão.
O cérbero pisa sem cerimônia, esmagando o batom.
CYRUS: Negociação não é uma opção! Precisamos de uma distração! — Rabiscando frenético.
NACHO: Cachorro… distração… — Dá um estalo. — Já sei!
Sem pensar duas vezes, ele tira o sapato, arranca a meia, enrola com folhas e lama e arremessa longe.
As três cabeças congelam, os olhos seguindo o improviso. Em segundos, disparam atrás da “bola”, cada cabeça tentando agarrá-la primeiro.
SERENA: Você jogou… uma meia?! E funcionou?!
WILLOW: Cachorro é cachorro… eu acho?
Sem hesitar, os Pinheiros disparam pelo corredor seguinte, os sons das cabeças brigando ecoando atrás deles.
*CONFESSIONÁRIO ON*
NACHO: Eu só pensei: “Cachorros normais amam bolas, certo?” Então, por que não um cachorro gigante de três cabeças? Funciona sempre com os cachorros da minha vizinhança! — Coçando a cabeça, rindo nervoso. — Não vou mentir, essa foi uma das coisas mais assustadoras que eu já fiz... mas pelo menos funcionou. Agora, eu só preciso torcer para ele não encontrar o outro par de meia.
*CONFESSIONÁRIO OFF*
Pensou por um segundo
A névoa rasteira envolve o labirinto, abafando o som dos passos dos Arbustos Enigmáticos. Tommy encabeça o grupo, arrastando os pés.
GRETCHEN: Tommy, você anda assim por quê? — Cruza os braços. — Parece que fugiu de um apocalipse.
TOMMY: Um apocalipse seria mais divertido que isso. — Resmunga.
MOLLY: Sério? Isso é o paraíso dos mitos! — Sorri, empolgada. — Fadas, sereias… só falta um dragão!
TOMMY: Paraíso? Estou preso num labirinto de monstros e vocês estão animadas. Isto é o inferno.
Minyoung se aproxima, falando baixo.
MINYOUNG: Pelo menos estamos juntos… — Olha para os outros, insegura.
Tommy vira uma curva e congela. Três centauros surgem das sombras, arcos erguidos, flechas engatilhadas.
TOMMY: AAAAAH! Que isso?! — Cai para trás.
Molly e Gretchen chegam, boquiabertas.
MOLLY: CENTAUROS! Unicórnios e centauros na mesma semana? — Bate palmas. — É tipo um presentão de aniversário!
O centauro líder avança, erguendo o queixo.
CENTAURO LÍDER: Não somos seu presente, humana. Somos seu obstáculo.
As três figuras tensionam as cordas, apontando flechas.
***
A câmera corta para Chris McLean, reclinado fora do labirinto, óculos escuros, bebendo de um coco.
CHRIS: Drama puro! Querem ver se eles escapam? Fiquem aí — Sorri para a câmera — Voltamos em instantes com mais Drama Total: Floresta dos Mistérios!
*Intervalo*
Os Arbustos Enigmáticos corriam em zigue-zague pelo labirinto, tentando escapar da chuva de flechas que cortavam o ar com estalos agudos. Tommy, já cambaleando de cansaço, foi atingido no ombro por uma das flechas e caiu de joelhos com um gemido abafado.
TOMMY: Vocês... têm algum plano? — Falou entre dentes, com a voz fraca. — Porque tô prestes a virar espetinho humano…
*CONFESSIONÁRIO ON*
GRETCHEN: Centauros armados. Lógico. — Disse com os braços cruzados, o olhar exausto. — Como se lutar contra fadas e unicórnios já não fosse absurdo o bastante. Agora aparecem três armários mitológicos com arcos? É sacanagem. Lindos? Sim. Mas eu preferia admirar de uma distância segura... tipo, outro continente.
*CONFESSIONÁRIO OFF*
As garotas se esconderam atrás de uma formação de raízes grossas, trocando olhares tensos enquanto as flechas continuavam zunindo ao redor.
MINYOUNG: Precisamos pensar rápido! O que a gente sabe sobre centauros? Gretchen?
GRETCHEN: Que eles... são meio cavalos, meio humanos? — Ela tentou, hesitante.
MINYOUNG: Isso não ajuda em nada! Molly?
MOLLY: Centauros adoram competir, né? — A garota estalou os dedos, animada. — Tipo... corridas e torneios!
MINYOUNG: Molly, isso é o nome de uma marca de tênis, não uma fonte confiável de mitologia!
Antes que Molly pudesse retrucar, outra flecha cravou no calcanhar de Tommy, que soltou um berro.
TOMMY: Ai, meu tendão de Aquiles! Vocês podem acelerar essa parte?!
MOLLY: Tá, relaxa! Deixa comigo! — Ela se levantou, mãos em concha ao redor da boca. — Ei, cavalheiros centauros! Que tal uma corrida? Aposto que vocês não são tão rápidos quanto pensam!
Os centauros pararam imediatamente, visivelmente ofendidos.
CENTAURO LÍDER: Uma corrida? Você ousa desafiar nossa velocidade, humana?
MOLLY: Não só desafio... como duvido! Qualquer um de nós aqui pode vencer vocês.
Gretchen arregalou os olhos, perplexa.
GRETCHEN: Isso vai dar tão errado...
MOLLY: Confia em mim! — Ela cochichou, se inclinando para as outras. — Centauros têm egos enormes... tipo os unicórnios, lembram?
Os três centauros se entreolharam, o orgulho ferido piscando nos olhos.
CENTAURO LÍDER: Muito bem, humana insolente. Mas se perderem, dobraremos as flechas!
MINYOUNG: Isso não é nada reconfortante. — Murmurou, pálida.
A “corrida” teve início. Molly saiu disparada, com os cabelos esvoaçando. Gretchen e Minyoung vinham logo atrás, puxando Tommy pelos braços como se estivessem arrastando uma árvore caída.
TOMMY: Isso não é dignidade! — Gritou, mas ninguém respondeu.
Os centauros rugiram e partiram em galope atrás deles, cascos fazendo o chão tremer.
MOLLY: Planos ruins funcionam... às vezes! — Gritou entre uma respiração e outra.
Ao se aproximarem de uma bifurcação coberta de heras, Molly pegou uma pedra e a lançou com força contra uma trepadeira acima. As vinhas despencaram, caindo sobre o caminho e criando uma barreira densa. Os centauros pararam bruscamente do outro lado, bufando com frustração.
CENTAURO LÍDER: Vocês venceram esta rodada, mas não contem com a mesma sorte da próxima!
Os três deram meia-volta, trotando de volta para a escuridão do labirinto.
MOLLY: Tá vendo? Molezinha! — Ela ergueu os braços, triunfante.
*CONFESSIONÁRIO ON*
MOLLY: Eu sei, foi totalmente aleatório. Mas a minha ideia maluca deu certo! — Ela sorriu, orgulhosa. — Eu tinha, tipo, 25% de certeza de que ia funcionar. Mas isso não importa! O importante é que escapamos. Só que agora... acho que não gosto mais de criaturas com patas. Aposto que o próximo desafio vai ter pôneis demoníacos.
*CONFESSIONÁRIO OFF*
Mais à frente, agora longe do perigo imediato, o grupo parou para verificar Tommy, que mal conseguia se manter de pé.
MINYOUNG: Vamos ter que carregar ele. Não tem outro jeito.
MOLLY: Verdade! Gretchen, é contigo.
GRETCHEN: Por que eu?! — Ela lançou um olhar incrédulo.
MOLLY: Porque você é a mais forte, ué!
A garota bufou, mas não discutiu. Em poucos segundos, ela já havia jogado Tommy sobre os ombros como se ele fosse um saco de batatas.
TOMMY: Isso é humilhante demais... — Resmungou, sem forças para resistir.
GRETCHEN: Fica quieto, ou eu te deixo de presente pros centauros. — Ela resmungou, ofegante, ajustando o peso dele.
***
Os Pinheiros Questionadores avançavam pelo labirinto, suados e tensos. Ao virar uma esquina, se depararam com um chão coberto de grama, mas disfarçando vários alçapões.
WILLOW: Cuidado com o chão! — Berrou, liderando com firmeza. — Sigam meus passos!
Willow saltou agilmente pelos pontos seguros, mas Nacho, distraído, pisou direto em uma armadilha. Uma mola o lançou pelos ares.
NACHO: AAAAAH! — Ele despencou num arbusto espinhoso. — Isso definitivamente não é legal!
Willow e Cyrus correram para ajudá-lo a sair, enquanto Nacho tirava folhas e espinhos das roupas, resmungando.
Mais à frente, uma harpista misteriosa tocava uma melodia suave e estranhamente encantadora. Seth e Serena pararam no ato, de olhos vidrados e começaram a caminhar em direção à música.
WILLOW: Ah, ótimo… Hipnose. — Reclamou com desdém.
Ela pegou dois punhados de terra do chão e jogou no rosto de Seth.
SETH: Mas que droga é essa?! — Sacudindo a cabeça, irritado.
WILLOW: Você tava sendo hipnotizado. Pode agradecer depois.
Nesse momento, Nacho, ainda atordoado, tropeçou na base da harpa, que se espatifou. Serena piscou, livre do transe.
SERENA: Ugh… o que aconteceu? Eu tava indo pra...
Mas antes que pudessem respirar, um enxame de vespas gigantes surgiu do alto, empunhando minúsculos tridentes.
CYRUS: Vespas armadas?! Quem criou isso?! — Questionou em pânico.
O grupo disparou pelo corredor enquanto Serena soltava um grito agudo e desnecessário.
*CONFESSIONÁRIO ON*
CYRUS: Vespas com tridentes... isso vai definitivamente entrar no meu diário. Mesmo que seja a ideia mais absurda que já vi.
*CONFESSIONÁRIO OFF*
A cena corta para os Arbustos Enigmáticos.
Molly liderava o grupo com um sorriso animado, até que um redemoinho de folhas surgiu do nada numa bifurcação. Minyoung foi sugada no vórtice e caiu sobre um monte de cogumelos que liberaram um pó cintilante.
MINYOUNG: Acho que vou… atchim!
A sul-coreana seguiu espirrando intensamente nos próximos corredores.
No próximo corredor, os Arbustos encontram uma estátua de mármore que ganha vida e tenta esmagá-los com um martelo gigante. Tommy escapa no último segundo.
Enquanto escapam da estátua, Gretchen tropeça em uma pedra que ativa um jato de água. Molly se joga para salvar Gretchen, mas ambas acabam escorregando e caindo em um pequeno riacho.
Os dois times seguem suas respectivas rotas, cada um mais machucado e desorientado que o outro, mas determinados a chegar ao centro do labirinto.
***
Os dois grupos avançam rapidamente, virando esquinas do labirinto. De repente, ambos chegam a uma interseção ao mesmo tempo, colidindo levemente enquanto se deparam uns com os outros.
WILLOW: O que vocês estão fazendo aqui? — Surpresa.
MOLLY: O mesmo que vocês: tentando sair vivos desse labirinto. Nossos caminhos só… se cruzaram. Que coincidência!
SERENA: E como vocês chegaram aqui primeiro? Parece que tem um membro… meio morto? — Ela aponta para Tommy, sendo arrastado lentamente por Gretchen.
GRETCHEN: Não fala disso. Meu ombro ainda vai cair.
Tommy dá um gemido baixo, balançando ligeiramente para frente enquanto Gretchen o coloca no chão.
WILLOW: Tommy, o que aconteceu com você? — Se aproxima preocupada.
Tommy tenta erguer a cabeça, mas só consegue emitir um resmungo incompreensível.
WILLOW: Nossa, ele tá mesmo mal… — Em voz baixa, para si mesma.
*CONFESSIONÁRIO ON*
WILLOW: Eu... acho que lidei com isso errado. Eu estava focada na minha nova equipe e... pode ter parecido que estava ignorando o Tommy, mas eu só queria dar um bom exemplo para os outros. Agora ele tá assim, machucado, e eu não quero que algo pior aconteça sem ao menos falar com ele. — Ela suspira. — Só que ele tá tão mal que nem dá pra conversar!
*CONFESSIONÁRIO OFF*
SETH: Tá, pessoal, deixa a sessão de bate-papo depois. — Impaciente. Ele aponta para as bandeiras voando não tão longe. — A plataforma tá logo ali! Vamos acabar logo com isso antes que outro obstáculo apareça.
Como se fosse um gatilho, um alçapão no chão se abre de repente, liberando um rugido grave.
MINYOUNG: Alguém ouviu isso?! — Já recuando.
De dentro do alçapão, uma figura gigantesca emerge. Um minotauro colossal, com pelos desgrenhados e um machado reluzente preso nas costas.
O minotauro ergue o machado e rosna e os campistas berram também.
MINOTAURO: Ei, calma aí, pessoal! — Em um tom arrastado de surfista. — Não precisa gritar, tá ligado?
CYRUS: Bem, isso foi inesperado.
MINOTAURO: Chris me contratou pra ser o “obstáculo final maneiraço”. Tá no job, sabe? Tipo, impedir vocês de avançar e tal. — Ele esfrega a nuca, parecendo desconfortável. — Mas, tipo, não quero machucar ninguém de verdade. Só uns sustos básicos.
GRETCHEN: É sério isso? — Cerrando os punhos. — Você tem o tamanho de um ônibus e quer dar sustos?
MINOTAURO: O chefão prometeu um pagamento irado, então tô só fazendo meu corre.
*CONFESSIONÁRIO ON*
SETH: Um pagamento?! O minotauro tem um salário e eu não?! Como pode o Chris ser um chefe melhor que a Serena! Hmpf… será que ele quer um novo estagiário?
— — —
CYRUS: O que um minotauro aceita como pagamento? Dinheiro? Ouro? Ração para monstros mitológicos? Isso é fascinante.
*CONFESSIONÁRIO OFF*
O minotauro gira o machado no ar, meio desajeitado, e dá um passo para frente.
MINOTAURO: Beleza, galera, bora fazer o que tem que ser feito. — Suspirando.
Os campistas se entreolham, e Willow toma a frente.
WILLOW: Certo, pessoal, vamos resolver isso rápido. E sem ninguém morrer, por favor.
O minotauro avança, balançando o machado em um movimento lento, mas intimidador.
SERENA: Ele disse que não ia machucar ninguém! — Correndo para trás.
MINOTAURO: Nunca disse que ia facilitar, loirinha! — Dando de ombros.
GRETCHEN: Tá bom, grandalhão. Vamos ver se você aguenta isso! — Pegando um pedaço de galho do chão.
Ela corre em direção ao minotauro e atinge sua perna com força. Ele tropeça levemente.
MINOTAURO: Ai! Isso machuca, cara! Meu casco!
Enquanto isso, Cyrus e Nacho improvisam uma armadilha com pedras e cipós, de uns corredores atrás.
CYRUS: Rápido, amarre isso nos chifres dele! — Sugere para Nacho.
NACHO: Isso é a definição de “gambiarra”, mas vamos nessa! — Lutando com os cipós.
Willow e Gretchen distraem o minotauro, atacando de diferentes direções com pedaços de madeira.
MINOTAURO: Vocês são insistentes, hein? Quase admiráveis. — Rindo, enquanto tenta se proteger.
De repente, Nacho termina a armadilha, e Gretchen empurra o minotauro em direção aos cipós. Ele tropeça e cai, preso.
MINOTAURO: Ah, cara! — Bufou.
Os campistas correm em direção à plataforma enquanto o minotauro se contorce para escapar.
Willow alcança a bandeira verde primeiro e a ergue, triunfante, com um sorriso satisfeito.
WILLOW: Conseguimos! — Para a equipe.
Cyrus sobe a plataforma e dá um abraço espontâneo em Willow, que corresponde com um sorriso, ainda suada e cansada. Nacho, Seth e Serena comemoram juntos, mas Serena rapidamente percebe o abraço em grupo e se afasta, ajeitando o cabelo, constrangida.
Chris aparece na plataforma com seu sorriso característico.
CHRIS: E temos um vencedor, pessoal! Os Pinheiros Questionadores levam essa!
Os Arbustos chegam logo depois, visivelmente desanimados.
CHRIS: Isso significa que os Arbustos Enigmáticos vão estrear as novas equipes na Cerimônia de Eliminação! — Com um tom dramático.
MOLLY: Mas... nós nos esforçamos tanto! — Ofegante.
CHRIS: É... e ainda assim, perderam. Que coisa, né? Vejo vocês ao pôr-do-sol!
Os Arbustos suspiram e começam a se dispersar, enquanto os Pinheiros celebram discretamente.
*CONFESSIONÁRIO ON*
SETH: Bom, vencemos, e o Minotauro tá lá, preso e frustrado. Justiça pra alguém que recebe pra ser obstáculo. Isso só me dá uma ideia... talvez eu possa abrir uma agência de obstáculos mitológicos. Talvez isso impressione o Baba! — Ele piscou para a câmera.
— — —
SERENA: Então… nós vencemos! Minha estadia vai ser estendida. A Willow fez um bom trabalho. Acho que “gente tipo ela” tem algumas boas habilidades, na verdade. E quando vencemos, eu fiz algo inimaginável. Eu… comemorei com eles? Celebrar vitórias em grupo... é um novo conceito pra mim. Mas, ei, acho que posso me acostumar com isso. — Ela riu, desajeitada.
*CONFESSIONÁRIO OFF*
A cabine dos Arbustos Enigmáticos estava mais tranquila que o normal, já que Tommy estava na enfermaria. Sem ele resmungando ou evitando interação, o ambiente parecia harmonioso.
Gretchen estava largada na cama, enquanto Molly e Minyoung ocupavam a mesa improvisada, empilhando pulseiras de miçangas como parte de um projeto espontâneo e vagamente terapêutico.
GRETCHEN: Eu gosto disso. Nós três. É raro encontrar um grupo que realmente funciona.
MOLLY: Total! É tipo… destino cósmico com miçangas. — Examinou uma miçanga.
MINYOUNG: Sério, vocês me fizeram sentir em casa. Achei que ia ser um desastre. Mas... não foi. — Ela sorriu, tímida.
Gretchen se levantou e pegou uma pulseira.
GRETCHEN: Tá vendo? Isso aqui é real. Já me imagino com vocês depois do programa. Fazendo pulseirinhas... sem câmeras, sem Chris, e com certeza sem o Tommy.
Minyoung parou de mexer nas contas, franzindo a testa.
MINYOUNG: Sobre isso... ele tá machucado. Votar nele agora parece errado. A gente era colega na outra equipe. Ele merece uma chance. Me sinto mal.
Gretchen deu de ombros, prática como sempre.
GRETCHEN: Justamente por isso é a decisão mais fácil. Ele tá fora de combate. Isso aqui é uma competição, não um retiro de reabilitação.
Molly fez uma careta, mas manteve seu tom doce e animado.
MOLLY: Não é maldade, Minyoung. É só... o jogo. Se fosse a gente no lugar dele, ele provavelmente não hesitaria.
Minyoung olhou para as duas, incerta. Queria protestar, mas as palavras não vinham.
GRETCHEN: Vamos ser honestas. Nós três somos o motor dessa equipe. — Sorriu. — Com ou sem o Tommy, a gente vai longe.
Molly assentiu, entusiasmada.
MOLLY: Isso aí! Unidas, invencíveis! É só manter o foco... e as boas vibrações!
As três riram, e a câmera desceu lentamente até a pulseira recém-finalizada por Molly, agora repousando na mesa.
*CONFESSIONÁRIO ON*
GRETCHEN: É simples: Tommy não faz sentido na nossa equipe. Ele não quer estar aqui, e a gente não precisa que ele esteja. — Falou, curta. — Tá machucado, tá desmotivado, e já tá na hora de ele sair. Acho que fizemos a escolha certa.
— — —
MINYOUNG: Eu entendo o ponto da Gretchen e da Molly. Mas... votar em alguém machucado me parece errado. Cruel, até. — Fez um muxoxo. — Talvez isso seja só parte do jogo, mas ainda assim... não me sinto bem com isso.
*CONFESSIONÁRIO OFF*
A câmera cortou para a enfermaria. Tommy encarava o teto, meio dopado, meio furioso.
TOMMY: Que se dane essa equipe. — murmurou. — Eu vou fazer o que for preciso.
Com movimentos lentos, ele tirou um objeto dourado do bolso interno do moletom, algo pequeno, reluzente e misterioso, e o guardou de volta com cuidado.
Um estagiário vestido de enfermeiro apareceu.
ESTAGIÁRIO: Tá na hora. Cerimônia de Eliminação, campeão. Levanta daí.
Com uma tipoia no braço e o tornozelo engessado, Tommy cambaleou para fora da enfermaria, carregando muito mais do que só o próprio peso.
***
A fogueira lançava labaredas contra o céu escuro. Chris McLean sorria com os olhos brilhando daquele jeito sádico habitual. Os Arbustos Enigmáticos estavam reunidos, tensos ou simplesmente entediados. Tommy, ainda pálido, parecia concentrado só em não tombar do assento.
Chris fez o discurso padrão, mas dessa vez foi direto. Entregou uma pinha para cada uma das garotas.
Gretchen observava sua pinha, já confiante, quando percebeu Tommy se movendo. Ele se levantou devagar, com uma expressão que era uma mistura de dor e triunfo.
MOLLY: Tommy? O que você tá fazendo?
Ele enfiou a mão dentro do moletom, puxando um objeto dourado.
MINYOUNG: 진짜?! — Os olhos arregalados.
GRETCHEN: De onde você tirou isso?! — Incrédula.
Tommy ergueu a Estatueta McLean de Invencibilidade com esforço.
Chris abriu um sorriso tão largo que parecia que a mandíbula ia descolar.
CHRIS: UAU! Uma reviravolta de respeito!
Tommy ergueu a estatueta com dificuldade, gemendo de dor ao tentar levantar o braço mais alto.
TOMMY: É isso aí, pessoal. Tommy V... continua aqui! — Com um sorriso fraco.
Chris pegou a estatueta com reverência, inspecionando-a.
CHRIS: É genuína! Isso significa que Tommy está salvo! Agora... a pessoa com a segunda maior quantidade de votos será eliminada. Ou seja, só o voto do Tommy é válido.
Molly, Minyoung e Gretchen trocaram olhares nervosos. Gretchen soltou um grunhido irritado.
CHRIS: A pessoa eliminada é…
Ele fez uma pausa dramática, estendendo o momento.
CHRIS: ...Gretchen!
MOLLY: NÃO! — Ela gritou.
MINYOUNG: Não pode ser… — Fungou baixinho.
GRETCHEN: É assim que funciona. Alguém tinha que sair. — Levantando-se com dignidade, embora claramente frustrada. — Mas que droga.
Molly e Minyoung se lançaram num abraço com Gretchen, chorando e segurando-a como se ela fosse desaparecer naquele instante.
MINYOUNG: Você não pode ir! — Fungando. — Nós... éramos um trio perfeito!
MOLLY: Eu nem sei como vamos continuar sem você… — Fungando.
Gretchen suspirou, falando mais rouca que nunca, devido a emoção.
GRETCHEN: Relaxem. Vocês conseguem. Só... tomem cuidado com o Tommy. Ele é um pé no saco. E claramente mais esperto que parece. Essa estatueta? Uau. — Ela falou e as outras duas assentiram.
Chris revirou os olhos.
CHRIS: Tá, tá, emocionante e tudo mais. Mas a gente tem um cronograma apertado. Gretchen, você sabe onde fica o Ônibus dos Perdedores. Vamos lá, hora de ir!
Gretchen olhou para Molly e Minyoung uma última vez, sorrindo pesarosamente.
GRETCHEN: Vocês vão arrasar. Eu sei disso.
Ela se afastou, pegando suas coisas e caminhando em direção ao ônibus. Molly e Minyoung ficaram abraçadas, vendo-a partir.
*CONFESSIONÁRIO ON*
MOLLY: Gretchen era incrível. A força da nossa equipe. Agora, sem ela… bom, vou ter que ser mais forte. Por ela. — Com olhos marejados. — Eu tenho que proteger a Minyoung ainda mais. Ainda somos um trio! Só que agora… com duas pessoas. — Ela tentou sorrir, mas não conseguiu.
— — —
TOMMY: É, óbvio que eu tive que votar na Gretchen. Ela nunca me deu abertura, principalmente após nossa noite na mansão. A Minyoung e eu éramos colegas de equipe. Não temos muito em comum, mas hm, ainda pode funcionar. E a Molly sempre tenta me incluir, por mais irritante que seja. Eu não sou idiota. — Ele gemeu de dor no ombro. — Isso é um jogo, eu quero sobreviver.
*CONFESSIONÁRIO OFF*
O apresentador encarou a câmera, abordando a audiência.
CHRIS: E assim concluímos mais um episódio emocionante! Quem será o próximo a ir embora? Fiquem ligados para mais intrigas, confusões e... mais caos! Até o próximo episódio de Drama Total: Floresta dos Mistérios!
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